sexta-feira, 6 de março de 2009

para os pobrezinhos basta a sandes


SATA implementa menus personalizados na classe executiva


A nossa companhia aérea está cada vez mais competitiva e modernaça.

Não há problema de os aviões irem meio vazios por causa do preço exorbitante dos bilhetes, porque além de ter poupado uns milhares nos jornais para a classe económica, agora ainda se vendem uns bifinhos com champignom aos passageiros da Executiva.

Ainda não consegui perceber este conflito insanável que a administração da SATA tem com a racionalidade e o bom senso.

Index electrónico - vícios & virtudes

Sobre a abstrusa ideia da Secretaria Regional da Educação de tentar censurar a internet dos nossos alunos, nas escolas, não resisto a reproduzir uma parte do brilhante comentário de AM, no Diário Insular:

"Em pleno século XXI, a Direcção Regional de Educação dos Açores assume-se como um autêntico Ministério de Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, elaborando um index electrónico que impõe às escolas dos Açores, procurando uma higienização patética do acesso ao meio mais incontrolável de difusão de informação que existe, que é a Internet. E nomeia um autêntico torquermadazinho (que certamente contará com “irmãos” solícitos dentro das escolas) para controlar as próprias consultar à internet e decidir caso a caso sobre acesso a sites suspeitos. O mesmo inquisidor assume funções de árbitro de elegância, uma vez que lhe compete, por exemplo, decidir o que é “informação sem gosto” ou “desadequada”. A tenebrosa figura assume assim, ela própria, funções de autêntico lápis azul. Tudo isto, como se percebe, é demasiado patético.

Fica tudo dito.

boas notícias, más intenções



Conserveira de São Jorge volta a laborar

O retomar da laboração na fábrica de conservas de São Jorge é uma boa notícia, que se deve à intervenção do Governo Regional no capital social da empresa.

Assim, não só se garantem postos de trabalho, como se criam garantias de absorção de matéria-prima e valoriza-se a economia regional. Mas, ainda mais importante, o Governo Regional passará a ter uma intervenção directa na formação dos preços, contribuindo para efectivamente regular um mercado que nos tem penalizado.

Este conjunto de vantagens demonstra a necessidade de haver uma intervenção planeada de participação do Governo Regional no capital social de empresas estratégicas. Não basta andar a comprar a esmo as empresas em crise. O que é preciso é que a Região se dote das alavancas que lhe permitam influenciar decisivamente a economia dos Açores.


Posto isto, é lamentável que a intenção do Governo Regional, depois de salvar a empresa e garantir a sua estabilidade, seja a de voltar a entregá-la aos privados, meramente por razões "ideológicas".

José Decq Mota

O anúncio da candidatura de José Decq Mota à presidência da Câmara Municipal da Horta é um facto político incontornável.

O seu percurso político prova que, para ele, não há impossíveis. Transformou radicalmente a face da política faialense: Conseguiu guindar a CDU a resultados históricos em eleições autárquicas, roubando a maioria absoluta ao PS e relegando o PSD para uma oposição destrutiva, reduzida à táctica da terra queimada, com o que revela toda a amargura da sua derrota.

Quando diziam que a CDU não conseguiria eleger um único vereador, afinal elegeu dois. E a Câmara da Horta deixou de estar entregue ao rotativismo bi-partidário que vemos por toda a parte. Caso único no panorama regional.

Gostei de ouvir José Decq Mota anunciar que pretende conquistar a presidência da Câmara, com as ganas, a energia e a convicção que muitos desejavam que tivesse perdido. Estavam errados. É uma intenção real que deve ser levada muito a sério.

Lutador incansável, coerente, frontal e firme nas suas convicções, contra ventos e marés, longe dos realinhamentos ideológicos e das casacas que se tanto viram noutros políticos, José Decq Mota está entre as pessoas mais inteligentes e cultas que tive a oportunidade de conhecer. Poucos, muito poucos, conhecerão a realidade, a história e a política açoriana - e faialense em particular - como ele.

Afinal temos políticos assim. É pena serem tão raros.


quinta-feira, 5 de março de 2009

Dia F: a Fajã do Calhau no Parlamento Regional

Excertos (não oficiais), da discussão que houve no Parlamento Regional em Janeiro passado:

Zuraida Soares (BE):
Convém recordar que a Fajã do Calhau integra o Parque Natural da Ilha de São Miguel e convém registar que é uma obra sem projecto, sem orçamento, sem estudo de impacto ambiental, sem garantia de viabilidade técnica, sem ponderação de custos/benefícios e, aparentemente, sem dono.
Convém também constatar que se trata de um crime ambiental e de uma total descaracterização da orla costeira da ilha.

Secretário Regional do Ambiente (Álamo Meneses): Não foi violada qualquer lei. Não há qualquer crime ambiental.Há uma intervenção que tem um dono e o dono é conhecido: o Governo Regional dos Açores.
Tem um responsável e é conhecido: o Governo Regional dos Açores.(...) Srs. Deputados, é uma oportunidade para fazer um acesso com segurança e uma oportunidade para melhorar a qualidade do ambiente.

