segunda-feira, 11 de maio de 2009

o silêncio das varas

Tem sido elucidativo este estranho silêncio dos defensores da sorte de varas.

Para além da triste figura das assinaturas ilegíveis, que fazem com que ninguém saiba muito bem afinal quem são os subscritores da proposta, à excepção de Paulo Estêvão do PPM no seu blog, ninguém tem escrito uma palavra sobre o assunto.

Nenhum dos conhecidos apoiantes do projecto, como José Bolieiro do PSD, que há algum tempo escreveu sobre isto, ou Berto Messias do PS, voltaram a falar no assunto, desde o momento em que a proposta foi apresentada.

Imagino que seja difícil defender uma ideia contra a qual os açorianos estão esmagadoramente contra, ainda por cima a poucos meses de eleições, mas este assobiar para o ar, a ver se a coisa coisa passa discretamente, é verdadeiramente vergonhoso. Representa, para mim, o mesmo tipo de coragem de um toureiro que só toureia depois do touro picado, cansado e ferido. Nem merece mais adjectivos!

(imagem roubada ao In Concreto)

coragem, visão, coerência

Perante um défice de 1,84 biliões de dólares, a administração Obama reduz a carga fiscal sobre a classe média e as pequenas empresas, ao mesmo tempo que corta benefícios fiscais às grandes empresas e reintroduz um imposto máximo para as grandes fortunas.

A isto tem de se chamar justiça e cumprimento dos compromissos que assumiu com o povo americano.

A isto chama-se visão, pois só com a introdução de factores objectivos de justiça social e equilíbrio na distribuição de rendimentos é que se poderá vencer a crise.

Sobretudo, um gesto de profunda coragem aos enfrentar os interesses instalados que arruinaram a economia norte-americana.

Soubessem os nossos governos aprender com o exemplo...

a calúnia é grátis


Para Vital, a calúnia é gratuita e não precisa de provas. Com a normnal psicologia dos renegados, o seu único e principal alvo é, não podia deixar de ser, o PCP.

Mais valia ter dito: "Quero uma Marinha Grande só para mim!", porque o desespero em relação aos resultados eleitorais de 7 de Junho começa a ser notório e difícil de esconder.

domingo, 10 de maio de 2009

porque hoje é domingo: coisas que valem (mesmo) a pena

Ao domingo lembro-me das minhas responsabilidades: a minha sobrinha merece um mundo melhor do que este.

credibilidades

"Eu vou ao Parlamento Europeu só assinar o nome" disse Elisa Ferreira.

Com esta credibilidade das candidaturas, com esta solidez dos projectos, com esta quantidade de candidatos-fantasma e de candidatos-de-tem-de-ser-por-causa-das-quotas, ficarei surpreendido se a abstenção nas eleições para o PE for inferior a 80%.

Enganem-nos, estamos habituados, mas ao menos não insultem a nossa inteligência desta forma!

varas cravadas na autonomia

sábado, 9 de maio de 2009

alguém me explica?



Atlântico Line


Ponta Delgada - Horta: 270 kms - 98 Euros por passageiro, 111 Euros por automóvel.




Intertours


Funchal - Portimão: 900 Kms - 75 Euros por passageiro, 100 Euros por automóvel.


Por mais que me esforce não consigo compreender...

Europa são eles

O PSD Açores acaba de lançar um blogue sobre a candidatura ao Parlamento Europeu da Maria do Céu Patrão Neves chamado "Somos Europa" com a estilosa terminação .EU e tudo!

O blogue começa com uma breve e lacónica mensagem de encorajamento de Duarte Freitas. Será o famoso humor negro social democrata?

Acho também péssima esta forma de iludir os eleitores (na qual os média cooperam activa e entusiasticamente, diga-se) que é a de fazer crer que há candidatos dos Açores ao Parlamento Europeu. Tratam-se de listas nacionais e todos os deputados portugueses (que agora são só 22, com o acordo de PS e PSD!) representam os Açores. Quanto mais enganarmos as pessoas, menos vontade elas terão de votar nestas eleições.

Não consigo ignorar a semelhança óbvia com o "nós europeus" do PS, nem deixar de pensar que é significativa... Que obsessão esta a do centrão (ou será que já posso dizer bloco central?) em relembrar-nos da posição geográfica que ocupamos há nove séculos!

Na hora de os eleger para irem de férias (bem) pagas para Estrasburgo, somos europeus.

Na hora de privatizar as nossas empresas e serviços públicos e os entregar ao capital estrangeiro, somos europeus.

Quando se desregulam as relações laborais e se agrava a precariedade e insegurança no emprego, somos mais europeus que a maior parte dos europeus.

Ao desmantelar-se a nossa agricultura, ao acabar-se com as quotas leiteiras que protegiam os nossos produtores, somos europeus.

Na hora de vermos os mares dos Açores a serem geridos por Bruxelas, ao serviço das grandes frotas de pesca industrial dos países do norte, destruindo os recursos que são o sustento dos nossos pescadores, somos europeus.

Mas, quando chega o fim do mês e olhamos para o recibo de vencimento, percebemos que na verdade não passamos de açorianos!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Rangel

As sondagens valem o que valem, mas creio que a subida do PSD é inseparável da figura de Paulo Rangel.

Pese embora as enormes discordâncias ideológicas, tenho de reconhecer que Rangel já há bastante tempo se vinha afirmando como, um orador excelente, um político inteligente, credível, bem preparado sobre os assuntos, em suma: um parlamentar temível. E penso que tem conseguido com brilhantismo fazer a transição do discurso parlamentar para o discurso de candidatura, afastando-se do tom tecnocrático do hemiciclo e encontrando formas simples e inteligentes de comunicar mensagens que, creio, têm passado bem.

Talvez por isso os seus adversários, Manuel Pinho recentemente e Vital Moreira em pleno debate televisivo, se vejam forçados a recorrer ao insulto contra Rangel, que não conseguem vencer pela argumentação. O PS tem razões para estar preocupado. Há muito tempo que não saía de S. Caetano à Lapa ninguém com este nível.

Até onde é que Rangel poderá chegar? Junho dará pistas e Outubro o dirá.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

apoiar quem estuda

A proposta do PCP que visava criar um regime excepcional de isenção de propinas no ensino superior foi hoje chumbado no Parlamento. Também outras propostas semelhantes da restante oposição foram chumbadas pela maioria cega e obediente.

Era uma proposta que fazia todo o sentido até porque milhares de jovens estão a abandonar as faculdades devido a dificuldades financeiras. As propinas são uma gota de água no orçamento das Universidades, mas fazem muita diferença a quem está a estudar, ainda para mais nestes dias de crise e desemprego.

Mas, se calhar, mais perto das eleições legislativa o PS ainda aparece com um projecto igual...

Fica o registo da boa intervenção de Miguel Tiago, um dos mais jovens, senão o mais jovem, dos deputados na Assembleia da República.

amigos da águia


Para garantir que Portugal não iria reagir perante a invasão indonésia de Timor-Leste, os EUA não hesitaram em recorrer a todos os meios, entre os quais financiar grupos marginais independentistas, e usá-los como sinistra moeda de troca para garantir o silêncio português perante os crimes indonésios contra o povo de Timor-Leste. É o que já se sabia, mas agora com provas vindas dos próprios norte-americanos.

Uma lição para os que teimam em confundir a amizade com o povo americano, (que acolheu e acolhe milhares de açorianos), com subserviência à administração americana que, nesta como noutras matérias, não esteve objectivamente ao nosso lado e não hesitou em utilizar a nossa amizade para os seus próprios fins.

crueldade não é tradição

quarta-feira, 6 de maio de 2009

a cassete

O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) apontou hoje a moderação salarial como "uma exigência absoluta" em Portugal"

José António Barros Presidente da AEP não abandona a velha cassete da moderação salarial. Demonstra bem a cegueira de muitos dos nossos empresários que, num dos países da UE com salários mais baixos, pensa que só pela via da redução salarial pode aumentar a competitividade das suas empresas.

Modernização, especialização, aposta na qualidade, ou valorização tecnológica, não é com eles. Com capitalistas destes, não há mesmo capitalismo que funcione!

desculpabilizar pelo silêncio


Com as ocas justificações de ser uma medida anti-crise e de ir ajudar a desentupir os tribunais dos processos destas multas (já que sendo mais baixos os prevaricadores estarão mais disponíveis para as pagar), o que se pretende é, na prática, desculpabilizar as agressões ao nosso meio ambiente.

