O nosso PR, na sua tacanhez, não percebe como é insultuoso para o comum dos portugueses, que vive com cada vez mais dificuldades, dizer que as suas reformas de 6 ou 7 mil Euros mensais não vão chegar para as despesas. Mas, enfim... a sensibilidade social e a inteligência também nunca foram o seu forte!
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sábado, 21 de janeiro de 2012
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
dividir para reinar
A mensagem de Cavaco Silva a propósito dos cortes no subsídio de Natal é a verdadeira antítese do papel dum Presidente da República.Desde logo tem um objectivo muito claro: dividir os portugueses e desviar a atenção pública da questão da legitimidade e necessidade destes cortes.
Assim, recentra a discussão pública na aplicação ou não deste roubo aos trabalhadores do sector privado, reentrando, mais uma vez, na gasta argumentação sobre os "privilégios" dos funcionários públicos, reeditando a velha táctica do cavaquismo de pôr trabalhadores contra trabalhadores.
Cavaco continua activamente a trabalhar para o Governo do PSD. Sem surpresas, aliás.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
eles não sabem ganhar
Uma vitória presidencial quase inevitável e historicamente rotineira, servida por um lastimável e repugnante discurso de encerramento da parte do vencedor. Logo de seguida, acobertadas pela vitória, acotovelavam-se entre si, para assomar primeiro, uma série de temáticas impacientes, temporariamente obrigadas ao silêncio para não assustarem os eleitores ou escangalhar declarações hipócritas de campanha:- A ânsia do capital financeiro, com Sócrates e o seu governo como cozinheiros de serviço, para alterar as leis laborais portuguesas com vista a cortar nas indemnizações aos despedidos, para facilitar despedimentos e aumentar a precariedade do trabalho;
- As taxas de juro da dívida em alta, e a ânsia do FMI mais a Alemanha para anunciar que a situação dos países periféricos da UE não se encontra resolvida e pode necessitar de intervenção externa;
- A entrevista, encomendada por voz avisada, ao Presidente do Banco Espírito Santo (cada vez assumem com menos vergonha o controlo político das operações) para este prevenir os poderes públicos da necessidade de se ir mais longe na flexibilização do emprego.
Cavaco não ganhou nada que não esperasse. Simplesmente, em lugar de, justamente com os resultados eleitorais, proclamar também aos portugueses, vítimas da crise e do desemprego, as prometidas opções claras e saídas para o futuro, serviu-se antes da (magra) vitória da reeleição para, fazendo uso do seu messianismo pacóvio e abusando da confiança de um povo maioritariamente descrente e abstencionista, zurzir nos adversários e investir-se de autorização prévia pública para as suas obscuras e inconfessadas opções de futuro com vista a “conduzir” o país, de cheque em branco na algibeira, a uma qualquer solução governativa consentânea com elas.
Em Ponta Delgada (em cujo concelho apenas 15% dos eleitores votaram no vencedor), exibindo uma indisfarçável irritação perante quem salientava o facto de os açorianos se terem massivamente abstido de votar Cavaco, a sua mandatária cuidou apenas de proclamar pela enésima vez quem era o campeão da Autonomia. Enquanto isso, a líder do PSD num raciocínio espantoso e preocupante, invocava possíveis retaliações presidenciais sobre os Açores pelo facto de o partido do Governo se ter oposto à candidatura vencedora, e tomava logo de seguida abusivamente de empréstimo a vitória de Cavaco, travestindo-a na sua e na do seu partido, esquecendo-se até, com a euforia, que ao seu lado (supostamente para partilhar os louros) tinha um dirigente do CDS perfeitamente “encavacado” com a circunstância…
Mas se apenas 15 em cada 100 eleitores açorianos votaram na reeleição de Cavaco, mais amarga foi ainda a vitória na Madeira. Nesta Região o candidato-presidente não logrou alcançar a maioria absoluta sobre os restantes, ficando-lhe imediatamente à perna a candidatura “out-sider” de José Manuel Coelho. A resposta de Jardim, enquanto vencedor, foi um desastre: Destilando despeito pesporrento pelo adversário e pelos muitos madeirenses que ousaram afrontar com tal dimensão eleitoral activa o sistema jardinista instalado há décadas, chamou-lhes “coelhada”, “criatura”, “extrema-direita” e mais não sei o quê. Quanto ao futuro, tal como os restantes ganhadores, disse nada!
Com ganhadores destes, provavelmente mais produtivo se torna ao país, querendo ousar prosseguir e vencer dificuldades, buscar méritos junto de quem perdeu, não será assim?
Mário Abrantes
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
aprender com os resultados
É quase um lugar comum dizer que há descontentamento com os partidos e os políticos. É verdade. O problema é que os partidos e estes candidatos não conseguiram mobilizar esse descontentamento. E isso é especialmente grave no caso de uma força política como o PCP que tudo tem feito, nos órgãos onde participa e fora deles, para ser o porta voz dos descontentamentos dos portugueses mais desprotegidos. Esse é um problema que tem de ser urgentemente analisado e olhado de frente.
Na inevitável comparação com os resultados obtidos por Jerónimo de Sousa em 2006, Francisco Lopes tem perdas importantes em todos os distritos e em quase todos os concelhos. Também assim nos Açores. A desvalorização do aspecto pessoal da eleição presidencial, consubstanciada na escolha de um candidato quase inteiramente desconhecido fora das fileiras do Partido, mostrou-se uma opção errada. Francisco Lopes, apesar das qualidades que demonstrou durante a campanha, não conseguiu segurar muitos dos que, sem serem militantes do PCP são apoiantes da CDU. Um eleitorado que Jerónimo de Sousa conseguiu, pelo seu reconhecimento e pela sua capacidade de identificação directa com o português comum e com os seus problemas, não só segurar como mesmo ampliar. Isto é claramente visível nos resultados dos distritos onde, apesar de alguma debilidade do seu aparelho partidário, a CDU obtém bons resultados. Veja-se Braga, Aveiro e, de forma muito nítida, Madeira e Açores.
A opção por uma candidatura algo despersonalizada, o mais partidariamente identificada possível, apresentando um discurso inteiramente formatado, até repetitivo, ainda que carregado de razão sobre os problemas de Portugal e dos portugueses, não trouxe os frutos esperados. A mensagem está certa, mas a mensagem não passou. O resultado, para lá da eleição à primeira volta de Cavaco Silva, é uma fragilização, mesmo um recuo, do descontentamento e da luta pela mudança social que os trabalhadores portugueses anseiam. E esta é uma realidade da qual devemos tirar consequências e com a qual precisamos, acima de tudo, com urgência, aprender.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
os dois povos
O voto é secreto e eu vou aqui usar desse direito porque sou livre de votar, sem pressões, em quem entender (até porque essa possibilidade, antes de ser alcançada, custou 48 anos de muita luta, sacrifício e sangue).Tal opção não me impede no entanto, enquanto cidadão, de emitir opinião, livre e desobrigada (outro direito que custou luta, sacrifício e sangue durante os mesmos 48 anos) sobre as candidaturas presidenciais.
Começo por dizer que se Alegre, logo à 1ª volta, concorresse sozinho com Cavaco, bastaria a este último ter mais um voto que o primeiro para ser reeleito, dispensando a 2ª volta. Isso não acontece no entanto nestas eleições (ao contrário da mística simplista criada por muita comunicação social) e, em minha opinião, é bom que não aconteça...
De facto existem mais 4 candidaturas em presença, e isto favorece a ida às urnas (viva o pluralismo, mesmo contra a vontade do sistema bipolar anémico que nos pretendem impor), dificultando portanto a abstenção daqueles (e são muitos) que, associando-os (cada qual à sua maneira) com as políticas restritivas de Sócrates, simplesmente não se revêem nem em Alegre nem em Cavaco. Esta situação permite baixar a fasquia percentual dos votos em qualquer destes dois candidatos e aumenta em consequência as probabilidades da saudável passagem a uma segunda volta.
De seguida permito-me opinar que todos os votos em Francisco Lopes ou José Manuel Coelho são mais significantes que os votos em qualquer dos outros candidatos, porque, além de contarem por igual para evitar maiorias absolutas à primeira volta, como também sucede com os votos em Defensor de Moura ou Fernando Nobre, são, como já não sucede com estes últimos, votos descomprometidos e de combate às políticas do Governo PS, sustentadas pelo PSD e pelo actual Presidente da República, as quais determinaram violentas medidas restritivas sobre o Povo em 2010 e outras ainda mais gravosas, prescritas pelo Orçamento Geral do Estado, para 2011, deixando de fora da plena assunção das culpas (e dos custos) os verdadeiros responsáveis pelo buraco financeiro e produtivo com que o país se confronta, e que pode, se a justiça não for reposta e a Constituição respeitada, comprometer o seu futuro.
