quarta-feira, 22 de abril de 2009

factos

José Sócrates foi longe demais no ataque à TVI e sabe-o muito bem.

As suas declarações são ofensivas para uma instituição inteira, insultuosas para os seus profissionais e uma demonstração clara da má convivência que o Primeiro Ministro sempre teve com o pluralismo e a liberdade de imprensa.

José Eduardo Moniz tem toda a razão. Sendo verdade que a TVI tem, por opção, uma linha editorial que dá espaço e atenção aos múltiplos descontentamentos que grassam no país, a verdade é que apenas relatou factos. J.E.M. não chegou ontem ao mundo do jornalismo e nunca daria o flanco, permitindo um processo por difamação por parte do Primeiro Ministro.

Ao contrário, Sócrates dá o flanco todo, mostrando ao país o triste espectáculo do seu desespero. Foi emocional, irreflectido, contraditório e conseguiu com isso arranjar um inimigo extremamente perigoso, especialmente para um político que enfrentará eleições dentro de poucos meses...

Sócrates já não engana ninguém: o problema não é a linha editorial da TVI. O problema são mesmo os factos.


terça-feira, 21 de abril de 2009

a crise estranha-se, depois entranha-se

Lucros da Coca-Cola caem 10% no primeiro trimestre de 2009
Ninguém escapa ao longo braço da crise...


votar contra a barbárie

Num momento em que as sondagens de corredor entre os deputados da Assembleia Regional (a quem parece que PS e PSD darão liberdade de voto) parecem inclinar-se para a aprovação das touradas picadas, pode ser importante o resultado do inquérito promovido no site da RTP Açores (ver o canto inferior direito do site).

Vamos votar contra a barbárie!

pescas: mais tesouradas europeias

O Livro Verde sobre a Política Comum de Pescas, da autoria da Comissão Europeia, só será apresentado amanhã, mas a BBC já teve acesso ao documento.

A Comissão Europeia (obrigadinho ao compatriota durão Barroso!) pretende continuar a reduzir as quotas, o número de embarcações e os subsídios à actividade.

O argumento é o do costume: a sustentabilidade dos recursos piscícolas.

Mas, sendo um argumento válido em relação às grandes frotas industriais, com artes destrutivas, especialmente dos países do Norte da Europa, será que vão ser previstas excepções para a pesca de pequena escala como as praticadas pelas embarcações açorianas?

E o fim dos apoios ao combustível? Que efeitos vão ter na nossa Região? E qual é o posicionamento do Governo e dos diversos candidatos ao PE sobre esta matéria?

Tendo em conta o passado das negociações europeias, temo que tenhamos pouco a ganhar com estas alterações.

Caso para dizer: "Eles, europeus. Nós, lixados mais uma vez."

planeta Chávez

Via Admirável Mundo Novo, fiquei a conhecer o blog As Linhas de Chávez, que reproduz em português o blogue do Presidente Venezuelano.

Uma adição de valor para a barra à esquerda do Política Dura, com uma banda sonora inesperada e, sobretudo, a possibilidade de conhecer melhor uma das grandes experiências sociais inovadoras deste início do século XXI. Imperdível!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

o lado negro de Vital

Em ritmo de twitter, não resisto a comentar o debate entre os candidatos ao Parlamento Europeu a que assisto no canal 1.

Face à contestação, Vital mostrou o seu lado negro. Hesitação, ausência de argumentos, vitimização infantil e, sobretudo, fugindo, como o diabo da cruz de discutir as políticas que o PS aplica em Portugal, como se não tivesse nada a ver com isso.

Perante a sólida argumentação de Paulo Rangel, Vital Moreira insulta-o com as divisões internas do PSD. Perante a elegância de Nuno Melo, Vital Moreira insulta-o acusando-o de apresentar números falsos. Perante a contundência de Ilda Figueiredo e mesmo perante a poética demagogia de Miguel Portas, Vital limita-se a tentar contra-atacar com tíbios argumentos sobre o facto de PCP e BE pertencerem à mesma família europeia.

Vital conseguiu ser esmagado e ficar sem resposta perante todos e cada um dos outros candidatos, ficando, desesperado, a brandir o único e disparatado argumento que lhe ensinaram no Largo do Rato: "quem critica as políticas europeias e o tratado de Lisboa é anti-europeu!"

