Num processo
que não começou agora, a nossa cidade vai definhando, envelhecendo, degradando-se,
naquilo que parece ser uma caminhada imparável para um abismo de pobreza e
subdesenvolvimento. Episódios recentes parecem confirmar esta ideia.
A nossa Câmara
Municipal afunda-se num poço de endividamento que, entre o ocultado e o
assumido, compromete a ação camarária para os próximos (longos) anos. Uma
situação que parece inexplicável pois, afinal, ficou por fazer o saneamento,
ficou por fazer a reabilitação urbana, ficaram por fazer os melhoramentos dos
caminhos municipais, ficou por reabilitar o Centro Hípico, ficou por modernizar
o mercado, ficou por ampliar a oferta do serviço de minibus, por exemplo.
Apesar disso, é
o Vice-presidente (não o Presidente que, perante as dificuldades, parece
desaparecido sem combate) da CM Horta que anuncia
triunfante que a Câmara só demora mais de três meses a pagar a fornecedores,
enquanto antes demorava mais de quatro. Continuam assim as empresas locais, com
os seus maços de faturas penduradas, a financiar a irresponsabilidade
autárquica. É o que temos.
É o que temos,
mas não é certamente o que merecemos. Podíamos ter uma Câmara que se dedicasse
menos ao malabarismo contabilístico e mais à boa ginástica orçamental, gerindo
com rigor e clareza os fundos que são de todos, em vez de andar a vender
património a si própria, aprofundando dívidas bancárias e enterrando uma fatia
cada vez maior dos recursos disponíveis em encargos inúteis.
Podíamos ter
uma Câmara que aprofundasse as parcerias com as Juntas de Freguesia, que fazem
muitas vezes melhor e quase sempre mais barato e que dão trabalho a pequenas
empresas locais.
Podíamos ter
uma Câmara que levasse a sério a reabilitação urbana, que recuperasse,
reanimasse, mas sobretudo reabitasse o nosso inimitável centro histórico, em
vez de se limitar a entaipar portas e janelas e a espetar um catrapázio na
fachada, como sucedeu tristemente no Largo do Bispo, por exemplo.
Podíamos ter
uma Câmara que entendesse que a cultura é uma parte essencial da economia da
ilha e do nosso poder de atração e que dinamizá-la é mais do que distribuir
cheques (cada vez mais magros) no aniversário das instituições, que criar
públicos e consolidar agentes culturais leva tempo, persistência, visão.
Merecíamos ter uma autarquia que não deixasse morrer o Film Fest ou que votasse
a um quase total abandono o espaço do Banco de Portugal, para dar apenas dois
exemplos.
Podíamos ter
uma Câmara que não degradasse a limpeza urbana, que não desarticulasse a
recolha e reciclagem de resíduos; uma Câmara que percebesse que a qualidade
urbana dificilmente se concilia com a inundação desordenada de automóveis nas
nossas ruas.
Sobretudo,
podíamos ter uma autarquia que não se calasse tanto em relação a quem nos prejudica.
O episódio ridículo da Câmara emitir um voto de congratulação pelo facto de o
Governo não cumprir a promessa da criação da Escola de Marítimos, adiando-a
pelo menos por mais um ano, mostra bem esta postura de aluno bem-comportado da
qual não tiramos qualquer vantagem.
Esta é a Câmara
que temos. Mas aproxima-se o tempo de começarmos a pensar seriamente sobre qual
é a Câmara que queremos ter. Queremos mesmo uma cidade assim?
2 comentários:
Tem toda a razão.Se fosse dispensada mais um pouco de atenção,e com baixos gastos,à nossa cidade muitas melhorias se conseguiriam. Estou a ficar cansado de tanto "gritar" e em resposta só mal querenças! Por vezes penso que há falta de sensibilidade, para estes assuntos que são vistos, "à vista desarmada".
Sinceramente não entendo esta falta de desinteresse!
JAvila
Do conteudo desta opinião conheço muito pouco, apesar de residir à pouco tempo nestas paragens, começo a aperceber-me que esta terra tem sido dada ao esquecimento, senão vejamos: Noto uma grande falta de iniciativa, quer cultural, quer humana, as vias terrestres estão incrivelmente intransitáveis, o comércio local é considerado o mais especuloso do país e isto tudo com a passividade dos Faialenses, concordo quando dizem que, basta, é hora de acordarem e despertarem os politicos locais e regionais para esta problemática situação, sei que estamos a atravessar uma fase dificil e uma grande crise, mas amigos cada vez pagamos mais impostos, logo devemos exigir.
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