De Alegre, apenas constatar a camisa de sete varas em que está enfiado, pelo apoio de Sócrates e das suas nefastas políticas, o que apenas lhe permite olhar curto sobre o BPN e não ir além da denúncia dos 140% de ganhos que Cavaco teve com as suas acções, esquecendo-se do buraco tapado (à nossa custa) pelo Governo e Cavaco, da ordem (por enquanto) dos 5 mil milhões de euros, que pôs de pantanas todo um povo e um país.
Do “salvador” e repentino protector do Povo contra Sócrates, mas há poucos dias salvador de Sócrates contra o Povo (além de obsessivo anti-autonomista), apenas relembrar que, começando pelo seu confidente pessoal Dias Loureiro (a contas com a justiça), também há dias (mais precisamente em 10/05/2010) o “povo” que ele ouvia para orientar o rumo do país era outro bem diferente. Falamos da “brigada do reumático 2” constituída pelos principais responsáveis do afundamento nacional: os competentes, bem remunerados e doutorandos economistas (tal como ele, claro), ex-Ministros das Finanças dos sucessivos governos portugueses, pós adesão à UE.
Teve mais de 15 anos no poder (como Ministro, 1º Ministro e Presidente). Experiência não lhe falta de facto, como gostam de dizer os seus apoiantes. De muito pouco ela serviu entretanto para a “salvação” do Povo de que agora, para se manter no cargo, reitera, sem vergonha, a intenção de (se) servir…
Mário Abrantes
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
BB à presidência
Na terça-feira, 26 de Outubro, p.p., assistimos, estupefactos, a um espectáculo deprimente.
O dr. Cavaco consumiu vinte minutos, no Centro Cultural de Belém, a esclarecer os portugueses que não havia português como ele. Os portugueses, diminuídos com a presunção e esmagados pela soberba, escutaram a criatura de olhos arregalados. Elogio em boca própria é vitupério, mas o dr. Cavaco ignora essa verdade axiomática, como, aliás, ignora um número quase infindável de coisas.
O discurso, além de tolo, era um arrazoado de banalidades, redigido num idioma de eguariço. São conhecidas as amargas dificuldades que aquele senhor demonstra em expressar-se com exactidão. Mas, desta vez, o assunto atingiu as raias da nossa indignação. Segundo ele de si próprio diz, tem sido um estadista exemplar, repleto de êxitos políticos e de realizações ímpares. E acrescentou que, moralmente, é inatacável.
O passado dele não o recomenda. Infelizmente. Foi um dos piores primeiros-ministros, depois do 25 de Abril. Recebeu, de Bruxelas, oceanos de dinheiro e esbanjou-os nas futilidades de regime que, habitualmente, são para "encher o olho" e cuja utilidade é duvidosa. Preferiu o betão ao desenvolvimento harmonioso do nosso estrato educacional; desprezou a memória colectiva como projecto ideológico, nisso associando-se ao ideário da senhora Tatcher e do senhor Regan; incentivou, desbragadamente, o culto da juventude pela juventude, característica das doutrinas fascistas; crispou a sociedade portuguesa com uma cultura de espeque e atrabiliária e, não o esqueçamos nunca, recusou a pensão de sangue à viúva de Salgueiro Maia, um dos mais abnegados heróis de Abril, atribuindo outras a agentes da PIDE, "por serviços relevantes à pátria." A lista de anomalias é medonha.
Como Presidente é um homem indeciso, cheio de fragilidades e de ressentimentos, com a ausência de grandeza exigida pela função. O caso, sinistro, das "escutas a Belém" é um dos episódios mais vis da história da II República. Sobre o caso escrevi, no Negócios, o que tinha de escrever. Mas não esqueço o manobrismo nem a desvergonha, minimizados por uma Imprensa minada por simpatizantes de jornalismos e por estipendiados inquietantes. Em qualquer país do mundo, seriamente democrático, o dr. Cavaco teria sido corrido a sete pés.
