sexta-feira, 10 de abril de 2009

sismos


Antes que os cépticos venham comentar a oportunidade da apresentação desta proposta, no seguimento do sismo em Itália, importa lembrar que se trata de reapresentar um projecto que foi chumbado pelo PS em 2005.

E é algo que devíamos também ponderar seriamente na nossa Região. Como andam (se andam) os planos locais de emergência nas nossas vilas e cidades?

Ideias simples como reforçar a fiscalização das construções, a coordenação de planos locais de emergência e a hierarquização das situações de risco, acompanhado de um reforço de meios para o Instituto de Metereologia e postos de monitorização sísmica, nunca irão afastar todos os riscos, mas podem fazer toda a diferença perante uma situação de catástrofe.

Haja coragem de a aprovar.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

finalmente

Atlântida: Governo rompe com Estaleiros

E já não era sem tempo, senão for demasiado tarde. É de lamentar que se tenha atrasado esta decisão e a criação das necessárias alternativas de transporte para a próxima temporada apenas para tentar "salvar a face" política.

O Atlântida acabou e parece que até já está venda e tudo. O Anticiclone não passará do projecto. Começa o que se adivinha vá ser um longo e penoso processo litigioso com os Estaleiros de Viana do Castelo.

Tem também de começar o processo de apuramento de responsabilidades políticas e pessoais. Mas uma coisa é certa: o PS falhou rotundamente um dos seus grandes desígnios, uma das suas "obras de mandato".

a coluna de JP Guerra no Diário Económico

Cacaracá
08/04/09 | João Paulo Guerra

O doutor Durão Barroso já conta com o apoio de 20 governos e de outras tantas marcas de máquinas eleitorais para vir a ser reconduzido na presidência da Comissão Europeia.

Entre tais apoios contam-se alguns governos que se reivindicam de socialistas. O que prova algumas coisas: que a euforia a favor da mudança no mundo personificada em Barack Obama é tão aparente como o socialismo de alguns socialistas pós-modernos que são capazes de tudo. Por exemplo, capazes de contribuir para manter na ribalta um figurante da famigerada reunião que declarou uma guerra com motivo numa mentira, derradeiro abencerragem do séquito de George W. Bush nas Lajes.

Entre os socialistas dispostos a reconduzir o doutor Durão Barroso contam-se, como seria de todo previsível, os portugueses. O Partido Socialista português tem uma permanente e fatal atracção pelo abismo da direita e está sempre disposto a dar o tal passo em frente. E aconteceu agora mais uma vez quando o líder do PS, falando na qualidade de chefe do Governo, deu como adquirido e consumado o apoio do partido à recondução de Durão Barroso. No que, aliás, foi imediatamente acolitado por alguns dos incondicionais de serviço.

A declaração de apoio a Durão Barroso abriu uma leve contestação no PS. Mas contestações no PS, hoje em dia, são desavenças de cacaracá e não produzem efeitos que dêem notícia. Tirando os que ganharam o estatuto para dizer tudo, ou não ganharam o estatuto mas dizem, mais uma dúzia de mulheres e homens de coragem e sem nada a perder, os discordantes vão baixar rapidamente o nível da discordância e meter a viola no saco. Isso de viola era no tempo das baladas de Coimbra e baladas leva-as o vento que passa. Ah, pois passa.


pequena política

Este artigo de Luís Garcia no Faial Online revela bem toda a extensão do vazio desesperado do PSD Faial. Neste âmbito o título "Desespero" é mais do que apropriado, mas não no sentido que o autor pretendia.

O PSD Faial nunca ultrapassou o trauma de ter sido relegado para o papel de oposição oca, que nunca esteve disponível para assumir responsabilidades e efectivamente fazer alguma coisa pelo concelho. A sua política de terra queimada, ao longo de todo o último mandato, descredibilizou-os completamente perante os faialenses e a prova está na dificuldade que o PSD Faial tem em fazer listas de freguesia ou, mesmo, de conseguir arranjar um cabeça de lista credível. Até porque Luís Garcia, apesar da vozearia descontrolada que despeja em páginas de jornal, não está certamente disponível para abdicar do salário de deputado para o de vereador sem pelouro.

