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segunda-feira, 7 de maio de 2012

o caminho dos socialistas

Isto é o que acontece aos socialistas quando se juntam à direita. E o PS vai, bem Seguro, pelo mesmo caminho.

quinta-feira, 29 de março de 2012

é preciso esquecer o PS

No Público de hoje, Francisco Assis escreve que é preciso esquecer José Sócrates, o que mostra bem como a sobrevivência dos grandes partidos do centrão depende absolutamente da ausência de memória política.

Só através dela e das supostas rupturas que apresentam ao eleitorado, se conseguem apresentar continuamente como "inovadores", "renovados" e, o adjectivo mais importante nas suas campanhas, "modernos".

Percebo o incómodo de Francisco Assis por estar continuamente a ser recordado do pior da acção de José Sócrates e entendo a sua vontade de desligar o PS desse passado, como se agora nada tivessem a ver com ele. Mas a verdade é que o pior das medidas que conduziram Portugal a esta situação foi tomado durante os Governos de Sócrates, veja-se TGV, Aeroporto, SCUT's, PPP's e por aí afora. Não é possível, com honestidade intelectual, abordar os problemas do país sem falar do mais ultra-liberal dos primeiros ministros da nossa história contemporânea, nem do partido que o apoiou. Por muito que custe a Francisco Assis, o problema não é a demonização de José Sócrates, o problema é mesmo a natureza de um partido que tem como único objectivo a conquista e manutenção do poder.

Passos Coelho, azininamente, continua no mesmo caminho e, daqui a uns anos, certamente leremos a opinião de algum dirigente do PSD a dizer que é preciso libertarmo-nos do fantasma de Passos Coelho, como exige a lógica siamesa de actuação destes dois partidos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

acto de contrição

Há alguns dias atrás critiquei aqui o artigo da Deputada independente do PS, Isabel Moreira, pela falta de consequência das suas críticas ao Orçamento de Estado. Estava enganado e, sem sacrifício, retracto-me.

Com a sua atitude, ao aprovar as propostas de PCP, PEV e BE para manter os subsídios de férias e de natal, Isabel Moreira honrou o cargo que ocupa e, simultâneamente, pôs a nu o desvario e desespero da actual liderança do PS, que ainda não conseguiu superar nem o sentimento de orfandade pós-Sócrates, nem o absoluto vazio ideológico e indecisão que caracteriza José Seguro.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

diálogo de mão estendida

No Público de hoje, lá vem mais uma apoiante socialista dizer redondices vazias sobre o Orçamento de Estado.

Desta vez é Glória Rebelo, professora universitária da Lusófona que nos vem eruditamente falar sobre as virtudes do diálogo e da construção de equilíbrios na democracia.

Por trás das suas palavras é claramente visível o desespero do PS que se entregou nas mãos do PSD, dependendo agora da boa vontade do partido do governo para lhe aprovar alguma medidazita para justificar a abstenção. Na sua forma prolixa, trata-se de mais um apelo emocional de amante rejeitado: "vá lá, dialoguem connosco, dêem-nos qualquer coisinha..." O nível político do PS está interessantemente a bater no fundo!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

chumbem vocês


Mas, depois lembrei-me que esta ex-voluntária de Sócrates 2011 e constitucionalista (de profissão?) apesar de achar, e bem, que o OE é inconstitucional, não vai, afinal, votar contra ele. Torna-se ridículo lançar apelos lancinantes de defesa da constituição para depois se limitar a apresentar uma declaração de voto e escrever mil caracteres numa coluna. Para IM, apesar de ser deputada independente, a boa e velha disciplina partidária vale muito mais do que as bonitas palavras impressas no papel de jornal. Será que isto é que é a tal abstenção violenta?

domingo, 6 de novembro de 2011

representantes do povo


Os deputados do PS grego quando impediram a consulta popular, em referendo ou eleições, não se importaram de abdicar do seu papel de representantes do Povo para assumirem a opção de representantes dos interesses do mercado.

Exactamente da mesma forma que o também PS (será coincidência?) português declara o seu apoio ao Orçamento de Estado, "cobardemente encavalitado numa abstenção", não por achar que essa é a vontade da maior parte dos portugueses, mas porque é desse mercado de interesses que tem de cuidar.

sábado, 5 de novembro de 2011

forma sem conteúdo

"Uma coisa é o sentido de voto e outra é o discurso." A frase de Francisco Assis à saída da Comissão Nacional que aprovou a abstenção no Orçamento de Estado resume bem a posição do PS.

Protestar e "dar combate político ao orçamento" mas, na hora da verdade, recolher-se às tábuas de uma envergonhada abstenção.

Os líderes do PS continuam a separar a forma do conteúdo na sua actividade política. Reduzindo o discurso à total inutilidade, acabam por esvaziar a democracia, que é, inerentemente, discursiva, argumentativa, e acabam com o que resta da credibilidade que os cidadãos eventualmente ainda lhes conferem. É justamente daqui que vem a decepção e a descrença em relação a estes políticos. É esta forma de fazer política, que continua a imperar na direcção do PS, que explica os seus históricos desastres eleitorais dos últimos tempos, bem como os que ainda se vão seguir.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

para que serve o PS?


Após muitas hesitações, o PS afinal vai abster-se no Orçamento de Estado.

Depois de ter passado por todas as posições possíveis, desde o aprovativo "há 99,99% de probabilidades de o PS aprovar o Orçamento.", ao radicalismo oposicionista do "este é um orçamento contra o país!", o PS afinal vai refugiar-se nas meias tintas duma indefinida abstenção.

Os socialistas continuam claramente prisioneiros da herança de José Sócrates e do acordo com o FMI que subscreveram, sem qualquer vontade ou capacidade de saírem do pântano ideológico neoliberal de fachada humanista para onde se arrastaram. Não sendo nem esquerda, nem direita, nem contra, nem a favor, a abstenção fica bem a esta direcção do PS.

Seguro, esse, continua sem ver os erros do passado nem as asneiras do presente, sem ouvir o clamor do descontentamento e do protesto dos portugueses e, como "o PS não é um partido de protesto", sem vontade de tomar qualquer posição clara, limitando-se a ficar à espera que o poder rotativo lhe volte a cair nos braços. Lamentável!Link

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

uma família feliz

Leio no Açoriano Oriental que o CDS Açores está cheio de pressa de, a mando da troika, alterar o mapa das Freguesias nos Açores e que o PS apoia a iniciativa, como não podia deixar de ser, aliás, até porque também subscreveu o pacto com o FMI que supostamente obriga Portugal a extinguir autarquias locais a eito para poupar mais uns cobre com a democracia.

Recordo que a alteração de Freguesias ou Municípios é uma competência exclusiva da Assembleia Regional e que não pode ser imposta por Lisboa. Portanto, sobre as autarquias dos Açores, decidem os açorianos. Ao propor uma Comissão para estudar o assunto, o CDS quer fazer passar a ideia de que essas alterações têm mesmo de acontecer, queiram ou não queiram os açorianos, assim cumprindo de forma diligente e apressada os planos também do Governo de Passos Coelho.

Depois da muita, tanta, tanta, conversa sobre defender a Autonomia dos ditames do Terreiro do Paço, afinal, o papá do PS, a mamã do PSD e o seu petiz do CDS, continuam a ser uma família unida e feliz quando se trata de ir vendendo a Autonomia que os açorianos conquistaram!

quinta-feira, 31 de março de 2011

César! César! César!

O Açoriano Oriental de hoje, na sua edição impressa, conseguiu a rara proeza uma só declaração do Presidente do Governo Regional fazer três notícias. Três!

Se por um lado destacou na capa e notícia de página inteira a triste chantagem demagógica das "SCUT's sem portagens só com governos do PS" (o que até é bastante estranho se pensarmos na actuação de José Sócrates), ainda lhe dá outro destaque e foto, duas páginas depois, por ter declarado, na mesma ocasião da primeira notícia, que "está muito preocupado com os efeitos da crise nos Açores" (a tal crise que Carlos César, há um ano atrás, dizia que não chegaria até cá).

Mas se pensavam que o assunto estava esgotado, desenganem-se! O Açoriano Oriental ainda conseguiu colocar mais uma notícia, ainda da mesma ocasião, com a declaração do Presidente do Governo Regional em reacção a um conjunto de propostas apresentadas pelo PSD, na sua última página.

A triste figura do que já foi a referência da imprensa açoriana dá-nos a devida dimensão de onde chegam os tentáculos do poder socialista e, sobretudo, dão-nos a imagem de quem vende toda a dignidade profissional para se mostrar um bom e fiel aluno perante quem manda: César! César! César!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

esvaziar o parlamento

Ao contrário do que esperava, começa mesmo muito mal o mandato da nova Secretária Regional da Educação.

Ao aprovar na 2ª feira o que recusou discutir no Parlamento na 6ª feira anterior, Cláudia Cardoso deu o tom do que vai continuar a ser a actuação do Governo: Posso. Quero. Mando.

