terça-feira, 13 de setembro de 2011

Professores para quê

O título desta notícia do Açoriano Oriental, levada à letra, reconduz ao resultado necessário desta lógica de redução dos custos com o sistema educativo.

O aumento continuo do número de alunos por turma não só tem um impacto directo sobre o desemprego docente, como compromete cada vez mais a qualidade do ensino e o sucesso escolar. E falo de sucesso escolar não só da perspectiva numérica mas, sobretudo, no aspecto qualitativo, do tempo que cada professor pode dispensar individualmente a cada aluno. Da disponibilidade e atenção não só para ensinar, mas também para inspirar para a vida. Eu tive a sorte de ter alguns professores assim, com o tempo que precisei.

As vistas curtas e o economicismo contabilístico da Directora Regional (e ex-deputada do PS) e do seu Governo vão roubar isso às gerações futuras e, acima de tudo, piorar cada vez mais as qualificações e o futuro dos açorianos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pedro mão de ferro

Sob o verniz modernaço, social e supostamente eficiente da direita moderna, afinal (mal) se esconde o saudosismo da boa e velha repressão policial dos movimentos sociais. Uma forma antiga e fácil de fazer política, que está solidamente implantada na matriz ideológica do PSD e do CDS-PP.

Sobretudo confundem a sua legitimidade eleitoral dos representantes eleitos com uma espécie de transferência da soberania que é popular para os governantes. Como se os governos, entre eleições, tivessem carta branca para impôr as soluções que a sua arbitrariedade lhes ditar. E, dotados dessa suposta legitimidade pudessem usar o bastão em vez do diálogo.

Esquecem que a democracia é sobretudo um contrato entre eleitores e eleitos, no qual os primeiros escolhem os segundos para executar um programa pré-definido, apresentado no período de campanha eleitoral. Esse contrato, o Governo rasgou-o quase no primeiro dia após a sua posse. A sua legitimidade é zero.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

God bless silence

Soubemos hoje pelo DI que os Estados Unidos da América procuraram interferir na divulgação de notícias sobre a contaminação de solos na Base das Lajes.Link
De acordo com um documento revelado pela Wikileaks, o consulado dos EUA e a embaixada em Lisboa pressionaram a direcção da RTP para que deixasse de publicar o que os responsáveis americanos qualificam de reportagens "negativas" sobre este assunto.

Não estou verdadeiramente surpreendido, nem pelo facto de os EUA o terem feito nem por, aparentemente, essas pressões terem resultado. Todas as notícias relativas à Base são sempre envoltas numa espessa névoa de desinformação e silenciamentos. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu em relação ao transporte ilegal de prisioneiros para Guantanamo via Lajes.

Preocupante é a indisfarçável má-consciência americana que os leva a tentar por todos os meios silenciar os danos que a Base causa aos Açores. De elogiar, a coragem do Diário Insular que, neste e noutros assuntos, não tem tido medo de afrontar a grande "vaca sagrada" da política açoriana que é a Base e as relações com os EUA.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Para quem Passos governa

O Primeiro-Ministro afirmou ao diário espanhol El País que não pretende aplicar mais nenhum imposto sobre as grandes fortunas.

Disse-o, preto no branco:

Passando ao lado da desfaçatez e deselegância de dizer em Espanha o que não se tem coragem de dizer em Portugal, resta o equívoco ideológico sobre quem são os geradores da riqueza. Se o capital anónimo, apátrida e amoral se os que, com o seu esforço, dedicação e capacidades, efectivamente produzem a base material necessária à riqueza de qualquer país.

Mas, sobretudo, ficou claro, para quem não queria ver, para quem é que Passos Coelho governa.