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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

não podia estar mais de acordo

Sobre outro produto que conhece bem, o golfe, Albano Cymbron também não tem grandes dúvidas em afirmar que os Açores terão de esperar ainda vários anos até este produto se afirmar e sempre como complemento, nunca como aposta principal na atracção de turistas. E o recado ao Governo foi deixado de uma forma bastante clara: “o que se fez fez-se bem, temos dois belos campos em São Miguel, mas não gastem mais dinheiro a fazer campos em Santa Maria e no Faial, porque um campo de golfe não é uma estrada e, se não se toma muito bem conta dele, ele torna-se rapidamente num pasto e é preciso fazer tudo de novo”.

O insuspeito empresário Albano Cymbron veio, na sua entrevista de hoje ao AO, dar razão ao PCP sobre a inutilidade de andar a espalhar a eito campos de golfe pelas ilhas fora. Elefantes brancos já cá temos muitos!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

terrorismo social


A situação é tanto mais chocante já que estão há meses em situação de redução de actividade, vulgo lay-off, isto é: a Segurança social paga, através do empregador, 70% do vencimento aos trabalhadores, que ficam sem trabalhar naquele ou noutro emprego. O problema é que a entidade empregadora tem-se limitado a embolsar as verbas, sem as transferir para os trabalhadores. Que nome é que se dá a isto?

Perante o continuado e sistemático incumprimento das suas obrigações, esta empresa devia ser obrigada a devolver os apoios que recebeu do Governo Regional para o empreendimento, por muito importante que este possa ser (e será que é?) para o desenvolvimento turístico da Região. Ou, afinal, queremos andar a fomentar a irresponsabilidade social?

quinta-feira, 25 de março de 2010

navegar é preciso


É sempre interessante ver a nossa realidade pelos olhos dos que nos visitam. O que lhes interessa, o que os surpreende e o que valorizam. E a verdade é que o que impressionou os navegadores não foram os campos de golfe, os megahoteis ou as portas do mar de Ponta Delgada. As suas palavras mostram bem que a nossa riqueza, a nossa capacidade de atracção está no nosso património ambiental, na simpatia e tradições das nossas gentes e, sobretudo, no nosso oceano. Esse é o rumo.

O turismo náutico pode fornecer-nos turistas não-sazonais, com poder económico e elevada exigência. A falta de infra-estruturas adequadas nas Flores, a disparatada e minúscula "marina" das Velas de São Jorge, a reduzida dimensão da das Lajes do Pico, o desadequado equipamento de varagem em Vila do Porto, o atraso na construção da marina na Graciosa ou a opção, no Faial, de construir primeiro um cais de cruzeiros (está na moda, parece) e adiar para daqui a muito muito tempo (quanto?) a necessária ampliação da marina da Horta, são exemplos da nossa falta de visão estratégica. É nesta área que temos de concentrar esforços e investimentos. Porque quando tivermos as ilhas cobertas de hoteis, golfes e resorts, numa imitação tosca do pior do Algarve ou do sul de Espanha, que teremos para vender a quem nos visita?

quarta-feira, 17 de março de 2010

entradas de leão

A suspensão cautelar do Plano de Ordenamento Turístico da Região, independentemente da sua atempada, duvidosa e duradoura eficácia equilibradora, resulta sem dúvida da necessidade de começar a inverter estruturalmente uma opção política errada, assumida (ora com maior, ora com menor intensidade) ao longo da governação PS, iniciada em 1996: A opção de pensar e agir, politicamente, visando atingir o (chamado) fim do ciclo da vaca e substituí-lo pelo turismo, como sector predominante na economia regional.

Certo é porém que, a meio do 4º mandato da maioria PS no governo, depois de tanto investimento em betão turístico e, por isso mesmo, tanta ausência de investimento em outras áreas, se constata agora que, pesem embora as grandes alterações verificadas em ambos os sectores, nem o ciclo da vaca (apesar de duramente golpeado) terminou, nem o turismo (seja com crise, seja sem ela) se afirmou como alternativa credível e de dimensão económica relevante para os Açores.

A opção política referida, longe de proporcionar a revitalização da economia, contribuiu para conduzir a Região a um panorama, actualmente acentuado pela crise internacional, de recuo no desenvolvimento, com muitos milhares de açorianos a viverem abaixo do limiar de pobreza, a taxa de mortalidade infantil a aumentar, um nível de desemprego nunca antes atingido e uma quebra geral do produto interno.

O sector público administrativo e empresarial, com uma participação determinante no PIB, por um lado, e a agro-pecuária, as pescas e o mar, por outro, representando em conjunto, ainda, a maior participação privada e cooperativa (directa e indirecta) no mesmo produto, constituem os pilares estratégicos a partir dos quais se tem desenvolvido e se pode e deve continuar a desenvolver de forma sustentável e socialmente útil a economia regional.

O facto de se investir de novo num sector há muito instalado e consolidado nos arquipélagos vizinhos da Macaronésia, aliado à recessão mundial e à predominância de factores externos, alheios à Região, na determinação dos seus fluxos e refluxos, desaconselha objectivamente, como se tem vindo a confirmar, a exclusividade da aposta no turismo com carácter alternativo sustentável. Tal estratégia, insistimos, tem subalternizado por arrastamento uma correcta definição das políticas de apoio às pequenas e médias empresas que trabalham sobretudo para o mercado interno, ou para nichos de mercado de exportação (e também, para o turismo não “betonizado”), as quais absorvem de momento, para além do sector público, a maioria da mão-de-obra activa açoriana.

A continuidade dos apoios ao turismo, não está em causa. Deverá, no entanto, ser revista numa perspectiva complementar às restantes actividades económicas, e articulada com políticas, não só de emergência, mas permanentes de apoio às pequenas e médias empresas e respectiva diversificação, envolvendo de forma integrada a diluição dos sobrecustos dos transportes (entre ilhas, bem como de e para o Continente e Madeira), o acesso fácil e barato ao crédito, os incentivos e o alívio contributivo positivamente discriminatórios para aquelas que assegurem ou aumentem o número de postos de trabalho efectivos.

O turismo é necessário a esta Região, o que está longe de ser confundível com a necessidade de virar esta Região para o turismo…
Mário Abrantes

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

nem à tacada

Governo Regional dedica-se ao golfe

Depois de aplicar uns quantos milhões de euros do dinheiro dos contribuintes em incentivos à Verdegolf, SA, o Governo Regional vê-se agora obrigado a assumir a exploração dos campos de golfe da Batalha e das Furnas pelo período de um ano, renovável (já se sabe).

É uma forma simpática de premiar a gestão ruinosa de uma empresa que parece ter vindo aos Açores apenas para colher subsídios e agora vir alegar dificuldades por causa dos negócios que tem na Madeira. Mas, sobretudo, é a tentativa de salvar a face perante o que é o resultado esperado duma aposta errada num tipo de turismo para o qual não temos nem apetência, nem vocação e, nitidamente, nem mercado. Resta agora ao Governo Regional apenas ir tentando tapar o sol com a peneira, dizendo que "está tudo bem", "as dificuldades são só conjunturais" e sustentando com os nossos impostos a despesa de mais um elefante branco.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

pesada sazonalidade


Quatro unidades hoteleiras de S. Miguel, representando cerca de 10% das camas disponíveis nesta ilha dos Açores, estão encerradas temporariamente, numa solução para reduzir as despesas face à diminuição da procura na época baixa.

A sazonalidade é um dos factores que primordialmente prejudica o nosso turismo e a nossa economia. Contra circunstâncias climáticas e condições naturais há pouco a fazer. Mas poderiamos talvez fazer mais. Ficam-me as perguntas: valerá a pena concentrar na época alta o grosso da oferta cultural da região, em termos de espectáculos e concertos, por exemplo? Não valeria a pena usar um marketing mais agressivo com reduções significativas para atrair hóspedes na época baixa? Não valeria a pena termos a SATA a fazer ligações aéreas a baixo custo nesta altura?

Não haverá mesmo nada a fazer?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"wake up and smell the lay-off"


Primeiro lay-off nos Açores no Hotel das Furnas

Para os que eventualmente pensavam que a moda do lay-off não chegaria às ilhas, é tempo de abrir os olhos. Apesar de ter recebido benefícios e isenções fiscais, bem como incentivos directos, a empresa Asta, proprietária do Furnas Spa Hotel, que ainda nem foi inaugurado, pôs trinta trabalhadores em situação de lay-off.

Nesta situação, os trabalhadores verão o seu salário reduzido em trinta por cento. A partir daqui a empresa apenas paga trinta por cento desse valor, sendo os restantes suportados pela Segurança Social, ou seja, por todos nós. E ainda dizem se queixam os empresários de falta de facilidades!

