O tratamento do
lixo é sempre um problema agravado em ilhas pequenas mas, no Faial, estamos à
beira de um problema verdadeiramente grave. As células da nossa lixeira, que
acabou por nunca receber os melhoramentos para ser certificada como aterro
sanitário, estão a ficar cheias e estamos talvez a menos de um ano de um
seríssimo problema de como lidar com os resíduos sólidos urbanos não
recicláveis. A única medida tomada pela CM Horta foi a de cortar na recolha de
lixo, limitando-se a mante-lo mais tempo nos contentores, com os conhecidos
efeitos nauseabundos, mas sem resolver, obviamente, a
questão.
Não é credível
que o novo centro de resíduos que o Governo está a criar na Praia do Norte
resolva esta situação, pois, por um lado, haverá sempre inertes não
incineráveis que têm de ser depositados em aterro e porque pressupõe que os
resíduos que não possam ser tratados aqui sejam exportados para São Miguel,
para alimentar a grande incineradora que o Governo e a Associação de Municípios
dessa ilha estão a construir.
Essa
incineradora, que terá um elevadíssimo impacto ambiental e que já mereceu
queixas da Quercus junto de instâncias internacionais, destina-se à produção de
energia através da queima de lixos e precisa, para ser economicamente viável,
de quantidades massivas de resíduos, na ordem de 138 mil toneladas por ano, um
valor que São Miguel não atinge. Assim, o Governo pretende andar a deslocar
lixo das restantes ilhas dos Açores, Faial incluído, à custa de fundos públicos
como de costume, para viabilizar mais uma obra de regime. Tudo isto
dificilmente estará pronto e a funcionar, se funcionar, a tempo de resolver o nosso
problema.
A abertura de
uma nova célula e a realização dos melhoramentos que permitam tornar a nossa
lixeira num aterro sanitário digno desse nome parecem ser uma parte essencial
da solução e já deviam estar a ser estudados e preparados. No entanto, essa
será uma obra de custo elevado e que não resolve, no médio prazo o nosso
problema.
A solução para a
questão dos resíduos terá necessariamente de passar também pelo aumento da
quantidade de materiais reciclados e, ainda mais importante, pela diminuição do
volume de resíduos que produzimos.
Uma das
vantagens das campanhas eleitorais é o de lançarem novas ideias para discussão
no espaço público, construindo (ou não) consensos e soluções que efetivamente
permitam resolver problemas e melhorar a vida dos cidadãos. Estou convencido
que a proposta de tornar a Horta um concelho livre de sacos de plástico,
recentemente avançada pela Dra. Maria do Céu Brito, é justamente isso: uma ideia
inovadora e com potencial que pode contribuir para resolver esta situação.
Como é bem
sabido, os plásticos, e em particular os sacos de plástico distribuídos em
(quase) todas as lojas, são um resíduo altamente nocivo, que demora séculos a
degradar-se e exige quantidades maciças de energia para poder vir a ser
eventualmente reciclado. A solução do problema passa forçosamente também por
reduzir o consumo de plástico.
No oceano, os
plásticos são ainda mais destrutivos, sendo responsáveis directos pela morte de
milhões de animais marinhos em todo o planeta. Entre as primeiras vítimas está
a nossa bem conhecida tartaruga careta. A nossa posição ímpar, no meio do
Atlântico, traz-nos uma responsabilidade acrescida de reduzir o consumo deste
material e de garantir que este não irá prejudicar o nosso património natural.
Algumas acções
neste sentido já foram realizadas no passado, nomeadamente com várias campanhas
de sensibilização junto dos pescadores e dos operadores marítimo-turísticos, e
também aqui na Horta, com a distribuição de sacos de compra reutilizáveis, no
âmbito da Agenda 21 Local, em 2010, mas é possível e é preciso ir mais longe.
Desde logo é
necessário criar na sociedade faialense um consenso que envolva também as
empresas e os comerciantes, já que estes serão uma parte essencial do projeto.
É, depois, necessário começar a incentivar a substituição por sacos
biodegradáveis. Os custos inerentes a todo este processo serão directamente
amortizados pela diminuição da quantidade de resíduos e, indirectamente, pela
melhoria do nosso ambiente e da nossa imagem enquanto cidade ecológica. Muitas
cidades, em todos os continentes, já aderiram a esta ideia, proibindo o uso
comercial de sacos de plástico ou taxando-os para desincentivar a sua
utilização.
Acabar com os
sacos de plástico não resolve todo o problema mas é certamente um passo na
direcção certa.

7 comentários:
Pedimos desculpa mas é apenas para divulgar. Um casal, a crise, poupanças e histórias de quem vive a crise como muitos outros, mas onde a poupança é o melhor remédio. Pode passar a mensagem…? Obrigado!
http://ocarteiravazia.blogspot.com/
acabar com os plasticos e' querer aumentar a pobreza
Que grande disparate!
Onde é que foi buscar essa???
era so uma piada
parabens a cdu por ontem
Desculpe a reacção.
Estes dias deixaram-me sempre de dedo no gatilho.
Nós é que produzimos o lixo, nós é que temos de resolver o problema.
Continuar com aterros não é solução, porque os impactes são grandes.
A compostagem é caríssima e ninguém adquire o composto depois.
Devemos produzir menos e reciclar mais e muito bem. E implementar isso? E levar as pessoas por esse caminho? Como?
Como é óbvio, não há soluções perfeitas.
A valorização energética de resíduos é uma das soluções mais utilizadas no norte da europa. Os ambientalistas, porque percebem o problema que tem nas mãos, não contestam. Aceitam como um mal menor, que tem as suas vantagens.
Poupam gastos em combustíveis fósseis. No lugar de adquirirmos nafta como combustível energético, usamos lixo. Diminuímos importações e os gases estufa emitidos são sensivelmente idênticos.
A perigosidade dos gases emitidos pode e deve ser rigorosamente controlada através de filtros. Há incineradoras que on line dão informações ao minuto sobre a qualidade do ar junto às chaminés onde os gases são emitidos.
Temos um problema grave de portas para dentro. Mais do que criticar temos de o discutir deixando partidos, politicas e políticos do lado de fora da porta. Com soluções válidas, testadas e se possível baratas.
O disparate das incineradoras têm, a médio prazo, custos ambientais muito superiores.
O exemplo melhor é a imbecilidade de construir uma incineradora em São Miguel que só é sustentável financeiramente caso se ande a acartar lixo das outras ilhas para lá.
E quanto à imagem de excelência ambiental dos Açores (ou pelo menos de São Miguel) é para esquecer. Os turistas não pagam para vir respirar dioxinas!
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