Na Base das Lajes: Nove trabalhadores “convidados” a sair Nove trabalhadores portugueses ao serviço das Feusaçores foram ontem informados de que os seus contratos a prazo serão rescindidos a 15 de Abril. Isto depois do presidente do Governo Regional, Carlos César, ter afirmado recentemente que no que se refere a trabalho temporário na Base das Lajes subsistem apenas um ou dois casos, que ainda assim estão a ser tratados.
Para o secretário-geral do Sindicato dos Transportes e Turismo, Paulo Borges, “a situação que está a viver-se hoje de rescisão de contratos a prazo é a prova de que o senhor presidente do Governo Regional não estava completamente elucidado” sobre os conflitos laborais na Base das Lajes.
Segundo Paulo Borges, nove trabalhadores dos Tank Farm “contratados a prazo de forma ilegal” foram ontem chamados pela chefe do escritório do pessoal civil do destacamento norte-americano na Terceira, Laura Hanks, que os “convidou” a assinar uma comunicação de rescisão dos seus contratos a 15 de Abril próximo.Como apenas um dos trabalhadores terá aceitado assinar o documento em causa, Laura Hanks terá recorrido à “ameaça” no sentido de persuadir os restantes a fazê-lo, acrescenta o sindicalista.
Hanks na mira
No entender de Paulo Borges, estes factos “contrariam as declarações de Carlos César e as intenções manifestadas pela comandante norte-americana, Margaret B. Poore, na sua recente audiência no Palácio de Santana.
O secretário-geral do Sindicato dos Transportes e Turismo defende ainda que, “a ser esta uma atitude unilateral de Laura Hanks, não resta ao Comando português senão preparar um dossiê no sentido de providenciar o regresso a casa desta senhora, que já prejudicou muitos trabalhadores”.
“Velha questão”
Contactada por DI, Paula Ramos, representante do Governo Regional na Comissão Laboral das Lajes, lembrou que este “não é um problema novo”.
De acordo com Paula Ramos, trata-se de uma “velha questão” que tem oposto as partes portuguesa e norte-americana - enquanto a Região considera que os contratos dos trabalhadores dos Tank Farm são já contratos sem termo, por alegada violação do limite de renovações dos contratos a prazo, os norte-americanos têm uma visão diferente.
A responsável adianta, no entanto, ter indicações da Comandante norte-americana da Base das Lajes de que “tudo está a ser feito no sentido de repor a situação”.
Por seu lado, o Governo Regional vai “continuar a acompanhar a situação, para que pelo menos esses trabalhadores sejam reintegrados e não percam o seu local de trabalho”, acrescenta.
O que disse César
Recorde-se que o presidente do Governo Regional considerou segunda-feira que alguns dos casos de conflito laboral na Base das Lajes que mereceram maior destaque público tiveram uma evolução “muito positiva”.
Após uma audiência que concedeu à nova comandante do destacamento norte-americano na Base das Lajes, Carlos César afirmou que no que se refere a trabalho temporário na Base das Lajes subsistem apenas um ou dois casos, que ainda assim estão a ser tratados.
“A Base das Lajes representa uma unidade empregadora que contribui para o desenvolvimento económica da ilha Terceira e dos Açores em geral de forma muito significativa e é por isso mesmo que se repetem estes encontros”, disse, sublinhando a importância de uma relação privilegiada com os Estados Unidos no quadro da política transatlântica.
Segundo o Sindicato dos Transportes e Turismo, 50 trabalhadores portugueses ao serviço das Feusaçores estão ainda em situação precária.
Fica tudo dito sobre a relação dos EUA com os trabalhadores da Base das Lajes e sobre o papel do Governo Regional nesta matéria...