sábado, 28 de fevereiro de 2009

onde é que eu já ouvi isto antes?


Questão das legislativas é saber se o país quer estabilidade - António Vitorino

Alguém ainda se lembra dos apelos à maioria absoluta, com a ameaça do papão da "instabilidade", feitos por Cavaco Silva nos anos 80?

PS e PSD? Descubra as diferenças!

bem alinhados III


César reafirma apoio a Sócrates

bem alinhados II





Vital Moreira assume-se defensor do Tratado de Lisboa e de nova ordem constitucional europeia

bem alinhados I




Líder da UGT manifesta "solidariedade política e pessoal" a Sócrates

vítimas


Neste artigo, Berto Messias dedica-se a um fútil exercício de vitimização que, contra a própria vontade do seu autor, revela alguma coisa dos tempos intranquilos que se vivem no PS Açores.

De facto, além de distribuir insultos pelas várias forças da oposição, BM limita-se a clamar contra o facto de estarem todos contra o PS.

Não percebeu que o isolamento da maioria advém justamente da sua postura arrogante de assumir uma legitimidade absolutista, um quero posso e mando de quem tem maioria absoluta. E dedica-se a rejeitar, de forma sistemática - e tantas vezes sem qualquer reflexão ou discussão - todas, mas mesmo todas, as propostas da oposição, por pequenas ou pouco importantes que sejam.

Não percebeu que a discussão (real) de pontos de vista e a colaboração de todos para as soluções legislativas são inerentes à natureza da nossa democracia parlamentar.

Acima de tudo, não percebeu o sinal que os açorianos deram em Outubro passado ao eleger um Parlamento plural.

E, BM termina com uma declaração de tranquilidade que não consegue esconder os diversos mal-estares que se vivem no PS Açores. É que os projectos políticos baseados no poder pessoal e no disciplinado culto do chefe são projectos com data de validade encurtada. E BM sabe-o muito bem, mesmo que o tente ocultar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

o século da esquerda

O Diário.info publicou a interessante conferência do filósofo italiano Doménico Losurdo sobre o movimento comunista no século XX.

Os grandes avanços civilizacionais deste século estão indelevelmente ligados à luta contra a discriminação nas suas vertentes, racial, sexual e censitária, causas cuja defesa foi sempre encabeçada pelos comunistas e outras forças de esquerda.

Para além das vitórias sobre o imperialismo e sobre o nazi-fascismo, é importante não esquecer o papel desempenhado pelos países socialistas e pelas forças de esquerda na luta pela auto-determinação dos povos e contra as discriminações raciais, que permitiram mudar radicalmente o mapa do mundo e emancipar a maior parte da humanidade.

Também na igualdade, liberdade sexual e direitos das mulheres houve progressos inigualáveis.

Mas, talvez ainda mais importante, inaugurou-se uma nova época de progresso, com a afirmação da igualdade social como um valor basilar das nossas sociedades e, num processo ainda incompleto, deram-se passos de gigante no combate à desigualdade social e na criação do Estado Social, que permita o velho sonho da "maior felicidade possível para o maior número de indivíduos".

Estas conquistas e estes avanços são um incontornável património da esquerda, a que a direita e a social-democracia tardias tiveram, de forma mais ou menos contrafeita, de aderir.

E o autor coloca a questão com muita clareza: "A superação das três grandes discriminações foi tornada possível por um duplo movimento: com as numerosas e grandes revoluções a partir de baixo, que se desenvolveram quer nas metrópoles capitalistas quer nas colónias e muitas vezes inspiradas pela revolução de Outubro e pelo movimento comunista, combinaram-se revoluções pela cúpula, promovidas com o fim de impedir novas revoluções a partir de baixo e de defrontar o desafio do movimento comunista.

