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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

a anti notícia


Por de trás do título "Governo quer proibir cultivo de OGM mas abre porta no futuro" esconde-se o facto, que o subserviente jornalista conseguiu não mencionar uma única vez, que, afinal, o que estava em discussão na Comissão Parlamentar onde foi ouvido o Secretário da Agricultura, era uma proposta do PCP Açores para proibir esse cultivo no nosso arquipélago!

A direcção do Açoriano Oriental nunca perdoou ao PCP ter denunciado à Comissão Nacional de Eleições a propaganda eleitoral ilegal que o AO fazia ao PS, o que levou, na altura, ao afastamento de Aníbal Pires das suas colunas de opinião. Continuam hoje, por isso, activamente, uma campanha de silenciamento sistemático e permanente do PCP, que não tem paralelo em qualquer outro órgão de comunicação social da Região. O que é triste é ver profissionais sérios a participar nisto.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

do pior ao melhor

No Jornal Público, do qual sou leitor indefectível há muito anos, temos exemplos do melhor jornalismo que se faz em Portugal mas também, infelizmente, por vezes do pior.

Assim é o caso da longa entrevista a Passos Coelho conduzida por Maria João Avilez. Passando ao lado da introdução laudatória, quase apaixonada pelo nosso PM ("o sorriso", "a postura elegante", "a voz insinuante"), ou mesmo do seu uso serôdio do português em belas frases como: "... de conclusões, aliás, inconclusivas...", por exemplo, não consigo mesmo passar ao lado das suas "palas" de pensamento único que a fazem dizer coisas tão brilhantes como "O país já sabe dessa necessidade imperiosa da consolidação!", referindo-se à necessidade de imposição de sacrifícios e que a fazem conduzir a entrevista justamente no sentido e para a linguagem que interessa ao PM.

Com grande superficialidade e clara falta de estudo dos dossiers, MJA, deixa escapar as revelações que Passos Coelho e nem se apercebe das implicações de alguma das frases do PM. Mas, sobretudo, MJA consegue dar-nos 4 páginas de entrevista onde, nem por uma vez, se mencionam as crescentes dificuldades dos portugueses, o aumento da pobreza e do desemprego, ou mesmo sequer se aborda a contestação social, como se estes assuntos não fossem nem notícia nem parte da difícil equação que cabe a Passos Coelho resolver. Definitivamente, do pior!

No mesmo dia, a honra da redacção acaba por ser salva por mais uma brilhante peça de jornalismo narrativo de Paulo Moura na Pública, onde as palavras vão para lá do cliché e da banalidade e nos transmitem, para lá da informação, uma vivência humana. Definitivamente, do melhor!

sábado, 29 de outubro de 2011

jornalismo entre aspas


É que, os dois primeiros terços da notícia estão, basicamente, entre aspas, não passando de uma longa citação dos discursos de um Deputado do PS (que no momento era, provavelmente, presidente da associação de agricultores) e do Presidente do Governo Regional. Assim, de chapa, sem mais explicação nem contraditório. No finzinho, o jornalista lá nos dá um ar da sua graça e algumas palavras da sua lavra, mas apenas para nos informar do valor do investimento em causa.

Nós, leitores, ficámos sem perceber muito bem o que faz e para que serve o centro logístico, até porque não houve ninguém que se desse ao trabalho de nos interpretar o acontecimento. Lamenta-se. Os interesses comunicacionais do Governo Regional ficaram bem servidos, o direito dos leitores a serem informados com objectividade não.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

God bless silence

Soubemos hoje pelo DI que os Estados Unidos da América procuraram interferir na divulgação de notícias sobre a contaminação de solos na Base das Lajes.Link
De acordo com um documento revelado pela Wikileaks, o consulado dos EUA e a embaixada em Lisboa pressionaram a direcção da RTP para que deixasse de publicar o que os responsáveis americanos qualificam de reportagens "negativas" sobre este assunto.

Não estou verdadeiramente surpreendido, nem pelo facto de os EUA o terem feito nem por, aparentemente, essas pressões terem resultado. Todas as notícias relativas à Base são sempre envoltas numa espessa névoa de desinformação e silenciamentos. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu em relação ao transporte ilegal de prisioneiros para Guantanamo via Lajes.

Preocupante é a indisfarçável má-consciência americana que os leva a tentar por todos os meios silenciar os danos que a Base causa aos Açores. De elogiar, a coragem do Diário Insular que, neste e noutros assuntos, não tem tido medo de afrontar a grande "vaca sagrada" da política açoriana que é a Base e as relações com os EUA.

quinta-feira, 31 de março de 2011

César! César! César!