Não se percebe muito bem como é que um hotel que ainda nem foi inaugurado pode ter uma redução temporária de actividade. Mas verdadeiramente inexplicável é que existam salários em atraso e, apesar disso, dá-se à empresa ainda mais esta benesse de poder por os seus trabalhadores por conta do Estado!

Afinal os apoios do Governo Regional servem para quê?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

mergulhar na Graciosa

A Associação Agroprome promove a II Bienal de Turismo Subaquático da Graciosa.

O objectivo da iniciativa é o de promover os Açores como destino de mergulho, reunindo entusiastas, amadores e profissionais do sector.

É pela divulgação do muito que as nossas ilhas têm para oferecer que poderemos dinamizar o nosso Turismo. Uma excelente iniciativa.

Que pena não estar lá...

sábado, 4 de julho de 2009

a cidade da Horta em duas rodas

Foi há poucos dias inaugurado na cidade da Horta o quiosque Horta Bike, que disponibiliza a utilização gratuita de bicicletas no centro da cidade. Resultando de uma parceria entre a CMH e o Turismo dos açores, não posso deixar de dar um merecido aplauso ao principal impulsionador do projecto, o vereador do ambiente, José Decq Mota.

A Horta torna-se assim na primeira cidade dos Açores a dispor de um serviço deste género. Para além dos naturais impactos positivos sobre o turismo, também contribuirá decisivamente para a redução do número de automóveis, permitindo o usufruto saudável do centro urbano.

Uma boa ideia que devia ser utilizada em mais municípios!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

a passar por cima...

…da crise, anda o senhor Ministro das Finanças, quando ao mesmo tempo que a OCDE lhe carrega as tintas para Portugal, ele as vai apagando e anunciando para este mês os primeiros sinais do seu fim (César já apontava a mesma data há uns meses atrás, recorda-se caro Leitor? Valha-lhe a notável capacidade de antecipação…). Por via das dúvidas, não vá o diabo tecê-las entretanto, e porque cada ministro de há uns tempos a esta parte passou a dizer a sua, o das Obras Públicas, em simultâneo, logo aprontou os anúncios sucessivos do adiamento do TGV e do novo Aeroporto de Alcochete…(Já se sabia que “Alcochete, jamé!”, não é verdade?)

A passar por cima da crise andam igualmente, segundo estudos divulgados num jornal nacional, os portugueses! Pobres e felizes, é assim que hoje se sentem! Já Salazar os queria pobres, asseados e ignorantes. Trata-se, convenhamos, de uma evolução assinalável, desde então...

A passar por cima das nossas cabeças, e muito provavelmente por cima da competência dos governantes regionais, de acordo com notícias vindas dos EUA, andam já a voar os caças F 22 no seu “quintal” do Atlântico. É compungente ouvir o Secretário da Presidência do Governo Regional, cada vez que lhe fazem perguntas sobre o assunto. Não se cansa de dizer que nada foi negociado até à data e, perante as notícias anunciando a chegada dos caças já este Verão, diz que tem “quase” a certeza de que isso não acontecerá! “QUASE”? Afinal qual é o papel do seu Governo, senhor Secretário? Parece-me óbvio que a lealdade institucional da República e a soberania desta, se praticadas, dispensariam com certeza esse “quase”, o que nos deverá então deixar seriamente preocupados quanto à forma como o actual Governo da República encara estes princípios basilares do Estado.

A passar por cima da economia regional, depois de ter ido (e de continuar a ir) às algibeiras do orçamento público absorver milhões a fundo perdido (em hotéis, restaurantes, casinos, múltiplos programas e outras comparticipações), anda o turismo. Com o número de dormidas em baixa continuada desde 2005, incapaz de contribuir para a criação de emprego minimamente estável e digno, e a pesar uma insignificância de 2,8% na balança das receitas, confirmam-se as vozes que aconselharam desde o início à prudência aqueles que pretendiam transformá-lo em alternativa sustentável da economia regional. Ninguém de boa fé fica satisfeito com estes resultados, mas que as cabeçadas depredadoras do orçamento público foram muitas e desnecessárias em direcção a um sector, ansioso de (impossíveis) resultados instantâneos, pouco fidelisável apenas por factores internos significantes, com forte concorrência já antes instalada a nível externo, e em declínio mundial devido à crise dos combustíveis, não tenhamos dúvidas!

