segunda-feira, 7 de novembro de 2011

escavar a riqueza

Gostei de ler hoje no Público o conjunto aprofundado de reportagens sobre o sector mineiro em Portugal, bem como as novas perspectivas para o seu crescimento, triunfalmente anunciadas pelo Governo.

Na verdade, o sector extractivo continuou sempre a ser importante enquanto exportador, pesando 3% a 4% do PIB. A Somincor (Sociedade detentora das minas de Neves Corvo), por exemplo, exportou, em 2010, 2,5 milhões de toneladas de cobre e 74 mil toneladas de zinco. E temos um potencial muito maior no nosso subsolo.

No entanto, aproveitamos pouco desta riqueza. Não só pelo que fica por extrair mas, sobretudo, por termos perdido toda a capacidade de transformar estes minérios, assim abdicando da maior fatia de valor na cadeia. O encerramento da Siderurgia Nacional em 2001, tornou-nos um país completamente dependente em matéria de transformação de minério metálico, e afectando assim também o sector mineiro que passou a exportar o minério em bruto, perdendo o país grande parte do valor acrescentado desta riqueza. Ficámos na mesma situação que boa parte dos países do terceiro mundo: exportadores de matérias primas baratas e completamente desindustrializados.

Portanto, do ponto de vista da economia nacional, só faz sentido abrir novas explorações mineiras se também criarmos a capacidade para o transformar, em vez de exportar em bruto. Estas novas concessões mineiras só fariam sentido no âmbito de um processo de reindustrialização e desenvolvimento da produção nacional.

Mas isso, isso, infelizmente, sabemos que este Governo não quer. Ao promover apenas a extracção com vista à exportação em bruto o que pretende é, mais uma vez, vender a baixo preço os nossos recursos. Não basta escavar a riqueza. É preciso aproveitá-la.

Sem comentários: