segunda-feira, 14 de novembro de 2011

demolir o governo


Sob o discurso asséptico e tecnocrático, nota-se bem a sanha ideológica de ataque ao serviço público quando é prestado por empresas públicas e, sobretudo, a única motivação, bem expressa em cada linha, em cada frase, em cada parágrafo: cortar na despesa.

Através de um arrazoado confuso, com avaliações inteiramente subjectivas e não fundamentadas sobre uma sinistra "dimensão subjectiva e opinativa no jornalismo", misturadas com a manipulação dos conteúdos informativos pelo poder político, assistimos à destruição sistemática, ponto por ponto, de todo o projecto da RTP e de todos os seus canais. Perpassa clara, em todo o texto, a subtileza de camartelo na demolição dos canais públicos de rádio e televisão.

Em relação aos Açores, a arrogante ignorância é confrangedora. Diz o relatório: "Sobre a RTP Açores e RTP Madeira, consideramos que a sua missão histórica está terminada. Dado que existe, também nas Regiões Autónomas, a tendência do poder político para tornar cativos os canais, recomendamos que se apliquem as mesmas recomendações atrás feitas quanto aos canais nacionais." E chega. Nem mais uma palavra em todo o documento, demonstrando a superficialidade com que estes "peritos" abordaram o relatório que, afinal já traziam escrito pelos ideólogos do PSD.

Com este grau de superficialidade e fundamentalismo ideológico, urgente mesmo é demolir este Governo. Não a RTP.

6 comentários:

cefariazores disse...

Ver o relatório de um grupo de trabalho mesmo que nomeado pelo governo como uma imagem do governo é um erro. Se assim fosse não era preciso grupos de estudo ou de trabalho.
Neste caso, mesmo uma das medidas emblemáticas do grupo tem recusa do governo, o que mostra a independência das partes
http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=2123613&especial=Revistas%20de%20Imprensa&seccao=TV%20e%20MEDIA

Tiago R. disse...

Não brinquemos. O Grupo foi nomeado pelo Governo e, mesmo havendo uma divergência em relação à RTP-I, é exactamente a mesma coisa.

cefariazores disse...

Não é só essa divergência, há mais e o próprio grupo assumiu a sua independência do governo e houve mesmo quem se demitiu por não concordar com as opiniões de outros do grupo. Talvez o grupo seja mais papista que o papa

Tiago R. disse...

Veremos que faz o papa...
Creio que os demissionários não subscreveram o relatório.

Luís Paulo Rodrigues disse...

Quanto à limitação da informação nos meios públicos “ao essencial”, para evitar “a intervenção ilegítima ou eticamente reprovável dos diferentes poderes na informação da rádio, TV e agência do Estado”, considero uma ideia absurda, porque significa um atestado de incompetência às direcções editoriais dos meios de comunicação públicos e prenuncia o fim do serviço público de informação. Basicamente é isto: se um meio de comunicação estatal só difunde as inócuas notícias de agência limitadas o mínimo, deixa de ter razões para existir. Donde, é o fim do serviço público de informação.

Tiago R. disse...

Tem toda a razão. E demonstram também um profundo desconhecimento em relação à realidade açoriana em que, apesar de tudo, a informação da RTP-A é das menos permeáveis à propaganda governamental.
O facto de um órgão de comunicação social ser privado não é absolutamente nenhuma garantia de imparcialidade. Basta olhar para a SIC e para o trabalho desenvolvido pelo Ricardo Costa (irmão de António Costa) em prol de José Sócrates.