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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

definitivamente, estamos mal servidos

A informação, quando não é isenta, releva (ou não releva) factos e acontecimentos segundo critérios jornalísticos que escapam à deontologia da profissão, visando, sob as vestes da sua simples condição, atingir capciosamente algo mais do que informar. Talvez por isso, sendo notícia aparentemente obrigatória e corrente, a das eleições que se vão passando pelo mundo, poucos terão sido aqueles que, assoberbados a digerir a informação relativa às eleições promovidas pelos golpistas das Honduras, se deram conta das eleições presidenciais ocorridas quase em simultâneo em outro país da América Latina, o Uruguai, bem como daquelas outras que, uma semana depois, atribuíram quase 2/3 dos votos descarregados (63%) a Evo Morales, na Bolívia.

De Evo Morales, defensor declarado do socialismo e o primeiro índio sul-americano a ser eleito Presidente, apenas se guarda, nesta Europa da livre informação, a imagem de um estadista debilitado, com uma forte e influente oposição, num país à beira de um golpe de estado. Os resultados de dia 6 do corrente, por revelarem um “status quo” bem diferente do anteriormente anunciado, constituiriam (julgo eu) informação de relevo, no entanto praticamente passaram despercebidos…

Quanto ao Uruguai, de facto, no passado dia 29 de Novembro, um ex- “Tupamaro” (movimento guerrilheiro dos anos 60), chamado José Pepe Mujica, actualmente com 74 anos e candidato de uma formação de esquerda, a “Frente Ampla”, venceu as presidenciais à 2ª volta.

Para lá de comentar o sussurro quase inaudível que nos chegou deste acontecimento, prefiro salientar, excertos do discurso subsequente do vencedor, na senda, aliás de outro ex-guerrilheiro - Nelson Mandela, após a sua vitória presidencial: “Não há nem vencidos nem vencedores, apenas elegemos um governo que não é dono da verdade, que precisa de todos. Ter votos a mais não significa que sejamos donos da sociedade, muito menos que a nossa verdade seja imaculada. O meu reconhecimento aos outros candidatos, nossos irmãos de sangue, a quem peço desculpa se em algum momento o meu temperamento de combatente fez a minha língua ir longe de mais. A minha saudação a todos os irmãos da América Latina que representam um continente que se tenta unir como pode.” E, apesar da maioria absoluta alcançada pelo seu partido, o novo presidente, mostrou-se totalmente disposto a assinar acordos com a oposição sobre temas como a Educação, Segurança, Energia ou Ambiente, e a partilhar com ela alguns ministérios do novo governo.

Salvaguardadas as devidas distâncias político-geográficas, e tendo em conta a actual situação nacional e regional, ou recordando certos discursos debitados após o nosso ciclo eleitoral recente, algum estimado Leitor esperaria por ventura ver sair da boca de um Cavaco Silva, José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Carlos César ou Berta Cabral, expressões com o mesmo sentido daquelas que atrás referimos? Mas, em minha opinião, é precisamente desse sentido humanista de raiz que o nosso comportamento e acção políticos estão carentes. É de uma outra envergadura político/partidária, não exclusivista, e de um verdadeiro espírito de servir que, sobretudo quando (como actualmente acontece) os tempos são de recessão e de instabilidade social, o País e a Região estão profundamente necessitados.

Definitivamente, estamos mal servidos…
Mário Abrantes

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

embargo ao direito


São já quase duas dezenas de resoluções a condenar a agressão dos EUA contra o estado cubano, a diferença é que, desta vez, foi aprovada com o número recorde de 187 votos a favor e 3 contra (os habituais EUA, Israel e o Palau) e duas abstenções, das Ilhas Marshal e da Micronésia. Vale a pena ler relato da sessão e as declarações de voto dos delegados, e ver a forma como os EUA displicentemente ignoram todas as regras do direito internacional.

Os EUA estão cada vez mais isolados numa posição que Barack Obama parece querer manter, apesar das promessas sobre um novo fôlego nas relações diplomáticas entre os EUA e o resto do mundo. Coerência, exige-se.

sábado, 12 de setembro de 2009

Juan Almeida Bosque (1927-2009)

Aos 82 anos, faleceu o Comandante Juan Almeida Bosque, um nome que a maior parte de nós nunca ouviu falar mas que, desde 1952, é uma peça fundamental da Revolução Cubana. Actualmente, era Vice-Presidente do Conselho de Estado de Cuba.

