A maioria PSD/CDS-PP apresentou uma alteração ao Orçamento de Estado para obrigar as autarquias a reduzirem o número dos seus funcionários, sob pena de verem cortadas as verbas essenciais que recebem da República.
Através de um sistema escalonado, que premeia as câmaras que sejam mais eficazes a despedir pessoal, procura-se (mais) uma redução do número de funcionários da administração local, num processo que já começou há vários anos atrás.
Houve um tempo em que ser servidor público era não só uma posição respeitada e invejada. Anos de uma campanha de desvalorização salarial e profissional, calúnia e enxovalho público, – como se fossem eles os grandes responsáveis dos problemas do país – acompanhados de péssimas práticas de gestão por parte de responsáveis políticos, destruíram a imagem pública dos trabalhadores dos Estado.
As gorduras do Estado não são os funcionários públicos, pelo contrário (tendo em conta a redução do seu salário real nas últimas décadas estes estão é cada vez mais magros!). Não se nega que existem muitas situações de aplicação pouco eficaz dos recursos humanos das autarquias, mas são da responsabilidade dos gestores e eleitos locais, não dos trabalhadores.
A redução de funcionários é a forma mais direta de pôr em causa a qualidade dos serviços prestados e a capacidade de dar resposta às solicitações dos cidadãos. É, porventura, a última coisa em que um bom gestor deve cortar.
A diminuição do número de funcionários públicos das últimas décadas tem dado um contributo decisivo para o aumento do desemprego em Portugal, não só pela redução direta de empregos, como também, de forma indireta, pelos seus efeitos sobre o poder de compra da população. Numa situação como a vivemos, estes cortes são uma política criminosa de incentivo ao desemprego.
Registo o paradoxo de se apelar às empresas do sector privado para manterem ou mesmo aumentarem os seus postos de trabalho, enquanto é o Estado o primeiro a fazer tudo o possível para reduzi-los na Administração Pública. Também aqui o mau exemplo vem de cima.
Texto publicado no Diário Insular
6 Dez 2011



