Em torno da
greve dos trabalhadores da SATA, temos assistido, nos últimos tempos, a uma
campanha mediática, de uma dimensão e ferocidade sem precedentes, que procura
responsabilizar os trabalhadores por todos os problemas da nossa transportadora
aérea e lançar contra eles a opinião pública regional.
Página atrás de
página de impressa de jornal, reportagem sobre reportagem televisiva, falam-nos
longamente sobre os prejuízos causados pela greve, mas pouco ou nada dizem
sobre os seus motivos e, sobretudo, mantêm quase sempre um absoluto silêncio em
relação às razões porque não foi evitada, enquanto vão continuamente martelando
a ideia que os trabalhadores da SATA são um bando de privilegiados que estão
afundar a nossa companhia aérea.
Importa repor
alguns factos: O Governo da República assinou há alguns meses um acordo de
princípio com os sindicatos da TAP, reconhecendo que os cortes salariais
impostos à função pública através do Orçamento de Estado não se aplicam aos
trabalhadores dessa empresa. Há muito tempo que os trabalhadores do grupo SATA
têm condições laborais equiparadas aos trabalhadores da TAP que, naturalmente
querem manter, até para evitar uma fuga de técnicos altamente qualificados e
experientes de uma empresa para outra. Foi a atitude mais-troikista-que-Passos-Coelho
do Governo Regional, com a recusa teimosa e absoluta de aplicar o mesmo
princípio, que obriga os trabalhadores da SATA a recorrerem à greve como única
forma de protegerem os seus direitos e defenderem a dignidade da empresa, ao
recusarem que a SATA seja transformada numa transportadora aérea “de segunda”.
Note-se, e o
facto é público, que foi o Governo Regional, através da administração da SATA,
que resolveu nem sequer realizar todos os voos de serviço mínimo que estavam
previstos, deixando algumas ilhas sem voo, agravando de forma deliberada os
prejuízos causados pela greve. Com esta decisão, ficaram desmascaradas as
verdadeiras intenções do Governo Regional: usar os trabalhadores como bodes
expiatórios dos erros e dos problemas criados pela sua própria gestão.
E os problemas
são muitos e bem conhecidos: Desde logo, o rol de “boys” importados do partido
do Governo para a Administração da empresa, aos quais há poucos dias se juntou
mais um, o ex-governante socialista e ex-administrador da Mota Engil, Luís
Parreirão. Na administração da companhia aérea açoriana, em vez de gestores, sentam-se
homens de confiança política do PS. Não é definitivamente caso único, mas
continua a ser grave.
Outro problema,
e graúdo, são os 22 milhões de Euros que o Governo Regional deve e não paga à
SATA há vários anos, ignorando as determinações do Tribunal de Contas. Apesar
deste buraco financeiro criado pelo próprio Presidente do Governo Regional (que
era, na altura, o Secretário da tutela) a empresa consegue manter uma situação
quase equilibrada, tendo apresentado até um pequeno lucro em 2012. Ao contrário
do que por aí se diz, a SATA não custa um cêntimo ao erário público, à exceção
das obrigações do serviço público, que teriam sempre de ser pagas, fosse à SATA
fosse a um privado. Recorde-se que os voos inter-ilhas não são minimamente
rentáveis e sem investimento do Estado pura e simplesmente não existiriam. O
elevado custos das passagens advém, diretamente, das regras da União Europeia,
que proíbem que os Governos subsidiem as empresas públicas. Não é um problema
de gestão, nem está minimamente relacionado com os salários dos trabalhadores.
Esperam-se
ainda as cenas dos próximos capítulos em relação à SATA, até porque o Governo
Regional já começou a falar em “reestruturações” e “alterações de
posicionamento” que, tendo em conta a experiência passada, não anunciam
provavelmente nada de bom para o futuro da SATA. O que está em causa é o
património dos Açorianos e um serviço absolutamente vital para as nossas ilhas
que temos todos que defender.

1 comentário:
Procuro informações sobre o naufrágio do navio Bolama ocorrido a 4 de Dezembro de 1991. Investigação jornalistica. Ver Blog: naviobolama.blogspot.pt
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