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quinta-feira, 29 de março de 2012

é preciso esquecer o PS

No Público de hoje, Francisco Assis escreve que é preciso esquecer José Sócrates, o que mostra bem como a sobrevivência dos grandes partidos do centrão depende absolutamente da ausência de memória política.

Só através dela e das supostas rupturas que apresentam ao eleitorado, se conseguem apresentar continuamente como "inovadores", "renovados" e, o adjectivo mais importante nas suas campanhas, "modernos".

Percebo o incómodo de Francisco Assis por estar continuamente a ser recordado do pior da acção de José Sócrates e entendo a sua vontade de desligar o PS desse passado, como se agora nada tivessem a ver com ele. Mas a verdade é que o pior das medidas que conduziram Portugal a esta situação foi tomado durante os Governos de Sócrates, veja-se TGV, Aeroporto, SCUT's, PPP's e por aí afora. Não é possível, com honestidade intelectual, abordar os problemas do país sem falar do mais ultra-liberal dos primeiros ministros da nossa história contemporânea, nem do partido que o apoiou. Por muito que custe a Francisco Assis, o problema não é a demonização de José Sócrates, o problema é mesmo a natureza de um partido que tem como único objectivo a conquista e manutenção do poder.

Passos Coelho, azininamente, continua no mesmo caminho e, daqui a uns anos, certamente leremos a opinião de algum dirigente do PSD a dizer que é preciso libertarmo-nos do fantasma de Passos Coelho, como exige a lógica siamesa de actuação destes dois partidos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

a Madeira adjacente


A redução dos impostos nas Regiões Autónomas assenta no reconhecimento que, nas ilhas, enfrenta-se um custo de vida agravado pelas condições de isolamento, dimensão dos mercados e distância. É, por isso, uma questão justiça e igualdade entre os portugueses, factor essencial da Coesão do nosso país. Ao acabar com ela para pagar as dívidas que a sua irresponsabilidade criou, o PSD Madeira, decreta um brutal aumento dos impostos pagos pelos madeirenses, que nalguns casos chega aos 25% e reduzindo a sua Autonomia fiscal ao nível de mera ilha adjacente. Deixa, no entanto, intocados os benefícios fiscais das empresas-fantasma (sem instalações nem trabalhadores) registadas na zona franca da Madeira, o que nos dá a verdadeira face da política de Alberto João e para quem, afinal, governa. E não é certamente para os madeirenses.

O que é certo é que a posição dos Açores sai inegavelmente fragilizada de tudo isto. E os centralistas (internos e externos), os adversários da Autonomia não deixarão de usar mais este argumento para atacarem também os direitos dos açorianos. Mais uma que temos para agradecer ao PSD.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

gostei de ler mas não percebi

Pedro Gomes - Açoriano Oriental 02/11/11
Sobre o Pacto com o FMI e a potencial obrigação de alterar o mapa autárquico:

"(...) a execução das medidas nele previstas ou que dele decorram, resulta da repartição interna de poderes decorrente da Constituição e dos Estatutos de cada Região Autónoma. O Memorando não reviu a Constituição, nem pode ser utilizado como argumento para a adopção de medidas legislativas que ofendem competências regionais, constitucional ou estatutariamente fixadas, sob pena de inconstitucionalidade ou ilegalidade.
A situação de emergência nacional e de ruptura das finanças públicas não é argumento jurídico para que as competências das Regiões Autónomas sejam colocadas em causa, como sucedeu com a Lei da sobretaxa de 3,5% sobre o IRS que incidirá sobre o subsídio de Natal deste ano."


Então o PSD Açores agora já abdica do argumento da "emergência nacional" para sancionar o tranquilo espezinhar dos nossos direitos autonómicos pelo Governo de Passos Coelho? No fim de contas, será que é esta a posição oficial, ou os sociais-democratas dos Açores estão, como habitual, apenas a chutar para canto?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

uma família feliz

Leio no Açoriano Oriental que o CDS Açores está cheio de pressa de, a mando da troika, alterar o mapa das Freguesias nos Açores e que o PS apoia a iniciativa, como não podia deixar de ser, aliás, até porque também subscreveu o pacto com o FMI que supostamente obriga Portugal a extinguir autarquias locais a eito para poupar mais uns cobre com a democracia.

Recordo que a alteração de Freguesias ou Municípios é uma competência exclusiva da Assembleia Regional e que não pode ser imposta por Lisboa. Portanto, sobre as autarquias dos Açores, decidem os açorianos. Ao propor uma Comissão para estudar o assunto, o CDS quer fazer passar a ideia de que essas alterações têm mesmo de acontecer, queiram ou não queiram os açorianos, assim cumprindo de forma diligente e apressada os planos também do Governo de Passos Coelho.

Depois da muita, tanta, tanta, conversa sobre defender a Autonomia dos ditames do Terreiro do Paço, afinal, o papá do PS, a mamã do PSD e o seu petiz do CDS, continuam a ser uma família unida e feliz quando se trata de ir vendendo a Autonomia que os açorianos conquistaram!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

é que não basta mudar as moscas


A líder do PSD Açores continua perdida no seu labirinto, envolta nas brumas das suas ilusões. Longe. Mesmo muito longe de perceber que o que os Açores reclamam é muito mais do que uma mudança de protagonistas. Até porque, afinal, toda a gente prefere o mal que já conhece. Para pior, já basta assim! E não será desta forma que o poder regional eventualmente vai acabar por cair no colo do PSD.

O que Portugal e os açores efectivamente precisam não é de novos protagonistas, mas sim de novas políticas. E, uma vez que o PS continua solidamente implantado no campo iedológico da social-democracia, não pode, obviamente, ser o PSD a fornecer essa alternativa.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

wrestling profissional

Queixando-se do corte de verbas para as autarquias previsto no Orçamento de Estado proposto pelo PS, Berta Cabral afirma que Carlos César trocou os Açores por Sócrates. Entretanto Sócrates troca o País pelos mercados financeiros e o PSD, com (ou sem) mais um pedido de desculpas aos portugueses, decide… apoiar! E aqui temos como se entorna o caldinho pela mão de quem diz que o quer segurar...

Mas não se pense ser este apenas um caso de força maior, pois se recuarmos no tempo, até 22 de Fevereiro deste ano, uma publicação do “insuspeito” Instituto Sá Carneiro (do PSD), sem que nessa ocasião a Presidente deste partido nos Açores se rebelasse, já advogava como medida de curto prazo, “para diminuir a despesa pública”, uma “Redução de 10% das transferências do Estado para as Autarquias e Regiões Autónomas”. Medida essa aliás brilhantemente seguida e anunciada a 13 de Maio, com a bênção oportuna da visita papal, na apresentação do PEC 2 feita por…Sócrates.

César, pelo seu lado, preparando-se para rejeitar no Parlamento Regional a condenação das novas e gravíssimas medidas restritivas promovidas pelo seu partido, e subestimando o corte de verbas previsto no OE para as autarquias, prefere desviar as atenções e atacar antes a Câmara Municipal de Ponta Delgada acusando-a de gastar acima das suas possibilidades. Na mesma ocasião, José San Bento e os outros vereadores municipais do PS, numa dita de cooperação (“sem abdicar de divergências de fundo”, segundo eles) dispõem-se a… apoiar o orçamento da gastadora!

Tão amigos que eles se tornam em tempos difíceis…para os outros, claro!

O que isto mais me parece é a versão política de um jogo de wrestling profissional, uma arte de representação, onde os executantes criam um espectáculo de entretenimento simulando um combate desportivo, atacando-se de forma brutal e por vezes baixa, aparentando divergências de fundo (ao contrário de retóricas de vereadores), mas que estas se esfumam quando necessário e o público já pagou (votou) os bilhetes, para dar cobertura à natureza do “negócio”, como condição comum de sobrevivência mútua. Aquilo que os separa não é afinal a divergência de fundo, mas apenas jogos de poder…até que o árbitro os mande parar.

E o que se está passando neste país, é que alguém - os banqueiros e os mercados financeiros, pouco interessados se o executante será o PS ou o PSD, os mandou parar de momento com a jogatana porque outros valores mais altos se levantam e porque, não havendo maioria absoluta, os dois são necessários, não um de cada vez, mas ambos em simultâneo, para recrucificar o Zé Povinho. Pois é disso que se trata! Pelo menos 85 % das medidas do PEC 3 são para (voltar a) extorquir às famílias e aos de mais baixos rendimentos, segundo reconhece o misericordioso Bagão Félix, apesar de logo de seguida, não certamente por coerência de raciocínio mas provavelmente também a mando, afirmar que elas são as medidas necessárias (?)

“Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito. Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria. Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero. Obrigado pela vossa mediocridade. E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer. Obrigado por nos exigirem mais do que pudemos dar. Obrigado por nos darem em troca quase nada. Obrigado por serem o que são. Obrigado por serem como são. Para que não sejamos também assim. E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.” (De um poema de Joaquim Pessoa)

Mário Abrantes

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

a palhaçada do orçamento


Como, aliás, era esperado. As constantes dramatizações e as declarações bombásticas, ameaçando moções de censura (semanas apenas depois do PSD ter votado contra a moção de censura do PCP) do líder do PSD nunca conseguiram iludir o facto que, depois do acordo dado ao PEC, o PSD ía mesmo viabilizar o Orçamento de Estado.

E não podia fazer outra coisa porque em relação às piores medidas que o OE consagra (reduções de salários, cortes nas prestações sociais, aumento de impostos) o PSD está completamente de acordo.

Os portugueses, esses, ganharam apenas o entretenimento grátis das palhaçadas e cambalhotas do líder do PSD, desesperadamente a tentar diferenciar-se das soluções que apoia e afirmar-se como alternativa a Sócrates, que nitidamente não é.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

papás e cristãos-novos

O infelicíssimo discurso de Berta Cabral mostra bem a forma possessiva e instrumental como o PSD olha para a Autonomia.

Dizer que "o PSD é o pai da Autonomia", para além de ser um perigoso revisionismo histórico, demonstra que o que preocupa o PSD não é o desenvolvimento do arquipélago ou o aprofundamento da Autonomia, mas apenas os ganhos políticos que conseguir retirar da bandeira azul e branca. Nada que não tivéssemos já percebido...

Quanto a chamar "cristãos-novos da Autonomia" ao PS demonstra um arcaico preconceito que pensava que já não existisse em Portugal e, sobretudo, uma enorme, enorme, falta de gosto. É que assim, a Dra. Berta Cabral arrisca-se a que, em 2012, o auto-de-fé seja apenas o da sua liderança.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

separados pela abstracção

As recentes declarações de Passos Coelho acabam por revelar as razões profundas da proposta de revisão constitucional do PSD. Com indisfarçável alívio comenta: "Agora já ninguém pode dizer que PS e PSD são iguais".

Percebe-se então que esse era afinal o único objectivo da proposta. Numa altura em que os efeitos do tango tão amorosamente dançado com Sócrates começam a sentir-se no bolso dos portugueses, Coelho precisa desesperadamente de afirmar diferenças. Sejam reais ou imaginárias.

Mas a estratégia é tosca e pouco convincente. A proposta de tão focada nos marcos ideológicos da direita (privatizar a saúde, privatizar a educação, liberalizar os despedimentos) seria sempre totalmente para toda a esquerda, para o PS e mesmo para alguns sectores do PSD. É óbvio que o seu único objectivo era apresentar uma clivagem artificial que o distinguisse do PS.

O timing também revela a inutilidade real da proposta. Rever a Constituição - um texto que se quer estável, consensual e apontado para o futuro - num momento em que a crise e as suas soluções dominam todas as preocupações políticas seria um disparate de proporções históricas. A Constituição é a base do sistema político e não a solução para problemas concretos colocados numa situação excepcional como a que vivemos.

Acreditando que Passos Coelho tem um mínimo de inteligência política, torna-se impossível acreditar que o próprio leve a sério a sua própria proposta que se sabe condenada á partida.

Uma palavra para a questão do representante do Presidente da República: é decepcionante que a presença de um dos dirigentes do PSD Açores na comissão social democrata que elaborou a proposta não tenha conseguido nada melhor do que propor um representante único para os Açores e Madeira. Lamentável.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Muita roqueira...

Estou-me a referir às arremetidas de uma carinha laroca que, da oposição partidária, assomou recentemente à ribalta de topo como muleta das políticas socráticas de combate à crise: Passos Coelho!

Não levou, no entanto, muito tempo para se descobrir que a sua pretensa política salvadora do país não passa, afinal, de um buraco de todo o tamanho.

E senão, vejamos:

Enquanto Sócrates, em nome de interesses profundamente discutíveis, combate a crise com mais crise e, paulatinamente afunda o país com medidas económicas e sociais progressivamente mais restritivas, aparece-nos este rapazinho cheio de novidades esperançosas para as angustiadas vítimas dessas medidas. E quais são as boas novas? Garantir ao país que, em matéria de política económica e social não há nada mais a fazer senão apoiar e co-patrocinar as políticas restritivas e anti-sociais do Governo PS…

Devemos no entanto reconhecer que, apesar de tão novinho e aparentemente naífe na politiquice, esta pulga já tem catarro e pretensões a jogador experimentado na arte do chico-espertismo politólogo, esforçando-se por ir mais longe. Vai daí e, ignorando ostensivamente todo o trabalho feito até à presente data, nesse sentido, por alguns dos seus colegas de partido, com especial destaque para João Jardim, “descobriu” que, para passar de muleta a actor principal das políticas restritivas, o caminho é (e eis a grande boa nova) a revisão da Constituição da República (?)

Dito e feito, em jeito de aperitivo, começa logo por recuar 36 anos e ressuscitar a figura das “Ilhas Adjacentes”, através da instituição de um Ministro da República para todas elas…

Para que a impotência (voluntária?) em combater verdadeiramente a crise e mudar de políticas, não esbarre com seu desejo de obter votos para liderar o governo em Portugal, imaginou que a poção mágica mais indicada seria oficializar a crise por tempo indeterminado, isto é, transformar em oficial (constitucional) o que é hoje, por práticas sucessivas, um status quo de inconstitucionalidades tendenciais.

Acabar com a Escola Pública (Sócrates fecha, Coelho publica!), com o Serviço Público de Saúde (Sócrates privatiza, Coelho publica!), com os Direitos Laborais (Sócrates ataca, Coelho publica!), e por aí adiante…

Nem papão é! Enganador? Certamente! Pois sabe que não tem força para alcançar sozinho (ou mesmo com o CDS) aquilo que apresenta aos portugueses como o seu grande objectivo.

Tal como ignorou ostensivamente o anterior e insistente trabalho desenvolvido até hoje pelos seus colegas de partido, para subverterem a Constituição Portuguesa, também e logo de seguida se faz distraído a propósito da inutilidade e inconsequência sucessivos a que esse trabalho tem (sempre) sido votado ao longo do tempo...

É muita roqueira para festa nenhuma!

Mário Abrantes

segunda-feira, 12 de abril de 2010

a natureza de um congresso

Os congressos partidários estão na moda. São os óbvios mostruários da dimensão e qualidade dos nossos políticos e, sobretudo, dão-nos a rara oportunidade de assitir ao debate (ou à falta dele) face a face entre bases e dirigentes. Vemos aí, sem maquilhagens, os divórcios de ideias, as rivalidades e oposições insuperáveis, mas também o seguidismo obediente, as referências ideológicas profundas e a sua total e absoluta ausência, quer nos chefes, quer nos aspirantes a chefe, quer nos simples militantes de base; tudo servido em sonolentos directos nos canais de notícias, ou em cómodos resumos nos telejornais. Politicamente, poucos exercícios são tão instrutivos como assistir a um congresso.