Fazem parte da democracia, como hoje é geralmente entendida, também os direitos económicos e sociais (direitos ao trabalho, à saúde, à instrução, etc.) E é justamente o grande patriarca do neo-liberalismo, Hayek, quem denuncia o facto de a sua teorização e a sua presença no Ocidente remeterem para a influência, considerada por ele funesta, da “revolução marxista russa”. Por conseguinte, o Estado social que se realizou no Ocidente, quer dizer, a tentativa de pôr limites ao pleno desdobramento do poder económico-social da riqueza, não pode ser pensado sem o impulso e o desafio provenientes da revolução de Outubro.
"

Os desafios que se nos colocam no século XXI obrigam a que se tenha plena consciência e memória destas conquistas. E orgulho, também.

porque estou de férias



Mas a esperança não tira férias...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Binyam Mohamed

Binyam Mohamed nasceu na Etiópia a 24 de Julho de 1978 e residia no Reino Unido.

Binyam Mohamed foi preso a 10 de Abril de 2002 no aeroporto de Karachi por agentes da CIA. Do Paquistão foi levado para o Afeganistão, depois para Marrocos, onde foi torturado e, finalmente, para Guantanamo, num voo que fez escala nos Açores.

Foi libertado apenas há poucos dias, sem que tenha sido levantada nenhuma acusação nem realizado nenhum julgamento. Sete anos da sua vida foram-lhe roubados sem qualquer justificação. E, no entanto, as suas palavras são brandas.

Estamos habituados a ver os prisioneiros de Guantanamo como homens sem rosto, estrangeiros, potenciais terroristas. Estamos habituados a ignorar o assunto como uma história distante da nossa plácida realidade insular.

Mas é tempo de olhar de frente a vergonhosa actuação dos que fizeram dos açorianos e de todos os portugueses cúmplices deste e doutros crimes. Não podemos ignorar.


parabéns


Pluralismo na blogosfera: 2 anos do Tempo das Cerejas*

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

duas notícias, uma política

Trinta e oito por cento dos desempregados não têm qualquer tipo de protecção social

Sector financeiro: Novo regime de sanções continua por aprovar cinco meses depois

Duas notícias que espelham bem a opção e as prioridades políticas do Governo do PS.

Protecção para os desempregados? Aprovam-se regras mais restritivas que permitem poupar uns cobres ao orçamento e lavar a cara às estatísticas do desemprego.

Aumentar as penalizações para as infracções do sector financeiro? Não tem pressa nenhuma, coitadinhos, protele-se.

profissão de fé (bem paga)

A inovação e a emoção vão resistir à crise, diz Kjell Nordstrom

Portugal tem uma visão muito própria da lógica, das situações, daí vai que, quando as coisas andam mal, nada melhor do que pagar uns bons milhares de euros a um modernaço "guru" da economia, para trazer umas frases animadoras à malta. Se for nórdico e tiver um nome impronunciável, ainda melhor!

O que gosto mais na discursata habitual destes "gurus" é o estarem sempre a reconduzir a crise a uma espécie de mero drama psicológico que poderá ser superado por uma simples alteração de consciência: um salto de fé, em suma. Quem quiser acreditar, que acredite!

da comédia à tragédia à espera de acontecer


Ainda dávamos umas gargalhadas sobre este assunto quando apenas se tratavam de mais uns quantos milhões de euros do Governo Regional que tinham ido pelo cano abaixo.

Agora, quando se trata de pôr em risco a segurança dos passageiros, perdemos a vontade de rir.

O que se tratava da habitual incompetência dos nossos governos converte-se em negligência criminosa. É grave.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

para lá do cinema





O discurso de Seann Penn ao receber o Óscar para Melhor Actor é, em si próprio, um documento e um sinal claro dos tempos que estão a mudar!

economia fantasma




Um número que revela bem a determinada relação entre as micro-empresas e o trabalho precário. Muitas delas têm apenas "prestadores de serviços", arrastando anos a fio trabalhadores a recibo verde.


