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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

não nos vamos embora

Apesar do despejo de Zuccotti Park, ordenado pelo Mayor de Nova Iorque há poucos dias atrás, o movimento Occupy Wall Street continua vivo e mobilizador. A prová-lo, as muitas dezenas de milhares de pessoas que ontem participaram em várias acções não-violentas por toda a cidade, incluindo num efectivo bloqueio dos acessos à bolsa de Nova Iorque.

A capacidade de sobreviver ao fim do acampamento foi uma prova de fogo para o movimento Occupy. As autoridades americanas (e não só) tinham a esperança de que o fim da ocupação esvaziasse o protesto. Mas os 99%, em vez de desmobilizar, avançaram com enormes manifestações que demonstram que estamos perante um algo muito mais sólido do que um grupo de jovens que ocupou um espaço público. Tiveram a maturidade e a sabedoria de distinguir o acessório do essencial, entendendo que esta é uma luta longa e não confundiram uma táctica (acampar), com o objectivo final da luta. Esse objectivo continua claro e bem presente.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

esta é a nossa cara

A fotografia desta manifestante anónima do movimento Occupy the London Stock Exchange, capturada pela Reuters e divulgada pelo Público, consegue, de certa forma, expressar muitas coisas sobre o que é este protesto global e quem são as pessoas que o movem.

Um traço comum em muitas destas manifestações, a máscara. Mas mais do que máscara que esconde, uma máscara que mostra. Mostra a despersonalização de quem foi alienado do seu direito à realização enquanto indivíduo, de quem se viu espoliado dos seus sonhos e da sua liberdade e reduzido a uma estatística, a um factor de produção, sem direitos nem personalidade. É, neste aspecto um bom retrato do anonimato forçado em que o mercado (também ele anónimo e sem rosto) nos afunda a todos.

Mas é também uma despersonalização de quem se encontra na nova identidade colectiva da multidão. Os 99%. A máscara, esta cara, outra cara - que importa? - de quem se sente irmanado no descontentamento e no protesto com milhões de outras caras em todo o mundo.

Os olhos, esses, olham para a frente, talvez sonhadores, mas bem abertos. Como se conseguissem atravessar a névoa diária de confusão e caos, a cacofonia das notícias e das declarações solenes. Como se derrubassem o muro mentiras que nos cerca há tanto tempo e vissem, límpido e luminoso, esse mundo novo que ainda vamos construir.

sábado, 29 de outubro de 2011

onde iremos parar?

A nova cultura contestatária desenvolve-se em múltiplas frentes, também na expressão gráfica. Vale mesmo a pena ver, sentir e sobretudo pensar.

e já agora aqui também.

É impossível não pensarmos em 68 ao ver o crescimento e consciencialização de uma nova geração disposta a pensar e a mudar o mundo. E certamente que nos orgulha essa herança, mas nitidamente não somos prisioneiros dela.

Gostei muito de ler uma frase numa das ilustrações: "Somos muitos. Não temos medo." A mensagem simples de uma geração que já não tem nada a perder (emprego precário, a casa hipotecada, a família adiada, sonhos sine diae) e que por isso começa a ficar sem razões para ter medo. Aprendem, no protesto, que afinal não estão sozinhos, que o seu problema é o problema de milhões de outros jovens dos países mais desenvolvidos do mundo, e não só. Afinal são mesmo muitos.

E muitos deles sentiram pela primeira vez durante este ano o que é o poder da multidão. Até onde irão para realizar o que sonharam?