quinta-feira, 30 de agosto de 2012

orgulho

Está a decorrer esta semana em Ponta Delgada o primeiro Festival Pride Azores - Semana de Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais), organizado pela Associação LGBT Pride Azores. À semelhança de outros eventos do género que acontecem por todos os cantos do mundo, em todos os continentes, da Suécia à Austrália, pretende-se chamar a atenção para a discriminação a que ainda são sujeitas estas pessoas e contribuir para a mudança de mentalidades em relação à opção sexual de cada um.

Estes festivais e muitas das associações que os organizam adotaram a denominação “Pride”, orgulho, e por bons motivos. Trata-se, afinal, de celebrar o orgulho da diversidade, de livremente podermos ser as pessoas que queremos ser e, sobretudo, o direito de todos os seres humanos à felicidade. Este orgulho transcende, e muito, os limites apertados da cultura LGBT ou as fronteiras inventadas das opções sexuais de cada um. Este orgulho tem a ver com o sermos capazes de aceitar a diferença e, olhando para lá dela, reconhecer o que nos torna seres humanos iguais.

Orgulho-me, por isso, também eu, de viver num país e numa região onde, ao contrário de tantos outros sítios do mundo, este festival e esta afirmação são possíveis. Orgulho-me, também eu, de viver num país que reconheceu finalmente o direito ao casamento em igualdade de circunstâncias para os casais homossexuais. Orgulho-me, também eu, de viver num país que está a deixar de obrigar uma parte da sua população a ocultar-se para não sofrer represálias por ser o que é.

Mas nem só de orgulho e celebração se trata aqui. Porque se trata também da vergonha de vivermos num país e numa Região onde ainda acontecem crimes homofóbicos, graves e recentes; da vergonha de nos Açores do século XXI se ter ainda em tantos casos de esconder a opção sexual para se conseguir um emprego, ou para se manter um; da vergonha de ainda se proibir a adoção por casais homossexuais, como se as opções sexuais se herdassem de pais para filhos e limitando o seu direito à família; trata-se, no fim de contas, da vergonha de ainda termos tanta gente que se assusta com a diferença e que, por isso, acha que a diferença deve ser escondida, como se o que somos dependesse do que os outros decidem ou não ser.

O Festival Pride trata, sobretudo, de uma questão de direitos humanos que continua a estar presente na nossa sociedade. Lamenta-se e sobretudo não se entende a ausência do PSD e do CDS da sessão de abertura do festival na passada terça-feira, como não se entendem os que criticam a marcha Pride prevista para este Sábado em Ponta Delgada. Como é que um grupo de pessoas celebrando pacificamente uma cultura comum pode ser ameaçador para seja quem for? Porque é que um evento social causa tanta intranquilidade em quem se mostra sempre tão racional em todos os outros assuntos?

Mas, no fundo, não surpreendem estas atitudes, reveladoras do caminho que ainda nos falta percorrer e das mentalidades que ainda falta mudar para que venhamos a ser a sociedade democrática e plural que ambicionamos. Os estigmas existem, os rótulos também. Muita da nossa atuação continua a seguir um padrão de comportamento que nos foi ensinado e que procuramos manter, às vezes a todo o custo. A liberdade de mudar, de fazer e ser diferente, essa, sim é difícil e desconhecida. Tenho orgulho nos meus amigos homossexuais e nos muitos que, por todo mundo e também nos Açores, têm a coragem de ser eles próprios, apesar do preço que pagam por isso. Não fosse a Sata e as suas desagradáveis tarifas e estaria com certeza este Sábado ao seu lado, festejando a diversidade, com todo o orgulho.

Texto publicado no Jornal Incentivo

2 comentários:

Pride Azores disse...

Obrigado pelo apoio à igualdade e direitos humanos para todos os seres humanos... Pride Azores

Anónimo disse...

a malta da poligamia e' como sempre descriminada