quarta-feira, 1 de abril de 2009

novos países, a velha Europa

O desmembramento de muitas das nacionalidades da União Soviética, no século passado, foi saudada pelas potências ocidentais como a "libertação destes povos do domínio russo-soviético" e como a criação de uma série de "novas democracias" aliadas, prontamente acolhidas no seio da NATO e da UE.

As transformações nesses países apoiaram-se por vezes nos sectores políticos mais radicalmente reaccionários, proto-fascistas e mesmo saudosos dos tempos do Reich Nazi. Veja-se como exemplo o ressurgimento das milícias Ustase na Croácia, sempre sob o beneplácito cordial do ocidente.

O caso da Letónia é, infelizmente paradigmático porque, afinal, no seio da nossa moderna e democrática União Europeia, há ainda países que comemoram a sua participação na IIª Guerra Mundial ao serviço de Hitler e onde se escrevem livros de louvor às saudosas SS.

Mas, pior: sabiam que há um país da União Europeia onde 26% da população não tem direito à cidadania e, consequentemente, não tem direitos políticos apenas por ser de "origem russa"?

A nova Europa ainda tem muitos velhos problemas por resolver.

Sobre isto, vale a pena ler o artigo do eurodeputado Giulietto Chiesa, publicado n' O Diário.info.

segunda-feira, 30 de março de 2009

16 mulheres e 14 homens

As listas da CDU nunca precisaram da hipocrisia das leis de quotas para terem importante e valiosa participação feminina.

Agora a CDU foi ainda mais longe e, creio que pela primeira vez em Portugal, existe uma lista maioritariamente feminina em eleições nacionais.

Mas as diferenças estão muito para lá disso. São inerentes a todo o projecto da CDU.

Retenho a frase de Ilda Figueiredo:

manchas que não se lavam

Exército israelita arquiva investigação a denúncias de abusos em Gaza

Sobre as denúncias que transcrevi neste post, decidiu o exército israelita fazer um breve e ligeiro inquérito para rapidamente ilibar os seus soldados das atrocidades que cometeram sobre o povo palestiniano em Gaza.

Bem podem os israelitas tentar lavar as mãos, mas há manchas que não se apagam e crimes que não se perdoam.


domingo, 29 de março de 2009

finalmente

Será lançado amanhã, dia 30, o Matriz, novo álbum de Teresa Salgueiro com o Lusitânia Ensemble. Promete ser um dos álbuns do ano de 2009.

Teresa Salgueiro continua a fazer-nos voar muito alto com a sua voz e a emprestar às canções a paixão que as torna inesquecíveis. Cada faixa deste álbum é, do que ouvi até agora, uma verdadeira jóia, até pela qualidade dos músicos com que Teresa sempre se rodeia.

É um privilégio poder continuar a assistir à afirmação brilhante do talento de um nome grande, muito grande, da música portuguesa.

Veja o teaser:





Aproveite também para visitar : www.teresasalgueiro.pt

ainda São Jorge










Mão amiga enviou-me mais algumas imagens destas paisagens de cortar a respiração. São Jorge, claro!

dramatizações desesperadas


O discurso de Vital Moreira assenta em dois pontos fundamentais que tenta, de forma desesperada, fazer passar para o eleitorado:

1. Os "perigos" que a União Europeia correria se a vitória for para forças "não-europeístas".
2. Tentar convencer os portugueses a não fazerem um julgamento do Governo do PS nas eleições europeias.

Quanto ao primeiro ponto, nada de novo. Conhecemos essa dramatização desde sempre em relação aos assuntos europeus, nomeadamente em relação ao Tratado de Lisboa, em que a argumentação oficial era também nesta linha de ou o Tratado ou acaba a Europa. Ora, o Tratado acabou, ou quase, e a UE ainda aí está. Claro que sem que os portugueses possam ter dado qualquer opinião...

Quanto ao segundo ponto, Vital assume todo o desespero de quem sabe que o PS se encaminha para retumbantes e históricas derrotas em 2009, talvez com os seus piores resultados de sempre.