Luís Garcia derrama ódio cego e primário sobre a CDU, tentando apagar as obras, como o saneamento, que o PSD enquanto foi poder nunca teve nem competência, nem a coragem política de lançar. Com esta atitude revela a sua verdadeira preocupação. Não é ganhar a Câmara, não. Isso o PSD Faial sabe que está completamente fora do seu alcance.

A preocupação do PSD é tentar abater a CDU para poder voltar ao rotativismo confortável, em que sem qualquer esforço, mais tarde ou mais cedo, a Câmara da Horta lhes viria cair no colo. O que Luís Garcia não percebe é que esses tempos já lá vão.

Os pequenos políticos têm destas coisas: insistir nas suas próprias cegueiras, esperando que alguém os siga pelo banco barranco abaixo. Lamentável!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

blasted arquipélago

Os Blasted Mechanism estão nos Açores para lançar o seu novo álbum com um concerto nas Sete Cidades.

Que azar o meu que não estou lá, para ouvir a nossa melhor banda de rock inter-galáctico! Fica um vídeo para aguçar o apetite.

histórico

Fidel Castro recebeu congressistas dos Estados Unidos

Histórico e revelador de uma nova era nas relações entre Cuba e os Estados Unidos da América.

Prova que novos caminhos de paz e cooperação começaram decididamente a ser trilhados na América Latina.

Só por isto, já valeu a pena que os norte-americanos tenham elegido Obama.

Boas notícias!

Leia as reflexões de Fidel sobre esta visita.

terça-feira, 7 de abril de 2009

nuclear

Este artigo do Expresso informa sobre a criação de uma associação de cientistas para a divulgação em Portugal dos potenciais da energia nuclear.

É um assunto sobre o qual não tenho mesmo preconceitos e partilho a opinião da European Physical Society (EPS) sobre a necessidade de se criar um ciclo de produção de energia que seja isento de emissões. E, até à data, apenas o nuclear consegue este objectivo.

Ninguém pode negar que existem riscos, mesmo com as novas gerações de reactores, mas penso que devem sempre ser analisados com racionalidade e não à luz de velhos fantasmas e livros de ficção científica.

Interessaria a Portugal? Sem dúvida, até tendo em conta o nosso elevado nível de dependência energética. A opção nuclear tem certamente de fazer parte da discussão sobre as nossas possibilidades energéticas

Recomendo vivamente a leitura da opinião fundamentada da EPS. Este problema deve ser abordado com posições racionais e abalizadas, sem dogmas nem preconceitos.

Nuclear? É certamente uma possibilidade.

Guernica



António Abreu, no seu blog Antreus chamou a atenção para este belo filme sobre a tragédia deu Guernica e ao quadro que a tornou famosa.

Vale a pena ver!

boa televisão

A TVI 24, com níveis diferenciados de qualidade tem criado espaços interessantes de informação e debate.

Entre eles, começo a viciar-me seriamente no "Conversa Indiscreta". Não é apenas o prazer de poder contemplar Alexandra Lencastre e o seu magnético sorriso,. Têm sido conversas inteligentes, interessantes e animadas.

Hoje, com Carvalho da Silva, Alexandra conduziu mais uma entrevista com brilhantismo, revelou boa preparação, argúcia, não teve medo de ir às perguntas incómodas nem de derrubar os estereótipos habituais sobre os sindicalistas, e equilibrando a informação político-social com o lado humano.

Às vezes vale a pena ver televisão.

a bater no fundo


O facto não é novo nem surpreendente: os produtores de leite continuam a ser indecentemente roubados pela grande indústria, que procura financiar-se pelos cortes do preço pago à produção, enquanto mantêm os preços no consumidor.

A resposta não pode passar apenas por mais ajudas governamentais que, de forma indirecta vão acabar nos cofres das grandes indústrias.

O que se impõe é uma intervenção legislativa directa nos mecanismos de formação do preço do leite. Até porque este mercado nunca foi "livre", mas sim controlado por interesses que não são os dos produtores, que não são os da Região.

