A recente morte de Joe Frazier, aos 67 anos, fez-me recordar a forma como derrotou Mohamed Ali num dos mais espectaculares combates de boxe de todos os tempos, que ficou para a história com o merecido nome de "the fight of the century",em 1971.Frazier, defendendo o seu título de campeão, e Ali defrontaram-se em 15 assaltos. Frazier conseguiu superiorizar-se tendo levado o seu adversário ao tapete por uma vez e acabado por vencer aos pontos, naquela que foi a primeira derrota profissional de Mohamed Ali. Um combate verdadeiramente épico.
Mas mais do que um acontecimento, este combate tem uma história: As autoridades americanas nunca perdoaram a Mohamed Ali a sua amizade com Malcolm X e a sua ligação à Nação do Islão e, pior ainda, a forma arrojada como falava publicamente sobre uma América oprimida pela discriminação racial. Por isso, alteram subitamente a sua classificação militar e tentam enviá-lo para a Guerra do Vietname. Ali recusa, é afastado dos ringues e vê o seu título de campeão do mundo ser-lhe retirado administrativamente.
Este combate, que marca o regresso de Ali à ribalta, só é possível porque é o próprio Frazier que pede publicamente ao Presidente Nixon para deixar Ali regressar aos ringues. Ali nunca o esqueceu. "The world has lost a great champion. I will always remember Joe with respect and admiration." disse ao saber da morte de Frazier.
É esta nobreza que faz do boxe algo muito mais profundo do que um desporto. A grandeza do um contra um na sua forma mais pura, em que para se vencer um adversário não basta superá-lo, é preciso superar-nos a nós próprios, diz respeito ao que há de melhor na natureza humana. Violência? Não. Poesia.
Vale a pena ver: