sexta-feira, 4 de novembro de 2011

esta é a nossa cara

A fotografia desta manifestante anónima do movimento Occupy the London Stock Exchange, capturada pela Reuters e divulgada pelo Público, consegue, de certa forma, expressar muitas coisas sobre o que é este protesto global e quem são as pessoas que o movem.

Um traço comum em muitas destas manifestações, a máscara. Mas mais do que máscara que esconde, uma máscara que mostra. Mostra a despersonalização de quem foi alienado do seu direito à realização enquanto indivíduo, de quem se viu espoliado dos seus sonhos e da sua liberdade e reduzido a uma estatística, a um factor de produção, sem direitos nem personalidade. É, neste aspecto um bom retrato do anonimato forçado em que o mercado (também ele anónimo e sem rosto) nos afunda a todos.

Mas é também uma despersonalização de quem se encontra na nova identidade colectiva da multidão. Os 99%. A máscara, esta cara, outra cara - que importa? - de quem se sente irmanado no descontentamento e no protesto com milhões de outras caras em todo o mundo.

Os olhos, esses, olham para a frente, talvez sonhadores, mas bem abertos. Como se conseguissem atravessar a névoa diária de confusão e caos, a cacofonia das notícias e das declarações solenes. Como se derrubassem o muro mentiras que nos cerca há tanto tempo e vissem, límpido e luminoso, esse mundo novo que ainda vamos construir.

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