terça-feira, 24 de março de 2009

quebrar o círculo vicioso da crise

Duas notícias e duas propostas relevantes que demonstram que é possível fazer mais do que cerrar os dentes e aguentar a crise:

PCP propõe isenção de propinas para estudantes desempregados ou com elementos do agregado no desemprego

PCP pede aumento do valor e da duração do subsídio para desempregados


o spot que a Antena 1 devia ter feito

E que eu não resisti a roubar desavergonhadamente ao Activismo de Sofá

Anúncio da Antena 1 (de Maio)

a diversificação por um canudo

O Açoriano Oriental traz-nos a notícia (que no fundo não é nova) das dificuldades porque passam a SINAGA e a Fábrica de Tabacos Estrela em resultado das políticas europeias.
Quanto à SINAGA, a UE não permite a importação de ramas de cana para suprir a falta de beterraba. Quanto à Fábrica de Tabacos Estrela, prevê-se o fim dos apoios à plantação de tabaco dentro do espaço comunitário.
Mais uma vez as políticas da União Europeia prejudicam activamente as nossas produções tradicionais. As lágrimas de Paulo Casaca (que aposta numa estratégia de conversas pessoais com a comissária) e de Duarte Ponte não convencem. O que teria sido necessário é que tivessem votado contra estas orientações. Agora é tarde.

segunda-feira, 23 de março de 2009

mais do que números

Ora cá estão os números da crise a atingirem uma dimensão inesperada mesmo para os mais pessimistas. E para lá dos números, uma multidão de dramas humanos difíceis de imaginar.

Torna-se claro que os planos multimilionários de salvamento de empresas financeiras falidas têm, na melhor das hipóteses, resultados mediocres e não dão resposta às questões fundamentais colocadas pela actual crise.

É que, por cada novo desempregado, teremos a correspondente diminuição no consumo interno e o agravar do círculo vicioso dos maus resultados das empresas.

A aposta concreta e fundamental tem de ser, só pode ser, na criação e preservação do emprego. O estado tem de intervir, sem complexos, nas empresas que produzem e geram riqueza. Não nos BPN's que para aí andam.

domingo, 22 de março de 2009

os nossos mares e a Europa deles


Agora que se aproximam as eleições para o Parlamento Europeu, importava que se recolocassem na agenda política regional algumas questões europeias e forma como afectam os Açores. Destas, as questões das pescas e da protecção dos oceanos surgem naturalmente como centrais.

O (infelizmente ainda não completamente defunto) Tratado de Lisboa previa dar à Comissão Europeia competência exclusiva na gestão das pescas e da conservação dos recursos marinhos dos Açores.

Objectivamente, isto iria significar abdicar de toda a soberania sobre os nossos próprios recursos e, mais grave, afastar ainda mais os principais interessados (neste caso, os açorianos) dos processos de decisão sobre questões que os afectam directamente.

Ninguém pode prever exactamente quais seriam as consequências de os mares açorianos passarem a ser integralmente geridos a partir de Bruxelas, mas adivinho que nada de bom. Nomeadamente assistiríamos à entrada em força dos navios de pesca de grande tonelagem dos outros países, sem qualquer consideração sobre o impacto social na economia regional, nem sobre a protecção ambiental dos nossos recursos e bio-diversidade marinha.

Os obscuros e desconhecidos critérios que presidem à definição das quotas pesqueiras e à sua distribuição pelos diversos países tem prejudicado grandemente os nossos interesses. Por outro lado, os subsídios para abate de embarcações tiveram um efeito destrutivo sobre a nossa frota.

A pesca nos Açores evoluiu - e muito bem - para uma maior selectividade das espécies, capturadas, o que a torna muito mais sustentável, do ponto de vista ambiental. No entanto, a falta de apoios para o investimento em novas, maiores e melhores embarcações, fazem com que continuemos com quantidades pequenas, que não conseguem posições vantajosas em termos de competitividade. Nos Açores, a quantidade de pescado, por exemplo o atum, nem sequer permite abastecer convenientemente a nossa pequena indústria conserveira, que se vê obrigada a importar matéria prima para garantirem a produção!

Seria possível aumentar o esforço de pesca sem pôr em causa a sustentabilidade dos recursos. Hoje em dia, esse peixe é, de facto, pescado nos mares dos Açores, só que não por portugueses.

Entregar a gestão de toda esta riqueza, património de todas as futuras gerações de açorianos, aos distantes eurocratas de Bruxelas é um crime que não podemos permitir. Esta ameaça já levou, aliás, a uma forte reacção de recusa por parte das associações do sector, que defendem o referendo sobre o Tratado.

Importa lembrar que PS e PSD não só estiveram de acordo com este famigerado Tratado de Lisboa, como o aplaudiram de pé! Era interessante ouvir os o que é que os candidatos açorianos ao PE têm a dizer sobre este assunto...

descubra as diferenças

Olhando para os números saídos no Expresso e que trouxe aqui via O Tempo das Cerejas*, já não surpreende ninguém o desnível de trabalho entre os eurodeputados da CDU e os dos outros partidos.