O Açoriano Oriental de hoje, na sua edição impressa, conseguiu a rara proeza uma só declaração do Presidente do Governo Regional fazer três notícias. Três!

Se por um lado destacou na capa e notícia de página inteira a triste chantagem demagógica das "SCUT's sem portagens só com governos do PS" (o que até é bastante estranho se pensarmos na actuação de José Sócrates), ainda lhe dá outro destaque e foto, duas páginas depois, por ter declarado, na mesma ocasião da primeira notícia, que "está muito preocupado com os efeitos da crise nos Açores" (a tal crise que Carlos César, há um ano atrás, dizia que não chegaria até cá).

Mas se pensavam que o assunto estava esgotado, desenganem-se! O Açoriano Oriental ainda conseguiu colocar mais uma notícia, ainda da mesma ocasião, com a declaração do Presidente do Governo Regional em reacção a um conjunto de propostas apresentadas pelo PSD, na sua última página.

A triste figura do que já foi a referência da imprensa açoriana dá-nos a devida dimensão de onde chegam os tentáculos do poder socialista e, sobretudo, dão-nos a imagem de quem vende toda a dignidade profissional para se mostrar um bom e fiel aluno perante quem manda: César! César! César!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

vitória estatística


Destacando apenas alguns dos números publicados pelo INE, o AO vem-nos dizer que os Açores cresceram acima da média nacional, que o rendimento das famílias melhorou e que economicamente foram a melhor região do país. Numa análise numérica superficial - afinal a única que interessa ao governo embora não aos leitores - é verdade.

Tentando ir para além da superfície dos números, importa lembrar que em 2008 todo o país cresceu, fruto do aumento investimento público e que, nos Açores, esse crescimento quase paralisou em 2009. Se somarmos a esse dado o congelamento do VAB, o escasso aumento do' investimento, a redução no emprego, os encerramentos de empresas, percebemos a escassa sustentação desse crescimento. E também não podemos deixar de nos lembrar que 2008 foi ano de eleições regionais.

São números que servem sobretudo para mostrar o papel essencial do investimento público que, para lá da retórica aprendida à pressa nas escolas do pensamento neoliberal, continua a ser efectivamente o motor da economia portuguesa e, de forma ainda mais clara, da açoriana. Portanto, já todos podemos imaginar o que vai acontecer em 2011, com as medidas de austeridade. Só que isto, infelizmente, para o AO não foi notícia.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

conselhos à redacção


As acusações de calúnia e mentira que Carlos César repetiu no Parlamento Regional sobre a cobertura noticiosa do escândalo das bolsas de estudo para os pilotos aviadores demonstram que os tempos dos jornalistas bem comportados, que iam pedir desculpa e tudo ao Senhor Presidente do Governo Regional por causa das reportagens que faziam, estão a mudar. E ainda bem!

Agora o que Presidente do governo Regional quer esquecer é que para cada jornal que o ataca continua a haver uma dezena deles que se limita a citar sem aspas os comunicados governamentais, travestindo propaganda em informação e, sobretudo, silenciando seja o que for que possa ser crítico da acção governativa. Alguém precisa de exemplos?

Tendo todo o direito de ter uma opinião sobre o que se publica (ou não), fica mal a utilização da sua posição institucional para dar conselhos aos jornalistas. Era melhor limitar-se a governar a Região e a enfrentar os seus verdadeiros problemas.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

jornalismo de grau zero


O facto é que o título da notícia não tem nada a ver com o que se noticia (a discussão de uma proposta numa comissão do Parlamento), sendo antes a opinião de um dos actores da notícia (o Governo Regional, claro!).

É um exemplo mas poderia dar muitos outroas. Também comum é o costume em vários jornais regionais de noticiarem uma qualquer tomada de posição de um partido da oposição, citando apenas a resposta do Governo, chegando ao cúmulo, nalguns casos, de nem sequer mencionarem qual a força partidária que criticou!

Jornalismo de nível zero, mostrando bem o grau de influência, difusa ou concreta, que o partido do Governo tem sobre muitos profissionais da informação nos Açores. Se isto incomóda os cidadãos atentos, imagino o que fará aos jornalistas que com integridade procuram dignificar a profissão... Lamentável!

terça-feira, 27 de julho de 2010

stress patriótico

Depois da euforia patriótica sobre os excelentes resultados da banca nacional nos testes de stress, começam a surgir as primeiras dúvidas sobre a sua validade e resultado prático (ver aqui, aqui e aqui).