Fraco. Muito fraco. A máscara do intelectual, ponderado e tolerante (que Vital nunca foi) caiu mais depressa do que eu esperava... Não fossem as escandalosas ajudas, tipo 112, da jornalista(?) Fátima Campos Ferreira e a animada claque socialista para quem a produção do programa reservou as primeiras filas da plateia, e o desastre teria sido ainda pior!

a coragem, a vergonha e a falta dela

Merece aplauso a coragem de Ban-Ki-Moon ao afirmar na Conferência de Durban sobre o Racismo e a Xenofobia, que "a Islamofobia também é racismo."

Ao dizê-lo, põe-se corajosamente ao lado dos povos que têm sido demonizados, explorados, oprimidos, e demonstra porque é que a ONU ainda é a instância mais progressista na cena internacional e o único espaço capaz de construir soluções reais de paz e cooperação no mundo.

Outra palavra para a vergonha que cobre os governos dos Estados Unidos (Obama, sim), Itália, Austrália, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, Canadá e Israel, que boicotaram esta iniciativa da ONU. É que se as opiniões de Ahmedinajad merecem crítica, a tentativa de sabotar uma iniciativa internacional sobre uma questão tão importante como esta, merece-a ainda mais.

Sem palavras: a falta de vergonha dos representantes da União Europeia (muito me orgulha que Durão Barroso seja português!) que não tiveram a coragem de boicotar a Conferência, mas acabaram por abandoná-la, numa atitude verdadeiramente indescritível.

Eu não boicoto. Veja o site da Conferência.

domingo, 19 de abril de 2009

a universidade em ruínas: os silêncios da JS

Berto Messias, Presidente da JS Açores, seguindo a velha máxima publicitária "a repetição funciona", resolveu publicar o mesmo artigo na edição de Sábado do Diário Insular e do Açoriano Oriental, sobre a asfixia financeira das nossas universidades.

Algumas coisas surpreenderam-me no seu texto: 1) o reconhecimento explícito de que existe uma situação de asfixia financeira das universidades e o consequente reconhecimento implícito de que os Governos do PS nada fizeram para o resolver.
2) Finalmente, depois de muitos, mesmo muitos, anos a negá-lo, a JS finalmente reconhece que as propinas não são usadas, como prometido, para aumentar a qualidade de ensino, mas sim para substituir o financiamento do Estado, conforme avisavam os estudantes quando António Guterres lhes impôs uma lei de propinas.

Fico honestamente contente que a JS, ao mais alto nível reconheça finalmente estes dois factos e nem quero acreditar que Berto Messias esteja a ter uma posição meramente regional, julgando que a direcção nacional da JS não lê os dois principais diários açorianos...

Para o autor o problema é "cultural" e advém do facto de se pagar muito dinheiro em salários na Universidade. Pois... Prefere não dizer que boa parte dos nossos melhores professores e investigadores prefere ir para Universidades estrangeiras, devido às misérias que ganham em Portugal.

Escolhe silenciar que foi o PS, a par de PSD e CDS, que impuseram uma visão "comercial", de merceeiro, do financiamento do Ensino Superior, obrigando as Universidades a, desse lá por onde desse, arranjarem receitas próprias (propinas) e que agora é Mariano Gago que as quer obrigar a transformarem-se em fundações de direito privado, para que o Estado possa calmamente lavar daí as suas mãos...

Do ponto de vista regional, deixo duas perguntas: não valeria a pena a Universidade dos Açores manter alguns cursos, mesmo que com poucos alunos, mesmo que pouco rentáveis financeiramente, como arquitectura, ou direito, de forma a impedir que centenas de jovens açorianos tivessem de "emigrar" para o continente, quantas vezes de vez? Não deveria o Estado (todos nós, portanto) a assumir os encargos com a Universidade, como factor decisivo para o futuro do país?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

incompreensível

O PCP considerou hoje "absolutamente incompreensível" a proposta do Governo de taxar em 60 por cento o enriquecimento ilícito, quando não aceita criminalizar esta realidade.


"O Estado não aceita que esse enriquecimento ilícito seja julgado pelos tribunais, mas propõe que seja o Estado, através do fisco, a taxar esse enriquecimento ilícito", criticou hoje, em declarações aos jornalistas no Parlamento, o deputado comunista António Filipe.


A vontade de José Sócrates de aparentar uma política de esquerda, ao mesmo tempo que tenta não incomodar muito os grandes grupos económicos, leva às vezes a que defenda asneiras de grande calibre!

assim também eu

Citigroup lucra 1,6 mil milhões de dólares no 1º trimestre

O CitiGroup apresentou finalmente resultados positivos no 1º trimestre de 2009, no valor de 1,6 mil milhões de dólares.

