sexta-feira, 12 de junho de 2015

plastic Pim

As areias douradas da praia do Porto Pim, ex-libris do Faial, chamariz de turistas e ponto obrigatório para banhos de sol e mar para toda a gente, estão cobertas de uma gigantesca quantidade de pequenas partículas de plástico trazido pelo oceano, que se misturam com a areia, aí se depositam e permanecem, representando um enorme problema ambiental para a nossa ilha.
As limpezas realizadas pelos serviços competentes recolhem cuidadosamente as partículas maiores, de dimensões superiores a um centímetro, dando-nos a impressão de uma praia imaculadamente limpa, íntocada, inteiramente natural, mas um olhar mais atento revela que uma quantidade enorme de plástico lá continua. Às vezes claramente visível a olho nu, outras vezes recoberto por uma camada superficial de areia, mas sempre presente e dia a dia acrescentado com ainda mais plástico trazido pelas marés.
O meu espanto, quando pude constatar pessoalmente a quantidade de plástico no areal, foi ainda aumentado quando soube que este é um problema conhecido e de há muito tempo, por autoridades e especialistas, sem que nada tenha sido feito e sem que exista debate público sobre medidas e soluções, senão para resolver, pelo menos para minimizar os riscos que esta quantidade de plástico num zona tão sensível e tão frequentada pode trazer.
Diga-se que provavelmente muito deste plástico não resulta dos nossos próprios resíduos. Infelizmente ainda há no Faial muito plástico que acaba no oceano, por descuido ou incúria, mas é de crer que, em relação ao problema específico do Porto Pim, se trate mais de plástico oceânico, trazido para aqui pelo acaso dos ventos e das correntes. Não sendo na origem um problema nosso, tornou-se um problema que temos de ser nós a resolver ou a sofrer as respectivas consequências.
E estas consequências podem ser efectivamente graves e não devem ser minimizadas, muito menos pelos que têm a responsabilidade de proteger a saúde pública. A maior parte dos plásticos são tóxicos, tornando-se perigosos a partir de determinadas concentrações. Estão relatados sérios problemas alérgicos de pessoas, e em especial de crianças, quando em contacto com determinados tipos de plástico. Embora os estudos científicos sejam dispersos e pouco abranjentes, parece claro que a exposição continuada a diversas categorias de plásticos provoca graves problemas de saúde. Isto para já não falar dos vários tipos de vírus que conseguem sobreviver longos períodos em superfícies de plástico, pelo que, da próxima vez que pusermos o pé na areia, não há ninguém que nos possa garantir que não estamos a correr um sério risco, nem de onde esse risco vem.
Consigo entender a complexidade da questão, a dificuldade técnica de recolher todas as pequenas partículas de plástico, a necessidade de proteger a imagem da nossa ilha. Mas não consigo entender que em nome dessas preocupações se deixe tudo como está. E pergunto-me: não teremos um problema muito maior no futuro quando já não pudermos esconder a quantidade de plástico nas areias do Porto Pim? E quando começarmos a ter problemas de saúde pública relacionados com a mais famosa praia faialense? Como vai ficar então a nossa imagem de paraíso natural?
Este não é um problema que possamos varrer para debaixo do tapete e soluções impõem-se, pelo menos para reduzir a quantidade de partículas de plástico nas areias do Porto Pim, e de preferência antes que a praia comece a ser frequentada diariamente por milhares de pessoas, que certamente não vão gostar do banho de plástico.
Tiago Redondo

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