quinta-feira, 24 de novembro de 2011

pior é impossível

Os números do desemprego revelados esta semana pelo INE são, também para os Açores, os piores possíveis.

Atingimos o assustador recorde 700 mil desempregados oficiais mas, se lhe juntarmos todas as situações de subemprego visível, trabalho ocasional e trabalho ilegal, o número deve andar perto de 1 milhão de pessoas a nível nacional. Desossando os números: aumento do desemprego feminino face ao masculino, cavando o fosso de uma desigualdade antiga; aumento do desemprego entre os jovens que ainda não seguiram o conselho do Secretário de Estado da Juventude e abandonaram o país; aumento do desemprego entre os que têm mais qualificações.

Nos Açores, a situação não é melhor: mais de 14 mil desempregados, representando uma taxa de 11,6%. E, se levarmos em linha de conta que estes dados dizem respeito a Julho, Agosto e Setembro, meses em que as actividades do turismo sempre dão alguma animação ao mercado de trabalho, não é difícil prever que o último trimestre deste ano vai ser ainda pior.

Não compreendo o triunfalismo do Governo Regional, que está sempre a recordar-nos que continuamos a ser a segunda Região com a taxa de desemprego mais baixa do país, até porque enquanto a média nacional aumentou 0,3%, a dos Açores aumentou 1,9%, nada mais, nada menos do que 6 vezes mais!

Estamos habituados a que as crises nacionais nos cheguem mais tarde e algo suavizadas pela distância. Desta vez não é definitivamente assim. O facto de o desemprego aumentar seis vezes mais depressa nos Açores do que no Continente devia fazer-nos abrir os olhos e ver que algo vai muito mal na forma como o nosso arquipélago tem sido governado. Sobretudo mostra claramente que os Açores estão mais desprotegidos e vulneráveis a esta recessão. Assim, as soluções de mais do mesmo só servem para piorar a situação.

Um dado interessante é o de que, nos Açores, o número de empregos no sector primário (agricultura e pescas) aumentaram 8,6% enquanto os dos sectores da indústria e serviços caíram 6,7% e 2,0%. É o próprio comportamento da economia que nos indica o rumo a seguir.


2 comentários:

Anónimo disse...

o desemprego so vai aumentar e aumentar, nao ha outra forma ate destruirem a divida

Anónimo disse...

Bulshit! Vivemos no paraíso! Aliás é certo e sabido que quando se tem uma dívida não se deve fazer nada para tentar aumentar os rendimentos até esta estar paga. Bem, isso e estourar mais uns milhares em mamarrachos de betão e umas festas nas portas do mar para animar o espírito à malta...

Por este andar estamos como a mula do espanhol:
a dar o badagaio logo qdo já se tinha habituado a não comer nada!