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quinta-feira, 22 de abril de 2010
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
muros
Celebração da Europa reunificada. 20 anos sobre a queda do Muro de Berlim. Vá-se lá saber porquê, mas foi uma festa desproporcionada, bem superior e mais internacionalmente emoldurada que aquela outra, já corriqueira (?) e humilde, da celebração do armistício que pôs fim à mais violenta, sangrenta e mortífera guerra suportada pela humanidade (e pela Europa em particular): a 2ª Guerra Mundial...A festa foi grande e bem publicitada, apesar de comemorar resultados bem mais discutíveis e abstractos, para a Paz e para o futuro da Europa, que os da Grande Guerra. Gente importante mostrou-se aos olhos do Mundo, mas o povo não se lhes juntou nas ruas a comemorar esta outra paz proclamada…
Bem pelo contrário, no mesmo dia do festim da queda dos dominós gigantes em Berlim, uma sondagem (segundo notícia insuspeita de um correspondente da TSF) concluía que os alemães de Leste consideravam a reunificação como um logro, confessando, a esmagadora maioria, que se sentiam bem na antiga Alemanha Democrática e (pasme-se), numa percentagem significativa, até defendiam a reconstrução do muro!
E o correspondente remata sem hesitações: No Leste da Alemanha, grassa hoje o desemprego, os salários são mais baixos e o PIB é apenas 1/3 do registado no lado ocidental do País.
Mas a surpresa maior ainda ficou por vir, tanto para este correspondente português, como para qualquer outro cidadão. Um seu colega, do Jornal o Público, captou da Chanceler alemã, em pleno afã comemorativo dos 20 anos da queda do Muro, um desabafo capaz de fazer gelar o sangue a qualquer maniqueísta, comum a tantos outros que por aí persistem a agitar a maldade do comunismo contra as virtudes do capitalismo: “Nem tudo era preto no branco na antiga RDA”…”Eu era feliz e não tenciono esquecer os 35 anos de vida que ali passei”. Palavras de Ângela Merkel, cuja família se mudou do lado ocidental para a RDA em 1954. Não, não me enganei, caro Leitor. A actual Chanceler alemã não foi mais uma das vítimas do regime que, ambicionando alcançar “o paraíso da liberdade”, saltou desesperada o muro para o lado de cá. Ela mudou para lá, para a boca do lobo, e sentiu-se bem durante 35 anos…
Adquirido que está que o sistema implantado na RDA e noutros países, ditos do socialismo real, apresentava erros estruturais e por isso mesmo fraquejou e sucumbiu às investidas do império ocidental, cheiram-me no entanto a balofas (ideológicas?) estas ganas de sobredimensionar a festa da queda do Muro. Cheira-me a aproveitamento demagógico para ofuscar os erros estruturais de um outro sistema, que alguns até entendem representar o fim da história, mas que se tem revelado padrasto da Paz e da Harmonia entre os Povos e as Nações, padrasto do progresso socialmente justo que merecemos e porfiamos.
Exemplos não faltam e veja-se apenas mais um: Os glorificadores da queda do muro na Europa, como símbolo de reconciliação e reunificação, não hesitaram, entretanto, em promover posteriormente a construção de outros muros tão ou mais insanos e cristalizadores de divisões como aquele. Falo-vos daquele que foi erguido entre Israelitas e Palestinianos, na Faixa de Gaza, e, chamando-lhe fronteira, daquele outro, construído entre o México e os Estados Unidos da América do Norte.
Para lembrar que existem, e para que caiam depressa…
Mário Abrantes
sábado, 6 de junho de 2009
o dia que mudou a guerra

Há 65 anos atrás, dava-se o desembarque das forças aliadas na Normandia.
A criação desta segunda frente, juntamente com o imparável avanço do Exército Vermelho a Leste, colocaram o III Reich entre as pinças da tenaz que havia de decretar a derrota final do monstro nazi.
Mais de 10.000 soldados ingleses, americanos, australianos, canadianos e de outras nacionalidades morreram a desembarcar nas praias de Juno, Omaha, Sword e outras. O seu esforço não foi em vão.
