
Bem sei que as questões da crise económica e social (é social também, sim!) se tornam um tema obsessivo deste blogue, mas é impossível passar ao lado dos problemas mais graves e mais duramente sentidos pelos portugueses. Há demasiada coisa em jogo.
Sendo certo que esta crise está no âmbito das crises cíclicas que fazem parte da natureza do sistema capitalista, a verdade é que as suas dimensões - ligadas à interdependência e expansão internacional do capital - a colocam num patamar superior a qualquer coisa que tenhamos visto até agora. Mesmo em 1929.
No caso português, diversos indicadores tornavam claro que ela já estava instalada entre nós desde finais de 2007 e foi agravada pela irresponsabilidade da política de direita (neste caso praticada pelo PS) que continuou, em nome do Pacto de Estabilidade e Crescimento (viu-se!), a conter drasticamente os salários e pensões, a reduzir o poder de compra dos portugueses, com impactos muito directos no consumo, que era alimentado apenas pelo crédito fácil, a cortar no investimento público, a privatizar e alienar parcelas fundamentais da nossa soberania económica.
Mas mesmo perante a situação actual, o PS manteve a sua opção de classe de salvar antes de mais o sector bancário. Dá 20 mil milhões de euros (vinte mil milhões de euros!) em garantias bancárias para salvar os bancos, enterra já nem sei quantos mil milhões de euros no BPN, um banco que gere fortunas, pois tem apenas 3 mil clientes, ao mesmo tempo que recusa algumas dezenas de milhões para extender o subsídio de desemprego a mais beneficiários, ou para aumentar salários e pensões!
O PS não percebeu que não é favorecendo os grandes grupos económicos (política que, aliás, nos conduziu à actual situação) que se combate a crise. Precisamos de "inverter a polaridade" do nosso sistema económico.
Precisamos, acima de tudo, de um mercado interno dinâmico, assente num poder de compra melhorado, para estimular as pequenas e médias empresas, que são as prinicipais empregadoras e as que podem resistir melhor a esta crise. O aumento intercalar de salários e pensões, acompanhado de outras medidas de apoio às PME's (congelamento dos preços da energia e telecomunicações, por exemplo) podem ser a resposta. A verdade é que sem uma melhor repartição do rendimento, não sairemos desta situação. Haja coragem para largar os dogmas e tomar as medidas que se impõem!