quarta-feira, 16 de novembro de 2011

madeira


Este exemplo da Madeira está já a servir ao Governo PSD/CDS-PP para atacar o Regime Autonómico enquanto tal, consequentemente prejudicando também os Açores. Procura-se passar uma imagem de irresponsabilidade e menoridade política das regiões Autónomas, passando à margem do verdadeiro problema.

As maiorias absolutas, com pouco ou nenhum escrutínio público, especialmente se acompanhadas com o despotismo e arrogância de Alberto João e a mal disfarçada conivência de sucessivos governos da República só podiam dar nisto. Até porque, nas Regiões como na República, o objetivo principal das forças que estão no poder é o de se manterem no poder. Daí que o que interessa são os grandes projetos e as obras vistosas, – uteis ou não, quanto mais faraónicas melhor! – para dar um ar sucesso a uma governação. E quem vier atrás que feche a porta!

Carlos César e os seus governos não são imunes a esta tendência, pelo contrário. Basta olhar para as Portas do Mar e a sua imensa derrapagem, para as SCUT’s (que só este ano nos custarão 22 milhões de euros) ou o futuro Museu de Arte Contemporânea na Ribeira Grande, que entre 2011 e 2012 custará cerca de 14 milhões de euros – todos eles, a propósito, na ilha de São Miguel –, para percebermos que também Carlos César gosta de “obras de regime” e que tem pouca preocupação com o futuro que, afinal, não lhe competirá resolver.

Com estas semelhanças, os Açores são, apesar de tudo, diferentes da Madeira. O facto de termos (agora) uma correlação de forças muito mais plural no Parlamento, torna uma situação destas, senão impossível, pelo menos muito mais difícil, no nosso arquipélago. É justamente a qualidade de uma democracia que a torna mais eficaz.

Artigo publicado no Diário Insular
16/11/2011

2 comentários:

cefariazores disse...

sempre tenho dito que o caso da madeira prejudicava os Açores.

Anónimo disse...

eh pior do que isso pois o guterres ja perdoou a divida antes