Além do investimento público directo e apesar das dificuldades, salva-se afinal, com dimensão significativa, aquele para quem o poder regional, e interesses mais ou menos bem intencionados, chegaram a tramar o fim, para dar lugar ao turismo: o sector do leite e lacticínios. Numa situação de fortes vantagens para a indústria, contrastando com o agravamento da exploração dos produtores, chegam entretanto potenciais sinais positivos que (momentaneamente?) poderão restabelecer algum equilíbrio a favor destes últimos. Mas, a semelhança com os casos de indemnizações pagas por despedimento é gritante e atira-nos a economia para o cinzento escuro se, paralelamente com os 20 milhões anunciados para o sector, não forem na UE dirigidos até ao fim, pelos responsáveis regionais e nacionais, os esforços de manutenção do actual regime das quotas leiteiras.

Ou será que também isso nos irá passar por cima?
Mário Abrantes

quinta-feira, 18 de junho de 2009

ilhas: de lucidez

JNAS no Ilhas: diz hoje coisas importantes sobre os mecanismos de reprodução do poder instituído na nossa Região.

Apesar do texto ser por vezes demasiado negativista, acabando a espaços por deitar fora o menino com a água do banho autonómico, coloca algumas dos problemas que (também) acho centrais para a democracia açoriana.

A subsídio-dependência e o clientelismo que gera e, também, o mito do Turismo (na semana em que também descobrimos que os Açores são a região do país onde o turismo tem menos peso na economia), a que o autor inteligentemente chama "a cornucópia".

Vale a pena ler.

segunda-feira, 16 de março de 2009

golf e ambiente

Ao contrário do que diz Berta Cabral, não acho que as ilhas açorianas sejam campos de golf naturais.

Do ponto de vista de produto turístico, tenho muitas dúvidas que os Açores possam ser competitivos num mercado que está já saturado de oferta e cuja procura vai certamente continuar a descer, fruto da crise económica.

Mas, pior ainda, os campos golf têm seríssimos impactos ambientais que não devem ser ocultados.

Desde logo, elevadíssimos consumos de água, pelo menos no verão, comprometendo ainda mais a sustentabilidade de um recurso escasso nas nossas ilhas. Por outro lado, o uso de pesticidas e químicos nos greens, embora com o seu regulamentado, está longe de ter um impacto nulo, mesmo com a implementação de sistemas de drenagem e tratamento que, entretanto, são caríssimos.

Ainda, sobre a qualidade dos greens, diz-me quem percebe mais do que eu sobre isto, que o nosso tipo de clima e a imprevisibilidade da precipitação não permitirão termos relva de qualidade elevada, nomeadamente para competições de estatuto internacional.

Ora, com todos estas dúvidas, será que o golf é assim tão estratégico para o nosso desenvolvimento turístico?

segunda-feira, 9 de março de 2009

do palácio de Santana não se vê São Jorge

São Jorge (sem desprimor para as restantes ilhas) tem um potencial ambiental e turístico incomparável. Infelizmente tão mal aproveitado, tão carente de investimentos e infraestruturas, que por vezes ficamos com a impressão de que está tudo por fazer.

Existem dezenas fajãs com habitats únicos e ainda não adulterados, mas não existem transportes públicos que permitam aos visitantes conhecer melhor a ilha.

Existem quilómetros de natureza intocada, montanhas e paisagens de cortar a respiração, mas depois, os trilhos pedestres para os descobrir estão (quando estão de todo) mal assinalados, escondidos em mapas que ninguem tem, ou então vão sendo asfaltados ao sabor de conveniências desconhecidas.

São Jorge está bem no meio do grupo central, (em dias claros é possível ver todas as outras ilhas do grupo, aliás) mas os transportes para a ilha são raros, caros e insuficientes. As opções de alojamento também não são abundantes, a água potável é de má qualidade, os serviços de saúde são poucos e oferecem poucas respostas. Os produtos e a gastronomia local são de elevadíssima qualidade, mas pouco conhecidos e divulgados.

Ainda mais importante, os jorgenses são gente acolhedora e empenhada, que merecia que o Governo Regional desse mais atenção à sua terra. É que, se não se vê São Jorge do Palácio de Santana, de São Jorge vê-se o paraíso ambiental que os Açores podiam ser.