A criação desta segunda frente, juntamente com o imparável avanço do Exército Vermelho a Leste, colocaram o III Reich entre as pinças da tenaz que havia de decretar a derrota final do monstro nazi.
Mais de 10.000 soldados ingleses, americanos, australianos, canadianos e de outras nacionalidades morreram a desembarcar nas praias de Juno, Omaha, Sword e outras. O seu esforço não foi em vão.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
o 28 de Maio e os comícios
83 anos passados da chamada revolução do 28 de Maio, que através de um golpe militar, liquidou a Primeira República e instaurou a Ditadura Nacional e, depois de 1933, o Estado Novo (ou o fascismo, para os mais desprevenidos), cito a mais recente publicação sobre a matéria (de Fernando Rosas e Outros) intitulada Tribunais Políticos: “Entre 1926 e 1974, existiram e funcionaram ininterruptamente tribunais especialmente criados para julgar o que a Ditadura Militar e o Estado Novo consideraram crimes políticos e sociais ou crimes contra a segurança do Estado”. Enquanto funcionaram, estes tribunais políticos do regime julgaram (e condenaram, na maior parte dos casos) 14.041 portugueses, cujos nomes aparecem referenciados nominalmente, um a um, na mesma publicação. A esmagadora maioria destes julgamentos punitivos, hoje obviamente ilícitos à luz do direito democrático (mas de cujos prejuízos físicos, morais e até mortais causados, nunca as vítimas ou seus familiares foram convenientemente ressarcidos pela Democracia), constituíam o culminar da intervenção da polícia política e incidiam sobre o exercício de garantias fundamentais dos cidadãos, proibição de partidos, associações e sindicatos livres, censura e repressão das mais diversas formas de expressão e de manifestação.83 anos passados, há quem, desencantado(a) com a democracia portuguesa, e tendo de facto (forçoso é reconhecê-lo) boas razões para tal, exorciza os partidos, os “políticos”, ou as eleições e, em jeito de desabafo, clama por um novo Salazar. A esses apenas me ocorre dizer, falando metaforicamente e lembrando o aniversário da instauração do fascismo, que não é pelo segundo casamento estar a correr mal que se anulam as razões do divórcio do primeiro…
83 anos passados, há quem, opte pelo alheamento activo da coisa política e procure influenciar outros no mesmo sentido, proclamando como boa a sua desvinculação (e sugerindo a dos outros) de quaisquer responsabilidades pelos destinos comuns da sociedade. A esses, e porque a sociedade pressupõe, pela sua própria natureza, um mínimo de organização, apenas direi que seriam bem mais honestos se proclamassem o que verdadeiramente lhes vai na alma, isto é: “Deixa estar no poleiro os que lá estão, que eu assim é que me vou safando…”
83 anos passados, há outra vez quem, com altas responsabilidades políticas no país e com alta cobertura mediática, estou em crer que inadvertido(a) da própria lógica intrínseca, proponha (a brincar?) a suspensão da Democracia por uns meses, ou decrete de forma perfeitamente descontraída a era do fim dos comícios (quem diz dos comícios, diz das manifestações, e doutras coisas proibidas que os Tribunais Políticos julgavam, antes de Abril de 74).
A era dos comícios acabou para esses porque simplesmente, de tanto enganarem os seus participantes nos comícios anteriores, se viram incapacitados de convencer quem quer que seja a comparecer livremente aos comícios de hoje. Para outros, só não acabou porque, estando no poder, isso possibilita compor a plateia com a participação “voluntária” de muitos daqueles que ocupam cargos nas instituições públicas ou dos que não passam sem certos favores institucionais.
Mas, não estando no poder, só junta (de forma aliás inédita em campanha eleitoral) o número incontestado de 85.000 participantes num comício de protesto e luta, quem traz alguma razão consigo e não engana os que nele participam… E estes, por sua vez, sendo cidadãos tal como os outros de que falei antes, apenas recusam quedar-se pelo abstencionismo desencantado ou pela conveniência de serem apolíticos.
