segunda-feira, 10 de junho de 2013

Seguro no seu labirinto



A recente ronda de contactos de António José Seguro com os restantes partidos com assento parlamentar saldou-se, tal como se esperava, por um rotundo fiasco na pretendida “criação de consensos” e não passou de um reflexo direto das contradições e divisões internas do PS. Serviu também, diga-se, para deixar, uma vez mais, bem à vista de todos a sua tática político-eleitoral.
No plano interno, José Seguro, tentou correr atrás da iniciativa promovida por Mário Soares, (que é ainda a figura tutelar dos seus opositores internos), em que este conseguiu juntar personalidades do PS, PCP e BE. Seguro, no entanto, por acaso ou talvez não, resolveu alargar o espetro da sua anunciada busca de consensos também à direita, reunindo com CDS e PSD, o que é, desde logo, muito revelador no plano ideológico e no plano da tática política.
À saída de cada uma destas reuniões, assistimos ao insólito de ouvir o Secretário-geral do PS sublinhar as proximidades enquanto os representantes dos partidos visitados sublinhavam as diferenças de posicionamento político e as disparidades na visão das soluções para os problemas do país. Para se afirmar perante a oposição interna Seguro precisava de conseguir aparecer como “o grande agregador” político, capaz de reunir o consenso nacional para vencer a crise, mas, na verdade, nem escolhendo para a agenda destas reuniões um tema tão vago e abrangente que se torna politicamente inofensivo (o tema da “criação de emprego”), Seguro conseguiu criar qualquer acordo.
Entende-se bem que assim tenha sido. A crónica tendência do PS para não se comprometer com opções claras, o talento para as declarações inócuas, a incapacidade de optar claramente por posturas firmes – contra ou a favor –, que é uma verdadeira imagem de marca de António José Seguro, colhe cada vez menos adeptos. Seguro não podia encontrar consensos com os partidos de direita porque não está disposto a afirmar-se a favor do Memorando de Entendimento com a Troika e nem com os partidos de esquerda porque não está disposto a afirmar-se contra.
Assim, a iniciativa com que pretendia fortalecer a sua posição enquanto líder do PS acabou por deixá-lo ainda mais fragilizado. Na sua postura de meias tintas, que tão bem funcionou no passado para António Guterres e José Sócrates, António José Seguro está cada vez mais isolado, sem apoios nem aliados. De tanto querer agradar a gregos e a troianos Seguro consegue cada vez mais não agradar a ninguém.
Este é o drama que conduz a tática política do PS: com um líder frágil, um partido dividido e incapaz de superar a contradição de ter assinado o memorando da troika e precisar agora de se dizer contra ele para poder vencer eleições, o PS de Seguro está cada vez mais inseguro da sua capacidade de derrotar PSD e CDS nas urnas, naquela que poderia parecer uma vitória fácil dada a gigantesca onda de descontentamento dos portugueses para com o Governo.
Assim, a estratégia é deixar o tempo correr, deixar o descontentamento dos portugueses crescer e ir “sangrando” politicamente a coligação PSD e CDS. Seguro e o PS criticam o Governo de todas as formas e em todos os momentos, consideram-no “acabado”, “esgotado”, afirmam que o país precisa de um novo governo, classificam a política de Passos Coelho como inaceitável e ruinosa mas nem pensar em pedir a sua demissão e a convocação de eleições antecipadas. Sobre este assunto, Seguro e o PS não dizem uma palavra.
Num pavoroso revanchismo já há quem, no PS, pense e afirme que a política de Passos Coelho e Paulo Portas é uma justa punição para os portugueses por terem expulsado José Sócrates do Governo. Mas, sobretudo, é a única tática viável para António José Seguro: incapaz de sair da hesitação ideológica e de unir o seu próprio partido, sem possibilidade de se afirmar perante os eleitores como uma alternativa sólida e credível à política troikista só lhe resta deixar correr a austeridade e aumentar o desespero dos portugueses, à espera de que as sondagens lhe deem indicações da vitória sonhada e o poder lhe venha finalmente cair no colo. Enquanto o país rola rapidamente para o abismo, Seguro permanece perdido no seu labirinto.

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