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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

então o mundo não acabou?

50% da dívida grega foi perdoada após renegociação e, afinal, não se abriram as cataclísmicas falhas sísmicas na zona Euro, de que falava o Governador do Banco de Portugal; nem os mercados entraram em paralisía histérica; nem os investidores arrancaram os cabelos da cabeça e às mãos cheias, nem fugiram para outras paragens. Pelo contrário, as bolsas recuperaram e até foi um Passos Coelho todo bem disposto a dizer-nos que esta solução alivia a pressão sobre Portugal.

Agora, sim, vai ser difícil manter a tal narrativa política dos sacrifícios, sobretudo porque, agora, os portugueses sabem que não estão condenados ao pagamento de uma dívida que não criaram e que a renegociação não só é possível, como até parece ser uma boa solução. E que, no fim de contas, os sacrifícios nada têm a ver com a dívida. São apenas a opção do Governo PSD/CDS, na sua tentativa de destruição do Estado Social. As declarações recentes do Governo deixaram-no na posição vergonhosa de ser mais papista que o Papa quando se trata de sacrificar os próprios interesses nacionais. Que legitimidade lhe resta ainda?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

resistir

Como previsto, Portugal acaba oficialmente de pedir ajuda ao FMI ou ao Fundo Europeu de Estabilização financeira, como quiserem.

Ouvimo-lo da boca de um José Sócrates preocupado com a sua imagem (como mostrou o directo da TVI ) e muito mais crispado do que o costume. Estará certamente preocupado com a jogada político-eleitoral para roubar o espaço a Passos Coelho, por um lado, e condicionar definitivamente a actuação do novo governo, seja ele qual for, por outro.

Apesar desta fortíssima chantagem que se impõe ao povo português, em que a concessão de um empréstimo "de ajuda" envolve como contrapartida a destruição do resto da economia nacional e a sua entrega directa aos interesses estrangeiros, a verdade é que hoje nada ficou decidido sobre o nosso futuro.

Em primeiro lugar as opções e posicionamentos do novo governo em relação a este pedido de ajuda serão determinantes. Mas, ainda mais importante, será a contestação social e a capacidade dos portugueses de travarem na rua as medidas que nos pretendem, uma vez mais, espoliar. Basta recordarmos como, em 1983, foi possível deter muitas das políticas mais inaceitáveis que o FMI nos quis impôr. E, recuando um pouco mais longe, é tempo de fazer apelo ao espírito de resistência celtibero, corporizado no nosso mítico Viriato, na imagem. Resistir ao estrangeiro e aos que pretendem vender a Pátria continua a ser a essencial. O que suceder ao país daqui para a frente continua a depender de cada um de nós.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Dia de Portu…quê?



O Sr. Professor-comissário europeu Olli Rehn, com uma desfaçatez e falta de rigor que só a impunidade pouco democrática do cargo torna possíveis, virou-se para os manos portuguesinho e espanholito, e disse-lhes: “Meus meninos, vocês não sabem a lição nem apresentaram os trabalhos de casa. Que é feito dos cortes nas pensões e nos direitos dos trabalhadores que eu vos mandei fazer?”

E o portuguesinho-vieirinha da silva logo se sentiu da injustiça: “Mas, senhor professor, não fui eu que fiz mal, não só já cortei nas pensões como até adiantei trabalho para a lição de amanhã, e mandei fechar uma data de escolas do interior portuguesinho. Foi o meu mano-zapaterinho! Ele é que ainda não cortou nas pensões!”

“Portuguesinhos e espanholitos, é tudo a mesma coisa!” – retorquiu o Sr. Professor-comissário euro-apátrida - “Se já cortaste nas pensões, não cortou o teu mano, e tratem mas é os dois de atacar forte e rápido nas leis do trabalho, para porem os vossos párias a produzir mais, com menos despesa!”

Já o Sr. Professor-banqueiro ex-português Victor Constâncio, parece menos irritado com os seus alunos, pois seguiu descansado para a Alemanha, onde irá ganhar mais do que a cascarrilha de 17.817 euros/mês que lhe pagava a sua ex-pátria, deixando no lugar, apesar dessa miséria de ordenado, um aluno trabalhador e aplicado, o portuguesinho transfuga - carlos costinha, que de imediato e em bicos de pés decidiu recomendar a todos os párias, que (embora não gostem) se vêem obrigados a trabalhar, um travão generalizado aos seus salários “…para aumentar a sua baixa competitividade…” (justificou).