Por mais que o Governo o tente esconder, a pressão dos sindicatos, a proposta de Resolução do PCP e a ameaça não concretizada de debate de urgência do PPM iam conduzir a nova secretária a um beco sem saída, logo na entrada das suas funções.

No entanto, ainda resta saber até onde é que a SREF pretende dobrar a letra da lei, reduzindo as vagas a concurso para poupar mais uns tostões à custa da educação. São, por isso, completamente disparatadas as declarações de vitória do PPM. Risíveis, no mínimo.

Também a nomeação de Graça Teixeira para Directora Regional da Educação vai deixar na bancada socialista um deserto profundo em termos de matérias relacionadas com a educação. Não surpreende. Pois é claro que para o PS, não é o Parlamento que interessa.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

agonias

O Presidente do Governo Regional diz que "não se sente bem" com as medidas de austeridade tomadas pelo Governo da República.

É, felizmente para ele, um mal estar passageiro, porque logo a seguir disse que "compreende a necessidade" e dá a novidade ao país que ainda nem Sócrates nem Teixeira dos Santos tinham anunciado: que as medidas de austeridade serão "transitórias" e que em breve poderemos voltar ao tranquilo despesismo e voragem de endividamento a que o PS sempre nos habituou.

Consigo entender a agonia de quem tem de obedecer a José Sócrates, por um lado, e explicar aos açorianos, por outro, porque é que vêm as suas condições de vida subitamente agravadas. Mas o que acho verdadeiramente agoniante é o chorar de lágrimas de crocodilo, são os supostos lamentos de alma mesmo a propósito dos quais não se extrai nenhuma consequência política.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

a esquerda não tem nada a ver com isto



O aparente dramatismo mediático em torno das negociações entre PS e PSD sobre o Orçamento de Estado é revelador da urgente necessidade que estes partidos têm de aparentar divergências sobre políticas em que, no fundamental, concordam: fazer todo, mas mesmo todo, o possível para deixar intocado o status quo económico, à custa de continuar a agravar as desigualdades sociais, fazendo caír o grande fardo de sacrifícios sobre os que têm sido continuamente sacrificados, explorados e excluídos dos frutos da riqueza que gerámos nas décadas de oitenta e noventa.

E essa é a questão de fundo. Porque foi opção do PS, desde as primeiras horas do adensar da crise orçamental do país negociar sempre à direita e nunca à esquerda. PEC's (1, 2 e agora 3), revisão constitucional, orçamento, em todas as matérias mais fundamentais para o futuro do país, a opção do PS foi a de fugir para os braços calorosos da direita, fechando todas as portas a entendimentos com os partidos à sua esquerda, apesar dos evidentes sinais de abertura, por exemplo da parte do Bloco de Esquerda.

Essa opção diz muito sobre o distanciamento da actual direcção socialista em relação aos fundamentos ideológicos que estiveram na base da fundação do PS. Há uma geração de dirigentes socialistas que esqueceu todo um importante conjunto de lições, vindas do pós-guerra, sobre a necessidade de equilíbrio social, que foram duramente aprendidas pela social-democracia europeia. Interiorizaram, bem demais, o credo capitalista liberalizante. São agora prisioneiros do seu próprio pragmatismo a-ideológico.

Quando o país entrar em ruptura, como fatalmente vai acontecer em resultado das medidas recessivas, Passos Coelho e Paulo Portas irão tentar capitalizar o falhanço da "esquerda", mas enganam-se. A esquerda não tem mesmo nada a ver com isto.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

fora do tempo

O artigo de opinião da deputada do PS Cláudia Cardoso (repetido em estéreo nas edições de hoje do Açoriano Oriental e no Diário Insular) tenta esforçadamente demonstrar-nos que o Governo Regional lamenta muito os cortes de verbas de José Sócrates que prejudicam os Açores e que já estão a tomar medidas para minimizar o seu impacto.

Este raciocínio redondo do "apoiamos mas lamentamos" demonstra bem o beco sem saída em que se encontra o PS Açores que, quando dá jeito apoiam o Governo de Sócrates, mas quando não dá, já não têm nada a ver.

Sobretudo, demonstra a forma como partem derrotados à partida para a batalha do Orçamento de Estado. Naturalmente que concordo com quaisquer medidas que minimizem o roubo feito aos portugueses pelo PEC. Mas este é, sobretudo, o momento para recusar essa política, para a combater, para a tentar alterar, em sede de discussão do OE.

Mas isso não faz o PS Açores, acenando com uns míseros paliativos para tentar distrair os açorianos das medidas que, verdadeiramente, apoia. apesar do seu verbalismo autonomista, a verdade é que não estão disponíveis para defender os Açores e, por isso, rejeitaram a proposta do PCP.