Como se não bastasse sermos dos únicos países da Europa onde, com um simples despacho de um qualquer Secretário de Estado, se evita a obrigação de estudos de impacto ambiental em grandes obras. Ou, na nossa região, darmos o estatuto de "estrada florestal" sempre que quisermos fazer mais Fajãs do Calhau.

Sócrates, o ex-Ministro do ambiente que aprovou uma grande superfície comercial em cima de uma reserva natural (essa mesmo, o Freeport!) quer agora embarcar decididamente pelo retrocesso em matéria de legislação ambiental.

É também grave esta falta de visão que não percebe que a crise tem de ser também uma oportunidade de mudança na nossa relação com o meio ambiente.

Falou e falou bem Heloísa Apolónia do PEV. O silêncio da bancada do PS foi esclarecedor.

os suspeitos do costume

Não me apetecia especialmente continuar a falar disto, mas há esclarecimentos que são incontornáveis.

Um dos agressores de Vital Moreira foi identificado como Délio (délio???) Figueiredo (assinalado na foto) que, afinal não é, como se esperava, um ortodoxo e sectário militante do PCP, mas sim militante do BE!

Serve este esclarecimento para mostrar que nem o BE nem o PCP (e muito menos a CGTP) são responsáveis pelos lamentáveis sucessos, nem pelas atitudes imbecis dos respectivos militantes individuais.

Mostra também o mal que fica o oportunismo político dos que, como Miguel Portas ou o PS se precipitaram a cruxificar os suspeito do costume, os c... c... c... comun... comunistas!

o 3º deputado pr'áqui e pr'áli...

Em fim de legislatura europeia, e em desabono do amor do jornalismo regional pela verdade (toda), lamento ter de ser eu, que sou suspeito (e por isso mesmo, a verdade dita por mim nunca será tão verdadeira…nem tão bem descrita), a dizer o que faltou dizer…Porque, verdade verdadinha, a verdade existe de facto, para além da vontade de cada um.

O meu caro leitor lê, ouve e vê provavelmente também a imprensa regional, as rádios regionais ou a RTP/Açores. Tem por isso a memória recente repisada pelo slogan de os Açores “terem” Paulo Casaca como o 3º melhor deputado português no Parlamento Europeu, e ainda o deputado Duarte Freitas, entre os que aí mais trabalharam. Efectivamente a sua quantidade de trabalho, entre os pares portugueses, foi boa, mas, na sequência da notícia repisada, terá por certo ocorrido ao leitor ficar com uma pergunta (sem resposta) na cabeça: E o 1º e o 2º, quem foram? Após a publicação, na imprensa nacional, de uma estatística oficial, que certamente os nossos editorialistas também leram tão bem quanto eu (até porque só assim descobriram o 3º), desvendo-lhe o mistério: Foram, no cômputo geral das perguntas, intervenções e relatórios, os deputados Ilda Figueiredo e Pedro Guerreiro…(os únicos deputados que a CDU elegeu para o PE).

Bom! Mas, em defesa do jornalismo regional, ocorre então perguntar o que interessa isso para a Região, já que esses dois não são representantes dos Açores no PE, enquanto os deputados Paulo Casaca e Duarte Freitas são?

Infelizmente, como se viu pelo “pontapé” que ambos levaram das suas direcções nacionais (contra a vontade dos líderes regionais do PS e PSD), tal pressuposto baseia-se essencialmente em engenharia retórica, já que, verdade verdadinha, como o círculo eleitoral para o PE é único e nacional, as listas candidatas de cada partido são também únicas e nacionais, e formalmente não existem portanto aí candidatos específicos eleitos pelos Açores. Ou, dito de outro modo, todos os deputados portugueses têm, por igual, o dever de defender no PE os interesses dos Açores, como parte integrante que é do país pelo qual são eleitos.

Assim sendo, a figura essencialmente retórica do dito “deputado dos Açores” no PE, por melhor que defenda a Região, não está livre de, por motivos alheios à sua vontade, se ver excluída das listas de candidatos dos seus partidos, além de que, como se verificou claramente no caso da perda de soberania da nossa Zona Económica Exclusiva, essa figura tem servido quase sempre de pretexto para desvincular os colegas de partido da defesa solidária dos Açores, porção territorial do país que afinal só ela representa no PE.

