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segunda-feira, 3 de maio de 2010

que fazer com esta liberdade?


Faz sentido assinalá-lo, por esse mundo fora, em nome dos muitos jornalistas presos, assassinados, exilados ou pura e simplesmente silenciados por esse mundo fora. E, afinal, são mesmo muitos mais do que julgaríamos possível na nossa época.

Mas faz sentido, também, assinalá-lo nos Açores onde a liberdade de imprensa continua a sofrer outro tipo de atropelos. Porventura mais subtis, mas igualmente reais e impositivos.

Porque somos uma Região onde a autocensura existe. Onde jornalistas que escrevem notícias que desagradam ao poder instituído, são obrigados por directores solícitos a pedir humildes desculpas aos governantes, onde se receia "o furo" e a opinião de ruptura. Somos uma Região onde se saneiam colunistas por opiniões políticas perante o silêncio geral. Somos uma Região onde o Governo aceita que se legisle sobre a publicidade institucional, desde que essa legislação não abranja as empresas públicas, que são os únicos anunciantes com peso, porque querem poder continuar a condicionar a sobrevivência e a modelar a opinião dos órgãos de comunicação social. Somos uma Região onde grande parte dos jornalistas é precário, ou mesmo part-time e onde as decisões editoriais são cuidadosamente centralizadas em Ponta Delgada, ou mais longe ainda. Somos uma Região pequena, onde toda a gente se conhece, feita de meios pequenos, que não convidam nem recompensam jornais e jornalistas incómodos.

Também nos Açores faz todo o sentido assinalar o Dia Mundial da Liberdade de imprensa porque ainda somos uma Região onde a verdade tem um preço.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

a incongruência, a gripe e outros agressores

Fugido de um laboratório norte-americano (provavelmente militar) o virus foi ao México e regressou a casa começando a vitimizar os seus próprios produtores. “A gripe suína já matou 53 pessoas no mundo”. Com este “já”, na notícia, está-se a contribuir para o pânico, universalmente lançado há cerca de um mês, o qual, por sua vez, fomenta a compra de vacinas aos milhões, num negócio altamente rentável para quem a produz (provavelmente também na América do Norte). Mas se dissesse: “Apesar do pânico lançado e do empolamento do perigo da gripe suína, esta, até agora, apenas provocou 53 mortes no mundo, enquanto a gripe comum já provocou, só este ano, mais de 1 500.” Esta outra notícia colocaria o problema de uma forma mais objectiva. No entanto, de entre as duas, como sabem, a escolha caiu sobre a mais incongruente...

Há outras notícias onde a incongruência, felizmente não colheria. Imaginemos esta: “O agredido matou a agressora na cama, com um martelo de pedreiro!”. Claramente o sucedido nesta semana foi antes o anúncio do julgamento de “um agressor que, com um martelo de pedreiro provocou a morte da agredida, enquanto esta se encontrava na cama”.

Todavia, quanto a agressões (particularmente militares), a congruência entre agredido e agressor, ao contrário do que aconteceu no caso anterior, nem sempre é facilmente detectável. Tal como foi noticiado: “Os terroristas do Hamas atacaram Israel com roquets, e os soldados israelitas, em legítima defesa, viram-se obrigados a entrar em território palestiniano para eliminar os atacantes”. Ou, como não foi noticiado: “Para se defenderem do cerco e do bloqueio israelita, os guerrilheiros palestinianos, a partir do seu reduto recorreram ao disparo de roquets artesanais contra Israel e estes, aproveitando-se do facto, invadiram toda a faixa de Gaza, ocupando-a militarmente, destruindo escolas e hospitais, e chacinando as populações.” Já a frio, um relatório independente feito por um grupo de peritos internacionais, esta semana divulgado, conclui que do lado palestiniano foram mortas 1400 pessoas, das quais 300 eram crianças e 100 eram mulheres, e do lado israelita morreram 4 civis. Este relatório conclui ainda que, além de crimes de guerra cometidos por ambas as partes, os israelitas cometeram crimes contra a humanidade e são suspeitos de crime de genocídio. Então em que ficamos? Quem é o agressor e o agredido? O criminoso e a vítima? Qual a notícia mais objectiva? E qual a mais incongruente? A que foi dada, ou a que não foi dada?

O Iraque é de momento a ilustração mais profunda e dramática das consequências da notícia incongruente e tendenciosa. Em nome duma mentira (que transformou convenientemente o agressor em agredido) um povo inteiro sofre o destino quotidiano da morte, da guerra e da fome, e os seus agressores mandados para o terreno (os jovens soldados norte-americanos), totalmente desorientados e sem convicções sustentáveis, acabam a matar-se uns aos outros, conforme notícia (bem objectiva…) de segunda-feira passada. Da incongruência inicial da notícia, passámos para a incongruência terrível da realidade.

Pelo país, em versão menos mortífera (felizmente), também se vão confundindo agredidos e agressores. Aproveitando a boleia do candidato socialista às europeias ter sido mimado no 1º de Maio, por vítimas da política do seu governo, com apupos e empurrões, vem agora outro agredido queixar-se, em entrevista ao Jornal de Notícias: “Também eu tenho sido vítima do PCP…” (José Sócrates)

Mário Abrantes

segunda-feira, 11 de maio de 2009

a calúnia é grátis


Para Vital, a calúnia é gratuita e não precisa de provas. Com a normnal psicologia dos renegados, o seu único e principal alvo é, não podia deixar de ser, o PCP.

Mais valia ter dito: "Quero uma Marinha Grande só para mim!", porque o desespero em relação aos resultados eleitorais de 7 de Junho começa a ser notório e difícil de esconder.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

os suspeitos do costume

Não me apetecia especialmente continuar a falar disto, mas há esclarecimentos que são incontornáveis.

