Ao aproximar-se mais um Dia Internacional da Mulher, em boa hora o INE publicou um conjunto de estatísticas sobre a situação das mulheres em Portugal.Nelas, encontramos muitas evoluções positivas, fruto das mudanças na nossa sociedade nos últimos 36 anos. Talvez uma das mais significativas, a forma como têm aumentado as qualificações das mulheres em Portugal que fazem com que, por exemplo, representem já mais de 50% dos doutorados das universidades portuguesas.

Em comparação com essa realidade, a maneira como o desemprego as afecta muito mais do que aos homens é chocante. Mas muito mais chocante é o facto de que a taxa de desemprego feminino aumentar quanto maiores forem as qualificações, atingindo os 10,2% entre mulheres licenciadas e "apenas" cerca de 10% entre as que têm o ensino básico ou menos. Portanto, quanto mais formadas, menos empregáveis! Um número que nos diz muito sobre os níveis de integração tecnológica nas nossas empresas e sobre as políticas de recursos humanos de muitos dos nossos empresários. O que querem é mão de obra frágil, dependente, barata e descartável. As mulheres têm sido as vítimas mais óbvias desta política. Até quando?