Por dizer, falta ainda algo. E quanto ao trabalho directamente relacionado com os Açores? Na ausência de uma tal figura retórica entre os deputados eleitos pela CDU no PE, o que se verificou foi, para além de um empate em perguntas, que a Região pôde afinal contar, quanto a Relatórios, Pareceres e Resoluções (de acordo com o insuspeito arquivo das sessões), com mais do dobro do trabalho apresentado por estes deputados (ditos sem interesse para a Região…) do que a soma do trabalho para o mesmo fim apresentado pelos dois denominados “deputados dos Açores”. E não consta que mais nenhum dos seus colegas de bancada do PS ou PSD, tenha, para além deles, tido a veleidade de querer intervir sobre os Açores para coisa alguma.

Factos são factos. Só aqui falei de quantidades de trabalho (mensuráveis estatisticamente) porque o jornalismo regional a isso me obrigou. Mas que me apetecia mais falar de qualidade, lá isso apetecia...
Mário Abrantes

terça-feira, 5 de maio de 2009

pequenos

A SIC Notícias organizou um debate com os candidatos dos pequenos partidos ao Parlamento Europeu.

Tenho bastantes reservas sobre a atitude de separar os "grandes" dos "pequenos", embora perceba a dificuldade de um debate televisivo com 10 candidatos.

O debate foi interessante. Carmelinda Pereira do POUS apresentou argumentos sólidos e bem construídos, pese embora o irrealismo da proposta do abandono imediato da UE. Novidade foi o candidato do MRPP afinal já não defender esse abandono. Frederico Duarte, do PPM, nitidamente pouco preparado, não convence. Algumas ideias interessantes e bem articuladas do candidato do Partido Humanista, que talvez expliquem porque é que tem sido, dos pequenos partidos, um dos que mais cresce. Quartin Graça do MPT já nos habituou ao seu estilo calmo, ponderado e... apagado. Fiz um esforço, mas não consegui reter nenhuma ideia que tenha apresentado.

Não concordando com muitas das ideias que defendem, fico sempre contente com esta manifestação de diversidade e vivacidade da nossa democracia. Mesmo que a bipolarização do centrão já há muito os tenha tornado movimentos marginais e de peso diminuto.


Base das Lajes: mãos cheias de nada

O nosso representante na Comissão Bilateral para o Acordo da Base das Lajes saiu todo contente da reunião com os americanos porque "conseguiu":
e ainda:

Portanto, "progressos a nível técnico" e "progresso quanto à possibilidade". Isto é que é o que se chama uma vitória diplomática em toda a linha! De concreto, quanto ao cumprimento da lei laboral, quanto à protecção dos impactos da novas valências e, mesmo, quanto a voltarem a existir contrapartidas directas para a Região, nenhum progresso, nenhuma promessa, nada.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Vasco Granja



Via Desabafo Atlântico, chega-me a notícia triste da morte de Vasco Granja.

Um homem que marcou toda a minha geração (e não só!) trazendo-nos, através do desenho animado, imagens, linguagens e conteúdos muito distantes do universo comercial da Disney. Sonhámos, rimos e aprendemos mesmo muito com os seus programas. Não esquecemos.

Já em fim de carreira, a capacidade de brincar consigo próprio, demonstra a grandeza do homem.


Europa: salve-se quem puder


Uma retracção da economia de 3,7%, a redução do consumo, o aumento do desemprego até perto dos 10% e, a cereja no bolo, o aumento do défice das contas públicas até perto dos 6,7% são as previsões para Portugal.

Os maiores países da UE preparam-se agora para tomar medidas de protecção às suas próprias economias, de apoio às suas indústrias e serviços, abandonando, até por não terem outra escolha, a política de contenção dos défices.

No meio da tempestade económica mundial, o frágil barco europeu, com a sua carga de mitos sobre a "solidariedade europeia" e sobre a estabilidade do sistema colectivo, pode ser dos primeiros a nafraugar. Portugal, com a sua pequena economia aberta, frágil e extremamente dependente será com certeza dos náufragos mais desprotegidos.

Não ganhámos nada com a política de "bons alunos", seguida desde os tempos de Cavaco Silva e seus sucessores. Valeu-nos sem dúvida muito a pena termos passado todo este tempo a fazer sacrifícios em nome do Pacto de Estabilidade (onde?) e Crescimento (que é dele?)!