A comparação entre os miseráveis desempenhos de Sérgio Sousa Pinto (PS), Francisco Assis (PS), Assunção Esteves (PSD) e Miguel Portas (BE), por exemplo, e a actuação dos dois deputados eleitos pela CDU revela muito mais do que meras diferenças de atitude ou competência.

Revela todo um posicionamento político diferente: Para alguns o Parlamento Europeu não é uma "prateleira dourada" para aguardar confortavelmente o regresso aos palcos da política nacional, mas sim um local para a defesa intransigente e incansável dos interesses do nosso país.

De notar ainda que os deputados da CDU, seguindo o princípio de não serem prejudicados nem beneficiados no exercício de cargos públicos, não embolsam em proveito próprio o chorudo salário.

Diferenças...

sábado, 21 de março de 2009

naturalmente

Venezuela vai legalizar os casamentos de homossexuais

Com naturalidade, coerência e sem precisar de grandes alaridos de auto-glorificação, a Venezuela vai tornar-se um dos países com a legislação mais avançada no campo da igualdade de género e não discriminação. A liberdade e a democracia estão no código genético da Revolução Bolivariana.

A medida surge com toda a naturalidade.

começo a perceber

Atlânticoline gasta mais 4 milhões em camarotes

Esta notícia do Diário Insular começa a lançar alguma luz sobre as razões que levaram a que o projecto original do Atlântida fosse alterado, raiz e razão óbvia dos seus actuais problemas.

Sendo, assim, não adianta vir agora tentar responsabilizar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo. É que construir um navio é muito mais complicado do que fazer uma estrada para uma fajã qualquer onde, com mais milhão ou menos milhão, a coisa faz-se.

A ter havido alterações extemporâneas ao projecto, revelam uma cegueira e incompetência confrangedoras. Até porque já se coloca a questão de saber se o navio, como está, tem alguma utilidade para a Região. A dimensão deste fiasco e o seu custo para os cofres da Região obrigam a que sejam assumidas todas as consequências políticas. E cabe apenas ao Presidente do Governo Regional fazê-lo.

Também se percebe melhor agora porque é que o PS pretende impedir que se crie uma comissão de inquérito no Parlamento para apurar responsabilidades.


precariedade made in USA

Base das Lajes: Guardas do Tank Farm continuam a contrato

E as autoridades açorianas e nacionais continuam em silêncio, em vez de exigirem o cabal cumprimento da lei laboral e, solicitar o afastamento da comandante da Base, por manifesto desrespeito para com o Acordo de Cooperação e Defesa

Uma vergonha!

sexta-feira, 20 de março de 2009

com os olhos postos em França

Mais de 3 milhões de pessoas na rua contra as políticas Sarkozy, demonstram, definitivamente a vitalidade de um sistema democrático, e a firme determinação dos seus cidadãos.
A França continua a ser, em muitas medidas o farol da Europa.



quinta-feira, 19 de março de 2009

crimes em Gaza

Começam a vir a público as dimensões dos crimes de guerra praticados pelo exército israelita (também) durante as últimas operações militares na Faixa de Gaza. Leia aqui um artigo do diário israelita Haaretz com relatos dos próprios soldados.

E, se levantam questões sobre a indigna e subserviente posição diplomática da UE perante este Estado-fora-da-lei, também colocam questões profundas sobre a própria sociedade israelita.

Décadas de cultura de medo permitiram criar gerações de soldados movidos pelo ódio racista ao árabe, que cometem as piores atrocidades com a maior tranquilidade.

Podia tudo resumir-se à declaração do anónimo soldado israelita que afirmou aos jornalistas: "devíamos matá-los a todos (no centro de Gaza), todos lá são terroristas" (tradução minha).

Assim, que espaço poderá haver para a reconciliação?

envelhecimento


Não partilho dos alarmismos sobre a segurança social, que está bem e estaria ainda melhor se o Governo não a descapitalizasse, mas um cenário como este levanta preocupação. E a múltiplos níveis.

Infelizmente, as receitas que os governos do PS e PSD têm aplicado para combater esta situação não têm passado de meros e ligeiros paliativos de apoio aos jovens e, claro, retardar as reformas, obrigando as pessoas a trabalharem mais anos.

Tem de haver outras respostas. Se analisarmos friamente as razões que fazem com que os jovens casais adiem a decisão de ter filhos, relacionam-se esmagadoramente com duas coisas: aquisição de habitação e estabilidade na profissão e nos rendimentos.

É neste campo que se combate a diminuição das taxas de natalidade. Combatendo a precariedade no emprego e o desnível salarial dos trabalhadores nas posições iniciais das suas carreiras. Criando um mercado de habitação que não esteja nas garras dos especuladores. Diminuindo as despesas que os jovens enfrentam com a sua educação e formação.

