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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

lições das Espanhas


Tal como sucedeu a José Sócrates em Portugal, Zapatero, seguiu em Espanha uma política basicamente de direita-liberal, ainda que com uma roupagem de esquerda moderada, progressista nos temas fracturantes, mas reaccionária nos direitos sociais e laborais. A decepção dos eleitores com esta "esquerda" fê-los, naturalmente, virar à direita pura e dura. Os PS's de Espanha e Portugal pagam o preço do abandono das suas origens e programa ideológicos.Os povos de Espanha pagarão, por sua vez, o custo de um governo claramente reaccionário do PP.

Três notas ainda para o crescimento da Izquierda Unida, para a manutenção dos dois deputados do Bloque Nacionalista Galego e para a vitória da coligação da esquerda independentista basca, que beneficiou claramente do desarmamento da ETA. A paz foi uma boa opção, também no campo eleitoral. E Espanha continuará a ter um Parlamento com muitas Espanhas. E ainda bem.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Catalunha


Se, por um lado os esmagadores 95% do sim são reveladores, por outro, a abstenção superior a 70% também mostra o distanciamento de muitos cidadãos em relação ao tema.

Numa situação de relativa prosperidade económica, com um estatuto autonómico muito avançado, vendo os seus direitos respeitados e a sua cultura viva e valorizada, muitos catalães devem-se ter interregado sobre que sentido faria abrir velhas feridas e reacender um conflito político de consequências e resultados difíceis de adivinhar. No entanto, fica um sério aviso para os defensores da velha Espanha centralizada. Espanha tem ainda um caminho a percorrer para conviver saudavelmente com a sua própria pluralidade. Um caminho que terá de percorrer, ou desintegrar-se.

domingo, 18 de outubro de 2009

a guerra suja do PSOE

Bascos protestam contra a prisão de vários dirigentes nacionalistas

A impressionante fotografia respeita a uma manifestação ontem realizada em San Sebastián, que reuniu todas as centrais sindicais e os vários partidos nacionalistas, incluindo o PNV, para exigir a libertação de vários ex-dirigentes do Batasuna e líderes da esquerda nacionalista, cuja prisão foi recentemente ordenada pelo juiz Baltasar Garzón.

Aqui mesmo, ao nosso lado, a democracia é ainda uma coisa difícil. Apoiado por instituições politicamente dóceis, como o Tribunal europeu dos Direitos do Homem, Garzón continua a sua cruzada contra todas as manifestações do nacionalismo basco, especialmente as de esquerda, que automaticamente rotula de "terroristas".

Ao impedir a criação de uma organização política legal dos nacionalistas, o Estado espanhol condena-se à continuação do conflito armado. Um erro de enormes proporções e pelo qual inocentes continuarão a pagar com a vida, a prisão e a privação de direitos humanos básicos. É que nem sequer se trata de defender a unidade do Estado, pois mesmo ao lado, na Catalunha, discute-se abertamente a realização de um referendo sobre a independência. E já não se discute a possibilidade, discute-se a data!

A paz só poderá nascer do diálogo democrático. Ao impedir a criação de um partido "abertzale", o PSOE, sob a sua aparência de mansa esquerda moderna, empenhada nas causas fracturantes, como o aborto ou os casamentos homossexuais, procura a continuação de uma guerra suja, embora de baixa intensidade, contra o Povo Basco.

domingo, 7 de junho de 2009

tardia, mas justiça


A justiça muitas vezes tarda, mas nunca prescreve nem deixa de fazer sentido.

Victor Jara, foi assassinado a 16 Setembro de 1973, durante o golpe de Pinochet, depois de ter sido torturado durante dias e de lhe terem sido cortadas ambas as mãos. Foi morto com 44 (sim, quarenta e quatro) tiros de metralhadora.

É positivo que o Chile moderno que encontre a capacidade de enfrentar a sua própria história e, embora o principal responsável tenha já morrido sem enfrentar a condenação dos tribunais, é importante que o futuro do Chile não se construa sobre silêncios, impunidades e sobre os cadáveres ocultos das vítimas da ditadura militar.

Também em Espanha se tem falado da possível exumação de Frederico Garcia Lorca e da investigação do seu assassinato às mãos dos franquistas. Um passo que está por dar.

Só pela justiça poderão os povos do mundo encontrar o direito de viver em paz.