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terça-feira, 5 de abril de 2011

isto não é uma utopia (actualizado)


A renegociação da dívida, dos seus prazos e juros com os grandes credores é único caminho para travar a espiral de aumento dos juros / quebras de rating que rapidamente nos empurra para um abismo sem saída.

Igualmente, um esforço diplomático no seio da UE que agregasse os países arruinados poderia conseguir outras regras para o BCE e o alívio do garrote monetarista dos défices.

Por último, e agora sim, no campo das soluções de fundo: "A adopção de uma política virada para o crescimento económico onde a defesa e promoção da produção nacional assuma um papel central – produzir cada vez mais para dever cada vez menos. Com medidas imediatas que visem o reforço do investimento público, a aposta na produção de bens transaccionáveis e por um quadro excepcional de controlo da entrada de mercadorias em Portugal, visando a substituição de importações."

Isto não são utopias, são soluções possíveis e urgentes. E as únicas que não passam por cavar ainda mais fundo a miséria dos portugueses.

E, quase de propósito, leio esta manhã no Negócios Online: "PCP propõe vender 20% de títulos estrangeiros para comprar dívida portuguesa". Aí está à vista mais uma parte da solução.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

coragem, visão, coerência

Perante um défice de 1,84 biliões de dólares, a administração Obama reduz a carga fiscal sobre a classe média e as pequenas empresas, ao mesmo tempo que corta benefícios fiscais às grandes empresas e reintroduz um imposto máximo para as grandes fortunas.

A isto tem de se chamar justiça e cumprimento dos compromissos que assumiu com o povo americano.

A isto chama-se visão, pois só com a introdução de factores objectivos de justiça social e equilíbrio na distribuição de rendimentos é que se poderá vencer a crise.

Sobretudo, um gesto de profunda coragem aos enfrentar os interesses instalados que arruinaram a economia norte-americana.

Soubessem os nossos governos aprender com o exemplo...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

combater desigualdades


Curiosamente, ou talvez não, a mesma ideia também é defendida por Barack Obama.

Esta medida está integrada num pacote legislativo contra a corrupção, branqueamento de capitais e enriquecimento ilícito. O aumento da carga fiscal sobre bónus, indeminizações chorudas e salários milionários é usar a crise para fazer justiça. Só há desenvolvimento com mais igualdade.

quarta-feira, 25 de março de 2009

quebrar o círculo vicioso da crise (reloaded)

Depois de ter escrito este post, foi apresentada mais uma iniciativa na Assembleia da República, a 457/X:

PCP recomenda ao Governo que salário mínimo atinja os 600 euros em 2013


Uma medida de elementar justiça e com efeitos positivos sobre o consumo. Será que o PS aprova?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

soluções existem


Bem sei que as questões da crise económica e social (é social também, sim!) se tornam um tema obsessivo deste blogue, mas é impossível passar ao lado dos problemas mais graves e mais duramente sentidos pelos portugueses. Há demasiada coisa em jogo.

Sendo certo que esta crise está no âmbito das crises cíclicas que fazem parte da natureza do sistema capitalista, a verdade é que as suas dimensões - ligadas à interdependência e expansão internacional do capital - a colocam num patamar superior a qualquer coisa que tenhamos visto até agora. Mesmo em 1929.

No caso português, diversos indicadores tornavam claro que ela já estava instalada entre nós desde finais de 2007 e foi agravada pela irresponsabilidade da política de direita (neste caso praticada pelo PS) que continuou, em nome do Pacto de Estabilidade e Crescimento (viu-se!), a conter drasticamente os salários e pensões, a reduzir o poder de compra dos portugueses, com impactos muito directos no consumo, que era alimentado apenas pelo crédito fácil, a cortar no investimento público, a privatizar e alienar parcelas fundamentais da nossa soberania económica.

Mas mesmo perante a situação actual, o PS manteve a sua opção de classe de salvar antes de mais o sector bancário. Dá 20 mil milhões de euros (vinte mil milhões de euros!) em garantias bancárias para salvar os bancos, enterra já nem sei quantos mil milhões de euros no BPN, um banco que gere fortunas, pois tem apenas 3 mil clientes, ao mesmo tempo que recusa algumas dezenas de milhões para extender o subsídio de desemprego a mais beneficiários, ou para aumentar salários e pensões!

O PS não percebeu que não é favorecendo os grandes grupos económicos (política que, aliás, nos conduziu à actual situação) que se combate a crise. Precisamos de "inverter a polaridade" do nosso sistema económico.

Precisamos, acima de tudo, de um mercado interno dinâmico, assente num poder de compra melhorado, para estimular as pequenas e médias empresas, que são as prinicipais empregadoras e as que podem resistir melhor a esta crise. O aumento intercalar de salários e pensões, acompanhado de outras medidas de apoio às PME's (congelamento dos preços da energia e telecomunicações, por exemplo) podem ser a resposta. A verdade é que sem uma melhor repartição do rendimento, não sairemos desta situação. Haja coragem para largar os dogmas e tomar as medidas que se impõem!