O lastro de opróbrio, de fiasco e de humilhação que tem deixado atrás de si, chega para acreditar que as forças que o sustentam, a manipulação a que os cidadãos têm sido sujeitos, é da ordem da mancha histórica. E os panegíricos que lhe tecem são ultrajantes para aqueles que o antecederam em Belém e ferem a nossa elementar decência.
É este homem de poucas qualidades que, no Centro Cultural de Belém, teve o descoco de se apresentar como símbolo de virtudes e sinónimo de impolutabilidade. É este homem, que as circunstâncias determinadas pelas torções da História alisaram um caminho sem pedras e empurraram para um destino que não merece - é este homem sem jeito de estar com as mãos, de sorriso hediondo e de embaraços múltiplos, que quer, pela segunda vez, ser Presidente da nossa República. Triste República, nas mãos de gente que a não ama, que a não desenvolve, que a não resguarda e a não protege!
Estamos a assistir ao fim de muitas esperanças, de muitos sonhos acalentados, e à traição imposta a gerações de homens e de mulheres. É gente deste jaez e estilo que corrói os alicerces intelectuais, políticos e morais de uma democracia que, cada vez mais, existe, apenas, na superfície. O estado a que chegámos é, substancialmente, da responsabilidade deste cavalheiro e de outros como ele.
Como é possível que, estando o País de pantanas, o homem que se apresenta como candidato ao mais alto emprego do Estado, não tenha, nem agora nem antes, actuado com o poder de que dispõe? Como é possível? Há outros problemas que se põem: foi o dr. Cavaco que escreveu o discurso? Se foi, a sua conhecida mediocridade pode ser atenuante. Se não foi, há alguém, em Belém, que o quer tramar.
Um amigo meu, fundador de PSD, antigo companheiro de Sá Carneiro e leitor omnívoro de literatura de todos os géneros e projecções, que me dizia: "Como é que você quer que isto se endireite se o dr. Cavaco e a maioria dos políticos no activo diz 'competividade' em vez de 'competitividade' e julga que o Padre António Vieira é um pároco de qualquer igreja?"
Pessoalmente, não quero nada. Mas desejava, ardentemente desejava, ter um Presidente da República que, pelo menos, soubesse quantos cantos tem "Os Lusíadas."
Baptista Bastos
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
estado social e presidenciais
Enquanto há gente que já se atreve a despedir pessoal por SMS, depois de lhes negar o salário durante dois meses, como aconteceu naquela fábrica de calçado, ou outros que vão fazer viagens de cruzeiro enquanto a sua firma passa à situação de insolvência, como aconteceu naquela outra empresa de construção civil, um governo que proclama a defesa do Estado Social pôs, de um dia para o outro, um milhão e trezentos mil pobres a terem de fazer prova pela internet de que são pobres, fechou trezentas escolas e, anunciando uma baixa nos medicamentos, de imediato retirou-lhes as comparticipações do Estado. Em simultâneo, um partido que se diz da oposição e afirma que o governo quer ir aos bolsos dos portugueses, pretende entretanto retirar da Constituição Portuguesa o sistema de saúde e ensino universais, e a proibição dos despedimentos sem justa causa. Apenas me ocorre dizer que, enquanto um trata de matar, o outro trata de esfolar...E é num quadro destes que irão decorrer as próximas eleições presidenciais, as quais, para além de outras oportunidades de reclamação e protesto que até lá certamente acontecerão, em função das políticas de sufoco social que têm vindo a ser seguidas e multiplicadas, constituirão uma ocasião privilegiada para dar um sinal aos actuais detentores do poder, ou aos que se julgam à beira de o alcançar, que, em Democracia, não se pode massacrar um povo contínua e impunemente!
Sem querer, Mota Amaral, com um toque esquerdalhado de conveniência, tal como é useiro Mário Soares sempre que está arredado do poder, explica tudo em artigo de opinião deste mês, perguntando primeiro: “Como é que Manuel Alegre se encaixa num partido cuja governação dá tantas machadadas nos direitos adquiridos, flexibiliza as leis laborais, facilita os despedimentos, não trava o desemprego, atrasa a idade da reforma, reduz as pensões, encerra serviços de saúde e escolas”? E admitindo logo de seguida: “Reconheça-se que essas providências vão todas mais além do que tentou (sublinho tentou), sem grande êxito, entre 2002 e 2004, o Governo PSD/CDS…”
Para benefício da lucidez do Leitor, acreditando na boa fé de um tal posicionamento, nem me dou ao trabalho de desmontar quão anacrónico e insustentável fica ao autor daquela prosa manifestar de seguida, como fez no citado artigo, o seu apoio a Cavaco (parece-me um dilema tão mais intrincado quanto o de Manuel Alegre), enfim! Direi sim que, pelos prejuízos acumulados, e outros que estão na mente desta gente adicionar à vida do cidadão comum, é impossível arredar da crítica (e do voto), nas próximas presidenciais, a responsabilidade pelas sucessivas políticas anti-sociais (como Mota Amaral, sem querer, reconhece) tanto do Governo PSD/CDS, primeiro, como dos Governos PS que se lhe seguiram…
Por outro lado, dado o avanço que leva à partida quando se candidatar formalmente, o facto de Cavaco ter de concorrer à primeira volta, com mais do que apenas um outro candidato, para além de melhor salvaguardar a liberdade de escolha dos eleitores, estimulando a sua ida às urnas, cria a possibilidade efectiva de evitar que um tal avanço se transforme em maioria absoluta à primeira volta.
Mário Abrantes
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
coup d'État
Já está divulgado o e-mail dos jornalistas que parecem provar que o Governo andava a espiar o Presidente da República.As suspeitas agravaram-se na Madeira, onde Sócrates nomeou um dos membros do seu Gabinete para ir recolher informação sobre a visita presidencial, infiltrando-se na sua comitiva.
Perante os factos, o PR teve a pior das actuações possíveis: ir "encomendar" uma notícia ao Público, com um claro objectivo de prejudicar eleitoralmente o PS. Se tinha provas, tinha outras atitudes que poderia ter tomado. Não o fez, lamentavelmente.
Mas nada disto apaga a enorme gravidade do facto de o Governo andar a espiar o órgão máximo da República. Mais do que um desrespeito ao prestígio devido ao PR (gostemos ou não dele. E eu não gosto, como é sabido), estamos perante a violação dos princípios basilares do nosso sistema democrático. Este novo "incidente" coloca-nos a um passo de um golpe de Estado.
A centralização dos serviços de informações e segurança sob controle governamental só poderia resultar nisto: é uma ferramenta demasiado tentadora para não ser usada em proveito político próprio. Estas alterações já vêm do tempo em que o próprio Cavaco Silva era Primeiro-Ministro. Na altura, houve quem alertasse e, como costume, não foi escutado. A criação da sinistra figura do Secretário-Geral do sistema de Informações e Segurança da República Portuguesa, em 2006, foi mais um passo nesta direcção. Como afirmou António Filipe, na altura: "O poder que é conferido ao Secretário-Geral do SIRP, sobre todos os serviços de informações, não tem precedentes na República Portuguesa. Nunca ninguém deteve tanto poder em matéria de informações estratégicas e de segurança."
Recoloca-se assim ainda mais alta a fasquia da importância das eleições de 27 de Setembro: trata-se não só de substituir um mau governo. Trata-se defender a Democracia.
terça-feira, 3 de março de 2009
repetir banalidades para não fazer má figura (actualizado)
Cavaco Silva pede visão de futuro para vencer a crise
Para não correr o risco de fazer má figura, Cavaco Silva foi para a Europa repetir as banalidades e os chavões do costume: "actuação concertada", "recusa do proteccionismo", "visão de futuro", o inefável "Tratado de Lisboa" e um gostoso naco de prosa, que devia ir para os manuais como o exemplo acabado de falar e não dizer nada, que não resisto a transcrever:
"só apostando numa visão de futuro” se poderá concluir que, “passada a tempestade” emergiu uma Europa "ainda mais forte e credível perante os seus próprios cidadãos”.
Falar na protecção às economias europeias mais frágeis, defender a nossa Zona Económica Exclusiva ou, enfim, preocupar-se de alguma maneira com os interesses portugueses, não é com ele. Continua a ser o bom aluno europeu, sempre preocupado em agradar aos mestres.
Eu não votei nele.
Actualização:
Então não é que Cavaco Silva teve a terrível falta de gosto de ir comentar assuntos internos do país, como a marcação de eleições a um jornal alemão? Que vergonha!
Eu nem queria estar sempre a desancar no PR, mas ele deixa-me pouca escolha...
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