Entre o fim de semana passado, em que tivemos (mais um) Congresso nacional do PSD e o próximo, em que teremos o do PCP Açores e do PS Açores (que elegantemente resolveu agendar a sua reunião magna para o mesmo dia que o PCP já tinha publicamente anunciado o seu), há muito para aprender. Desde logo, sobre a metodologia e democracia interna dos respectivos partidos. PS e PSD optam por moções de estratégia pessoais, subscritas pelos líderes, não sujeitas nem a discussão prévia, nem a alterações, às quais compete aos delegados dizer apenas sim ou não. O PCP tem um projecto de resolução política que está em discussão nas organizações de base desde Março, que será ainda discutido e alterado pelos próprios delegados ao Congresso. É uma questão de sentido: enquanto os primeiros decidem do topo para a base, o segundo decide da base para o topo.

Mais do que uma opção prática, o que está aqui em causa é a própria noção de democracia de cada um destes partidos, que se transpõe para a forma como abordam a relação entre governantes e governados. Enquanto, por um lado, os indiscerníveis PS e PSD vêm a democracia representativa como uma verdadeira delegação de poderes nas lideranças, marcada por actos formais de ratificação, mas assente apenas na vontade individual do líder do momento; o PCP, por outro lado, constroi uma democracia de participação, em que o papel e a responsabilidade do cidadão vai muito para lá disso, assente na construção de opiniões colectivas, menos volúveis à oscilação mediática do momento, à polémica estéril ou ao "despique para telejornal ver".

Há um preço a pagar por recusar a política espectáculo e o PCP paga-o diariamente, nomeadamente pelo silenciamento das suas posições. Mas, no longo prazo, o preço a pagar pelo abandono de toda seriedade e coerência política é muito mais elevado. PS e do PSD sabem-no. Mas não podem deixar de fazer o que está na sua natureza.

sexta-feira, 26 de março de 2010

para que serve o PSD?

A abstenção do PSD foi decisiva para a aprovação do PEC

Sob a habituais imposturas da "pose de estado" e da "oposição responsável", o PSD viabilizou mais um pacote de sacrifícios e injustiças para onerar os portugueses, reduzir-lhes o poder de compra e, em consequência, paralisar ainda mais a nossa economia.

Mas não surpreende, é uma postura coerente com as propostas que o PSD sempre defendeu e aplicou no passado.

A incoerência está em tentar apresentar-se como alternativa ao PS quando, como está visto, estão sempre exactamente de acordo nas matérias mais essenciais. Assim, para que serve o PSD?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

reviravoltas

Nem todas as reviravoltas políticas são negativas. Tudo depende do ponto de partida.

Exemplos recentes de reviravoltas são as de Paulo Rangel ao anunciar a candidatura à liderança do PSD, sete dias depois de anunciar que ninguém compreenderia a sua candidatura a tal cargo…

Ou a do Procurador Geral da República a eliminar escutas, um mês depois de ter afirmado que, para aliviar tensões, por sua vontade as punha todas cá para fora…

Ou a de Maria do Céu Patrão Neves, quando, após uma campanha eleitoral em que anunciou, caso fosse eleita, a sua intervenção firme como deputada europeia em defesa da manutenção do regime das quotas leiteiras, resolveu revisitar os lavradores dos Açores, já como deputada em exercício, mas agora com o objectivo prioritário de lhes tirar da cabeça a abstrusa ideia da continuidade desse regime…

O Leitor, em consciência, ajuizará sobre a qualidade destas reviravoltas, e daí tirará as ilações que muito bem entender.

Há no entanto reviravoltas indubitavelmente positivas, mesmo que à custa (e afinal por isso mesmo) de profundas desgraças.

Sócrates poderia ser tonto e irresponsável que ninguém lhe levava a mal, desde que não fosse Primeiro-ministro. Mas, por falta de juízo e responsabilidade institucional, enquanto no exercício de tal cargo, resolveu cortar verbas às Finanças Regionais da Madeira. Contra isso, embora sem adiantar rigorosamente nada em consequência, o Presidente do Governo Regional da Madeira, com tanto juízo e responsabilidade institucional quanto o Primeiro, gastou uma catrefa de dinheiro em eleições regionais antecipadas para, após a reeleição, adormecer, de consciência tranquila (?) sobre o corte de verbas decretado.

Não fora a perda da maioria absoluta, e o comportamento institucionalmente irresponsável, porque prejudicial aos madeirenses, do PS/Sócrates para com o PSD/Jardim teria ficado impune…

Mas assim não aconteceu, e o resto da história já todos sabemos como foi…

Sem querer pôr em causa se tudo ficou bem naquela que agora é a Lei de Finanças Regionais (em particular no acerto dos critérios da necessária discriminação positiva dos Açores), o certo é que, para a justiça, a razão, o bom senso e o juízo institucional serem repostos, foi necessário que, sobre a Madeira, caísse uma tragédia sem precedentes!

Sócrates “sem mágoa” e Jardim “esquecendo o que ficou para trás” acertaram agulhas institucionais. O primeiro desistiu de remeter para Tribunal Constitucional o pedido de inconstitucionalidade da Lei, e o segundo agradece a solidariedade activa da República.

Mas, em Democracia, não deveria ser assim, sempre? É que, em consequência de uma tal forma responsável de se estar (sempre) na política, muitas das tragédias que nos assolam o quotidiano… certamente nunca teriam acontecido!

Mário Abrantes

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

não é justiça. é política.

O Tribunal Europeu das Comunidades rejeitou a argumentação açoriana para manter a ZEE nas 200 milhas

Este Tribunal considera que os Açores não conseguiram provar que esta liberalização teria efeitos prejudiciais sobre os stocks de peixe e que, como tal, o princípio de não prejudicar as regiões ultra-periféricas não está posto em causa.

Diga-se: o processo nunca passou de areia para atirar para os olhos dos mais distraídos e tentar demonstrar uma preocupação que os nossos representantes em Bruxelas não tiveram. A decisão da alienação de partes crescentes da nossa soberania e, neste caso, de aceitar o recuo da nossa Zona Económica Exclusiva das 200 para as 100 milhas foi uma decisão política.

Uma decisão na qual nem PS nem PSD estão isentos de culpas. E não é com processos judiciais que agora irão reverter o que antes acordaram, pois a questão nunca foi jurídica, sempre foi política. Como político deve ser o julgamento sobre suas responsabilidades neste processo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

a 2ª linha da resistência

A montanha pariu um rato. Estamos a falar, caro leitor, da montanha de publicidade prévia que precedeu a apresentação pública (a semana passada) do programa eleitoral do PSD às próximas eleições para a Assembleia da República.

- Num país em recessão, com um nível de desemprego já alarmante para o seu futuro próximo e que, apesar disso, continua a subir sem qualquer travão político;

- Num país onde se tem executado uma política modelar de degradação da actividade produtiva, em particular das pequenas e médias empresas, tanto no sector primário como secundário, abrindo as fronteiras à importação de praticamente tudo;

- Num país onde os direitos e condições sociais perdem dignidade em marcha acelerada e inversamente proporcional à “dignidade” das desigualdades e à impunidade da corrupção;

- Num país onde a Democracia Económica e Social definha de dia para dia e se distancia dos seus mais directos e legítimos beneficiários: os trabalhadores no activo e aqueles que se reformam;

As propostas políticas “alternativas” apresentadas pelo PSD mais se assemelham a uma mudança de rótulo, acompanhada de um desagradável toque “old fashion”, na essência política que tem vindo a ser sistematicamente aspergida sobre a sociedade portuguesa.

Trata-se afinal de suspender o TGV e o alargamento da rede de auto-estradas; reintroduzir o chumbo escolar por faltas; inviabilizar a liberalização do casamento homossexual; do alargamento das uniões de facto, e pagar os magistrados à tarefa. São estas as “grandes” diferenças palpáveis…Nada que, perante uma eventual maioria relativa do PS ou do PSD, obstaculize a tentação de qualquer dos dois para a formação posterior de um governo de bloco central, como já certas vozes autorizadas (e angustiadas com a perspectiva de outras eventuais alianças) se apressam a augurar.