A prosa melíflua, embora brilhante (reconheça-se) de Cláudia Cardoso serve para isto: mostrar-nos como o PS Açores está já derrotado antes do tempo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

wrestling profissional

Queixando-se do corte de verbas para as autarquias previsto no Orçamento de Estado proposto pelo PS, Berta Cabral afirma que Carlos César trocou os Açores por Sócrates. Entretanto Sócrates troca o País pelos mercados financeiros e o PSD, com (ou sem) mais um pedido de desculpas aos portugueses, decide… apoiar! E aqui temos como se entorna o caldinho pela mão de quem diz que o quer segurar...

Mas não se pense ser este apenas um caso de força maior, pois se recuarmos no tempo, até 22 de Fevereiro deste ano, uma publicação do “insuspeito” Instituto Sá Carneiro (do PSD), sem que nessa ocasião a Presidente deste partido nos Açores se rebelasse, já advogava como medida de curto prazo, “para diminuir a despesa pública”, uma “Redução de 10% das transferências do Estado para as Autarquias e Regiões Autónomas”. Medida essa aliás brilhantemente seguida e anunciada a 13 de Maio, com a bênção oportuna da visita papal, na apresentação do PEC 2 feita por…Sócrates.

César, pelo seu lado, preparando-se para rejeitar no Parlamento Regional a condenação das novas e gravíssimas medidas restritivas promovidas pelo seu partido, e subestimando o corte de verbas previsto no OE para as autarquias, prefere desviar as atenções e atacar antes a Câmara Municipal de Ponta Delgada acusando-a de gastar acima das suas possibilidades. Na mesma ocasião, José San Bento e os outros vereadores municipais do PS, numa dita de cooperação (“sem abdicar de divergências de fundo”, segundo eles) dispõem-se a… apoiar o orçamento da gastadora!

Tão amigos que eles se tornam em tempos difíceis…para os outros, claro!

O que isto mais me parece é a versão política de um jogo de wrestling profissional, uma arte de representação, onde os executantes criam um espectáculo de entretenimento simulando um combate desportivo, atacando-se de forma brutal e por vezes baixa, aparentando divergências de fundo (ao contrário de retóricas de vereadores), mas que estas se esfumam quando necessário e o público já pagou (votou) os bilhetes, para dar cobertura à natureza do “negócio”, como condição comum de sobrevivência mútua. Aquilo que os separa não é afinal a divergência de fundo, mas apenas jogos de poder…até que o árbitro os mande parar.

E o que se está passando neste país, é que alguém - os banqueiros e os mercados financeiros, pouco interessados se o executante será o PS ou o PSD, os mandou parar de momento com a jogatana porque outros valores mais altos se levantam e porque, não havendo maioria absoluta, os dois são necessários, não um de cada vez, mas ambos em simultâneo, para recrucificar o Zé Povinho. Pois é disso que se trata! Pelo menos 85 % das medidas do PEC 3 são para (voltar a) extorquir às famílias e aos de mais baixos rendimentos, segundo reconhece o misericordioso Bagão Félix, apesar de logo de seguida, não certamente por coerência de raciocínio mas provavelmente também a mando, afirmar que elas são as medidas necessárias (?)

“Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito. Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria. Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero. Obrigado pela vossa mediocridade. E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer. Obrigado por nos exigirem mais do que pudemos dar. Obrigado por nos darem em troca quase nada. Obrigado por serem o que são. Obrigado por serem como são. Para que não sejamos também assim. E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.” (De um poema de Joaquim Pessoa)

Mário Abrantes

sábado, 18 de setembro de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

separados pela abstracção

As recentes declarações de Passos Coelho acabam por revelar as razões profundas da proposta de revisão constitucional do PSD. Com indisfarçável alívio comenta: "Agora já ninguém pode dizer que PS e PSD são iguais".

Percebe-se então que esse era afinal o único objectivo da proposta. Numa altura em que os efeitos do tango tão amorosamente dançado com Sócrates começam a sentir-se no bolso dos portugueses, Coelho precisa desesperadamente de afirmar diferenças. Sejam reais ou imaginárias.

Mas a estratégia é tosca e pouco convincente. A proposta de tão focada nos marcos ideológicos da direita (privatizar a saúde, privatizar a educação, liberalizar os despedimentos) seria sempre totalmente para toda a esquerda, para o PS e mesmo para alguns sectores do PSD. É óbvio que o seu único objectivo era apresentar uma clivagem artificial que o distinguisse do PS.