Mário Abrantes
terça-feira, 19 de maio de 2009
os Açores no centro do mundo
No dia 17 de Maio de 1919, o Capitão Albert C. Read e a sua tripulação de cinco homens a bordo do Curtiss NC-4, aterravam na cidade da Horta, naquela que viria a ser a primeira travessia aérea do Atlântico Norte.Abriam assim caminho para o estabelecimento de rotas aéreas regulares que faziam escala obrigatória no nosso arquipélago. A bordo destes aviões chegaram e partiram pessoas, ideias, desenvolvimento, cultura e uma parte incontornável da nossa história.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
amigos da águia
Há novos documentos desclassificados sobre a invasão Indonésia a Timor, que revelam que o Presidente norte-americano, Gerald Ford, para retirar força a Lisboa, devido à Base das Lajes, ilha Terceira, ameaçou apoiar a independência dos Açores e provocar a saída de Portugal da Nato.Para garantir que Portugal não iria reagir perante a invasão indonésia de Timor-Leste, os EUA não hesitaram em recorrer a todos os meios, entre os quais financiar grupos marginais independentistas, e usá-los como sinistra moeda de troca para garantir o silêncio português perante os crimes indonésios contra o povo de Timor-Leste. É o que já se sabia, mas agora com provas vindas dos próprios norte-americanos.
Uma lição para os que teimam em confundir a amizade com o povo americano, (que acolheu e acolhe milhares de açorianos), com subserviência à administração americana que, nesta como noutras matérias, não esteve objectivamente ao nosso lado e não hesitou em utilizar a nossa amizade para os seus próprios fins.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Guernica
António Abreu, no seu blog Antreus chamou a atenção para este belo filme sobre a tragédia deu Guernica e ao quadro que a tornou famosa.
Vale a pena ver!
Vale a pena ver!
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
o século da esquerda
O Diário.info publicou a interessante conferência do filósofo italiano Doménico Losurdo sobre o movimento comunista no século XX.Os grandes avanços civilizacionais deste século estão indelevelmente ligados à luta contra a discriminação nas suas vertentes, racial, sexual e censitária, causas cuja defesa foi sempre encabeçada pelos comunistas e outras forças de esquerda.
Para além das vitórias sobre o imperialismo e sobre o nazi-fascismo, é importante não esquecer o papel desempenhado pelos países socialistas e pelas forças de esquerda na luta pela auto-determinação dos povos e contra as discriminações raciais, que permitiram mudar radicalmente o mapa do mundo e emancipar a maior parte da humanidade.
Também na igualdade, liberdade sexual e direitos das mulheres houve progressos inigualáveis.
Mas, talvez ainda mais importante, inaugurou-se uma nova época de progresso, com a afirmação da igualdade social como um valor basilar das nossas sociedades e, num processo ainda incompleto, deram-se passos de gigante no combate à desigualdade social e na criação do Estado Social, que permita o velho sonho da "maior felicidade possível para o maior número de indivíduos".
Estas conquistas e estes avanços são um incontornável património da esquerda, a que a direita e a social-democracia tardias tiveram, de forma mais ou menos contrafeita, de aderir.
E o autor coloca a questão com muita clareza: "A superação das três grandes discriminações foi tornada possível por um duplo movimento: com as numerosas e grandes revoluções a partir de baixo, que se desenvolveram quer nas metrópoles capitalistas quer nas colónias e muitas vezes inspiradas pela revolução de Outubro e pelo movimento comunista, combinaram-se revoluções pela cúpula, promovidas com o fim de impedir novas revoluções a partir de baixo e de defrontar o desafio do movimento comunista.
Fazem parte da democracia, como hoje é geralmente entendida, também os direitos económicos e sociais (direitos ao trabalho, à saúde, à instrução, etc.) E é justamente o grande patriarca do neo-liberalismo, Hayek, quem denuncia o facto de a sua teorização e a sua presença no Ocidente remeterem para a influência, considerada por ele funesta, da “revolução marxista russa”. Por conseguinte, o Estado social que se realizou no Ocidente, quer dizer, a tentativa de pôr limites ao pleno desdobramento do poder económico-social da riqueza, não pode ser pensado sem o impulso e o desafio provenientes da revolução de Outubro. "
Os desafios que se nos colocam no século XXI obrigam a que se tenha plena consciência e memória destas conquistas. E orgulho, também.
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