sexta-feira, 9 de novembro de 2012

parar para andar para a frente


Na próxima quarta-feira, dia 14, Portugal, Espanha, Itália e Grécia estarão em Greve Geral, estando previstas manifestações e diversas ações de protesto em França, Bélgica, Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda, Suíça, Áustria, República Checa, Roménia e Croácia, naquele que é o primeiro dia europeu de protesto contra as políticas de austeridade, das quais afinal os portugueses estão longe de ser as únicas vítimas.

A esta Greve, que começou por ser convocada pela CGTP, aderiram a maior parte dos sindicatos da UGT, deixando o líder dessa central, João Proença, a falar sozinho e demonstrando que também eles reconhecem que, perante o que se anuncia no Orçamento de Estado para 2013, deixou de haver outra alternativa que não fosse lutar contra a política deste Governo. Nos protestos do dia 14 vão participar também reformados, desempregados, agricultores, pequenos e médios empresários, porque os aumentos de impostos e a destruição do Estado e do país, também lhes dizem respeito, tal como a cada um de nós.

A dimensão do protesto põe a nu, de forma inequívoca, o falhanço das políticas de austeridade que, em maior ou menor grau, têm sido aplicadas nestes países. Não é razoável acreditar que todas estas pessoas, todas estas organizações, sejam infantilmente “do contra” e não consigam perceber o alcance e objetivo das medidas de austeridade. Não. Estes milhões de cidadãos que irão protestar na próxima quarta-feira percebem, e muito bem, que só há solução para a crise crescendo, investindo e distribuindo melhor a riqueza que temos, que é o contrário do que tem feito a maior parte dos governos europeus.

Dizem-me por aí que a Greve fará o país perder ainda mais dinheiro. É verdade. Mas também me vou lembrando que quem a faz perde um dia do seu salário, se calhar proporcionalmente muito mais do que perde uma qualquer grande empresa pelas 24 horas de atraso na entrega das mercadorias. Não acredito, por isso, que ninguém faça Greve de ânimo leve ou só para chatear o Governo, por muito que este Governo mereça – e merece! – ser chateado.

Outros ainda dirão que a Greve não vai adiantar nada, que PSD e CDS, com as palas da sua teimosia, não vão dar ouvidos ao clamor dos portugueses, por muito alto que ele soe. É possível. É até provável. Mas a verdade é que, sem cair no radicalismo infantil do “vamos já partir isto tudo”, a Greve é a única alternativa de protesto que resta aos portugueses. Como todas as viagens, também esta começa com um só passo. A mudança de política de que precisamos não acontece de forma instantânea. Vai dar trabalho. Esta vai ser, provavelmente, apenas mais uma das muitas greves e protestos que os Europeus vão ter de fazer para travar os que arruínam os seus países. Mas, de certeza, quanto maior for este Dia Europeu de Protesto e a nossa Greve, mais perto estaremos de o conseguir. É preciso parar para andar para a frente. 

Mas, sobretudo, que alternativa nos resta? Que mais podemos fazer quando temos um Governo que, contra números e evidências, continua a impor teimosamente uma receita errada, que afunda a economia, que enterra o país em cada vez mais dívida, que destrói o Estado, as suas funções e serviços e que nos empobrece deliberadamente? Podemos, em consciência ficar calados e tranquilos enquanto nos vendem a Nação, nos roubam os salários e nos assaltam com impostos? 

A Democracia coloca sobre os ombros dos cidadãos um peso muito grande, muito maior do que o dever de votar e escolher representantes, de quatro em quatro anos. Ao favorecer a participação, a Democracia proíbe a demissão dos cidadãos. Não temos o direito à indiferença. É que, afinal, somos todos corresponsáveis pelos destinos da nossa sociedade e todos pagamos pela forma como ela é conduzida. Para o melhor ou para o pior, somos um país, estamos todos no mesmo barco. A Greve é parte de uma escolha fundamental: ou lutamos em conjunto ou nos afogamos em conjunto.

1 comentário:

Anónimo disse...

desde os anos 80 a economia cresceu 2% em media e o estado social cresceu 4.5%, durante qt tempo isto e' sustentavel? pega numa folha de excel e descobre !

e' que ate o marx sabia fazer contas...

a greve nao adianta nada simplesmente porque nao ha dinheiro, a ideologia nao interessa para nada mas tu nao sabes isso pois nao entendes o problema ou entao mentes

tu andas a vender ilusoes, alias nos teu artigos nunca metes numeros sobre nada pois claramente nao sabes fazer contas

pega num livro de financas e comeca a estudar, nunca e' tarde para melhorar como pessoa e como politico