Foi chocante a leviandade com que os principais média (referência incluídos) trataram este assunto. A avaliação da solidez financeira das instituições é um assunto muito mais complexo do que um simples rating com vencedores e vencidos. Mas, a euforia patriótica invadiu as redacções e o que vemos, ouvimos e lemos (e não pudémos ignorar) foram as loas à ditosa pátria que bancos tão sólidos tem.

Esta postura generalizada mostra-nos bem como o pensamento único se difunde e a dimensão do fenómeno de contaminação de opinião entre os meios de comunicação. Entre dezenas (centenas?) de títulos, todos se limitaram a repetir a mesma coisa, sem preocupação de aprofundar o conteúdo da notícia ou de lhe dar outra abordagem.

A noção de que os portugueses estão fartos de más notícias deverá ter pesado alguma coisa nesta opção. Aliás, sobre a "crise" esta é uma atitude recorrente: a crise é frequentemente abordada como uma fatalidade, uma catástrofe natural, uma tempestade que se espera que passe, associada a um empolamento por vezes pouco avisado de todas as résteas de esperança que possam surgir no horizonte. Como se o papel dos média fosse o de dar sobretudo boas notícias e de tentar ignorar os medos que a situação nos causa a todos. Profissionais da informação incluídos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

publicidade institucional: transparência e exigência

É a primeira vez que existe uma discusão pública, séria e profunda sobre a distribuição da publicidade institucional nos Açores. E isso só pode ser um sinal positivo para a nossa democracia insular.
A velha proposta do PSD de estipular rigidamente todos os critérios e estabelecer mecanismos automáticos de distribuição mecânica dos investimentos da região em publicidade é um perfeito disparate. As necessidades de comunicação institucional precisam de maior flexibilidade.
Claro que é melhor do que a proposta do PS que foi a de prometer legislar, mas nada fazer.
Para impedir, ou pelo menos limitar, a utilização dos fundos públicos para fins políticos pelo Governo precisamos de duas coisas:

- Transparência: e foi nesse sentido a proposta do PCP aprovada pelo Parlamento Regional obrigando o Governo a apresentar um Relatório anual detalhado sobre a aquisição de publicidade. Pena é que o PS excluisse dele as grandes empresas públicas que fazem avultados investimentos nesta área, como a SATA ou a AtlÂnticoline. Para o PS transparência "ma non troppo".

- Exigência: Se a pressão política da opinião pública logrou que finalmente se legislasse sobre a matéria, poderá conseguir também, sem dúvida, que a actuação do governo se paute por maior rigor. Essa exigência compete aos cidadãos, às forças políticas e, em primeiro lugar, talvez, aos próprios profissionais da informação. O silêncio do Sindicato dos Jornalistas nesta polémica é um mau sinal, especialmente se levarmos em conta que envolve também um órgão de comunicação social sem nenhum jornalista profissional e com algumas dúvidas sobre a sua legalidade. Outra atitude impõem-se.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

que fazer com esta liberdade?


Faz sentido assinalá-lo, por esse mundo fora, em nome dos muitos jornalistas presos, assassinados, exilados ou pura e simplesmente silenciados por esse mundo fora. E, afinal, são mesmo muitos mais do que julgaríamos possível na nossa época.

Mas faz sentido, também, assinalá-lo nos Açores onde a liberdade de imprensa continua a sofrer outro tipo de atropelos. Porventura mais subtis, mas igualmente reais e impositivos.

Porque somos uma Região onde a autocensura existe. Onde jornalistas que escrevem notícias que desagradam ao poder instituído, são obrigados por directores solícitos a pedir humildes desculpas aos governantes, onde se receia "o furo" e a opinião de ruptura. Somos uma Região onde se saneiam colunistas por opiniões políticas perante o silêncio geral. Somos uma Região onde o Governo aceita que se legisle sobre a publicidade institucional, desde que essa legislação não abranja as empresas públicas, que são os únicos anunciantes com peso, porque querem poder continuar a condicionar a sobrevivência e a modelar a opinião dos órgãos de comunicação social. Somos uma Região onde grande parte dos jornalistas é precário, ou mesmo part-time e onde as decisões editoriais são cuidadosamente centralizadas em Ponta Delgada, ou mais longe ainda. Somos uma Região pequena, onde toda a gente se conhece, feita de meios pequenos, que não convidam nem recompensam jornais e jornalistas incómodos.

Também nos Açores faz todo o sentido assinalar o Dia Mundial da Liberdade de imprensa porque ainda somos uma Região onde a verdade tem um preço.

terça-feira, 20 de abril de 2010

175 anos é muito tempo

O Açoriano Oriental comemorou, este passado domingo, 175 anos de existência. É muito significativo que o mais antigo jornal português seja açoriano e ensina-nos uma lição sobre estas ilhas e o seu povo.

