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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

demolir o governo


Sob o discurso asséptico e tecnocrático, nota-se bem a sanha ideológica de ataque ao serviço público quando é prestado por empresas públicas e, sobretudo, a única motivação, bem expressa em cada linha, em cada frase, em cada parágrafo: cortar na despesa.

Através de um arrazoado confuso, com avaliações inteiramente subjectivas e não fundamentadas sobre uma sinistra "dimensão subjectiva e opinativa no jornalismo", misturadas com a manipulação dos conteúdos informativos pelo poder político, assistimos à destruição sistemática, ponto por ponto, de todo o projecto da RTP e de todos os seus canais. Perpassa clara, em todo o texto, a subtileza de camartelo na demolição dos canais públicos de rádio e televisão.

Em relação aos Açores, a arrogante ignorância é confrangedora. Diz o relatório: "Sobre a RTP Açores e RTP Madeira, consideramos que a sua missão histórica está terminada. Dado que existe, também nas Regiões Autónomas, a tendência do poder político para tornar cativos os canais, recomendamos que se apliquem as mesmas recomendações atrás feitas quanto aos canais nacionais." E chega. Nem mais uma palavra em todo o documento, demonstrando a superficialidade com que estes "peritos" abordaram o relatório que, afinal já traziam escrito pelos ideólogos do PSD.

Com este grau de superficialidade e fundamentalismo ideológico, urgente mesmo é demolir este Governo. Não a RTP.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

cortar as amarras


Dito desta forma até poderia parecer uma ideia interessante, que terminasse, por exemplo, com a absurda situação do Director da RTP Açores para comprar uma esferográfica ter de pedir autorização a Lisboa. O problema é que, por trás desta aparência, do que verdadeiramente se trata é de poupar despesa ao Governo da República e apenas isso.

A prová-lo estão os cerca de 300 despedimentos previstos no ano de 2012 que irão desarticular toda a capacidade de produção própria da RTP, que é afinal a sua grande, senão única, mais valia. Despedimentos que vão afectar ainda mais duramente a nossa RTP Açores, cronicamente subdotada em termos de meios técnicos e humanos. Portanto, aquilo de que o Presidente da RTP falava ontem na Assembleia da República não era de autonomia para gerir os recursos que existem, mas sim de autonomia para gerir a total ausência deles. As RTP's regionais passam a ser livres de falir ou fechar portas, porque Lisboa lava daí as suas mãos.

Ou, então, terão de ser as Regiões Autónomas a financiá-las. Uma ideia que é, em múltiplos aspectos, perigosa:

Primeiro, o exemplo da relação de Alberto João Jardim com os média, e a tendência do nosso próprio Governo Regional para os tentar manipular e controlar, deviam alertar-nos para a importância existirem órgãos de comunicação social independentes do poder regional. Uma questão que é fulcral para a Democracia nas ilhas.

Segundo, nesta questão como em tantas outras matérias (até nas evacuações médicas da Força Aérea!), o Governo da República vira cada vez mais as costas aos Açores, negando-se a cumprir as suas obrigações constitucionais. Faz lembrar políticas antigas em tempos de crise, com o abandono de colónias e territórios à sua sorte, para concentrar os recursos na metrópole. O Governo do PSD/CDS-PP esquece-se que a unidade nacional depende justamente do cumprir destes compromissos e que ninguém sabe muito bem onde nos pode levar esta política de cortar as amarras com os Açores.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

silêncios esclarecedores

Depois de semanas agitadas na RTP Açores, com troca de acusações entre director e trabalhadores, com os problemas conhecidos e reconhecidos da RTP/A a serem discutidos na opinião pública, Carlos César recebe a visita do Presidente do Conselho de Administração da RTP. Um timming político que é tudo menos inocente...
Dos problemas abordados pouco sabemos, mas calculamos...
Dos resultados, ressalta como eventualmente positiva a abertura para uma solução para as instalações da RTP Açores em São Miguel.
Sobre os problemas dos trabalhadores da RTP/A: silêncio. Sobre as pressões (que são cada vez mais difíceis de negar) e o mal estar nas redacções: silêncio. Sobre a absurda fusão dos meios da RDP e da RTP Açores: silêncio.
Mas é, também, revelador o silêncio sobre o grave problema das instalações da RTP/A na Horta, que o Conselho de Administração não parece interessado em resolver, apesar da Câmara da Horta até já ter disponibilizado um imóvel.
Parece que se continua o abandono do verdadeiro papel da RTP Açores. Um papel que só ela pode desempenhar: ser um média da coesão, ligado à realidade das várias ilhas. E para isso precisa de meios humanos, técnicos e físicos adequados espalhados pelo arquipélago. E isso é que faz falta aos Açores. Uma RTP-São Miguel, não faz falta!
Mas sobre isso, se César, Bicudo e o Presidente do CA da RTP falaram, não ouvimos. Um silêncio esclarecedor.