O timing também revela a inutilidade real da proposta. Rever a Constituição - um texto que se quer estável, consensual e apontado para o futuro - num momento em que a crise e as suas soluções dominam todas as preocupações políticas seria um disparate de proporções históricas. A Constituição é a base do sistema político e não a solução para problemas concretos colocados numa situação excepcional como a que vivemos.

Acreditando que Passos Coelho tem um mínimo de inteligência política, torna-se impossível acreditar que o próprio leve a sério a sua própria proposta que se sabe condenada á partida.

Uma palavra para a questão do representante do Presidente da República: é decepcionante que a presença de um dos dirigentes do PSD Açores na comissão social democrata que elaborou a proposta não tenha conseguido nada melhor do que propor um representante único para os Açores e Madeira. Lamentável.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

este é o PEC que não prejudica os Açores


Lá está, preto no branco: "Redução da transferência para as Administrações Regionais e Locais ao abrigo da Lei de Estabilidade Orçamental".

Apesar de Carlos César repetir, insistentemente que "o PEC não prejudica os Açores" (esquecendo-se que afectará e muito directamente o poder de compra de todos os açorianos), a verdade é bem outra. Também as transferências do Orçamento do Estado para as Regiões Autónomas serão reduzidas nesta cegueira do défice. E não teve mesmo nada a ver com a nova Lei das Finanças Regionais aprovada pela oposição. Tem mesmo e apenas a ver com as opções políticas do PS.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

a natureza de um congresso

Os congressos partidários estão na moda. São os óbvios mostruários da dimensão e qualidade dos nossos políticos e, sobretudo, dão-nos a rara oportunidade de assitir ao debate (ou à falta dele) face a face entre bases e dirigentes. Vemos aí, sem maquilhagens, os divórcios de ideias, as rivalidades e oposições insuperáveis, mas também o seguidismo obediente, as referências ideológicas profundas e a sua total e absoluta ausência, quer nos chefes, quer nos aspirantes a chefe, quer nos simples militantes de base; tudo servido em sonolentos directos nos canais de notícias, ou em cómodos resumos nos telejornais. Politicamente, poucos exercícios são tão instrutivos como assistir a um congresso.

Entre o fim de semana passado, em que tivemos (mais um) Congresso nacional do PSD e o próximo, em que teremos o do PCP Açores e do PS Açores (que elegantemente resolveu agendar a sua reunião magna para o mesmo dia que o PCP já tinha publicamente anunciado o seu), há muito para aprender. Desde logo, sobre a metodologia e democracia interna dos respectivos partidos. PS e PSD optam por moções de estratégia pessoais, subscritas pelos líderes, não sujeitas nem a discussão prévia, nem a alterações, às quais compete aos delegados dizer apenas sim ou não. O PCP tem um projecto de resolução política que está em discussão nas organizações de base desde Março, que será ainda discutido e alterado pelos próprios delegados ao Congresso. É uma questão de sentido: enquanto os primeiros decidem do topo para a base, o segundo decide da base para o topo.

Mais do que uma opção prática, o que está aqui em causa é a própria noção de democracia de cada um destes partidos, que se transpõe para a forma como abordam a relação entre governantes e governados. Enquanto, por um lado, os indiscerníveis PS e PSD vêm a democracia representativa como uma verdadeira delegação de poderes nas lideranças, marcada por actos formais de ratificação, mas assente apenas na vontade individual do líder do momento; o PCP, por outro lado, constroi uma democracia de participação, em que o papel e a responsabilidade do cidadão vai muito para lá disso, assente na construção de opiniões colectivas, menos volúveis à oscilação mediática do momento, à polémica estéril ou ao "despique para telejornal ver".

Há um preço a pagar por recusar a política espectáculo e o PCP paga-o diariamente, nomeadamente pelo silenciamento das suas posições. Mas, no longo prazo, o preço a pagar pelo abandono de toda seriedade e coerência política é muito mais elevado. PS e do PSD sabem-no. Mas não podem deixar de fazer o que está na sua natureza.

sexta-feira, 26 de março de 2010

para que serve o PSD?

A abstenção do PSD foi decisiva para a aprovação do PEC

Sob a habituais imposturas da "pose de estado" e da "oposição responsável", o PSD viabilizou mais um pacote de sacrifícios e injustiças para onerar os portugueses, reduzir-lhes o poder de compra e, em consequência, paralisar ainda mais a nossa economia.

Mas não surpreende, é uma postura coerente com as propostas que o PSD sempre defendeu e aplicou no passado.

A incoerência está em tentar apresentar-se como alternativa ao PS quando, como está visto, estão sempre exactamente de acordo nas matérias mais essenciais. Assim, para que serve o PSD?