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segunda-feira, 7 de maio de 2012
o caminho dos socialistas
Isto é o que acontece aos socialistas quando se juntam à direita. E o PS vai, bem Seguro, pelo mesmo caminho.
sábado, 3 de março de 2012
resistir
Leio em todos os jornais: A Grécia afunda-se, inexoravelmente, numa crise cada vez mais grave e da qual não parece haver qualquer saída. O desemprego atinge já os 21%, entre os jovens: 40%. Os encerramentos de empresas, lojas, serviços são sucessivos e constantes. Cidadãos gregos da ex-classe média fazem fila em frente de instituições de caridade que distribuem refeições. Estaleiros navais são abandonados à ferrugem, fábricas desmoronam-se, serviços do Estado são encerrados.
Esmagados por sacrifícios sobre sacrifícios, pacotes sobre pacotes de cada vez mais pesada austeridade, os gregos, incrédulos, tentam sobreviver perante a derrocada do sonho da prosperidade europeia da qual nada resta. Arrastada pelos efeitos duma recessão galopante, a economia grega dá cada vez menos sinais de conseguir alguma vez sair do abismo para onde foi empurrada. Apesar dos cortes, dos aumentos de impostos, das sisudas visitas dos senhores da troika, a Grécia está cada vez mais longe de conseguir cumprir as suas metas em termos de défice das contas públicas e, mesmo, de capacidade de pagar as pesadas tranches dos empréstimos devidos.
A visão, repetida pelas televisões, matraqueada pelos comentadores, é acabrunhante e assustadora em termos do que pode significar sobre o nosso próprio futuro. Os que se encarregam de aplicar exatamente as mesmas receitas a Portugal sabem-no e usam-no para ir preparando as consciências e as mentalidades dos portugueses para aceitarem como inevitáveis as mesmas consequências.
Todos conseguimos identificar as semelhanças entre o que foi o percurso grego e o português. Ambos economias periféricas e atrasadas que se lançaram num boom de crescimento e modernização acelerada após a entrada na CEE, sempre alimentada a crédito barato e fácil. Agora, o rumo que temos seguido perante a crise tem também sido simétrico, permitindo prever para Portugal um futuro nada auspicioso.
O empobrecimento forçado a que portugueses, gregos e outros povos da Europa estão a ser sujeitos é tudo menos inevitável. Pelo contrário, é um processo deliberado e intencional, decidido pelos que pretendem concentrar ainda mais as riquezas do país no topo da pirâmide, sacrificando as nossas condições de vida para salvaguardar os seus lucros. Uma espiral irracional que procura manter os resultados para o próximo trimestre, esquecendo que a espiral da recessão acaba sempre, a prazo, por ir atacar também as receitas do Estado e os lucros das empresas.
E basta olhar à volta no nosso país: os encerramentos das empresas, a taxa de desemprego, cada vez mais parecida à grega; o aumento dos impostos; a destruição dos serviços públicos; a venda ao desbarato do património do Estado. Que dúvidas restam ainda que a mesma receita resulta no mesmo resultado?
O rumo tem forçosamente de ser outro. A saída só existe baseada no crescimento, na capacidade de criarmos mais riqueza, não no fecho brutal de todas as torneiras, secando toda a vida do país, destruindo os nossos sonhos e expetativas de vida pelo caminho. Terá de ser o futuro do país, a vida e a vontade dos portugueses a ditar a governação. Não o interesse dos agiotas internacionais e do Governo que para eles trabalha.
Os gregos, já nada têm mais a perder. E nós? Que mais temos ainda para ser cortado pela troika? É por isso que temos agora uma só alternativa: resistir.
Texto publicado no Jornal Incentivo
2 Março 2012
domingo, 6 de novembro de 2011
representantes do povo
Os deputados do PS grego quando impediram a consulta popular, em referendo ou eleições, não se importaram de abdicar do seu papel de representantes do Povo para assumirem a opção de representantes dos interesses do mercado.
Exactamente da mesma forma que o também PS (será coincidência?) português declara o seu apoio ao Orçamento de Estado, "cobardemente encavalitado numa abstenção", não por achar que essa é a vontade da maior parte dos portugueses, mas porque é desse mercado de interesses que tem de cuidar.
