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sexta-feira, 8 de abril de 2011

hoje soube-me a pouco



A imagem é quase histórica, ilustrando a reunião entre PCP e BE ocorrida esta manhã.

A verdade é que os resultados desta reunião acabam por saber a pouco. Reafirmar a abertura para convergências parlamentares é reafirmar o conhecido, óbvio e forçosamente inevitável, tendo em conta as proximidades ideológicas dos dois partidos.

Claro que ninguém esperava que se saltassem todas as etapas e se partisse logo para uma coligação pré-eleitoral ou algo do género. Por outro lado, também não estou seguro que isso fosse positivo do ponto de vista eleitoral. Para tal, teria sido necessária a ocorrência de longas negociações prévias, fora do olhar público, e um clima psicológico muito diferente em ambos os partidos.

Teria sido muito mais interessante apresentar um programa concreto de convergência parlamentar; uma proposta, um conjunto de propostas -concretas mais uma vez - que consubstanciassem as soluções da esquerda para a situação actual. Um programa que desse força a essa alternativa que é essencial para o país.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

reiventar a esquerda

O anúncio de um encontro ao mais alto nível entre PCP e BE não pode deixar de ser uma boa notícia para a esquerda. Também o facto de ambos os partidos terem reuniões magnas agendas (Encontro nacional do PCP a 17 de Abril e Convenção Nacional do BE a 7 e 8 de Maio) augura decisões importantes, com reflexos em toda a vida política nacional.

Num momento em que se agiganta a pressão da direita, acompanhada pela dramatização do PS, visando impor soluções ainda mais radicalmente direitistas, com o seu cortejo de impactos destrutivos sobre o país, é imperioso construir e afirmar uma alternativa.

Sobre os moldes, formas e tempos dessa alternativa, não tenho ideias definidas, mas reconheço-lhe a urgência. Quanto a convergências, elas são óbvias e já se verificam em quase tudo na Assembleia da República. Portanto, os obstáculos a esta aproximação são mais de carácter psicológico e simbólico e efetivamente contrariados pela fria análise política.

Imagino a preocupação com que este momento deve estar a ser olhado no Largo do Rato, pois o PS sabe bem que BE e PCP podem perfeitamente conseguir superá-lo eleitoralmente, reinventando o quadro partidário da esquerda.

O momento que o país atravessa, com as suas terríveis ameaças, mas também com as suas exaltantes possibilidades, impõe a responsabilidade aos dois partidos de conseguirem fornecer essa alternativa. Os olhos de todas as esquerdas vão estar postos nessa reunião. E os da direita também.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

a moçãozinha

Manuel Queiroz, do Jornal I, não é das pessoas com que costumo concordar. Definitivamente. No entanto, a sua análise sobre a moção de censura do Bloco de Esquerda dificilmente poderia ser mais acertada.

Tem razão quando aponta a óbvia contradição entre considerar que não faz sentido nenhum uma moção de censura (supostamente do PCP) e afirmar peremptoriamente que não farão o favor à direita numa semana, para na semana seguinte apresentar uma moção de censura própria. O que Jerónimo de Sousa afirmou foi que "A moção de censura é um instrumento constitucional de que não prescindimos, sem que façamos dele o alfa e o ómega da solução dos problemas nacionais." E foi o suficiente para que começassem a soar os alarmes na sede do BE e para que a preocupação precipitada de uma suposta "ultrapassagem" tomasse o lugar de toda a inteligência.

Tem razão quando diz que "O BE esteve três ou quatro meses calado sobre o governo, por causa da campanha eleitoral presidencial, e agora quer recuperar o terreno perdido à esquerda." O erro da precipitação no apoio a Alegre (que fez mais mal que bem, diga-se) teve um custo elevado para o BE.

Tem razão quando diz que o BE é movido pelo populismo que lhe permitiu tornar-se numa eficiente máquina eleitoral e, acrescento eu, gerida pelos impulsos mais ou menos ponderados (ou, como neste acaso, absolutamente imponderados) do reduzido directório de cabeças supostamente iluminadas que o conduzem, quantas vezes ao arrepio da vontade dos seus próprios militantes.