175 anos é muito tempo. Sobretudo acrescenta à respeitabilidade da informação e à expectativa de quem a lê e, logo, à responsabilidade de quem a faz. Não quero, ao assinalar o aniversário do AO, relembrar os momentos menos bons, que os tem havido, até porque os directores e os políticos vão e vêm. Fica, o papel incontornável, de um jornal na história de uma Região. Fica a teimosia empenhada de quem todos os dias faz das tripas coração para pôr o jornal na rua. Este aniversário é deles.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

79 anos de liberdade

Não podia deixar de assinalar os 79 anos do Jornal Avante! que hoje se cumprem. Foram 75 anos de edição ininterrupta, atravessando todo o período da ditadura. Redigido e impresso clandestinamente, distribuído com o risco e sacrifício de muitos e muitos comunistas e outros democratas, o Avante! permaneceu a única voz livre e a única fonte de informação a escapar às malhas da censura. A história deste jornal é toda uma aventura feita a andar com a tipografia às costas, de máquinas de escrever dentro de caixas de madeira para abafar o ruído, de pacotes anónimos deixados em locais combinados, de papeis passados a medo, de mão em mão, de palavras livres a riscar esperanças num país cinzento. Foi (é) sobretudo uma história de determinação.

Os dias que hoje vivemos em Portugal tornam clara a tendência do poder político para recorrer a todos os meios para controlar a informação a informação que chega aos cidadãos, a leitura das páginas do Avante! convida-nos a uma reflexão também sobre a importância de um jornalismo comprometido com valores, envolvido na sociedade que o rodeia, mas, sobretudo, livre.

Vale a pena dar uma olhada a todas as edições do Avante! clandestino (1931-1974), que se encontram livremente disponíveis aqui.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

idiotas completamente inúteis


Ao ocupar uma posição tranquilamente simbólica e gostosamente remunerada como a de Presidente-não-executivo (para que é que serve uma coisa dessas?) da PT, Henrique Granadeiro, na certa, nunca imaginaria ver-se metido em tais alhadas. É muito chato ser-se o último a saber. Dá-nos a dimensão exacta da nossa própria utilidade.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

tapar o sol com a providência

Providência cautelar tenta impedir publicação de mais escutas no semanário "Sol"

Sem discutir a legitimidade jurídica da providência cautelar, o que é certo é que a imagem que os envolvidos transmitem é terrível. Se as escutas não os envolvem em nada ilegal, porquê toda esta intranquilidade?

Impedir a saída de um grande semanário nacional não é brincadeira nenhuma e mostra-nos que alguém está disposto a tudo para a impedir a sua divulgação. Ficam muito poucas dúvidas que o conteúdo destas, seja ele qual for, é certamente bombástico. Paradoxalmente, esta tentativa pública de ocultação poderá acabar por ditar a morte política de José Sócrates. Se é que ela não aconteceu já. Novas eleições à vista?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

o lado oculto do Governo


E quem o diz é um procurador do Ministério Público. O Plano de Sócrates para dominar um conjunto de órgãos de comunicação social e silenciar alguns jornalistas incómodos é uma forma subtil, mas inequívoca, de golpe de estado.

Para parte dos nossos governantes o jogo democrático já nada tem a ver com políticas ou a visão que se tem para o país, mas simplesmente a sobrevivência, o manter-se no poder a todo o custo. Enredados numa complexa teia de influências, compadrios e corrupções o objectivo deixa de ser governar, mas apenas ir obtendo vantagens e satisfazendo clientelas e interesses a quem se deve favores. A decadência de todos os regimes, historicamente, começa passado sempre pela corrupção dos seus governantes. Para onde caminhamos?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

será mesmo o fim da linha?

Mário Crespo afastado das páginas do JN por artigo que desagradou ao Governo

Já aqui neste blog, elogiei publicamente Mário Crespo por expor com coragem verdades incómodas e por não permitir que os ocupantes momentâneos do poder intimidassem o jornalista que, armado do seu espírito crítico e da importância social da sua profissão, analisa a realidade e critica quem deve criticar, denuncia o que deve denunciar, incomoda quem deve incomodar. Há, infelizmente, um preço a pagar por esta postura.

E, infelizmente, não me parece que isto seja o fim da linha. Se, por enquanto, a questão parece reduzir-se aos jornalistas e comentadores profissionais, o crescimento de importância da blogosfera, faz temer que também os bloggers possam ser sujeitos a pressões, se o não são ainda.