Consegue-o depois de ter despedido mais de 65.000 trabalhadores em todo o mundo e de ter recebido 45 mil milhões de dólares dos contribuintes norte americanos.

Pois. Assim, também eu!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

compatriotas destes...

Carlos César apoia Durão Barroso

Carlos César, com o seu lamentável seguidismo político de ocasião e a sua inesgotável vontade de se mostrar como bom aluno, declarou publicamente o seu apoio à recandidatura de Durão Barroso.

Fê-lo, disse, por uma questão de "patriotismo" e por se sentir "orgulhoso de ter um compatriota à frente da Comissão Europeia".

Ora, no seu arrobo patriótico, o Presidente do Governo Regional esqueceu-se de várias coisas. Por exemplo que foi este "compatriota" que associou o nome dos Açores a uma guerra criminosa, na infame "cimeira da vergonha", ou que foi no mandato deste "compatriota" que a UE decidiu acabar com as quotas leiteiras, com o que vai destruir, certamente, a nossa agricultura, esqueceu que este "compatriota" por acaso até pertence a um grupo político que tem ideias contrárias às que César diz defender.

A vontade de ficar bem na fotografia e continuar a fazer toscas caricaturas dos posicionamentos de José Sócrates levaram Carlos César, com esta atitude, a esquecer os seus compromissos com os Açores e com os Açorianos. Lamentável.

Antero online



(e ainda há quem diga mal dos serviços públicos...)

Portugal segundo Saramago

"Quando informaram o rei D. João V do preço do carrilhão que iria ser instalado em Mafra, ele não se conteve e, com a sua ridícula prosápia de nouveau-riche, disse: “Acho barato. Comprem dois”. E, não há muitos anos, quando Portugal foi encarregado de organizar o campeonato europeu de futebol, que logo desgraçadamente não ganhou, alguém terá dito que precisaríamos de construir uns quantos estádios porque estávamos muito em baixo de instalações desportivas. Imagino o diálogo: “Quantos?”, perguntou o manda-chuva da modalidade, “Aí uns três ou quatro devem bastar”, respondeu o técnico, “Quais três? Quais quatro?” indignou-se o figurão, “Dez, doze é que hão-de ser, seríamos uns bons idiotas se não aproveitássemos os fundos europeus até lhe vermos o fundo ao saco”. Também neste caso alguém se enganou nas contas ou com elas nos enganou.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

combater desigualdades


Curiosamente, ou talvez não, a mesma ideia também é defendida por Barack Obama.

Esta medida está integrada num pacote legislativo contra a corrupção, branqueamento de capitais e enriquecimento ilícito. O aumento da carga fiscal sobre bónus, indeminizações chorudas e salários milionários é usar a crise para fazer justiça. Só há desenvolvimento com mais igualdade.

deprimente


Os dados do Estudo Sobre o Rendimento Escolar no Nível Secundário de Educação, da Secretaria Regional da Educação apresentam números verdadeiramente deprimentes.

Abandono escolar de 31% nos cursos Científicos e Humanísticos e de 47% nos cursos tecnológicos e, ainda, elevadas taxas de insucesso em ambos os casos.

A questão é de fundo e não é nova: Enquanto a perspectiva que damos aos jovens for a do trabalho precário, mal pago, sem segurança, ou a do "estágio eterno", será sempre mais tentador ingressar mais cedo no mercado de trabalho.

Apesar das declarações grandiloquentes dos nossos governantes sobre a qualificação dos portugueses e sobre a "sociedade do conhecimento", a verdade é que a maior parte dos empregadores procura é trabalhadores não qualificados, que possam manter, sem grandes queixas, em permanente situação precária, ou que possam substituir com facilidade, chegando até a recusar gente, por "excesso de qualificações".

E a legislação laboral abre-lhes todas as portas para agirem assim. Basta pensar, por exemplo, na extensão desmesurada do período de experiência para os trabalhadores recém-contratados, consagrada no Código do Trabalho.

Os jovens sabem tudo isto muito bem. Sentem-no na pele. Assim, para quê estudar?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Händel

Em dia de aniversários, e em fidelidade aos meus próprios vícios musicais, não podia deixar de assinalar também o 324º aniversário do nascimento de Händel.

Georg Frideric Händel foi um homem feliz. Sob qualquer ponto de vista. Uma vida longa, frutuosa, que assiste ao reconhecimento do seu próprio talento. Invejável.

