terça-feira, 1 de novembro de 2011

a força do betão

Foto de João Vasco
A situação do sector da construção civil nos Açores está a tornar-se dramática e a de muitos dos seus trabalhadores, verdadeiramente trágica. É o próprio Presidente da AICOPA que vem dar razão ao que escrevi, aqui mesmo, em Novembro de 2009, sobre os dias difíceis que já há muito se adivinhavam para este sector e, em consequência, para uma fatia significativa dos trabalhadores açorianos.

A construção é um sector que acaba por ter um impacto em toda a actividade económica das ilhas. Absorve muita mão-de-obra não qualificada, dá trabalho às empresas locais (trabalhos especializados, materiais de construção), é estimulado pelo próprio sector bancário que se envolve em todo o processo, emprestando ao dono da obra, ao empreiteiro e, até ao pequeno subempreiteiro, e, cereja no topo do bolo, fornece belas obras para os governantes inaugurarem, que se permanecem, à vista de todos, como permanente e sólida propaganda eleitoral.

Assenta naquela mesma visão simplista e distorcida do desenvolvimento regional que levou à construção das Portas do Mar ou de um casino em Ponta Delgada. Baseia-se num modelo de desenvolvimento artificial, sustentado pelo crédito sem sustentação, que permitiu disfarçar alguns dos problemas estruturais da economia açoriana. As construtoras tornaram-se das maiores e mais lucrativas empresas da Região, ao mesmo tempo que os seus trabalhadores eram dos pior remunerados, com menos condições, com mais precariedade.

Tudo mudou. A torneira do crédito fechou-se. Acabaram-se os dias do desenvolvimento económico à força de betão. Mas ficamos com um gravíssimo problema para resolver: que fazer, no imediato, aos milhares de açorianos que dependem deste sector? E para isso, não há nenhuma resposta simples.

1 comentário:

Anónimo disse...

o problemas das taxas de juro baixas 'e q aloca mal os recursos da economia criando situacoes insustentaveis de trabalho, portugal nao precisa de tanta construcao e esses trabalhadores foram vitimas da especulacao, deviam estar noutras areas da economia que nao se puderam desenvolver na altura devida