quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

bancos a tostão furado


A credibilidade da banca privada portuguesa não vale já um tostão furado e estas desvalorizações são demonstrativas das suas dificuldades em financiar-se junto da banca internacional. Anos de apoio e patrocínio do Estado, nomeadamente através de fabulosos benefícios fiscais, ajudaram a inchar o balão da banca privada, que ainda há um ou dois anos continuava a apresentar lucros anuais de muitas centenas de milhões de euros. 

Favorecidos por uma política deliberada de não aproveitamento da Caixa Geral de Depósitos, os bancos privados envolveram-se tentacularmente em todos os sectores da economia e da forma mais destrutiva. Favorecendo o consumo descontrolado, emprestaram muitos milhões de euros aos portugueses e às empresas, pelos quais receberam e recebem ainda muitos milhões mais. Foram, desta forma, absorvendo, crescendo e concentrando em todos os sectores até se tornarem, hoje, neste monstro macrocéfalo insustentável que absorve os recursos do país.

Não vou ficar nada triste quando, em breve, ouvir dizer que faliram. Mas, desconfio que Passos Coelho depressa descobrirá mais uns quantos milhares de milhões de euros para os recapitalizar ainda mais uma vez.

2 comentários:

Mariana disse...

O problema que a falência destes monstros levanta é a perda dos que neles confiaram para guardar o seu dinheiro e se para alguns isso seria um contratempo, imagino que para outros seria o fim:
da empresa, da reforma digna, da possibilidade de seguir estudos superiores, etc...
Ao mesmo tempo, não se pode continuar a encher estes "balões furados" sem se pedir contrapartidas sérias (do tipo das exigidas pela troika ao nosso país) pelos milhares investidos!
Continuamos na famosa política do "um no cravo e outra na ferradura", sem termos a coragem de seguir uma economia de direita (deixando o mercado autoregular-se) ou de esquerda (impondo uma regulação estatal ao mercado como contapartida da injecção de capital público).
Incompreensivelmente, passámos de um governo de esquerda para um de direita e nem um nem outro quis implementar a ideologia que reclama como sua e defende sem reservas, quando na oposição!

Tiago R. disse...

Quanto aos depósitos existe o fundo de garantia bancária. Quanto aos investimentos de risco... temos pena!

Quanto às reformas dignas existe a segurança social.

Quanto aos estudos superiores são, de acordo com a Constituição, tendencialmente gratuitos.

Quanto banca privada existe o cemitério da histórica económica. E bons ventos os levem!