segunda-feira, 8 de abril de 2013

deputados da nossa ilha



A votação do Plano Anual e do Orçamento para 2013 decorreu há uns dias atrás no Parlamento Regional e, como previsto, trouxe escassas boas notícias para a nossa ilha. Na proposta inicial do Governo faltavam as verbas, ou mesmo as rubricas, relativas a uma série de promessas feitas recentemente aos faialenses e, apesar das declarações de ocasião, parecia claro que a maioria não pretendia alterar nada de substancial nos documentos que apresentara. Assim foi, infelizmente. E ninguém ficou muito surpreendido com a disciplina e zelo com que o Grupo Parlamentar do PS, noite fora, foi chumbando, de forma sistemática e com poucos comentários, muitas dezenas de propostas das restantes bancadas.
No entanto, já foi mais estranho ver os Deputados do PS eleitos pelo Faial, Ana Luís e Lúcio Rodrigues votarem contra um conjunto de projetos que são reconhecidos por todos os partidos (PS incluído) como sendo essenciais para a nossa ilha, como são: a requalificação do Farol da Ribeirinha, a construção do novo matadouro, a criação da tão prometida Escola de Marítimos, o novo Quartel dos Bombeiros do Faial, o reforço de verbas para garantir o pagamento das Bolsas de Doutoramento que o actual Secretário Regional da Educação quer cortar (proposta na qual o BE, estranhamente, resolveu abster-se), a aquisição de um Barco-ambulância para transporte de doentes entre o Faial e o Pico, a melhoria dos caminhos agrícolas e o reforço da distribuição de água e energia eléctrica às explorações, o reforço das verbas das Juntas de Freguesia para a limpeza de ribeiras e a prevenção de cheias.
Ninguém nega que os interesses locais têm de ser responsavelmente enquadrados nas prioridades para a Região, mas a verdade é que os Açores só valem pelo seu conjunto, o que significa que apenas seremos tão desenvolvidos quanto a menos desenvolvida das nossas ilhas. Investir no Faial também é defender o interesse regional. Não se trata aqui da disponibilidade ou não das verbas para estes investimentos, trata-se de uma questão de opções porque, no fim de contas, os Deputados do PS eleitos pelo Faial, Ana Luís e Lúcio Rodrigues votaram contra os projectos que mencionei, mas votaram a favor, por exemplo, de que se investissem mais 7,3 milhões de Euros num Centro de Arte Contemporânea na Ribeira Grande (que soma assim já uma despesa de 18 milhões de Euros) e 9 milhões de Euros num novo parque tecnológico para a ilha de São Miguel e nem sequer simbolicamente expressaram em público qualquer hesitação ou discordância em fazê-lo. A obediência à disciplina partidária falou mais alto do que a defesa do Faial.
Esperava-se que os Deputados eleitos pelos círculos de ilha fossem vozes ativas na defesa dos interesses dos eleitores que os elegeram e não se limitassem a aceitar passivamente que as opções de investimento centralizadoras continuem a favorecer umas ilhas em desfavor das outras. Lamentavelmente assim não aconteceu. A legitimidade eleitoral da maioria foi construída com base numa determinada expectativa que foi criada aos cidadãos. Esta atitude descredibiliza não só o PS mas, o que é mais grave, o papel dos deputados enquanto efectivos representantes da população e, de arrasto, a própria política, cavando mais fundo o fosso de decepção e abstencionismo.
A verdade é que todas estes projectos que interessam especificamente à nossa ilha e que o PS rejeitou não foram propostos por Deputados eleitos pelo círculo do Faial, mas sim por Aníbal Pires, do PCP, eleito pelo círculo regional e que por acaso até reside em São Miguel, o que demonstra que às vezes mais vale ter “deputados pela nossa ilha” do que deputados que, sendo da nossa ilha, colocam outras lealdades e obediências acima daquela que devem aos cidadãos que os elegeram.
Tiago Redondo
www.politica-dura.blogspot.com

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