sexta-feira, 22 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

temos de ir à bruxa

Soubémos esta manhã que o concurso para a construção dos ferries para o Grupo Central foi suspenso sine diae.

Ao que parece o consórcio ganhador pediu mais esclarecimentos que vão obrigar a estudos técnicos mais aprofundados.

Parece claro que o caderno de encargos tinha lacunas do ponto de vista técnico. O que é surpreendente tendo em conta a experiência que a Atlanticoline já tem em termos destes concursos e a valia dos técnicos que temos na Região.

A pressa é inimiga da perfeição, já se sabe. Mas o Governo Regional não conseguiu resistir à urgência de fazer mais um anúncio triunfal, que ajudasse a fazer esquecer o festival de incompetência que foi o processo de construção dos navios Atlântida e Anticiclone. A verdadeira revolução que os ferries rô rô irão trazer à actividade económica do Grupo Central, embora atrasada uns 15 anos, exigiria mais cuidado por parte da Secretaria Regional da Economia.

Os Açores andam definitivamente com azar aos navios. Vamos à bruxa ou mudamos de Governo?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

hoje soube-me a pouco



A imagem é quase histórica, ilustrando a reunião entre PCP e BE ocorrida esta manhã.

A verdade é que os resultados desta reunião acabam por saber a pouco. Reafirmar a abertura para convergências parlamentares é reafirmar o conhecido, óbvio e forçosamente inevitável, tendo em conta as proximidades ideológicas dos dois partidos.

Claro que ninguém esperava que se saltassem todas as etapas e se partisse logo para uma coligação pré-eleitoral ou algo do género. Por outro lado, também não estou seguro que isso fosse positivo do ponto de vista eleitoral. Para tal, teria sido necessária a ocorrência de longas negociações prévias, fora do olhar público, e um clima psicológico muito diferente em ambos os partidos.

Teria sido muito mais interessante apresentar um programa concreto de convergência parlamentar; uma proposta, um conjunto de propostas -concretas mais uma vez - que consubstanciassem as soluções da esquerda para a situação actual. Um programa que desse força a essa alternativa que é essencial para o país.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

quem nos rouba

Os incontáveis milhões da dívida nacional não foram com certeza parar aos bolsos da generalidade dos portugueses. A situação a que levaram o país obriga-os agora a recorrer à pressão política externa para poderem continuar a explorar-nos. Até quando vamos continuar a permiti-lo?

Mas, entretanto, é sempre bom ver que a luta já começou e em várias frentes.

resistir

Como previsto, Portugal acaba oficialmente de pedir ajuda ao FMI ou ao Fundo Europeu de Estabilização financeira, como quiserem.

Ouvimo-lo da boca de um José Sócrates preocupado com a sua imagem (como mostrou o directo da TVI ) e muito mais crispado do que o costume. Estará certamente preocupado com a jogada político-eleitoral para roubar o espaço a Passos Coelho, por um lado, e condicionar definitivamente a actuação do novo governo, seja ele qual for, por outro.

Apesar desta fortíssima chantagem que se impõe ao povo português, em que a concessão de um empréstimo "de ajuda" envolve como contrapartida a destruição do resto da economia nacional e a sua entrega directa aos interesses estrangeiros, a verdade é que hoje nada ficou decidido sobre o nosso futuro.

Em primeiro lugar as opções e posicionamentos do novo governo em relação a este pedido de ajuda serão determinantes. Mas, ainda mais importante, será a contestação social e a capacidade dos portugueses de travarem na rua as medidas que nos pretendem, uma vez mais, espoliar. Basta recordarmos como, em 1983, foi possível deter muitas das políticas mais inaceitáveis que o FMI nos quis impôr. E, recuando um pouco mais longe, é tempo de fazer apelo ao espírito de resistência celtibero, corporizado no nosso mítico Viriato, na imagem. Resistir ao estrangeiro e aos que pretendem vender a Pátria continua a ser a essencial. O que suceder ao país daqui para a frente continua a depender de cada um de nós.

terça-feira, 5 de abril de 2011

isto não é uma utopia (actualizado)


A renegociação da dívida, dos seus prazos e juros com os grandes credores é único caminho para travar a espiral de aumento dos juros / quebras de rating que rapidamente nos empurra para um abismo sem saída.

Igualmente, um esforço diplomático no seio da UE que agregasse os países arruinados poderia conseguir outras regras para o BCE e o alívio do garrote monetarista dos défices.

Por último, e agora sim, no campo das soluções de fundo: "A adopção de uma política virada para o crescimento económico onde a defesa e promoção da produção nacional assuma um papel central – produzir cada vez mais para dever cada vez menos. Com medidas imediatas que visem o reforço do investimento público, a aposta na produção de bens transaccionáveis e por um quadro excepcional de controlo da entrada de mercadorias em Portugal, visando a substituição de importações."

Isto não são utopias, são soluções possíveis e urgentes. E as únicas que não passam por cavar ainda mais fundo a miséria dos portugueses.

E, quase de propósito, leio esta manhã no Negócios Online: "PCP propõe vender 20% de títulos estrangeiros para comprar dívida portuguesa". Aí está à vista mais uma parte da solução.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

reiventar a esquerda

O anúncio de um encontro ao mais alto nível entre PCP e BE não pode deixar de ser uma boa notícia para a esquerda. Também o facto de ambos os partidos terem reuniões magnas agendas (Encontro nacional do PCP a 17 de Abril e Convenção Nacional do BE a 7 e 8 de Maio) augura decisões importantes, com reflexos em toda a vida política nacional.

Num momento em que se agiganta a pressão da direita, acompanhada pela dramatização do PS, visando impor soluções ainda mais radicalmente direitistas, com o seu cortejo de impactos destrutivos sobre o país, é imperioso construir e afirmar uma alternativa.

Sobre os moldes, formas e tempos dessa alternativa, não tenho ideias definidas, mas reconheço-lhe a urgência. Quanto a convergências, elas são óbvias e já se verificam em quase tudo na Assembleia da República. Portanto, os obstáculos a esta aproximação são mais de carácter psicológico e simbólico e efetivamente contrariados pela fria análise política.

Imagino a preocupação com que este momento deve estar a ser olhado no Largo do Rato, pois o PS sabe bem que BE e PCP podem perfeitamente conseguir superá-lo eleitoralmente, reinventando o quadro partidário da esquerda.

O momento que o país atravessa, com as suas terríveis ameaças, mas também com as suas exaltantes possibilidades, impõe a responsabilidade aos dois partidos de conseguirem fornecer essa alternativa. Os olhos de todas as esquerdas vão estar postos nessa reunião. E os da direita também.