quinta-feira, 10 de novembro de 2011

duas velocidades para o inevitável

Merkel e Sarkozy falam cada vez mais abertamente de afastar os países europeus mais pobres do Euro, criando uma Europa a duas velocidades. Os ricos dos Euro e as economias periféricas e dependentes.

Nada de surpreendente porque, ainda que partilhando a mesma moeda, é já essa a situação actual, com o seu núcleo duro de estados-directores que conduzem os destinos da União da qual são os verdadeiros beneficiários. O afastamento dos estados membros mais debilitados do Euro servirá apenas para acelerar a sua ruína sem que, com isso, esteja garantida a solidez da economia da França e da Alemanha, antes pelo contrário. Esta Europa, seja a uma ou a duas velocidades, assiste ao fim definitivo dos princípios sonantes, mil vezes repetidos, e de união e partilha de um destino comum, de forma solidária, entre as nações da Europa.

Mantém-se muito actual - talvez mais actual do que eu próprio esperava - o que aqui escrevi em Outubro de 2010. E republico-me: "parece que cada vez mais assistimos à criação do sonho hitleriano do "Grossesdeutsches Reich", hierarquizando as nações europeias sob a batuta do estado director.(...)Perante isto, estamos já, de forma absolutamente clara, no campo de uma estrutura de estado colonial. Com ou sem independência simbólica (que é a única que ainda temos). O sonho europeu de uma associação de parceiros livres está oficialmente morto. Mas o seu cadáver começa mesmo a cheirar mal."

Apesar do conjunto desconhecido de problemas e ameaças que trará, esta morte do projecto europeu, tem o aspecto positivo de ser o fim de uma ficção política e económica que é, neste momento, o grande obstáculo à superação da crise e ao desenvolvimento de uma perspectiva de progresso e desenvolvimento para as nações da Europa.

O fim do projecto europeu, que nas últimas décadas tem sido o desígnio e pedra de toque dos governos da Velho Continente, a razão das políticas, o fundamento dos sacrifícios, o monstro sagrado do discurso político, irá pôr seriamente em causa as elites políticas europeias. Poderá nessa altura, eventualmente estar criado o espaço para a realização de profundas transformações políticas, económicas e sociais. Quando tombar finalmente, e com previsível estrondo, o cadáver apodrecido desta União Europeia, será a vez dos povos europeus falarem e decidirem o novo rumo. E não será um minuto cedo demais!

5 comentários:

cefariazores disse...

Primeiro, sou contra este modelo de duas velocidades porque não é solidário para com os mais frágeis e pobres.
Segundo, as economias periféricas também precisam de se esforçar para serem credíveis e sustentáveis sem se acomodarem à sombra da solidariedade que pedem para manterem tudo na mesma.
Eu sou daqueles que luta por uma Europa unida e não acredito que o fim deste objetivo dê um futuro mais justo, rico e solidário em Portugal

Tiago R. disse...

Também espero (não acredito) que seja o fim desse objectivo de uma Europa unida e solidária.
Mas é, graças a Deus, o fim deste modelo de integração económica neo-liberal!

Anónimo disse...

o problema eh q os mais frageis e pobres tb nao sao solidarios com os ricos naquilo que podiam ser, afinal de contas quem andou a mentir e a gastar o que nao tinha ? foram obrigados a isso ? para que? para fazer estadios vazios e coisas assim ?

Tiago R. disse...

Malditos pobres que nunca são solidários com os ricos!

Anónimo disse...

repara que eu disse "no que podem", nao dinheiro

ninguem os obriga a assinar tratados e a mentir e a usar o dinheiro nao para reduzir a sua pobreza mas sim para fazer estadios e outras coisas inuteis e depois vir pedir mais dinheiro... meu caro paises assim so tem o que merecem, pessoas assim tb