Uma nota apenas para o atraso da Secretaria Regional da Agricultura na aprovação de projectos para candidaturas a fundos europeus: Inaceitável!

outra leitura da crise segundo Saramago




do indispensável Caderno de Saramago

segunda-feira, 6 de abril de 2009

autonomia é democracia

Cavaco Silva diz que Estatuto Político Administrativo colocou em causa "valores basilares da Democracia".

Com esta triste declaração o PR demonstra a sua incompreensão de uma das características mais profundamente democráticas do sistema político português: o princípio da descentralização do poder, que tem profundas e antigas raízes históricas e que o nosso povo consagrou na máxima popular do "...mandam os que lá estão".

É preciso ser claro: em tudo o que não comprometa a unidade do Estado e do Território, o princípio que deve imperar é o da decisão democrática local, no nosso caso, Regional. Foi este o princípio consagrado na Constituição, foi este o princípio aprovado no novo Estatuto, é este o princípio que tem permitido o desenvolvimento dos Açores.

O que o PR não consegue compreender é que não se trata de separatismo, trata-se de democracia!

a política cresce

Correndo o risco de estar a ceder à auto-glorificação, não podia deixar de registar que o Política dura ultrapassou as 5000 pageviews no dia em que faz apenas dois meses de idade (hoje).

Obrigado a todos os amigos e visitantes. Comentem mais, critiquem, digam mal!

domingo, 5 de abril de 2009

isto é que é governar à esquerda

Trabalhadores a recibo verde podem ter que pagar mais à Segurança Social

(roubei ao Irmão Lucia)

suicídios exemplares


Cavaco Silva volta à carga no Estatuto dos Açores

Cavaco Silva continua alegremente a assassinar o PSD Açores.

Mais um que pensa que ninguém tem o direito de lhe suceder: "Depois de mim, o caos". Nunca atribuí grande credibilidade aos supostos conflitos institucionais e políticos com Sócrates. Se calhar tenho razão. Cavaco gosta é deste PS.

touradas no parlamento

Leio aqui que Paulo Estêvão pretende legalizar a sorte de varas nos Açores. É um tremendo erro e um tiro no pé.

Paulo Estêvão estava a construir a imagem de uma oposição corajosa e inteligente. Independentemente das nossas (óbvias) diferenças ideológicas, sempre lhe admirei a oratória brilhante, a postura consequente e a firmeza na defesa da sua ilha e das suas convicções.

Temo que se tenha deixado levar por pressões partidárias ou por miragens de mediatismo. É pena.

Mas sempre vai ser interessante ver como se posicionam PS e PSD perante a questão, até tendo em conta as declarações dúbias e de sentido contrário que alguns dos seus dirigentes têm feito nos jornais da Região.

Esse valor a iniciativa tem. Quanto ao resto, é um tremendo erro, de que certamente sairá derrotado. E, felizmente, é um projecto de Decreto Legislativo Regional não poderá ser repetida este ano...

sábado, 4 de abril de 2009

impérios da demagogia

A discussão das Orientações de Médio Prazo, Plano Anual e Orçamento 2009 na ALRA teve de tudo:
Desde piadas de bom e de mau gosto, alguma gritaria e flores de oratória, demonstrações de sapiência supostamente iluminada e de ignorância empedernida e renitente. Noitadas com votações até às duas da manhã e intervalos regimentais só para ir fumar um cigarrinho. Houve boas propostas, más propostas, propostas que não aquecem nem arrefecem. Enfim, mais uma semana alegre...

Alguns partidos preferiram aproveitar-se do mediatismo associado à discussão do Plano e Orçamento para darem largas à veia demagógica e populista, e distribuir milhões como quem distribui sopas do Espírito Santo.

Assim, o Império do BE, distribuía a esmo milhões pelos estudantes do Ensino Superior e pelas pensões mais baixas (propostas justas, diga-se), mas sem se terem dado ao trabalho de fazer a proposta de Decreto que permitiria concretizar estes apoios. Foi curiosa a teimosia do BE em não perceber que as despesas têm de ser iguais às receitas, é que para além de estar lá escarrapachado na Lei que o BE não leu, é uma questão de simples bom senso...

No Império de Artur Lima (que às vezes se chama Império do CDS-PP) distribuíam-se milhões para aviões cargueiro, pondo de parte a SATA (que o CDS sonha privatizar) e, melhor ainda, distribuíam-se ainda mais milhões para o sector privado da saúde, com o chamado cheque-saúde. Em vez de tentarmos melhorar o nosso Sistema Regional de Saúde e arranjar os profissionais que faltam, dá-se um cheque para o utente se ir tratar onde puder. Bravo!

No Império do PSD, vivem-se dias tranquilos à espera que a governação dos Açores lhes venha cair no colo em 2012, e não se fala de outra coisa. Mas, entretanto, sempre se vai propondo uma redução no IRS dos açorianos que ganham mais de 5000 Euros por mês. Lindo!

Sopas destas, nem pelo Espírito Santo!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

uns e os outros



Ao contrário das outras forças políticas, que adiam até à última hora a entrega das suas propostas, o PCP foi o primeiro partido a apresentar no Parlamento Regional as suas propostas de alteração ao Plano e Orçamento para 2009.

Uns preferem internar-se em obscuras negociações de corredor, enquanto outros optam uma postura de abertura e responsabilidade.

Uns preferem apresentar propostas primeiro à comunicação social e só depois ao Parlamento, revelando que não estão verdadeiramente interssados na sua real discussão ou aprovação, enquanto outros respeitam a Sede da Autonomia e consideram que é aí, antes de tudo, que as ideias devem ser discutidas.


É a diferença entre a postura da estratégia de uns e a postura da responsabilidade de outros.

Para registo, aqui ficam as propostas que o PCP apresentou:
- 300.000€: criação de um Plano Regional de Combate ao Trabalho Precário, subemprego e Trabalho Ilegal;
- 1.500.000€: reforço de meios para os Municípios poderem intervir em realojamentos e situações habitacionais urgentes;
- 200.000€: Campanhas de prevenção do álcoolismo e criação do Centro de Adictologia da Horta, para servir as ilhas do Pico, Faial, Flores e Corvo.

crescidos e graduados

Este artigo de Mário Abrantes no Diário dos Açores coloca as questões mais importantes sobre a questão das contrapartidas da Base das Lajes, sobre as quais escrevi isto e isto.

Retenho uma frase importante:

"O actual Acordo luso-americano é um mau negócio que nos impõe elevadas obrigações e baixos benefícios, que não serve os interesses nacionais e particularmente açorianos.”…”Do actual Acordo deveríamos tirar contrapartidas, sendo a mais simples a financeira, para que do negócio resultem vantagens para ambas as partes."

E acrescento, não será importante começar a desenhar-se uma posição política bem-definida e forte em relação à futura revisão do Tratado de Cooperação com os EUA?

É que, mesmo na era Obama, a Base das Lajes constituiu um valor estratégico indispensável e insubstituível para a extensão do aparelho militar americano, como aliás é demonstrado pela sua vontade em lhe acrescentar novas valências.

Não aproveitar as nossas vantagens e abdicar de uma negociação que nos favoreça será com certeza pouco inteligente. E indigno.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

novos países, a velha Europa

O desmembramento de muitas das nacionalidades da União Soviética, no século passado, foi saudada pelas potências ocidentais como a "libertação destes povos do domínio russo-soviético" e como a criação de uma série de "novas democracias" aliadas, prontamente acolhidas no seio da NATO e da UE.

As transformações nesses países apoiaram-se por vezes nos sectores políticos mais radicalmente reaccionários, proto-fascistas e mesmo saudosos dos tempos do Reich Nazi. Veja-se como exemplo o ressurgimento das milícias Ustase na Croácia, sempre sob o beneplácito cordial do ocidente.

O caso da Letónia é, infelizmente paradigmático porque, afinal, no seio da nossa moderna e democrática União Europeia, há ainda países que comemoram a sua participação na IIª Guerra Mundial ao serviço de Hitler e onde se escrevem livros de louvor às saudosas SS.

Mas, pior: sabiam que há um país da União Europeia onde 26% da população não tem direito à cidadania e, consequentemente, não tem direitos políticos apenas por ser de "origem russa"?

A nova Europa ainda tem muitos velhos problemas por resolver.

Sobre isto, vale a pena ler o artigo do eurodeputado Giulietto Chiesa, publicado n' O Diário.info.