Pedro Gomes (PSD): é uma obra tipicamente socialista. Sabemos que é cara, mas não sabemos bem para que é que serve! Este é que é o problema, sobretudo quando esta obra tem o impacto sobre o ambiente que é visível a “olho nu”, quando ela representa uma agressão ambiental de expressão acentuada, quando é um rasgão naquela paisagem que é visível a “olho nu” e que toda a gente vê, com excepção da bancada do Partido Socialista

Paulo Estêvão (PPM): Hoje tive a oportunidade de verificar o Sr. Secretário do Ambiente a explicar o inexplicável na área do ambiente.Explicou com a maior desfaçatez uma obra que tem um enorme impacto ambiental, uma obra que toda a população da Ilha de São Miguel e todos os açorianos podem verificar que está a ter um impacto tremendo do ponto de vista da preservação ambiental.Acho que lhe fica muito mal ter a atitude que o senhor tem em relação ao ambiente.

Aníbal Pires (PCP): Este nebuloso assunto da estrada da Fajã do Calhau é sintomático da forma do Partido Socialista e deste Governo Regional fazerem política: no silêncio dos gabinetes, longe do olhar fiscalizador dos cidadãos e das instituições e do saudável controlo democrático que estes devem exercer.
Uma forma de actuação que, neste caso, assume verdadeiramente contornos grotescos que em nada dignificam a nossa democracia.

Artur Lima (CDS/PP): Julgo que temos que encarar isto com esta visão prática, realista, obviamente protectora da natureza (com certeza!), mas temos que ver o bem que daí advém para as pessoas. (...) Quanto custa a obra? Quanto já se gastou? Quando se esbanjou, se é que se esbanjou?

Secretário Regional da Agricultura e Florestas (Noé Rodrigues): Relativamente ao impacto visual que a execução daquela obra causa, todos estamos de acordo. De facto, causa um grande impacto do ponto de vista visual, como todas as obras causam, sejam executadas onde forem. Todas têm impacto visual.
Nas questões que dizem respeito, alegadamente invocadas de forma suspeitosa por parte de alguns Srs. Deputados, à matéria ambiental, não está em causa, nem nunca esteve, nenhuma violação de norma ambiental.

dia F de protesto contra o crime ambiental da Fajã do Calhau

Contra o verdadeiro crime ambiental que está a ser cometido com a destruição da falésia de acesso à Fajã do Calhau e os seus graves impactos na flora e fauna terrestre e marinha;

Contra os truques de secretaria que permitem realizar esta obra sem qualquer estudo de impacto ambiental;

Contra a opacidade e falta de transparência com que se faz uma obra desta dimensão sem qualquer projecto e orçamento;

Contra a desfaçatez de um governo regional que se afirma "muito orgulhoso desta obra";

Contra o desrespeito demonstrado pelo património ambiental que pertence a todas as gerações presentes e futuras de açorianos.

Este blog protesta, juntando-se ao Dia F de Protesto Contra o Crime Ambiental da Fajã do Calhau.

quarta-feira, 4 de março de 2009

realidades que o Governo não quer ver

Cada vez mais açorianos sem dinheiro para pagar água, luz e gás

Esta é a dura realidade na região de Portugal onde os custos da factura eléctrica mais cresceu e onde os custos da água são também elevados.

Se, defacto, queremos ajudar as famílias açorianas, não seria mais útil promover o congelamento (ou mesmo a redução) dos preços destes bens essenciais?

terça-feira, 3 de março de 2009

prefiro que me mintam

Vale sempre a pena ler os diários deliciosos cartoons do El País.

crise, crise mas não em tudo

Suécia: Exportações de armas e material de defesa aumentaram 32% em 2008


E sabem quem foram os principais clientes?

Errado. Foi a União Europeia.
Dá que pensar...

repetir banalidades para não fazer má figura (actualizado)

Presidente visita Alemanha
Cavaco Silva pede visão de futuro para vencer a crise

Para não correr o risco de fazer má figura, Cavaco Silva foi para a Europa repetir as banalidades e os chavões do costume: "actuação concertada", "recusa do proteccionismo", "visão de futuro", o inefável "Tratado de Lisboa" e um gostoso naco de prosa, que devia ir para os manuais como o exemplo acabado de falar e não dizer nada, que não resisto a transcrever:

"só apostando numa visão de futuro” se poderá concluir que, “passada a tempestade” emergiu uma Europa "ainda mais forte e credível perante os seus próprios cidadãos”.

Falar na protecção às economias europeias mais frágeis, defender a nossa Zona Económica Exclusiva ou, enfim, preocupar-se de alguma maneira com os interesses portugueses, não é com ele. Continua a ser o bom aluno europeu, sempre preocupado em agradar aos mestres.

Eu não votei nele.


Actualização:

Então não é que Cavaco Silva teve a terrível falta de gosto de ir comentar assuntos internos do país, como a marcação de eleições a um jornal alemão? Que vergonha!