Exactamente da mesma forma que o também PS (será coincidência?) português declara o seu apoio ao Orçamento de Estado, "cobardemente encavalitado numa abstenção", não por achar que essa é a vontade da maior parte dos portugueses, mas porque é desse mercado de interesses que tem de cuidar.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
a chantagem do Euro (actualizado)
Afinal Papandreou, como qualquer bom governador colonial cede à chantagem da França e da Alemanha e recua na intenção de fazer o referendo.Ao mesmo tempo que comete um estrondoso suicídio político em que afunda também o Pasok, Papandreou mostra a todos os gregos e a todo o mundo que, nesta moderna Europa democrática, já nada resta das soberanias nacionais e do direito de cada povo decidir sobre o seu próprio destino.
É mesmo difícil chamar democrata a esta lógica da decisão ser demasiado importante para ficar na mãos do Povo, não vá o povo ter a veleidade de decidir contra o que mandam os patrões Merkel e Sarkozy.
É mesmo difícil chamar democrata a esta lógica da decisão ser demasiado importante para ficar na mãos do Povo, não vá o povo ter a veleidade de decidir contra o que mandam os patrões Merkel e Sarkozy.
a chantagem do Euro
Afinal a pergunta do referendo grego foi escrita pela Alemanha e pela França colocando a chantagem europeia com toda a clareza: ou aceitam o empobrecimento e o saque aos recursos do país através de um novo plano de austeridade, ou são afastados do Euro.Facilitam assim também a vida a Papandreou acentuando a dramatização em torno do referendo que, originalmente era só sobre o novo plano de "ajuda", mas que passa a ser sobre todo o processo de integração europeia. E colocará a questão ao Povo Grego como uma escolha entre a miséria e o caos. Nas actuais condições, este referendo é como pôr perus a votar sobre o Natal. Perdem de qualquer forma.
Fica bem à vista a dimensão da solidariedade desta Europa: os estados-membro só interessam enquanto mercado e para acrescentar dimensão à economia das potências directoras. A este tipo de relações económicas chama-se colonialismo.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
então o mundo não acabou?
50% da dívida grega foi perdoada após renegociação e, afinal, não se abriram as cataclísmicas falhas sísmicas na zona Euro, de que falava o Governador do Banco de Portugal; nem os mercados entraram em paralisía histérica; nem os investidores arrancaram os cabelos da cabeça e às mãos cheias, nem fugiram para outras paragens. Pelo contrário, as bolsas recuperaram e até foi um Passos Coelho todo bem disposto a dizer-nos que esta solução alivia a pressão sobre Portugal.Agora, sim, vai ser difícil manter a tal narrativa política dos sacrifícios, sobretudo porque, agora, os portugueses sabem que não estão condenados ao pagamento de uma dívida que não criaram e que a renegociação não só é possível, como até parece ser uma boa solução. E que, no fim de contas, os sacrifícios nada têm a ver com a dívida. São apenas a opção do Governo PSD/CDS, na sua tentativa de destruição do Estado Social. As declarações recentes do Governo deixaram-no na posição vergonhosa de ser mais papista que o Papa quando se trata de sacrificar os próprios interesses nacionais. Que legitimidade lhe resta ainda?
terça-feira, 11 de outubro de 2011
afinal os mercados confiam na Grécia

A Grécia colocou 1 300 milhões de euros a seis meses, com uma taxa de juro de 4,86%, um valor que é praticamente idêntico aos 4,80% exigidos na última emissão comparável, realizada a 6 de Setembro. A procura da emissão de hoje ascendeu a 2,73 vezes a oferta, ligeiramente abaixo da procura de Setembro, que foi três vezes a procura.
Então o problema grego é uma questão da credibilidade financeira de um país ou da taxa de remuneração dos agiotas que o saqueiam?
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
salvar Atenas

As altas temperaturas e ventos fortes fazem a Grécia reviver o pesadelo que já tinha conhecido em 2007. Só que desta vez a dimensão da catástrofe parece ser ainda maior, ameaçando a única cidade que já era europeia antes de haver Europa, o berço da nossa cultura, a eterna Atenas.
França, Itália e Chipre já enviaram meios aéreos. Mas não chegam. É preciso muito mais para salvar a cidade que, sendo grega, é de todos nós. Onde anda a Europa quando precisamos dela?
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