Tem toda a razão quando diz que o BE estará eventualmente a avaliar votar contra a sua própria moção. Porque esta, afinal, não passa de uma censurazinha que Portas e Passos Coelho não deixarão de aproveitar.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

estratégia zero


Agora o que não é aceitável é termos de ouvir a líder do BE Açores, no debate realizado na 6ª feira à noite na RTP Açores, a discursar sobre as importantíssimas propostas que o BE fez para o Plano de 2009, mas que não se preocupou em repetir para o Plano de 2010. Como se para a pobre inteligência dos açorianos bastasse parecer que se faz alguma coisa, nada fazendo efectivamente. Com esta cortina de fumo comunicacional se tenta ocultar a nulidade política de quem pensa que bastam umas frases sonantes para se ir iludindo o número suficiente de eleitores para garantir um confortável posto parlamentar. Até quando?

Mas, afinal, para o Orçamento, o BE sempre apresentou uma proposta e foi aprovada e tudo! Trata-se de uma regra que permite ao Governo Regional privatizar empresas regionais sem que o tenha de discutir no Parlamento. A proposta do BE foi a de que o Governo só o possa fazer se não se tratar de um sector "estratégico" para os Açores. E quem é que define o que é que é um sector "estratégico"? Esse mesmo Governo! Profundíssima intervenção política, é mesmo o que se chama um fato por medida para a aprovação socialista.

Com este nível de intervenção parlamentar "estratégica", a esquerda nos Açores ainda tem mesmo um longo caminho a percorrer.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

referendos e coerências

Francisco Louçã opõe-se à realização de um referendo sobre a legalização dos casamentos homosexuais porque "Isso seria retirar a essas pessoas a possibilidade da escolha sobre si próprias".

Estou de acordo. A sério. acho que matérias fundamentais relacionadas com direitos liberdades e garantias não devem ser referendadas.

Agora, o que lamento é que em relação à interrupção voluntária da gravidez o Bloco não tenha tido a mesma coerência e não se tenha importado com o facto desse referendo poder roubar às mulheres portuguesas o direito de decidir sobre si próprias.

Lamento ainda mais que a coerência do Bloco de Esquerda continue a ser feita apenas com base na tática política imediata e não com base no programa e nos valores de esquerda de que passam a vida a reclamar-se como exclusivos proprietários.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

sic transit bloco de esquerda

De acordo com o Farpas, Agostinho da Silva, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Pombal, numa entrevista a um jornal local afirmou que os seus políticos de referência são Sá Carneiro e Paulo Portas. Terá confundido os irmãos Portas (um erro que até se percebe)?

Para lá do humor da situação e do candidato é, mais uma vez, a marca do grande erro do Bloco que, como já escrevi, insiste em separar a forma do conteúdo, associando a um discurso ferozmente esquerdista, carregado de radicalismo, uma prática política de caciqueira máquina eleitoral, rendida aos encantos de todas as figuras mediáticas que consiga arrebanhar. Lembram-se de Sá Fernandes e das suas referências políticas? Ou da "conquista" da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos?

A coerência não se constrói apenas de palavras. É também feita de escolhas e opções, mesmo que difíceis. Mas são essas escolhas que definem o que é e onde se situa um movimento político, não é o seu score eleitoral.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

uma fraude alegre


Há aqui uma lição a ser aprendida por alguma esquerda, nomeadamente por sectores do BE, que depositaram em Alegre as suas esperanças sebastianistas do tal líder que havia de unir a esquerda e conduzi-la à vitória.

Penso que a razão do seu erro reside na velha confusão entre forma e contéúdo. Não basta ter um tonitroante discurso esquerdista. É preciso apoiá-lo em medidas, atitudes e coerências, que Alegre nunca teve.