Eu nem queria estar sempre a desancar no PR, mas ele deixa-me pouca escolha...

soluções

Banca pública deveria ser maioritária em Portugal

Bernardino Soares aponta o único caminho real para enfrentarmos a crise e invertermos o já longo ciclo de desvalorização da nossa economia:

vamos lá financiar os bancos!


O PSD, pela voz da sua líder regional, apresentou um "pacote de medidas"
para combater a crise, que é de uma pobreza confrangedora.

De facto, apenas propõe acentuar ainda mais a direcção em que o Governo Regional já tem caminhado, no sentido de financiar as instituições bancárias e agravar os níveis de endividamento, em vez de contribuir directamente para o aumento do poder de compra das famílias, como forma de dinamizar a economia regional.

Por outro lado, a criação de programas de incentivo de aquisição de habitação mostra que o PSD não percebeu que foram justamente o endividamento galopante das famílias e a dinamização económica assente apenas na construção civil que nos colocaram nesta situação insustentável.

Metade do “spread” apoiado pela Região
E, pior, ao querer financiar os "spreads" está, na prática a querer que os lucros dos bancos sejam pagos com o dinheiro público que é de todos os açorianos. Inaceitável!

Nino



Independentemente da apreciação crítica sobre o seu percurso político dos últimos anos, não podia deixar de fazer aqui uma pequena homenagem ao companheiro de Amílcar Cabral, ao velho guerrilheiro "Comandante Nino", por cuja voz, o sonho milenar da independência da Guiné-Bissau foi declarada.




evoluir é preciso


Positivo: A sociedade civil açoriana está a reagir às tentativas de criar clima político para a legalização das sortes de varas e dos touros de morte.

Negativo: que ainda haja gente que não se importa de sujeitar um animal belo e nobre à mais abjecta tortura para satisfazer os seus instintos mais básicos de valentão de arena.
Nesta questão (como em tantas outras!) não sou neutral:
Acabe-se já com estes decadentes espectáculos. Basta. É tempo de evoluir!

segunda-feira, 2 de março de 2009

critérios de irracionalidade económica


SATA limita oferta de jornais a bordo à Classe Executiva

Nada de misturas!
Os pobrezinhos provavelmente nem sabem ler...

Fábricas baixam preço do leite aos produtores

Já antes me tinha referido a este assunto mas, de acordo com a notícia do Açoriano Oriental, confirmam-se as piores expectativas.

Esta questão é demasiado importante para que o Governo Regional continue apenas com boas intenções e declarações piedosas.

Exige-se uma acção concreta, pragmática, pondo de lado os velhos e ultrapassados dogmas do mercado que era suposto funcionar.

E não pode haver desculpas, o PS dispõe das condições políticas para alterar os quadros legislativos que forem necessários, de forma a salvar a nossa produção leiteira, caso o queira fazer.

domingo, 1 de março de 2009

o mundo em fotos

A Google passou a disponibilizar os arquivos fotográficos da Revista Life aqui.

São milhões de fotos dos momentos e personagens mais marcantes do século XX, muitas das quais ainda inéditas.

Um tesouro da nossa memória colectiva a não perder!

a perturbar a tranquilidade burguesa do nosso domingo

Este artigo do DN traz os números de uma realidade a que não conseguimos ficar indiferentes.

Desde logo, põe-se o dedo na ferida dos números reais do desemprego:

Em Dezembro passado, a taxa de desemprego foi fixada nos 7,6% da população (activa), afectando 427,1 mil portugueses. Uma quebra de 0,4 pontos percentuais face a 2007, menos 21 mil desempregados. Mas as estatísticas oficiais escondem (em 2008) mais 139 mil portugueses sem trabalho, o que, no conjunto, representa 10,1% da população activa.

São duas as categorias excluídas das estatísticas (para além dos 30 mil "desencorajados"). Na realidade, existiam 69,4 mil "inactivos disponíveis", que apenas um critério estatístico afasta das listas oficiais do desemprego do INE. São os desempregados que respondem no inquérito do INE que não procuraram trabalho nas últimas três semanas.

Existem mais 69 mil portugueses inseridos pelo Instituto de Estatísticas em outra categoria: a do "subemprego visível", que também entram na contabilidade do desemprego real. São os apelidados de "biscateiros". O número de portugueses que caiu neste "modo de vida" aumentou 4% em relação a 2007.

Os números reais do desemprego estão muito longe das declarações mais ou menos triunfalistas dos nossos governantes. E cada vez mais portugueses tombam na exclusão social.

A política desumana de liberalização das relações laborais favorece estes números. Para os empregadores, a existência desta massa de desempregados e subempregados é melhor garantia de que poderão continuar a pagar baixos salários. O desespero garante que continuará a haver gente disposta a aceitá-los.

A revisão dos conceitos estatísticos do desemprego, de forma a que possam dar uma imagem real do problema é urgente. A alteração das regras de atribuição do subsídio de desemprego é um imperativo humano.