Mas vale a pena perguntar: Quantos de nós não contribuímos tantas vezes com o silêncio cauteloso, cúmplice ou cobarde para permitir que se continue a intimidar, amordaçar e a despedir quem exerce a sua liberdade de expressão neste país? E quando chegar a nossa vez? Haverá alguém a levantar a sua voz pelo nosso direito?

Leia aqui, na íntegra, o artigo que o JN recusou publicar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

local é (que é) notícia

Já está disponível online o jornal O Baluarte de Santa Maria. Um bom exemplo de como se pode fazer bom jornalismo local, sem ter de se fechar ao mundo. A plataforma online vai com certeza alargar muito o Baluarte. Boas notícias!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

definitivamente, estamos mal servidos

A informação, quando não é isenta, releva (ou não releva) factos e acontecimentos segundo critérios jornalísticos que escapam à deontologia da profissão, visando, sob as vestes da sua simples condição, atingir capciosamente algo mais do que informar. Talvez por isso, sendo notícia aparentemente obrigatória e corrente, a das eleições que se vão passando pelo mundo, poucos terão sido aqueles que, assoberbados a digerir a informação relativa às eleições promovidas pelos golpistas das Honduras, se deram conta das eleições presidenciais ocorridas quase em simultâneo em outro país da América Latina, o Uruguai, bem como daquelas outras que, uma semana depois, atribuíram quase 2/3 dos votos descarregados (63%) a Evo Morales, na Bolívia.

De Evo Morales, defensor declarado do socialismo e o primeiro índio sul-americano a ser eleito Presidente, apenas se guarda, nesta Europa da livre informação, a imagem de um estadista debilitado, com uma forte e influente oposição, num país à beira de um golpe de estado. Os resultados de dia 6 do corrente, por revelarem um “status quo” bem diferente do anteriormente anunciado, constituiriam (julgo eu) informação de relevo, no entanto praticamente passaram despercebidos…

Quanto ao Uruguai, de facto, no passado dia 29 de Novembro, um ex- “Tupamaro” (movimento guerrilheiro dos anos 60), chamado José Pepe Mujica, actualmente com 74 anos e candidato de uma formação de esquerda, a “Frente Ampla”, venceu as presidenciais à 2ª volta.

Para lá de comentar o sussurro quase inaudível que nos chegou deste acontecimento, prefiro salientar, excertos do discurso subsequente do vencedor, na senda, aliás de outro ex-guerrilheiro - Nelson Mandela, após a sua vitória presidencial: “Não há nem vencidos nem vencedores, apenas elegemos um governo que não é dono da verdade, que precisa de todos. Ter votos a mais não significa que sejamos donos da sociedade, muito menos que a nossa verdade seja imaculada. O meu reconhecimento aos outros candidatos, nossos irmãos de sangue, a quem peço desculpa se em algum momento o meu temperamento de combatente fez a minha língua ir longe de mais. A minha saudação a todos os irmãos da América Latina que representam um continente que se tenta unir como pode.” E, apesar da maioria absoluta alcançada pelo seu partido, o novo presidente, mostrou-se totalmente disposto a assinar acordos com a oposição sobre temas como a Educação, Segurança, Energia ou Ambiente, e a partilhar com ela alguns ministérios do novo governo.

Salvaguardadas as devidas distâncias político-geográficas, e tendo em conta a actual situação nacional e regional, ou recordando certos discursos debitados após o nosso ciclo eleitoral recente, algum estimado Leitor esperaria por ventura ver sair da boca de um Cavaco Silva, José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Carlos César ou Berta Cabral, expressões com o mesmo sentido daquelas que atrás referimos? Mas, em minha opinião, é precisamente desse sentido humanista de raiz que o nosso comportamento e acção políticos estão carentes. É de uma outra envergadura político/partidária, não exclusivista, e de um verdadeiro espírito de servir que, sobretudo quando (como actualmente acontece) os tempos são de recessão e de instabilidade social, o País e a Região estão profundamente necessitados.

Definitivamente, estamos mal servidos…
Mário Abrantes

sábado, 21 de novembro de 2009

informar é isto

Mais um exemplo de grande fotojornalismo do Jornal Público, que tão frequentemente critico, mas a quem mais uma vez tiro o meu chapéu por ter publicado em primeira página esta foto de Nelson Garrido. Tenho a certeza que, nesta nescolha, não terá sido indiferente a opinião do meu bom amigo Sérgio Gomes.

A imagem consegue comunicar de maneira imediata, concreta e irredutível a dimensão do drama humano da situação dos trabalhadores da Rhode. Perante uma imagem como esta é impossível ficar indiferente. Informar é isto.

(já me esquecia de agradecer a foto ao Tempo das Cerejas)