Insistir na desintervenção estatal em áreas estratégicas como a economia, saúde, a água ou o apoio social, na sequência das privatizações do actual governo; falar em revisão da avaliação dos professores, depois da actual ministra se propor fazê-lo para o ano; insistir no não aumento dos impostos (e depois dizer que afinal foi necessário subir o IVA…); apresentar a construção do novo aeroporto, em vez de cadenciada por fases, cadenciada por módulos!!; insistir no combate (estéril) ao desemprego, tal como constantemente ouvimos da boca do Primeiro-ministro, isto nada tem a haver com diferenças. “Isto” são semelhanças profundas de política…a que se juntam, e não é de somenos, as semelhanças em relação à política europeia.

O PSD, expectativas criadas à parte, afinal não veio manifestar qualquer espécie de interesse em mudar as políticas estratégicas dum país que anseia a mudança. Perante a emergência desta, diria mais, parece antes querer defender-se dela…

A ansiada mudança, só possível sem maiorias absolutas, ainda terá de enfrentar portanto a eventual resistência, em segunda linha, do recurso ao bloco central. Para os usufrutuários da actual política instalada em Portugal (cada vez menos, mas cada vez mais poderosos), um governo PS/PSD torna-se obviamente a saída mais segura. Não será no entanto inevitável, nem a única saída possível para ausência de maiorias absolutas de qualquer dos dois partidos. E, como fica claro, o bloco central, será tanto mais facilmente removível quanto maior “massa” política apresentarem as opções não abstencionistas do eleitorado à esquerda...
Mário Abrantes

terça-feira, 16 de junho de 2009

toda a razão


Não costumo estar de acordo com Berta Cabral. É mesmo uma sensação estranha, confesso. Mas neste assunto a líder do PSD Açores teve uma postura correcta.

A criação (potencialmente inevitável) do campo de treino para caças é uma ocasião para que a Região faça valer os seus direitos, resolvendo os conflitos laborais e conseguindo maiores contrapartidas. Reconhecendo que será provavelmente mais difícil conseguir contrapartidas financeiras directas, poderá, pelo menos, haver um reforço dos programas de cooperação.

Agora é o momento oportuno para colocar em cima da mesa os interesses dos Açores. Com o silêncio obediente dos nossos governantes da Região e da República dificilmente teremos alguma coisa a ganhar.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

saborosa e deliciosa

Ora uma, com a euforia quase a descompor a habitual postura professoral, chamando-lhe saborosa, ora outra dominada por incontrolado triunfalismo, chamando-lhe deliciosa, foram estes os qualificativos paralelos para a vitória eleitoral utilizados respectiva e sequencialmente pela candidata do PSD/A às europeias e pela Presidente do Partido, na sede deste, em noite das eleições, e falando para os Açores e os Açorianos perante uma (espectável) forte audiência televisiva. Deduzo portanto e de imediato que, para o subconsciente político das duas cidadãs em causa, seria então conveniente transmitir aos Açores e aos Açorianos que a vitória eleitoral do PSD nas europeias se tratou de um verdadeiro manjar…

E as palavras não se ficaram por aqui. Em catadupas de cada vez maior alcance, com a moderação a caminhar (obviamente) em sentido contrário, foram saindo assim: “Ganhámos com uma política e uma campanha de proximidade…”; “Os açorianos souberam corresponder. Está aqui bem expresso o resultado do nosso esforço…”; “Estamos todos de parabéns. Todos os açorianos estão de parabéns…”; “Os resultados exprimem bem a vontade de mudança do Povo Açoriano…”!

Mas a “política de proximidade” em campanha é alguma novidade (para qualquer força política)? E o PSD, com isso, terá ganho qualquer coisa mais? É que votos não foram certamente, já que os perdeu, das últimas europeias para estas.

Os açorianos “souberam corresponder” ao “esforço” do PSD! Como? Com o resultado expresso de 80 % de abstenções! Fica-me então a dúvida sobre o verdadeiro sentido do “esforço” do PSD. Só se foi o “esforço” anterior para negar àqueles o referendo sobre o Tratado de Lisboa. Para combater o abstencionismo é que não foi certamente. Aliás, por mais que diga o contrário, quem não consegue combater o abstencionismo dentro das suas próprias fileiras, muito menos o conseguirá fora delas. Neste aspecto, honra lhes seja feita na parte que lhes coube, só o BE, a CDU e o MPT alcançaram um tal desiderato.

Com uma vitória eleitoral fácil e de dimensão inesperada, mais a expensas do desconforto global, gerado pela maioria absoluta que governa o País e se estende à Região, do que por qualquer “política de proximidade” e “esforço” do PSD/A, o deslumbramento deste partido consigo próprio atravessou mesmo a raia do absurdo: “Estamos todos de parabéns. Todos os açorianos estão de parabéns…”. Porque raio qualquer dos 205.942 eleitores açorianos que não votaram nesse partido estaria de parabéns com os 19.610 votos do PSD/A? Explique-me caro (e)Leitor?

“Os resultados exprimem bem a vontade de mudança do Povo Açoriano…”. Isso até é verdade em parte. Mas para onde, Dra. Berta Cabral? Sabe-me dizer? Pretenderá porventura, subconscientemente (admito-o), vislumbrar nos resultados das europeias a opção inequívoca dos açorianos pelo PSD/A?

Embora em total desacordo, tudo o que foi dito pelo PSD/A em noite de contagem de votos, até mesmo o absurdo, admito que tenha sido dito numa visão narcisista, deslumbrada de si próprio. Pensando no futuro, pelo que essa atitude (em Democracia) revela de preocupante cegueira e irresponsabilidade política, o que repudio com veemência é não ter ouvido uma só palavra, um só comentário do PSD/A, um minuto de referência, no seu discurso da noite de 7 de Junho, a propósito do facto dos Açores terem registado um cúmulo nacional de participação eleitoral negativa, na ordem dos 80%! Dá que pensar…


Mário Abrantes

domingo, 24 de maio de 2009

diz o roto ao nu

Luís Paulo Alves acusa o cabeça de lista do PSD de ser um dos rostos do centralismo

É pelo menos uma declaração descuidada. O centralismo de Vital Moreira não pede meças a ninguém e é certamente muito mais exacerbado do que o de Rangel, que se limitou a um mero pedido de fiscalização de constitucionalidade, que em última instância acabou por reforçar a legitimidade do nosso Estatuto.

Em todo o caso, PS e PSD estão de acordo e ambos têm razão na análise dos respectivos cabeças de lista. Para centralista, centralista e meio!

sábado, 9 de maio de 2009

Europa são eles

O PSD Açores acaba de lançar um blogue sobre a candidatura ao Parlamento Europeu da Maria do Céu Patrão Neves chamado "Somos Europa" com a estilosa terminação .EU e tudo!

O blogue começa com uma breve e lacónica mensagem de encorajamento de Duarte Freitas. Será o famoso humor negro social democrata?

Acho também péssima esta forma de iludir os eleitores (na qual os média cooperam activa e entusiasticamente, diga-se) que é a de fazer crer que há candidatos dos Açores ao Parlamento Europeu. Tratam-se de listas nacionais e todos os deputados portugueses (que agora são só 22, com o acordo de PS e PSD!) representam os Açores. Quanto mais enganarmos as pessoas, menos vontade elas terão de votar nestas eleições.

Não consigo ignorar a semelhança óbvia com o "nós europeus" do PS, nem deixar de pensar que é significativa... Que obsessão esta a do centrão (ou será que já posso dizer bloco central?) em relembrar-nos da posição geográfica que ocupamos há nove séculos!

Na hora de os eleger para irem de férias (bem) pagas para Estrasburgo, somos europeus.

Na hora de privatizar as nossas empresas e serviços públicos e os entregar ao capital estrangeiro, somos europeus.

Quando se desregulam as relações laborais e se agrava a precariedade e insegurança no emprego, somos mais europeus que a maior parte dos europeus.

Ao desmantelar-se a nossa agricultura, ao acabar-se com as quotas leiteiras que protegiam os nossos produtores, somos europeus.

Na hora de vermos os mares dos Açores a serem geridos por Bruxelas, ao serviço das grandes frotas de pesca industrial dos países do norte, destruindo os recursos que são o sustento dos nossos pescadores, somos europeus.

Mas, quando chega o fim do mês e olhamos para o recibo de vencimento, percebemos que na verdade não passamos de açorianos!