Mostrar mensagens com a etiqueta igreja católica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta igreja católica. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 11 de maio de 2010

dedicado a expensas públicas


A escolha do local para uma celebração religiosa multitudionária com o Papa, foi tudo menos acidental. O Terreiro do Paço, histórica sede do poder político em Portugal, onde sucederam tantos e tantos momentos decisivos da nossa história, possui ainda uma enorme carga simbólica, que a igreja católica, nitidamente, pretende explorar a seu favor.

É, de certa forma, um insulto aos portugueses que o conceberam e que aí lutaram e viveram, sejam ele os restauradores da independência, Pombal, os revoltosos republicanos ou mesmo às chaimites de Salgueiro Maia. É, sobretudo, a negação da natureza laica do Estado Democrático e uma demonstração de força por parte da igreja. A tolerância de ponto concedida, o encerramento de escolas, os cortes de trânsito e o não disfarçado apoio estatal envergonham-nos.

Tivemos de esperar até 2010, por um governo laico e socialista e por um presidente da Câmara socialista e laico, para deixarmos assim, invadir o espaço mais simbólico da nossa República. A inscrição do arco que coroa a praça soará, hoje à tarde, como uma triste ironia: "Às Virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento. Dedicado a expensas públicas."

sexta-feira, 24 de julho de 2009

laicos graças a deus

Padres do Centro de Lisboa declaram apoio a Santana Lopes

Pronto. Nem vou falar deste antigo e estranho entusiasmo de muita da igreja católica por tudo o que seja de direita ou traga um odor reaccionário de outras épocas, como se os verdadeiros valores cristãos por acaso até não estivessem bem mais próximos do humanismo integral defendido pela esquerda. São as opções de cada um. compete-me respeitar e faço-o sem reservas.

Agora, o que não posso mesmo silenciar é essa continuada prática da igreja católica portuguesa de se imiscuir directamente na vida política do país. Este pequeno incidente dos padres da Baixa de Lisboa espelha, à sua escala, a atitude habitual da Conferência Episcopal que, nos seus comunicados, despudoradamente se imiscui no que não tem nada que imiscuir.

Seria disparatado tentar negar a importância social da instituição igreja católica. Mas, essa importância não lhe permite violar impunemente as regras do jogo democrático e, pior que isso, obliterar um dos pilares fundamentais do nosso sistema político: a saudável e total separação entre a igreja e o Estado. É que, por enquanto, vivemos num país laico, graças a Deus!