Por outro lado, os programas género "empresa na hora" abriram as portas a todo o tipo de manobras menos claras de criação de empresas de fachada e entidades fantasmas.


Outras vezes ainda, os trabalhadores são despedidos de determinada empresa e convidados a criarem uma empresa própria para continurarem a prestar o mesmo serviço ao mesmo cliente.


Valerá a pena fazer mais comentários sobre a irracionalidade e sobre a total falta de consciência social deste sistema?

domingo, 22 de fevereiro de 2009

ainda por cima cheio de falhas


Além, de prejudicial, desumano, etc., etc., etc., o Código do Trabalho está cheio de falhas e vazios legais que vão causar muitos, mesmo muitos problemas.

A pressa que o PS teve neste processo deixou de lado a competência legislativa... Como era de esperar, os prejudicados são os do costume.

para lá da política


Lagoa Henriques
27 de Dezembro de 1923 - 21 de Fevereiro de 2009

quem ganha com a baixa do preço do leite?



Os recentes alertas do Presidente da Associação Agrícola de São Miguel lançam alguma luz sobre um problema essencial para os Açores.

É que, sob o argumento da crise, as indústrias do leite vão descendo o preço pago aos produtores, aproveitando para aumentar os seus lucros. E, entretanto, a baixa do preço também não se sente no consumidor. Não é preciso ser economista para se perceber que alguém anda a ganhar dinheiro com isto!

Não quero que me acusem de me limitar a descrever a crise, proponho uma solução: perante a gravidade da situação, o que se impõe é uma intervenção decidida do Governo Regional no mecanismo de formação do preço ao produtor. Mesmo que isso implique derrubar preconceitos ideológicos empoeirados.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

espadeirada na crise

Presidente da República congratula-se com a canonização de Nuno Álvares Pereira.

Mas em que planeta é que este homem vive??? Haja paciência!

código do trabalho: benefícios para alguns

Neste artigo, Francisco César, procura, num redondo exercício de mistificação, demonstrar-nos as maravilhas do novo Código do Trabalho. Tem de se tirar o chapéu à coragem (ou desfaçatez, ânsia de mostrar serviço) de FC, em abordar um tema que a maior parte dos socialistas (a começar no Ministro do Trabalho) procura discretamente evitar. É que, por muito bons argumentadores que sejamos, torna-se difícil defender, contra todas as óbvias razões, o indefensável.

Por mais capas de modernidade que o Código do Trabalho procure envergar, a verdade é que algumas das suas normas fazem recuar as relações laborais ao século XIX. Nomeadamente quando deixa de assumir a defesa da parte mais fraca no relacionamento laboral, ou quando se permite que os patrões bloqueiem negociações para fazer caducar contratos colectivos de trabalho, ou ainda mais grave, quando se abdica do princípio jurídico de que a um posto de trabalho permanente tem de corresponder um vínculo permanente, permitindo que os trabalhadores sejam tratados como mercadoria descartável.

Mas a ânsia de FC de defender o Código do Trabalho cai mesmo no ridículo quando diz que este novo código tem "políticas incentivadoras da natalidade" e "benefícios para os jovens".

Será que está a falar da forma como o PS legaliza a precariedade ao permitir que as empresas passem a ter, legalmente, os trabalhadores permanentes a recibo verde, apenas com uma pequena penalização na taxa social única?

Ou será que fala da forma como o banco de horas permite a alteração arbitrária dos horários dos trabalhadores, por parte da entidade empregadora, podendo este ser extendido até às 60 horas semanais (60 horas!), sem que o trabalhador receba um cêntimo a mais a título de horas extraordinárias, e obstaculizando qualquer conciliação da vida profissional com a vida familiar?

Não. Nem FC nem o PS gostam de falar nisto. Preferem continuar-nos a atirar com a poeira dos seus chavões sobre a gestão modernaça para os olhos. Mas enganam cada vez menos gente.

E esta luta ainda não acabou!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009