José Sócrates foi longe demais no ataque à TVI e sabe-o muito bem.As suas declarações são ofensivas para uma instituição inteira, insultuosas para os seus profissionais e uma demonstração clara da má convivência que o Primeiro Ministro sempre teve com o pluralismo e a liberdade de imprensa.
José Eduardo Moniz tem toda a razão. Sendo verdade que a TVI tem, por opção, uma linha editorial que dá espaço e atenção aos múltiplos descontentamentos que grassam no país, a verdade é que apenas relatou factos. J.E.M. não chegou ontem ao mundo do jornalismo e nunca daria o flanco, permitindo um processo por difamação por parte do Primeiro Ministro.
Ao contrário, Sócrates dá o flanco todo, mostrando ao país o triste espectáculo do seu desespero. Foi emocional, irreflectido, contraditório e conseguiu com isso arranjar um inimigo extremamente perigoso, especialmente para um político que enfrentará eleições dentro de poucos meses...
Sócrates já não engana ninguém: o problema não é a linha editorial da TVI. O problema são mesmo os factos.









Quando informaram o rei D. João V do preço do carrilhão que iria ser instalado em Mafra, ele não se conteve e, com a sua ridícula prosápia de nouveau-riche, disse: “Acho barato. Comprem dois”. E, não há muitos anos, quando Portugal foi encarregado de organizar o campeonato europeu de futebol, que logo desgraçadamente não ganhou, alguém terá dito que precisaríamos de construir uns quantos estádios porque estávamos muito em baixo de instalações desportivas. Imagino o diálogo: “Quantos?”, perguntou o manda-chuva da modalidade, “Aí uns três ou quatro devem bastar”, respondeu o técnico, “Quais três? Quais quatro?” indignou-se o figurão, “Dez, doze é que hão-de ser, seríamos uns bons idiotas se não aproveitássemos os fundos europeus até lhe vermos o fundo ao saco”. Também neste caso alguém se enganou nas contas ou com elas nos enganou.



