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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

estoirou

O Banif Açores pediu a insolvência da Castanheira e Soares. O tal banco, que já foi BCA, que até já foi público, pertencendo à Região, que iria ajudar a sustentar o desenvolvimento dos Açores tem agora outras prioridades. O tempo das preocupações sociais com as muitas centenas de empregos que dependem da Castanheira e Soares já lá vão. A questão agora é o lucro puro e simples dos seus accionistas. Foi isto que ganhámos em privatizá-lo.

Quanto à construtora, a verdade é que, como todas as outras, sempre se agarrou à dependência total do investimento público e à política do betão, que incentivaram e da qual foram, até tempos recentes, grandes beneficiários. Igualmente, o caso nebuloso da Escola Profissional de São Jorge, que a justiça tarda em aclarar, associado à recusa de intervenção por parte do Governo Regional, só podiam dar nisto. 

Como escrevi aqui, o tempo do betão acabou. Governo, Câmaras e Freguesias paralisaram todos os seus investimentos. Começou o tempo da explosão das grandes firmas empregadoras açorianas. Que efeitos é que isto terá em ilhas como São Jorge ou Flores?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

a força do betão

Foto de João Vasco
A situação do sector da construção civil nos Açores está a tornar-se dramática e a de muitos dos seus trabalhadores, verdadeiramente trágica. É o próprio Presidente da AICOPA que vem dar razão ao que escrevi, aqui mesmo, em Novembro de 2009, sobre os dias difíceis que já há muito se adivinhavam para este sector e, em consequência, para uma fatia significativa dos trabalhadores açorianos.

A construção é um sector que acaba por ter um impacto em toda a actividade económica das ilhas. Absorve muita mão-de-obra não qualificada, dá trabalho às empresas locais (trabalhos especializados, materiais de construção), é estimulado pelo próprio sector bancário que se envolve em todo o processo, emprestando ao dono da obra, ao empreiteiro e, até ao pequeno subempreiteiro, e, cereja no topo do bolo, fornece belas obras para os governantes inaugurarem, que se permanecem, à vista de todos, como permanente e sólida propaganda eleitoral.

Assenta naquela mesma visão simplista e distorcida do desenvolvimento regional que levou à construção das Portas do Mar ou de um casino em Ponta Delgada. Baseia-se num modelo de desenvolvimento artificial, sustentado pelo crédito sem sustentação, que permitiu disfarçar alguns dos problemas estruturais da economia açoriana. As construtoras tornaram-se das maiores e mais lucrativas empresas da Região, ao mesmo tempo que os seus trabalhadores eram dos pior remunerados, com menos condições, com mais precariedade.

Tudo mudou. A torneira do crédito fechou-se. Acabaram-se os dias do desenvolvimento económico à força de betão. Mas ficamos com um gravíssimo problema para resolver: que fazer, no imediato, aos milhares de açorianos que dependem deste sector? E para isso, não há nenhuma resposta simples.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

odeio ter razão



Como escrevi no post anterior, outras empresas da construção civil dos Açores iam começar a passar rapidamente por dificuldades sérias. Só não esperava que a dimensão do problema se tornasse óbvia tão depressa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

trabalhar nas obras


Numa semana em que soubémos que para além do Hotel das Furnas, há já mais duas empresas que pretendem reduzir a actividade, o DI anuncia que os trabalhadores de uma empresa do sector da construção na Terceira estão sem receber desde Agosto. Agosto!

Supostamente o problema relaciona-se com atrasos de pagamentos de Câmaras Municipais, mas tenho para mim que o fundo do problema é outro: temos nos Açores, como em Portugal, um sector da construção civil sobredimensionado que nasceu na senda quer dos processos de reconstrução após sismos, quer na de um modelo de desenvolvimento económico assente em grandes obras públicas, alimentadas com fundos europeus. Um modelo insustentável que teria, sempre, de resultar nesta situação mal se começasse a fechar a eurotorneira dos milhões.

Esse tempo acabou e agora temos um problema sério. A construção emprega uma parte muito significativa dos trabalhadores açorianos. E emprega-os normalmente mal: precários, sem direitos, com elevadíssimos níveis de sinistralidade, baixos salários, baixíssimas qualificações. As situações de falências e problemas financeiros graves nas empresas de construção vão continuar a suceder-se e vem aí mais uma horda de novos desempregados, a que não sabemos muito bem o que fazer.

Isto é verdadeiramente triste: não temos nada para oferecer àqueles que, com o seu duro trabalho, construiram esta modernidade que damos por garantida e de cujos braços nasceu muito do nosso progresso. Que raio do mundo andamos a criar?