Penso que a lição que essa esquerda tem de aprender é a seguinte: a desejável, necessária e, mesmo, absolutamente essencial convergência de esquerda só poderá ser construída sobre a sólida base de um projecto claro e concreto do que se pretende para o país e nunca sobre as águas pantanosas das vagas reminiscências ideológicas apregoadas por líderes mediáticos.

Apesar de tudo, esta saída de Alegre pela direita baixa, acaba por despoluir e muito o ambiente necessário para a construção de um verdadeiro diálogo à esquerda. O novo quadro parlamentar que emergir das eleições e as opções de cada um dos partidos perante ele serão decisivas para a possibilidade desse diálogo. Mas sempre com seriedade e coerência.

terça-feira, 16 de junho de 2009

tudo já, nada depois

Assembleia rejeita protesto contra treinos nas Lajes

Num dia relativamente morno no Parlamento Regional, em que PS, PSD e CDS se dedicaram ao inútil folclore pós-eleitoral, repetindo ou glosando as declarações dos respectivos líderes nacionais e regionais, o voto de protesto apresentado pelo Bloco de Esquerda contra a criação de um campode treino de caças na Base das Lajes sempre acabou por fornecer alguma emoção. Infelizmente, nem sempre pelas melhores razões.

Desde logo, abordar uma questão desta importância com um voto de protesto (que é discutido e votado num quarto de hora) é tratar o assunto com excessiva ligeireza. Por outro lado, o histerismo do tom escandalizado do documento apagou qualquer possibilidade de compreensão de alguns dos argumentos válidos que apresenta. E, de facto, o verbalismo exaltado dos primeiros parágrafos acaba por ser substituído no final do texto pela morna e consensual (da esquerda à direita) reivindicação do estudo de impacto ambiental e da possibilidade da Região se pronunciar.

É necessário ganhar o apoio dos açorianos para uma revisão do Acordo de Cooperação na qual Portugal tenha uma posição negocial forte e os interesses dos Açorianos sejam tidos em conta. Não será quase exigindo o fecho da Base, a perda de centenas de empregos e de milhões de euros por ano que são injectados na economia regional que se vai ganhar o apoio de seja quem for neste arquipélago!

Se, de facto, queremos contestar a utilização dos Açores como ponto de apoio de projecção da força militar dos Estados Unidos é preciso fazê-lo com inteligência. Tacticismo? Talvez. Mas, habitualmente, a postura esquerdista do "tudo e já!" conduz apenas a nada, depois.

terça-feira, 26 de maio de 2009

federalismo esquerdista

Mais um brilhante artigo de Filipe Diniz no Diário.info a pôr o dedo na ferida, de que não resisto a citar um trecho:

Sempre tão diligente a deturpar posições do PCP em público quanto em decalcar as propostas do PCP em privado, o Bloco de Esquerda (BE) descobriu agora que o PCP tem um projecto de «socialismo nacionalista». É uma forma perversa de, jogando com as palavras, manifestar o seu anticomunismo e juntar-se, de forma mais ou menos dissimulada, ao pensamento único sobre os caminhos da Europa. É também uma outra maneira de caricaturar o que constitui uma diferença intransponível entre o que são as posições do PCP em relação à UE e aquilo que o BE defende.

Porque, por mais palavreado com que o BE queira envolver a questão, o BE é federalista, tal como o PS e o PSD também o são. E o que procura desviar com a caricatura do «socialismo nacionalista» é que quem no quadro desta EU for federalista não está a defender outra coisa que não seja o reforço do domínio da «internacional capitalista» sobre as suas instituições.

Há quatro anos, o BE defendia uma Constituição Europeia elaborada por um Parlamento Constituinte. Desta vez recuou na formulação, não porque desistisse dela, mas porque receia os «profundos anticorpos» que a questão gera.

O deputado Miguel Portas, tão inactivo na intervenção no PE quanto viajante infatigável, vem, no seu jornal de campanha, embrulhar o projecto federal do BE «numa articulação entre cidadania europeia, com respeito pela componente Europa das nações». No programa de candidatura do BE a coisa é formulada como «uma refundação democrática e social do projecto europeu» passando, entre outros «pactos» e «cartas», por «um novo Tratado Europeu elaborado pelo Parlamento Europeu».
Merece a pena repetir: «elaborado pelo Parlamento Europeu»!



quarta-feira, 6 de maio de 2009

os suspeitos do costume

Não me apetecia especialmente continuar a falar disto, mas há esclarecimentos que são incontornáveis.

Um dos agressores de Vital Moreira foi identificado como Délio (délio???) Figueiredo (assinalado na foto) que, afinal não é, como se esperava, um ortodoxo e sectário militante do PCP, mas sim militante do BE!

Serve este esclarecimento para mostrar que nem o BE nem o PCP (e muito menos a CGTP) são responsáveis pelos lamentáveis sucessos, nem pelas atitudes imbecis dos respectivos militantes individuais.

Mostra também o mal que fica o oportunismo político dos que, como Miguel Portas ou o PS se precipitaram a cruxificar os suspeito do costume, os c... c... c... comun... comunistas!

sábado, 4 de abril de 2009

impérios da demagogia

A discussão das Orientações de Médio Prazo, Plano Anual e Orçamento 2009 na ALRA teve de tudo:
Desde piadas de bom e de mau gosto, alguma gritaria e flores de oratória, demonstrações de sapiência supostamente iluminada e de ignorância empedernida e renitente. Noitadas com votações até às duas da manhã e intervalos regimentais só para ir fumar um cigarrinho. Houve boas propostas, más propostas, propostas que não aquecem nem arrefecem. Enfim, mais uma semana alegre...

Alguns partidos preferiram aproveitar-se do mediatismo associado à discussão do Plano e Orçamento para darem largas à veia demagógica e populista, e distribuir milhões como quem distribui sopas do Espírito Santo.

Assim, o Império do BE, distribuía a esmo milhões pelos estudantes do Ensino Superior e pelas pensões mais baixas (propostas justas, diga-se), mas sem se terem dado ao trabalho de fazer a proposta de Decreto que permitiria concretizar estes apoios. Foi curiosa a teimosia do BE em não perceber que as despesas têm de ser iguais às receitas, é que para além de estar lá escarrapachado na Lei que o BE não leu, é uma questão de simples bom senso...

No Império de Artur Lima (que às vezes se chama Império do CDS-PP) distribuíam-se milhões para aviões cargueiro, pondo de parte a SATA (que o CDS sonha privatizar) e, melhor ainda, distribuíam-se ainda mais milhões para o sector privado da saúde, com o chamado cheque-saúde. Em vez de tentarmos melhorar o nosso Sistema Regional de Saúde e arranjar os profissionais que faltam, dá-se um cheque para o utente se ir tratar onde puder. Bravo!

No Império do PSD, vivem-se dias tranquilos à espera que a governação dos Açores lhes venha cair no colo em 2012, e não se fala de outra coisa. Mas, entretanto, sempre se vai propondo uma redução no IRS dos açorianos que ganham mais de 5000 Euros por mês. Lindo!

Sopas destas, nem pelo Espírito Santo!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

abstencionismo militante

Na discussão do Estatuto da Carreira Docente nos Açores, o Bloco de Esquerda adpotou uma postura inesperada, mas porventura significativa: Abster-se em absolutamente todas as propostas, do princípio ao fim. As boas, as más e as indiferentes, as da esquerda, as da direita e as do centro: todas foram marcadas com a feroz abstenção bloquista.

Serão reflexos da consigna do agregar forças que vincou a recente convenção do BE? Será uma estratégia para tentar agradar aos gregos e aos irredutíveis troianos do Estatuto da Carreira Docente?

Ou será apenas para disfarçar a falta de ideias e propostas próprias, com o receio que se note que o BE Açores não passa de um projecto de poder pessoal de Zuraida Soares?

Que esquerda é esta que foge ao combate quando o PS pretende continuar a estigmatizar e a prejudicar os professores e a escola Pública?