Concordemos com ele ou não, tratava-se de um homem determinado que entregou toda a sua vida a lutar por aquilo em que acreditava. E, nas palavras de Brecht: "Esses são os homens imprescindíveis". Coerência. Fidelidade. Generosidade. Exemplos que nos vão faltando.

À medida que Cuba vai assistindo ao natural processo de substituição de gerações, a revolução cubana continua a demonstrar importantes sinais de vitalidade, para desgosto dos que, impotentes para a destruir, optaram pela postura atentista de esperar pelo seu fim, supostamente inevitável. As jovens gerações cubanas apercebem-se dos elevados níveis de desenvolvimento humano, e mesmo bem-estar, nas quais Cuba se distingue nitidamente dos seus vizinhos latino-americanos e, nalguns aspectos, mesmo dos norte-americanos e entendem que esse foi o fruto da revolução que lhes cabe agora defender e aprofundar. O legado de homens como Almeida Bosque.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Honduras


Os factos que sucedem nas Honduras são sobejamente conhecidos e não pretendo discuti-los. Apenas assinalar que o dia de ontem nos mostrou duas coisas: O poder imparável de um povo que se põe em marcha e a verdadeira face violenta e cobarde dos ditadores e golpistas, mesmo quando invocam a defesa da normalidade institucional.

Perante imagens como esta, de uma criança de 10 anos morta por soldados com um tiro na cabeça não há mais espaço para discutir. Toda a argumentação jurídica cai por terra como um oco cenário de papel. Perante isto, a neutralidade é impossível.

Por isso, a minha solidariedade com o Povo Hondurenho.

domingo, 7 de junho de 2009

tardia, mas justiça


A justiça muitas vezes tarda, mas nunca prescreve nem deixa de fazer sentido.

Victor Jara, foi assassinado a 16 Setembro de 1973, durante o golpe de Pinochet, depois de ter sido torturado durante dias e de lhe terem sido cortadas ambas as mãos. Foi morto com 44 (sim, quarenta e quatro) tiros de metralhadora.

É positivo que o Chile moderno que encontre a capacidade de enfrentar a sua própria história e, embora o principal responsável tenha já morrido sem enfrentar a condenação dos tribunais, é importante que o futuro do Chile não se construa sobre silêncios, impunidades e sobre os cadáveres ocultos das vítimas da ditadura militar.

Também em Espanha se tem falado da possível exumação de Frederico Garcia Lorca e da investigação do seu assassinato às mãos dos franquistas. Um passo que está por dar.

Só pela justiça poderão os povos do mundo encontrar o direito de viver em paz.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

histórico

Fidel Castro recebeu congressistas dos Estados Unidos

Histórico e revelador de uma nova era nas relações entre Cuba e os Estados Unidos da América.

Prova que novos caminhos de paz e cooperação começaram decididamente a ser trilhados na América Latina.

Só por isto, já valeu a pena que os norte-americanos tenham elegido Obama.

Boas notícias!

Leia as reflexões de Fidel sobre esta visita.

sábado, 21 de março de 2009

naturalmente

Venezuela vai legalizar os casamentos de homossexuais

Com naturalidade, coerência e sem precisar de grandes alaridos de auto-glorificação, a Venezuela vai tornar-se um dos países com a legislação mais avançada no campo da igualdade de género e não discriminação. A liberdade e a democracia estão no código genético da Revolução Bolivariana.

A medida surge com toda a naturalidade.

domingo, 15 de março de 2009

proteger o ambiente

Venezuela acaba com a pesca de arrasto

Um passo importantíssimo para proteger os recursos marinhos deste tipo de pesca que destrói indiscriminadamente fundos, habitats e espécies com ou sem valor comercial.

Uma medida que seria positivo que fosse imitada noutras partes do mundo. As enormes vantagens de se ter uma economia devidamente organizada e planificada também se revelam assim.

o seu a seu dono


A cumprir, de facto, as razões que levaram a que fosse eleito, Evo Morales dá mais um passo para corrigir uma injustiça de séculos, ao mesmo tempo que toma medidas para garantir a segurança alimentar do seu país e a sua estabilidade social.

Na Bolívia a história anda para a frente.