A recente ronda
de contactos de António José Seguro com os restantes partidos com assento
parlamentar saldou-se, tal como se esperava, por um rotundo fiasco na
pretendida “criação de consensos” e não passou de um reflexo direto das contradições
e divisões internas do PS. Serviu também, diga-se, para deixar, uma vez mais,
bem à vista de todos a sua tática político-eleitoral.
No plano
interno, José Seguro, tentou correr atrás da iniciativa promovida por Mário
Soares, (que é ainda a figura tutelar dos seus opositores internos), em que
este conseguiu juntar personalidades do PS, PCP e BE. Seguro, no entanto, por
acaso ou talvez não, resolveu alargar o espetro da sua anunciada busca de
consensos também à direita, reunindo com CDS e PSD, o que é, desde logo, muito
revelador no plano ideológico e no plano da tática política.
À saída de cada
uma destas reuniões, assistimos ao insólito de ouvir o Secretário-geral do PS
sublinhar as proximidades enquanto os representantes dos partidos visitados
sublinhavam as diferenças de posicionamento político e as disparidades na visão
das soluções para os problemas do país. Para se afirmar perante a oposição
interna Seguro precisava de conseguir aparecer como “o grande agregador”
político, capaz de reunir o consenso nacional para vencer a crise, mas, na
verdade, nem escolhendo para a agenda destas reuniões um tema tão vago e
abrangente que se torna politicamente inofensivo (o tema da “criação de emprego”),
Seguro conseguiu criar qualquer acordo.
Entende-se bem
que assim tenha sido. A crónica tendência do PS para não se comprometer com
opções claras, o talento para as declarações inócuas, a incapacidade de optar
claramente por posturas firmes – contra ou a favor –, que é uma verdadeira
imagem de marca de António José Seguro, colhe cada vez menos adeptos. Seguro
não podia encontrar consensos com os partidos de direita porque não está
disposto a afirmar-se a favor do Memorando de Entendimento com a Troika e nem
com os partidos de esquerda porque não está disposto a afirmar-se contra.
Assim, a
iniciativa com que pretendia fortalecer a sua posição enquanto líder do PS
acabou por deixá-lo ainda mais fragilizado. Na sua postura de meias tintas, que
tão bem funcionou no passado para António Guterres e José Sócrates, António
José Seguro está cada vez mais isolado, sem apoios nem aliados. De tanto querer
agradar a gregos e a troianos Seguro consegue cada vez mais não agradar a
ninguém.
Este é o drama
que conduz a tática política do PS: com um líder frágil, um partido dividido e
incapaz de superar a contradição de ter assinado o memorando da troika e
precisar agora de se dizer contra ele para poder vencer eleições, o PS de
Seguro está cada vez mais inseguro da sua capacidade de derrotar PSD e CDS nas
urnas, naquela que poderia parecer uma vitória fácil dada a gigantesca onda de
descontentamento dos portugueses para com o Governo.
Assim, a
estratégia é deixar o tempo correr, deixar o descontentamento dos portugueses
crescer e ir “sangrando” politicamente a coligação PSD e CDS. Seguro e o PS
criticam o Governo de todas as formas e em todos os momentos, consideram-no
“acabado”, “esgotado”, afirmam que o país precisa de um novo governo, classificam
a política de Passos Coelho como inaceitável e ruinosa mas nem pensar em pedir
a sua demissão e a convocação de eleições antecipadas. Sobre este assunto,
Seguro e o PS não dizem uma palavra.
Num pavoroso
revanchismo já há quem, no PS, pense e afirme que a política de Passos Coelho e
Paulo Portas é uma justa punição para os portugueses por terem expulsado José
Sócrates do Governo. Mas, sobretudo, é a única tática viável para António José
Seguro: incapaz de sair da hesitação ideológica e de unir o seu próprio
partido, sem possibilidade de se afirmar perante os eleitores como uma alternativa
sólida e credível à política troikista só lhe resta deixar correr a austeridade
e aumentar o desespero dos portugueses, à espera de que as sondagens lhe deem
indicações da vitória sonhada e o poder lhe venha finalmente cair no colo. Enquanto
o país rola rapidamente para o abismo, Seguro permanece perdido no seu
labirinto.

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