Entretanto, perante cenários deste género, desaparecem todas as justificações para impôr limites à imigração. Os imigrantes, jovens, trabalhadores, contribuintes líquidos para o sistema, poderão contribuir decisivamente para evitar que nos tornemos um país de velhos.


(Imagem: "O homem crepuscular" Salvador Dali)

a ponta do iceberg


Números do INE apontam pra que cerca de 900 mil portugueses têm trabalho "não permanente".

É apenas a ponta do icebergue da precariedade, uma vez que não inclui as situações dos contratos a prazo sistemáticos, de recibos verdes e de puro e simples trabalho ilegal.

Os números reais serão de certeza muito mais elevados. confirma-se, no entanto, uma tendência de crescimento deste tipo de trabalho.

Um tipo de trabalho sem valorização profissional, sem perspectivas de carreira, sem estabilidade pessoal, sem tempo para a família, com a angústia permanente do "terei trabalho para a semana?"

Quem já passou por esta situação sabe do que estou a falar. Que raio de país estamos nós a construir?

parabéns Bigas Luna





Bigas Luna, o homem que lançou a carreira de Penélope Cruz (que não o esqueceu na entrega dos óscares) ou Javier Bardem, que com o seu olhar futurista, cru e apaixonado, arrasou os horizontes da criação cinematográfica espanhola pós-franquista, está de parabéns. Faz hoje 63 anos.


E está em grande forma! Basta ver o seu fantástico site, onde podemos recordar fotos e sequências dos clássicos: "Lola", "Jamon Jamon" ou "Huevos de Oro", mas também conhecer os seus novos projectos nos campos, da instalação, montagens, video-art e curtas metragens. Lunas é inesgotável e ainda bem!


(depois dum post tão desagradável como o anterior, precisava de boas notícias)

quarta-feira, 18 de março de 2009

gente evoluída

Activista da extrema-direita Mário Machado detido por tentativa de homicídio

Quantas provas mais serão precisas para se provar que o PNR não é um partido, mas sim uma organização criminosa, que deve ser imedatamente ilegalizada?

três notícias: nada de novo


Três notícias que não surpreendem e que reflectem a realidade quotidiana dos açorianos.

Afinal, nos Açores a inflação vai absorver na íntegra o nosso gostoso aumento de 2,9% e o rendimento das famílias cairá ainda mais, com o natural reflexo na procura interna e nos resultados das empresas. E os números do INE confirmam isso mesmo.

Ligando a cassete: Só com um aumento real do poder de compra dos açorianos é que dinamizaremos a economia regional. E o instrumento mais directo para o atingir é só um: aumentar os salários.

Sem isso, nada de novo.

apoio técnico aos estaleiros navais de Viana do Castelo




Foi a isto que ficou reduzida a nossa indústria de construção naval, depois de anos de políticas de privatização e liberalização de mercados.

Patrioticamente: aqui fica a minha contribuição, à-prova-de-idiotas. É só seguir as figuras.

demasiado grave

A ser verdade o que escreve o Expresso, o caso Freeport assume toda uma nova dimensão e gravidade.

Torna-se um caso de regime: como é possível que tenhamos deixado a corrupção assumir o poder e a alargar a sua sinistra teia de favores, ameaças, silêncios e influências desta forma no Portugal de Abril?

Recordo a coragem dos magistrados italianos, há alguns anos atrás, no tempo dos chamados processos "mãos limpas", que permitiram reduzir radicalmente a influência e corrupção mafiosa no aparelho de estado italiano, derrubando diversos políticos pelo caminho.

Do poder judicial exigem-se decisões e actuações corajosas. Portugal precisa de uma limpeza. Doa a quem doer.

terça-feira, 17 de março de 2009

biodiversidade insular



Cerca de 5499 imagens estão agora disponíveis cobrindo 1977 das 5000 espécies terrestres dos Açores. Esta aqui de cima é a nossa espectacular conterrânea Achaearanea acoreensis, uma espécie descoberta em 1932.

Sei que já existe há um tempo, mas - terrível ignorância minha - ainda não conhecia o Portal da Biodiversidade dos Açores.

Um trabalho soberbo e importantíssimo. A não perder.

segunda-feira, 16 de março de 2009

sindicalismo alinhado

A propósito das tristes declarações do nosso PM sobre o sindicalismo livre de tutelas partidárias, recordo este post com as declarações de João Proença.

E esclareço: não me choca nada que João Proença seja apoiante do PS ou de Sócrates, ou de quem quiser. É um direito que lhe assiste como cidadão. Agora não aceito que se tenha dois pesos e duas medidas.

E a questão é iniludível: os sindicatos têm de abordar, naturalmente, questões políticas. A defesa dos interesses dos trabalhadores (dos seus "associados", como dizia o PM) passa por discutir políticas e modelos de desenvolvimento.

As organizações sindicais não podem deixar de criticar governos que prejudicam os seus "associados". E isso, a UGT, só muito raramente faz, se é que o faz de todo quando o PS está no Governo.

Quem é que falou em tutelas partidárias?