quinta-feira, 1 de março de 2012

promessas recicladas

As promessas e inaugurações com grande festa e estardalhaço, que sempre fazem parte do folclore que rodeia das visitas do Governo foram, este ano, em São Jorge, ainda mais acentuadas. Notou-se bem a urgência no esforço do Governo Regional para encher de milhões de euros o comunicado aos jorgenses, como se o volume dos investimentos, só por si, chegasse para mostrar a adequação das políticas.

Ainda assim, a maior parte destes milhões ou chegam com muitos anos de atraso ou, então, ficam apenas prometidos para um futuro nebuloso, que não se sabe muito bem quando chegará. Talvez depois das eleições, na certa…

O Governo veio, desde logo, estender a mão à financeiramente debilitada Câmara Municipal das Velas (onde o PS veio acabar o trabalho de ruina que o PSD começou). Fez muito bem. Pena foi que o tratamento para a Câmara da Calheta não fosse bem o mesmo. Mas, histórias de filhos e enteados os jorgenses conhecem bem.

Foram importantes e úteis os investimentos anunciados nos equipamentos sociais, mas são, no fundo, o resultado necessário e lógico da política de empobrecimento dos portugueses que José Sócrates começou e que Passos Coelho e Paulo Portas continuam, sempre com a bênção da troika, claro! Primeiro criam os pobres, reduzindo salários e aumentando impostos, fomentando o desemprego; Primeiro flexibilizam os horários de trabalho, tornando impossível a conciliação do trabalho com a vida familiar e cortam nos abonos de família. Depois é claro que se torna urgente a criação e ampliação dos equipamentos sociais para apoiar crianças, acolher idosos e ajudar desfavorecidos.

A grande ampliação da Escola das Velas, com anos de atraso, foi mais uma vez prometida. Só que, desta vez, com um projeto significativamente reduzido. Nessa nova escola do futuro, que a Secretária da Educação veio anunciar (mais uma vez) em São Jorge, na realidade, só vai caber um número de alunos sensivelmente igual ao que já tem atualmente – só que mais à larga, imaginamos nós. Ficam, então, sem resposta e sem solução as outras escolas de São Jorge que vivem sobrelotadas.
 

É uma enorme falta de visão de futuro investir 14 milhões de euros num equipamento que, logo à partida, estará funcionar nos seus limites. Ou isso, ou então o Governo está mesmo a assumir que as suas políticas, que falharam completamente o objetivo de estancar a perda de população da ilha, são mesmo para continuar e que o número de alunos vai, forçosamente continuar a diminuir.

Depois de assentar o pó das festarolas governamentais, de se meter no avião o regimento de assessores e governantes, depois de desaparecer o último eco dos discursos grandiosos, o que fica mesmo é o resultado destas políticas, com que diariamente nos confrontamos.

Mas, enfim, nem tudo são más notícias. Afinal, soubemos também que a partir do próximo verão os jorgenses já terão um moderno centro de resíduos onde podem passar a reciclar os comunicados de governo e as suas muito recicladas promessas. Já fazia falta!

Texto publicado no Jornal O Breves
1 Mar 2012

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