Uma boa parte dessa felicidade transparece, sonante, poderosa e cristalina na sua música. E não pode deixar de nos contagiar.

O melhor mesmo é ouvi-lo!




Cedendo à tentação do exagero, não resisto a partilhar também a ária "ombra mai fu" ("a sombra nunca existiu") da sua ópera, Xerxes e considerada por muitos (por mim também) como uma das mais belas melodias algumas vez escritas.


Aos leitores habituais, as minhas desculpas. A política continua amanhã.


Soeiro

Soeiro Pereira Gomes faz hoje 100 anos. E digo "faz" em vez de "faria", porque a obra, o exemplo, as ideias e, acima de tudo, a inquebrantável vontade de fazer um mundo melhor que Soeiro nos trouxe, são imortais.

Soeiro soube fazer das letras armas contra a opressão, e trazer à luz o sofrimento, mas também a esperança de um povo. Muito mais do que palavras...

Soeiro soube, homem inteiro, envolver-se na vida à sua volta, participar, tomar partido, tendo morrido na luta clandestina contra a ditadura fascista. Muito mais do que palavras...

"Esteiros", "Engrenagem", "Contos Vermelhos" e tantas outras histórias que lemos há tanto tempo e que não esquecemos.

Muito mais do que palavras: a vida. Parabéns Joaquim!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

obrigadinho, centrão!


Longe vão os tempos da paixão pela educação!

Relembro peças no processo de desmantelamento da Universidade em Portugal: Cavaco Silva impôs uma lei de propinas, sempre jurando os estudantes que eram apenas para despesas de investimentos das faculdades. Depois Guterres, prometeu acabar com as propinas, mas ganhas as eleições, manteve-as. Depois Durão Barroso, que as agravou. E por aí adiante...

Apesar das promessas feitas aos estudantes, a verdade é que as propinas nunca serviram para aumentar a qualidade de ensino, mas apenas serviram para ir o Estado ir reduzindo as transferências para as universidades, que se viram forçadas a ir aumentando o seu valor.

Agora que os alunos escasseiam (estudar sai caro, impossivelmente caro, para a maior parte dos jovens portugueses...), o torniquete aperta ainda mais.

E assim se aposta na qualificação dos portugueses e no futuro do país! Obrigadinho ao centrão.

domingo, 12 de abril de 2009

lucidez

Não podia estar mais de acordo com o artigo de Paulo Simões no Açoriano Oriental, sobre as responsabilidades e a tentação de Carlos César de passar a batata quente no caso do navio Atlântida, e do qual retiro três ideias fundamentais:

1. Quem tem de assumir a responsabilidade política deste caso é Duarte Ponte e, sobre tudo, Carlos César. Vasco Cordeiro é responsável pela tentativa de abafar o assunto até onde foi possível, sempre afirmando que os navios estariam prontos a tempo. Foi um erro, mas não o torna o principal responsável por mandar mais de 31 milhões de euros pelo cano abaixo. As responsabilidades são claras: politicamente, o PS; pessoalmente, Carlos César.

2. Ainda falta apurar a verdadeira dimensão do buraco financeiro, que será agravado com os custos do aluguer dos navios para a época de 2009.

3. A incapacidade da anterior Assembleia em fiscalizar convenientemente o processo. Tanto o PSD como o CDS deixaram-se ficar nas promessas e afirmações do Governo Regional sobre o andamento da construção do navio e não utilizaram os meios ao seu dispor para fiscalizá-la. A nova composição da ALRA já está a ter efeitos, pois parece que esta, agora, já tem maior vontade de acompanhar o assunto. Mais vale tarde...

sábado, 11 de abril de 2009

de pescadores a banqueiros num dia

A fabulosa reportagem de Michael Lewis, "Wall Street on the tundra", na Vanity Fair deste mês, conta a história patética, incrível e dramática do crash financeiro da Islândia.

A forma inenarrável como o vício da especulação financeira se impregnou em todos os níveis da sociedade, transformando os islandeses em aprendizes de feiticeiro, de pescadores em banqueiros em poucas horas.

Uma história da irracionalidade do sistema que é tanto mais lucrativo quanto mais longe estiver da realidade dos factos económicos. Um "case study" a que um professor universitário chamou "a bolha perfeita".

Um memorial sobre a era em que vender expectativas era o grande negócio que fazia girar o planeta. Bom jornalismo. A não perder!