Mas afinal o que é isso de “portuguesinho” (já que hoje se comemora o seu dia) para os Srs. Comissários-banqueiros apátridas? Um povo herdeiro de longa história, por Camões relatada, feita de muitos personagens, filho de lusitanos, de romanos, de visigodos e suevos, de árabes e berberes, de escravos negros e outros, reunido num estado soberano, numa nação quase milenar? Ou um joguete e aluno mal aplicado de um curso especial para ineptos mediterrânicos, ministrado pelas agências “socialistas” e “social-democratas” (só mesmo por apelido) das finanças europeias?

E estas sucessivas (e recessivas) restrições sociais injustas, porquê? Nem para “salvar” Portugal (por mais que os portuguesinhos sócratinos e passos-coelhinhos insistam na mentira), nem sequer para “salvar” a Europa, mas tão simplesmente - esclarecem os nossos Comissários-banqueiros - para salvar a moeda!

Direi eu então: Alguém parece estar profundamente equivocado e quer fazer com que os outros também fiquem. A verdade é que, do outro lado do Atlântico, o Governo dos EUA tem hoje uma dívida em dólares maior do que a totalidade dos dólares existentes naquele país (se esvaziasse as algibeiras a todos os norte-americanos, nem assim a saldaria). Uma dívida pública (directa e indirecta) que está nos 110% do PIB e é matematicamente impossível de liquidar, mas nem por isso o Governo Norte-americano deixa de a agravar todos os dias, sem apoquentações, despendendo recursos imensos em investimentos não produtivos, como bases militares e actos de guerra estendidos pelo mundo inteiro…

Defender a moeda acima de tudo, Srs. Comissários-banqueiros? Ou estará esta história, a nossa história contemporânea (portuguesinha ou não) a ser muito mal contada?
Mário Abrantes

quarta-feira, 19 de maio de 2010

solidariedade à europeia


Mesmo a dar razão ao que postei aqui, surge a notícia de que a Alemanha pretende impor, usando o seu peso político, o cumprimento das regras de estabilidade orçamental. Merkel não hesita em sacrificar todas as nossas perspectivas de crescimento, condenando-nos à pura e simples recessão continuada, em prol dos seus próprios interesses. É, verdadeiramente, a assunção clara e final de que a União Europeia já não tem qualquer objectivo de coesão económica e social, mas apenas de estabilidade monetária.

É um caminho perigoso. Como será que o Reino Unido, confrontado com um défice de 12% irá reagir?

Serve, em todo o caso, para que entendamos claramente a forma como a Alemanha e as outras grandes potências olham para Portugal e para as outras economias periféricas: não somos parceiros de crescimento. Somos mercados. O nosso desenvolvimento apenas lhes interessa na medida em que permita a colocação dos seus produtos e a estabilidade do euro. Economicamente temos exactamente o mesmo papel que as colónias desempenhavam em relação às metrópoles nos séculos XIX e XX. E se isto não chegasse para entendermos a nossa posição subalterna, bastava a ideia da Comissão Europeia de aprovar (ou não) os orçamentos nacionais para melhor subjugar as economias periféricas aos interesses das grandes potências.

Não é sem alguma tristeza que assisto à agonia ao velho sonho europeu, de uma união de parceiros cooperando solidariamente para um futuro melhor, mas pergunto-me se, no âmbito do capitalismo, as coisas poderiam ter sido diferentes.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

portugal, portugal

A genialidade de Guerra Junqueiro ainda tem muito para ensinar a este país. Obrigado a A. M. pelo envio.

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;

um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."



Guerra Junqueiro, 1896

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ainda se lembram de Portugal?

Muita coisa mudou na Europa com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa.

A data escolhida, 1 de Dezembro, dia da Restauração da Independência é cruelmente irónica. 369 anos depois de termos recuperado a nossa soberania integral, a nova aristocracia euro-histérica e eucrocrata dá vivas à entrega de partes fundamentais da nossa independência a organismos supra-nacionais.

Especialmente perigoso é o tal mito da legitimidade do Parlamento europeu por via da sua eleição directa. Fico preocupado quando ouço Luís Paulo Alves dizer que "de uma maneira geral, o parlamento reflecte melhor o interesse das populações do que o Conselho Europeu" porque, afinal, no Conselho têm assento os governos nacionais eleitos directamente pelos seus cidadãos. No Conselho o governo português tem de defender os interesses de Portugal, enquanto no Parlamento os eurodeputados acabam na maior parte das vezes por ir seguindo o sentido de voto das suas grandes famílias políticas, na qual os portugueses têm, obviamente, um peso marginal.

Portugal é mais do que uma ideia, uma história e um povo. É triste vê-lo a ser vendido desta forma.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Luís Vaz

Foto de Cláudia F. - www .olhares.com

No dia de mais um português que Portugal não soube cuidar.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões