quinta-feira, 18 de junho de 2009

a política é uma coisa muito complicada

Do debate sobre o Estatuto da Carreira Docente nos Açores (que a incompetência governamental obriga a corrigir em Junho, depois de ter sido aprovado em Março), ressalta a sanha anti-professores que tão bem conhecemos dos socialistas do Continente.

A maioria socialista açoriana, sem conseguir disfarçar o tique autoritário, pretende penalizar na avaliação os docentes que tenham de faltar, por exemplo, por doença ou assistência à família. E, naturalmente, contra tudo e contra todos: professores, sindicatos, partidos da oposição, toda a lógica e toda a ética.

Duas figuras ressaltam também. Pela negativa, Lina Mendes, Secretária Regional da Educação e Formação, que além de ser cofrangedoramente limitada em termos de dotes para a oratória, passou o debate a tentar ocultar-se atrás de silêncios inexplicáveis. Os quais só abandonou para breves e irritadas tiradas, como se o parlamento não tivesse o direito de a questionar. Pela positiva, a deputada socialista Cláudia Cardoso que, apesar de não ter um pingo de razão nesta matéria, soube dar o peito às balas que vinham das bancadas da esquerda e da direita e defendeu com inteligência uma proposta que competia à SREF defender.

E a pergunta torna-se inevitável: como é que tendo uma parlamentar com as capacidades de Cláudia Cardoso se tem uma Secretária Regional com as fragilidades de Lina Mendes?

A política é uma coisa muito complicada...

ilhas: de lucidez

JNAS no Ilhas: diz hoje coisas importantes sobre os mecanismos de reprodução do poder instituído na nossa Região.

Apesar do texto ser por vezes demasiado negativista, acabando a espaços por deitar fora o menino com a água do banho autonómico, coloca algumas dos problemas que (também) acho centrais para a democracia açoriana.

A subsídio-dependência e o clientelismo que gera e, também, o mito do Turismo (na semana em que também descobrimos que os Açores são a região do país onde o turismo tem menos peso na economia), a que o autor inteligentemente chama "a cornucópia".

Vale a pena ler.

alguém fica surpreendido?

Mulheres trabalham mais 16 horas que homens

O Relatório sobre o Progresso da Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens no Trabalho, no Emprego e na Formação Profissional traz uma realidade que todos conhecemos bem. Uma daquelas realidades, aliás, que está se calhar tão próxima, que muitas vezes nem damos por ela.

Para além de terem piores salários médios, de serem mais atingidas pelo desemprego, pela pobreza, pela falta de qualificações, a maior parte das mulheres do planeta soma aos seus deveres profissionais mais um trabalho feito de tarefas domésticas não remuneradas, que executam na maior parte dos casos sem qualquer ajuda dos seus companheiros...


Esta é sem dúvida mais um dos grandes problemas de igualdade que nos falta resolver. Mesmo no Portugal Europeu. Mesmo entre as gerações mais jovens. Abrir os olhos é preciso.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Tigran

A 17 de Junho de 1929, há oitenta anos atrás, nascia em Tiblisi, na Geórgia, Tigran Petrossian, um nome, um rosto e sobretudo um estilo que o tornariam famoso em vida, campeão mundial entre 1963 e 1969 (perdendo o seu título para Boris Spassky) e uma referência familiar para os xadrezistas de todo o mundo. O seu estilo fechado, lento, posicional e as suas defesas índias são uma parte essencial do estudo de todos os jogadores, em qualquer lado.

Embora hoje a maior parte dos jogadores de topo pratique um estilo de jogo mais dinâmico e mais aberto, não consigo deixar de pensar que a prudência, calculismo e lenta acumulação de pequenas vantagens que caracterizavam o seu jogo, estão mais perto da verdadeira essência do xadrez: Máxima flexibilidade táctica. Máxima firmeza estratégica.

No fundo, uma lição política. No fundo, uma lição de vida.

deputados com alma

Miguel Tiago, o mais jovem deputado da Assembleia da República concilía a política com a produção literária no blogue letras ígneas, para além de manter o seu interessante Império Bárbaro que, naturalmente já consta na barra à esquerda deste blogue.

Ao que julgo não é o único, mas contraria os esterótipos estabelecidos sobre os politicos (e sobre os jovens políticos) que são, como qualquer um, pessoas sensíveis, complexas e multifacetadas.

Muito bem!

o pecado original

Como outras que abundam por esse país fora (e também por cá…), no passado fim-de-semana passou pelos Açores mais uma versão soft da voz de Vital Moreira. Não diabolizemos demais esta, só porque não é de um economista, mas de um tribuno (de formação), desculpabilizando assim aquelas outras que emitem uma linguagem mais recatada e objectiva. Os conselhos para-racionais e menos truculentos, ofertados por estas luzes do alto império (economistas muito europeus, federais e globalistas do mercado) que de quando em vez nos vêem alumiar, para a autonomia regional são tanto ou mais ofensivos que as diatribes “Vitalinhas”.

Antigo ministro da economia entre 1995/99 (o tal do “plano Mateus”), actual dono de uma empresa de consultadoria económica (ganha a vida a dar conselhos…) e convidado para uma sessão pública do Fórum Açoriano, Augusto Mateus “dixit” (em tom crítico): “O modelo económico seguido nos Açores privilegia mais a coesão e menos a competitividade, o emprego sustentado e a riqueza”. Veio portanto até cá advogar (mesmo sem ser tribuno) duas coisas: A primeira é que, ser-se arquipélago disperso por nove ilhas, sem massa crítica suficiente para o funcionamento normal de qualquer lei de mercado, e distante mil milhas marítimas do continente, não justifica que se conceda o privilégio à coesão! A segunda é que o emprego sustentado e a riqueza, em lugar de filhos dela, são inimigos dessa mesma coesão. Já estou a imaginar o Corvo e as Flores a competirem taco a taco com S. Miguel, e esta ilha por sua vez a competir taco a taco com o território continental…até ao último sobrevivente. Ah! Mas do afundamento do arquipélago brotaria, segundo este ilustre conselheiro, uma “grande e pujante cidade”, a cidade de Ponta Delgada”! Estão a ver como (para potenciais pategos…) é fácil esquematizar o radioso futuro destas nove ilhas?

Outro conselho interessante que veio dar: “O principal recurso natural dos Açores é o mar, não os prados”. Fico, desde logo a saber que os prados açorianos afinal são um recurso “natural” (pouco percebo de economia, mas Augusto Mateus, neste particular, demonstrou perceber tanto quanto eu). E o mar? Tem razão o sr. Prof. Doutor, é o principal recurso natural dos Açores…para outros virem explorar quanto baste a mando da União Europeia, e sob os conselhos de empresas em tudo iguais à do o sr., caso o (também seu) Tratado de Lisboa venha a ser aprovado da forma como está redigido!

Afirmando ser errado “…basear o desenvolvimento sempre na lógica da compensação dos custos da insularidade”, Augusto Mateus afirma ainda: “…um Portugal que valoriza o Atlântico é um Portugal que ajuda os Açores”. Portugal deve “ajudar” os Açores? Esqueceu-se que os Açores é Portugal? E que ajudar os Açores é ajudar Portugal? E que, após a integração europeia os direitos alfandegários deixaram de existir, e o poder sobre as taxas de juro deixou de ser português, quebrando o proteccionismo económico que, depois do 25 de Abril, estava em condições de romper com o isolamento e começar a garantir o escoamento a preço compensatório das produções dos Açores? Que os Açores, por isso mesmo, devem ser agora, e no futuro, legitimamente compensados, pela UE, de tal prejuízo continuado, através dum estatuto de ultraperiferia ou outro qualquer que elimine os handicaps permanentes da vivência nestas ilhas com a mesma dignidade de um qualquer europeu?

É sem dúvida este o pecado original do raciocínio centralista (ou simplesmente economicista) de muitos “Vitalinhos” que por aí andam, para quem, por fidelidade à sua coerência mercantilista, melhor seria que os Açores voltassem a ser desabitados…
Mário Abrantes

terça-feira, 16 de junho de 2009

tudo já, nada depois

Assembleia rejeita protesto contra treinos nas Lajes

Num dia relativamente morno no Parlamento Regional, em que PS, PSD e CDS se dedicaram ao inútil folclore pós-eleitoral, repetindo ou glosando as declarações dos respectivos líderes nacionais e regionais, o voto de protesto apresentado pelo Bloco de Esquerda contra a criação de um campode treino de caças na Base das Lajes sempre acabou por fornecer alguma emoção. Infelizmente, nem sempre pelas melhores razões.

Desde logo, abordar uma questão desta importância com um voto de protesto (que é discutido e votado num quarto de hora) é tratar o assunto com excessiva ligeireza. Por outro lado, o histerismo do tom escandalizado do documento apagou qualquer possibilidade de compreensão de alguns dos argumentos válidos que apresenta. E, de facto, o verbalismo exaltado dos primeiros parágrafos acaba por ser substituído no final do texto pela morna e consensual (da esquerda à direita) reivindicação do estudo de impacto ambiental e da possibilidade da Região se pronunciar.

É necessário ganhar o apoio dos açorianos para uma revisão do Acordo de Cooperação na qual Portugal tenha uma posição negocial forte e os interesses dos Açorianos sejam tidos em conta. Não será quase exigindo o fecho da Base, a perda de centenas de empregos e de milhões de euros por ano que são injectados na economia regional que se vai ganhar o apoio de seja quem for neste arquipélago!

Se, de facto, queremos contestar a utilização dos Açores como ponto de apoio de projecção da força militar dos Estados Unidos é preciso fazê-lo com inteligência. Tacticismo? Talvez. Mas, habitualmente, a postura esquerdista do "tudo e já!" conduz apenas a nada, depois.

bons exemplos

Horta Tube Project - "uma semana para criar, filmar e montar uma curta metragem para divulgar no Youtube.
A Horta continua uma das mais dinâmicas cidades dos Açores, em termos culturais. Também graças ao bom trabalho dos técnicos da Biblioteca Pública. Bravo!

toda a razão


Não costumo estar de acordo com Berta Cabral. É mesmo uma sensação estranha, confesso. Mas neste assunto a líder do PSD Açores teve uma postura correcta.

A criação (potencialmente inevitável) do campo de treino para caças é uma ocasião para que a Região faça valer os seus direitos, resolvendo os conflitos laborais e conseguindo maiores contrapartidas. Reconhecendo que será provavelmente mais difícil conseguir contrapartidas financeiras directas, poderá, pelo menos, haver um reforço dos programas de cooperação.

Agora é o momento oportuno para colocar em cima da mesa os interesses dos Açores. Com o silêncio obediente dos nossos governantes da Região e da República dificilmente teremos alguma coisa a ganhar.

o último sapo antes das férias

Vital Moreira apoia Durão Barroso

Antes das suas merecidas férias em Bruxelas e do seu aliviado mergulho no esquecimento, bem longe das luzes da ribalta política nacional, Vital Moreira foi obrigado a engolir um último sapo: apoiar Durão Barroso, que tinha jurado a pés juntos não apoiar.

É assim. A disciplina partidária e obediência ao chefe contam muito, mesmo para os "independentes". O que é certo é que Vital Moreira faz a sua estreia no Parlamento Europeu quebrando a orientação de voto do PSE. Provavelmente isto não vai servir para aumentar o peso político dos eurodeputados portugueses do PS. É que re-eleger Durão Barroso também não ajuda (já o provou) em nada os problemas nacionais.

Em todo o caso, depois de Sócrates o ter contrariado publicamente durante a campanha, restavam poucas dúvidas que essa ia acabar por ser a sua atitude. Ao que me contam, não é de agora que Vital rapidamente se esquece das suas declarações inflamadas em prol da mais interesseira obediência.


segunda-feira, 15 de junho de 2009

democracia socialista (versão juvenil)

Depois de ter sido eleito com 97% dos votos, Berto Messias vê a sua moção estratégica aprovada por unanimidade no congresso da JS Açores.

É, de facto, de fazer inveja a Kim Jong Il! Apesar de atirar para o ar muitas críticas às juventudes partidárias que, depois de processos de discussão que duram meses, conseguem construir consensos expressivos em torno de programas redigidos colectivamente, os delegados ao congresso da JS aprovaram obedientemente um documento que parte apenas da cabeça do líder indigitado e que têm um dia e meio para discutir e que, creio, nem pode alterar.

Democracias...

domingo, 14 de junho de 2009

quando tudo o resta falha

Foi "estúpido" o que se passou com a abstenção nas eleições

Carlos César está nitidamente a acusar o toque da derrota eleitoral que o seu partido sofreu nas últimas eleições.

Não querendo assumir as próprias culpas, nomeadamente pela sua total ausência da campanha eleitoral que poderia, objectivamente, ter feito alguma diferença e depois de atirar com as culpas para o candidato-bode-expiatório, Vital Moreira, César continua sem perceber o protesto que muitos milhares de açorianos expressaram com a sua abstenção. Não se apercebe que, com a sua imponderada declaração está a ofender mesmo muito gente, muitos açorianos que o elegeram.

Para César, quando tudo os resultados não são bons, recorre-se à obrigação administrativamente imposta do voto. Mas, se mesmo isso falhar, então, recorre-se ao insulto.

amanhã também

Álvaro Barreirinhas Cunhal
10/11/1913 - 13/06/2005


Naquela tarde inesquecível de 2005, perto de um milhão de pessoas invadiu as ruas de Lisboa na despedida a mais do que um dirigente político, um amigo que sentíamos próximo. Com a mesma urgência maior de estar estar presente, de participar, de fazer um último gesto de mágoa ou de esperança, a multidão atravessou toda a cidade, a derramar esperança vermelha pelas avenidas. Há momentos assim, que se tornam partes incontornáveis do que somos.


Porque há homens que a morte não derruba. Vontades que o tempo não destroi. Aqui estamos. Contigo. Hoje. Amanhã também.


sábado, 13 de junho de 2009

liberdade de imprensa

Algumas dezenas jornalistas dos principais jornais europeus assinaram a Carta Europeia da Liberdade de Imprensa.

Paulo Simões, do Açoriano Oriental, transpondo estes problemas para a realidade regional, assinala como negativa a criação do gabinete de propaganda do Governo dos Açores, vulgo GACS, com o objectivo único de tentar condicionar o trabalho dos jornalistas.

Apesar da declaração vir do director do jornal que, no último dia de campanha, foi cúmplice numa manobra de propaganda ilegal do partido do governo, tem razão. A situação não é nova e os incidentes são bem conhecidos. Agora, também não se pode passar ao lado dos órgãos de comunicação social que, por falta de meios, ou tempo, ou vontade, se limitam a copiar os comunicados do GACS, aproveitando a "papinha feita" e poupando os seus próprios recursos. Veja a tristíssima edição online do Jornal Diário, por exemplo.

É que a liberdade de imprensa, consagrada na Constituição e em múltiplos documentos internacionais, só pode ser efectivada se forem os profissionais da informação os primeiros a lutar por ela.

congressos que não enganam ninguém

A moção ao congresso da JS Açores demonstra bem o confuso arrazoado pré-eleitoral dos socialistas, muitoo preocupados em demarcarem-se do "capitalismo financeiro" e do "liberalismo desregulado", dos quais há bem pouco tempo eram os mais fieis promotores.

Mas, contradizem rapidamente as próprias ideias com os chavões sobre a "nova economia" e a "desmaterialização da economia" e os "capitais de risco", demonstrando que nada perceberam da actual crise do capitalismo e sobre a necessidade de, ao invés, voltarmos a investir na economia real e produtiva.

Mas pior do que tudo o que diz é tudo o que procura silenciar, especialmente me relação à política dos Governos de Sócrates e César. Sobre o código do trabalho e institucionalização do trabalho-precário-permanente: nada. Silêncio.

Sobre o fim do vínculo permanente na função pública, com a consequente precariedade ou sobre o aumento da idade da reforma (que é porventura a principal causa do desemprego jovem): nada. Silêncio.

Sobre o acesso ao subsídio de desemprego para os jovens à procura do 1º emprego: nada. Silêncio.

Sobre o encerramento de escolas, sobre a asfixia das universidades, sobre as propinas e o aumento dos custos de frequência no ensino superior, nada. Silêncio.

Sobre o fim do incentivo ao arrendamento jovem e a sua substituição por um programa que passou a apoiar apenas 3000 jovens a nível nacional (contra os anteriores 22.000): nada. Silêncio.

A JS está a subvalorizar gravemente a juventude açoriana se pensa que consegue assim apagar o seu silêncio e seguidismo em relação a todas as medidas dos governos socialistas. É que assim já não enganam ninguém.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

derrotados


A sua visão neo-liberal e federalista da Europa, tão bem representada por Durão Barroso, e as políticas de direita que defendem e praticam nos respectivos países conduziram-nos a históricas derrotas eleitorais e, agora, ficam também isolados no apoio ao Presidente da Comissão.

Estes rostos representam a esquerda que se rendeu perante o liberalismo dominante, adoptando-o. Tentando ocupar o espaço à sua direita e "modenizar-se", acabou por abdicar da sua base de apoio social. Os "rebrandings" ideológicos têm destes perigos. As suas derrotas eram previsíveis e porventura inevitáveis.

O sete de Junho trouxe o toque a finados da "esquerda moderna" e anunciou o início do fim do logro ideológico dos principais partidos socialistas europeus. E, em boa hora, pois só com essa clarificação é possível encetar-se o caminho para a construção de uma alternativa de esquerda, plural, anti-liberal que possa fazer as rupturas necessárias com a prática política de direita que tem conduzido os destinos da Europa.

A ambição do resultado eleitoral a qualquer custo é uma tentação para todos os líderes políticos, em todos os quadrantes. Mas quando abdicam da sua identidade política, estão a condenar-ser a ser, mais do que vencidos, verdadeiramente derrotados.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

saborosa e deliciosa

Ora uma, com a euforia quase a descompor a habitual postura professoral, chamando-lhe saborosa, ora outra dominada por incontrolado triunfalismo, chamando-lhe deliciosa, foram estes os qualificativos paralelos para a vitória eleitoral utilizados respectiva e sequencialmente pela candidata do PSD/A às europeias e pela Presidente do Partido, na sede deste, em noite das eleições, e falando para os Açores e os Açorianos perante uma (espectável) forte audiência televisiva. Deduzo portanto e de imediato que, para o subconsciente político das duas cidadãs em causa, seria então conveniente transmitir aos Açores e aos Açorianos que a vitória eleitoral do PSD nas europeias se tratou de um verdadeiro manjar…

E as palavras não se ficaram por aqui. Em catadupas de cada vez maior alcance, com a moderação a caminhar (obviamente) em sentido contrário, foram saindo assim: “Ganhámos com uma política e uma campanha de proximidade…”; “Os açorianos souberam corresponder. Está aqui bem expresso o resultado do nosso esforço…”; “Estamos todos de parabéns. Todos os açorianos estão de parabéns…”; “Os resultados exprimem bem a vontade de mudança do Povo Açoriano…”!

Mas a “política de proximidade” em campanha é alguma novidade (para qualquer força política)? E o PSD, com isso, terá ganho qualquer coisa mais? É que votos não foram certamente, já que os perdeu, das últimas europeias para estas.

Os açorianos “souberam corresponder” ao “esforço” do PSD! Como? Com o resultado expresso de 80 % de abstenções! Fica-me então a dúvida sobre o verdadeiro sentido do “esforço” do PSD. Só se foi o “esforço” anterior para negar àqueles o referendo sobre o Tratado de Lisboa. Para combater o abstencionismo é que não foi certamente. Aliás, por mais que diga o contrário, quem não consegue combater o abstencionismo dentro das suas próprias fileiras, muito menos o conseguirá fora delas. Neste aspecto, honra lhes seja feita na parte que lhes coube, só o BE, a CDU e o MPT alcançaram um tal desiderato.

Com uma vitória eleitoral fácil e de dimensão inesperada, mais a expensas do desconforto global, gerado pela maioria absoluta que governa o País e se estende à Região, do que por qualquer “política de proximidade” e “esforço” do PSD/A, o deslumbramento deste partido consigo próprio atravessou mesmo a raia do absurdo: “Estamos todos de parabéns. Todos os açorianos estão de parabéns…”. Porque raio qualquer dos 205.942 eleitores açorianos que não votaram nesse partido estaria de parabéns com os 19.610 votos do PSD/A? Explique-me caro (e)Leitor?

“Os resultados exprimem bem a vontade de mudança do Povo Açoriano…”. Isso até é verdade em parte. Mas para onde, Dra. Berta Cabral? Sabe-me dizer? Pretenderá porventura, subconscientemente (admito-o), vislumbrar nos resultados das europeias a opção inequívoca dos açorianos pelo PSD/A?

Embora em total desacordo, tudo o que foi dito pelo PSD/A em noite de contagem de votos, até mesmo o absurdo, admito que tenha sido dito numa visão narcisista, deslumbrada de si próprio. Pensando no futuro, pelo que essa atitude (em Democracia) revela de preocupante cegueira e irresponsabilidade política, o que repudio com veemência é não ter ouvido uma só palavra, um só comentário do PSD/A, um minuto de referência, no seu discurso da noite de 7 de Junho, a propósito do facto dos Açores terem registado um cúmulo nacional de participação eleitoral negativa, na ordem dos 80%! Dá que pensar…


Mário Abrantes

foram os russos!


Vasco Cordeiro, Secretário Regional da Economia, foi à comissão de Economia do Parlamento Regional, tentar lançar as culpas dos problemas do Atlântida para cima do projectista, que não sabe usar o computador e ainda por cima é russo, povo conhecido por ter as costas largas.

É obviamente do interesse do PS tentar ilibar por um lado a incompetente administração (politicamente nomeada) dos ENVC e, sobretudo, disfarçar a sua própria incompetência e cegueira, ao ter ignorado os avisos de diversos técnicos, incluindo do IPTM e ter insistido no acrescento de camarotes, para dar maior rentabilidade ao navio.

Mas não há volta a dar-lhe: a responsabilidade política e executiva neste assunto vai direitinha e integralmente para o Governo Regional do PS. Vasco Cordeiro, não é obviamente responsável directo pelo assunto, mas é a quem compete assumir o ónus de mais esta trapalhada!

Luís Vaz

Foto de Cláudia F. - www .olhares.com

No dia de mais um português que Portugal não soube cuidar.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões

terça-feira, 9 de junho de 2009

mais do mesmo


Cavaco já acenou com a patrioteira declaração de que é muito importante elegê-lo. Quer fazer esquecer (mas aposto que se lembra muito bem) de que foi durante o mandato de Durão que, entre muitos outros desmandos, Portugal (e especificamente os Açores) foram envolvidos na criminosa guerra do Iraque, que foi durante o seu mandato que se aprovou o fim das quotas leiteiras e outras medidas de liberalização que estão a destruir o que resta da nossa economia.

E Vital? Vai engolir o sapo e fazer o que Sócrates manda? E os deputados açorianos ao PE? Vão aprovar isto? A disciplina de bancada conta muito e, agora que já estão eleitos, PS, PSD e CDS vão concerteza aplaudir a continuação das políticas anti-nacionais de Durão Barroso.

Felizmente, há quem se oponha, em muitas outras bancadas. Será que vamos assisitir uma vez mais à vergonha que foi a inédita repetição das votações para garantir a eleição de Durão?


Uma coisa teremos por certa: com Durão, seja qual for a sua nacionalidade, Portugal não tem nada a ganhar, senão mais do mesmo!