A campanha para as eleições autárquicas já rola na nossa ilha, discreta, apagada pelos
estrondos da política nacional e dos grandes problemas que afligem todos os
portugueses, faialenses incluídos.
Apesar disso,
as candidaturas do PS e do PSD lá vão tentando mostrar algum serviço e
disfarçar o entusiasmo que falta e a imaginação que escasseia. Socorrendo-se da
velha tática futebolística da marcação homem a homem, os candidatos
perseguem-se pela ilha. Se um candidato visita o parque empresarial e propõe mais
apoio para as empresas, logo o outro vem no seu encalço, propondo para as
empresas mais apoio. A ronda das visitas habituais da pré-campanha repete-se,
sem fogo, sem rasgo e sem novidade.
O PSD, por um
lado, resolveu sem imaginação reciclar o velho lema que foi usado pela CDU há
alguns anos atrás, para esconder a mesmíssima coligação que está no governo da
república e que é responsável por boa parte dos problemas que afligem todos os
portugueses. Aliás, na campanha de Luís Garcia, estão totalmente ausentes as
cores e os símbolos do PSD e do CDS e o PPM está tão oculto, tão oculto, que
nem um só monárquico foi visto até agora nas ações de pré-campanha. “Entalado”
por não poder criticar abertamente o Governo de Passos e Portas, a prioridade
do candidato do PSD Faial não é a de mostrar ideias ou projetos para a nossa
ilha, mas sim a de disfarçar a sua filiação à política de austeridade e
sacrifícios que o próprio PSD impõe (também) aos faialenses. Uma campanha de
silêncios.
Em posição análoga
está a candidatura do PS. Inteiramente comprometida com os desmandos do Governo
Regional em relação à nossa ilha, a candidatura rosa não pode abordar muitos
dos grandes problemas que afligem os faialenses, sob o risco de ir beliscar a
política de Vasco Cordeiro. Com uma Câmara paralisada e um Presidente que
desertou o cargo há meses (e aceitam-se apostas sobre onde irá João Castro
assentar arraiais depois das eleições), a candidatura do PS bem se esforça por
tentar passar uma esponja sobre estes últimos quatro anos. É que, no mandato
que agora termina, o PS, a mandar sozinho e absoluto, conseguiu desbaratar
quase toda a obra que tinha sido feita em coligação no mandato anterior.
Olhe-se para o equilíbrio das finanças da Câmara, para o ambiente e resíduos
sólidos, para a cultura ou ação social ou recorde-se o projeto do saneamento
básico, por exemplo, e compare-se o antes e o depois.
Com tão pouca
margem de manobra, sem poder criticar a gestão passada nem o atual Governo
Regional, a candidatura do PS, procura reprometer o que deixou por cumprir
falando esperançosamente no “novo desafio”. “Não fizemos quando podíamos, mas
desta vez é que é”, há de José Leonardo repetir muitas muitas vezes ao longo dos
próximos meses. Diga-se, no entanto, que o lema da “ambição” até é bem
escolhido, tendo em conta o hábito dos eleitos socialistas na CM Horta
rapidamente baterem asa para mais altos cargos e a “humildade democrática” com
que o seu atual candidato à Assembleia Municipal, há poucos anos atrás,
abandonou o cargo de Deputado Regional quando viu que não ia ser eleito
presidente do Parlamento. “Ambição e deserção”, diríamos nós.
Os candidatos
do PS e PSD procuram, nesta campanha, passar uma mensagem que assenta numa
determinada seleção de factos, valorizando uns e apagando outros, tal como vem
nos manuais básicos de comunicação política. O problema é que estas narrativas
têm muito pouco a ver com a realidade do nosso concelho e com os problemas
reais do Faial.
O problema é
que uma campanha eleitoral destina-se a debater problemas e a informar os
eleitores sobre as soluções que cada uma das candidaturas propõe. Informar é
aqui a palavra-chave e é justamente o que estas campanhas não fazem. Até porque
não há nada que meta mais medo aos partidos do poder do que cidadãos informados
e exigentes.
Daqui até aos
primeiros dias de Agosto hão-de surgir outras candidaturas e outras
alternativas, de quem se espera que possam quebrar o manto de ruidoso silêncio
com que PS e PSD querem cobrir os verdadeiros problemas dos faialenses. Precisamos
de uma campanha diferente.

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