Um dos agressores de Vital Moreira foi identificado como Délio (délio???) Figueiredo (assinalado na foto) que, afinal não é, como se esperava, um ortodoxo e sectário militante do PCP, mas sim militante do BE!

Serve este esclarecimento para mostrar que nem o BE nem o PCP (e muito menos a CGTP) são responsáveis pelos lamentáveis sucessos, nem pelas atitudes imbecis dos respectivos militantes individuais.

Mostra também o mal que fica o oportunismo político dos que, como Miguel Portas ou o PS se precipitaram a cruxificar os suspeito do costume, os c... c... c... comun... comunistas!

sábado, 2 de maio de 2009

lucidez no 1º de Maio

Sobre os incidentes com Vital Moreira no 1º de Maio em Lisboa já tudo foi escrito por essa blogosfera fora.

Desde os que aproveitam para espumar da boca, despejando o mais raivoso e primário anti-comunismo. Aos que tentam o jogo fácil do aproveitamento político, clamando contra o sectarismo. Aos que se vitimizam desavergonhadamente e sonham com o regresso a velhas Marinhas Grandes.

Mas há, também, felizmente, análises lúcidas e gente informada.

Vale a pena ler o que escreveu António Abreu no seu Antreus.

Também no Fiat Lux Carpe Diem encontrei uma boa dose de lucidez. No post. Nem tanto nos comentários.

E, porque nada como aproveitar esta possibilidade que a internet nos dá de ir às fontes reais da informação, deve ler-se o posicionamento oficial da Comissão Política do PCP.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

fazer de Maio a nossa lança

O Futuro

Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente.

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente.

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.

José Carlos Ary dos Santos



Amanhã, 1º de Maio, milhões de mulheres e homens de todo o mundo saem à rua não por causa do passado, mas por causa de um futuro melhor. Porque a história não para e são esses mesmos homens e mulheres que a fazem.


por isso é que...

O cidadão comum não pode dizer o que pensa e o que sente. Por maior que seja a sua razão, não se pode afirmar descontente. Pelo menos no local de trabalho não pode. Qual nova pide instalada, há quase sempre, ao seu lado, um “amigo” que (às vezes nem sequer por delatória conveniência, mas antes, e até, por confrangedora boa fé) o aconselha à moderação ou mesmo ao silêncio puro e simples. E infelizmente as pessoas, apreciando-o ou não, precisam que o trabalho lhes providencie o rendimento, e por isso se remetem ao silêncio, se coíbem de emitir opiniões, se esquecem praticamente de que são alguém, num sufoco (egoísta, porque solitário) do seu sofrimento ou revolta. Manter o bico fechado (ou fingir) é estratégia de sobrevivência, e esta, como todos sabem, constitui o principal instinto dos animais, sejam eles racionais ou não.

Em suma, e admitindo ser verdadeiro aquilo que disse, existirá então de facto, nos dias que correm, para além de um grave problema de desemprego, sub-emprego, ou precariedade laboral crescentes, um grave problema com a liberdade de expressão.

Atrevo-me até a dizer, sem grande risco de engano, que um problema influencia o outro e vice-versa. Quanto mais desemprego e menos trabalho seguro e digno, menos liberdade.

Por isso é que, em geral por motivos de ordem laboral, há descontentes e revoltados que acompanham com fé, no dia 25 de Abril (em acto provocatório), a inauguração de uma praça com o nome de António de Oliveira Salazar ou, em concursos televisivos (pouco inocentes), elegem o ditador como maior português de sempre. Simplesmente perderam, em conjunto com o emprego ou outros direitos sociais e laborais, a capacidade individual de serem livres...

Por isso é que é importante lembrar o 25 de Abril. Os que penaram. Os que morreram. Os que foram torturados. Para que, no país onde o 25 de Abril se deu, ninguém se atreva a desejar, na sua secreta esperança, que algum dia se voltarão a viver as mesmas aberrações.

Por isso é importante confirmar, em vésperas de 1º de Maio, que os trabalhadores não se libertam da ameaça do desemprego, e da perda de condições de trabalho, silenciando a sua voz e o seu descontentamento ou refugiando-se na esperança de que, para salvar o seu próprio destino, chegará de novo o homem forte e omnipotente para impor a lei e a ordem. Essa lei e essa ordem não são hoje, não foram ontem, nem serão amanhã, as suas. E o silêncio, esse, será sempre o penhor da sua liberdade.

Foi exactamente no dia 1º de Maio de 1974, 5 dias depois da revolta militar vitoriosa, que uma impressionante manifestação juntou de mãos dadas em Lisboa, cerca de um milhão de pessoas, para assinar com o país renascido um novo contrato social. Para além do fim da guerra colonial, as reivindicações expressas na manifestação, como o salário mínimo, as reformas e a segurança social, as férias, a igualdade e a segurança no trabalho, a regulamentação dos seus horários, a liberdade sindical, o subsídio de desemprego, o direito à saúde e à educação, de imediato passaram à lei, e à prática. Em liberdade e unidade, de viva voz se ouviram as grandes reclamações populares, o país emergiu das catacumbas, assinou o contrato, e andou para a frente.
É entretanto à quebra progressiva deste contrato aquilo que estamos hoje assistindo, por imposição de uma lei e uma ordem que, novamente nos são estranhas, e por isso o país anda para trás e somos hoje menos livres.
Mario Abrantes



[Inaugura-se hoje e aqui uma mais que benvinda colaboração regular do Mário Abrantes, que muito enriquece a Política. Benvindo, Mário!]