Será um resultado justo, em correspondência com o pior governo de sempre. Vital sabe-o e tenta inutilmente dramatizar.

sábado, 28 de março de 2009

espinha dobrada


Mais do que as óbvias diferenças de estatura política, o que me deixa verdadeiramente envergonhado é que o Presidente do Governo Regional assuma a posição do colonizado obediente e concorde que os EUA não têm de pagar nada pelo uso da Base das Lajes.


Que interesses está César a defender com esta posição? Não são os dos Açores com certeza.

Dignidade da Região? Autonomia? Pois sim! Frente ao patrão americano o Presidente do Governo prefere uma postura humilde e bem-comportada.

Não entende que só poderemos ter boas relações entre Portugal e os EUA construídas numa base de respeito mútuo e de cumprimento dos compromissos assumidos bilateralmente.

Com esta postura, Carlos César envergonha todos os açorianos.

a trapalhada adensa-se

Relatório do Tribunal de Contas arrasa Atlânticoline


Parece que as incompetências, hesitações e actuações menos claras da administração da Atlânticoline forma mais do que muitas.

O Governo Regional tinha obrigação de acompanhar bem de perto este processo, até pelo volume do investimento e pela importância dos navios para a Região.

Não o fez. E por isso, não é certamente aceitável que tente sacrificar a administração que nomeou, atirando-lhe todas as culpas e fugindo às suas próprias responsabilidades políticas.

O Governo do PS não precisou da ajuda de ninguém para se enforcar com mais esta trapalhada!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Saramago sobre a Europa


O Caderno de Saramago é a minha indispensável dose de lucidez diária.

é oficial

Confirma-se:
Atlântida não atinge a velocidade desejada


Não surpreende ninguém, mas já é oficial e confirmado.

E agora? Que vai fazer o governo Regional? Como evitar que se desperdicem dezenas de milhões de euros? Ainda será possível fazê-lo?

E as responsabilidades políticas deste caso? Será que Carlos César pretende tentar injustamente atirar as culpas para o Secretário Regional da Economia, assim sacrificando o seu delfim por erros passados e alheios?

Os açorianos têm direito a respostas claras e concretas.

omoletes sem ovos

Açores vão ter Orquestra Sinfónica Regional


Gabriela Canavilhas, Directora Regional da Cultura anunciou a criação de uma Orquestra sinfónica Regional, que se chamará "Francisco de Lacerda".

A ideia é boa. Resta explicar com que meios é que o Governo Regional pretende fazer isto, uma vez que na Proposta de Plano anual que está em discussão no Parlamento, apenas prevê gastar 3,3 milhões de Euros em actividades culturais e estas verbas têm de chegar para tudo: desde as escolas de formação, à Rede Pública de Leitura, ao apoio à Lira Açoriana.

Pode ser que essa tal orquestra sinfónica seja para 2010 ou 2011, porque em 2009 nem para mandar cantar um cego...

modernidades



Esta reportagem verdadeiramente chocante do Correio dos Açores mostra o que muitas vezes se esconde sob a capa da modernidade, dinamismo e competência das grandes superfícies comerciais.

Turnos de 16 horas? Horas extraordinárias não pagas? Proibidos de ir à casa de banho? Salários de menos de 300 Euros? Ameaças de despedimento? Tudo normal...

O que se passa nas Portas do Mar não anda longe da escravatura.

Uma vergonha!

borlistas





Estou perfeitamente em choque com as declarações de um responsável da embaixada norte-americana, assumindo claramente a intenção de esvaziar todo o envelope financeiro devido a Portugal pelo uso da Base das Lajes.

Pretendem, nas suas palavras "em vez de pagar uma conta, fazer uma parceria". Pois! Sai-lhes com certeza mais barato...

É perfeitamente inaceitável e exige-se um posicionamento claro e firme das autoridades portuguesas, a começar no governo Regional.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Ludwig Van

(Ludwig Van Beethoven 16 Dezembro 1770 - 26 de Março de 1827)
No dia 26 de Março de 1827, morria um dos grandes génios musicais de todos os tempos. Mais do que um músico, um homem envolvido e empenhado no seu tempo que teve a coragem de inovar, romper tradições e que soube captar na época o palpitar da história em movimento e transformá-lo em música. Música como nunca se ouvira antes.

Música que, 182 anos depois continua viva. E onde estaríamos nós sem ela?

Oiça alguma:

Beethoven Symphony No.4 - IV. Allegro ma non troppo - Ludwig van Beethoven

E, já agora, aproveite para visitar os arquivos digitais da Beethoven-Haus Bohn: milhares de documentos pessoais, partituras, esboços e rascunhos do grande músico. Vale a pena!

quarta-feira, 25 de março de 2009

quebrar o círculo vicioso da crise (reloaded)

Depois de ter escrito este post, foi apresentada mais uma iniciativa na Assembleia da República, a 457/X:

PCP recomenda ao Governo que salário mínimo atinja os 600 euros em 2013


Uma medida de elementar justiça e com efeitos positivos sobre o consumo. Será que o PS aprova?

tudo decidido


As declarações do Comandante do Comando Aéreo dos Açores deixam antever que, nos altos círculos diplomáticos, tudo está já decidido sobre a criação de uma zona de treino de combate sobre águas açorianas.

Entretanto, parece que ficou esquecida a promessa do Presidente do Governo Regional, feita à saída de um encontro com o Comando Americano, de que se faria um estudo de impacto ambiental e sobre o qual escrevi isto.

Além disso, concordo também com o que se diz no In Concreto: Sem resolução dos problemas laborais e garantias para os trabalhadores da Base, não há novas valências para ninguém!

terça-feira, 24 de março de 2009

quebrar o círculo vicioso da crise

Duas notícias e duas propostas relevantes que demonstram que é possível fazer mais do que cerrar os dentes e aguentar a crise:

PCP propõe isenção de propinas para estudantes desempregados ou com elementos do agregado no desemprego

PCP pede aumento do valor e da duração do subsídio para desempregados


o spot que a Antena 1 devia ter feito

E que eu não resisti a roubar desavergonhadamente ao Activismo de Sofá

Anúncio da Antena 1 (de Maio)

a diversificação por um canudo

O Açoriano Oriental traz-nos a notícia (que no fundo não é nova) das dificuldades porque passam a SINAGA e a Fábrica de Tabacos Estrela em resultado das políticas europeias.
Quanto à SINAGA, a UE não permite a importação de ramas de cana para suprir a falta de beterraba. Quanto à Fábrica de Tabacos Estrela, prevê-se o fim dos apoios à plantação de tabaco dentro do espaço comunitário.
Mais uma vez as políticas da União Europeia prejudicam activamente as nossas produções tradicionais. As lágrimas de Paulo Casaca (que aposta numa estratégia de conversas pessoais com a comissária) e de Duarte Ponte não convencem. O que teria sido necessário é que tivessem votado contra estas orientações. Agora é tarde.

segunda-feira, 23 de março de 2009

mais do que números

Ora cá estão os números da crise a atingirem uma dimensão inesperada mesmo para os mais pessimistas. E para lá dos números, uma multidão de dramas humanos difíceis de imaginar.

Torna-se claro que os planos multimilionários de salvamento de empresas financeiras falidas têm, na melhor das hipóteses, resultados mediocres e não dão resposta às questões fundamentais colocadas pela actual crise.

É que, por cada novo desempregado, teremos a correspondente diminuição no consumo interno e o agravar do círculo vicioso dos maus resultados das empresas.

A aposta concreta e fundamental tem de ser, só pode ser, na criação e preservação do emprego. O estado tem de intervir, sem complexos, nas empresas que produzem e geram riqueza. Não nos BPN's que para aí andam.